quinta-feira, 11 de outubro de 2018

«NOVO» ESTUDO FORENSE DESAFIA AUTENTICIDADE DO SANTO SUDÁRIO?- UMA REFLEXÃO CRÍTICA


                                                    


Julho 2018
Antero de Frias Moreira*
*Médico- Especialista de Medicina Física e de Reabilitação

Resumo. Tendo sido publicado um estudo forense sobre as manchas sanguíneas patentes no Sudário de Turim alegadamente utilizando técnicas que reproduziriam as condições em que estas se teriam produzido num crucificado suspenso na cruz, é efectuada uma análise critica, comparando com dados forenses de anteriores trabalhos, bem como aspectos anatómicos e fisiopatológicos.
Conclui-se que inequivocamente o estudo em causa não reuniu as alegadas condições sendo portanto as suas conclusões para descartar.

Abstract: A forensic study on the Shroud of Turin bloodstains has been published, allegedly employing techniques that would reproduce the conditions by which they had been produced on a crucified man hanging on the cross, and a critical approach is done, comparing known forensic data from previous studies and anatomical and physiopathological aspects.
It is unequivocally concluded that the actual study did not manage to gather the alleged conditions and its conclusions are thus meaningless.

Introdução
Em meados deste mês de Julho a comunicação social na Web propalou intensamente a notícia de que um novo estudo desenvolvido por peritos forenses, aplicando sofisticados métodos de análise, a manchas sanguíneas patentes no Sudário de Turim, teriam chegado à conclusão de que haveria incompatibilidade das mesmas com a situação de um crucificado que sofreu adicionalmente uma ferida perfurante post mortem no hemitorax direito, logo questionava aparentemente com razão, a autenticidade do Sudário de Turim.
Damos como exemplo a notícia em língua inglesa The Blood stains on the Shroud of Turin seem totally fake, study claims , Michelle Starr 10 July 2018  Science Alert   https://www.sciencealert.com/shroud-of-turin-bloodstain-pattern-analysis-unrealistic-hoax-borrini-garlaschelli , mas muitas outras mais ou menos completas estão  disponíveis na Web.
Efectivamente o químico italiano Professor Luigi Garlaschelli e o antropólogo forense da Universidade de Liverpool Dr. Matteo Borrini publicaram na revista científica  Journal of Forensic Sciences um artigo intitulado «A BPA Approach to the Shroud of Turin» disponível no site . https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/1556-4029.13867 . 
Tratando-se de um estudo alegadamente de caracter forense, onde supostamente teriam sido utilizados sofisticados métodos de análise experimental e que basicamente concluiu:
1-Os padrões de manchas sanguíneas patentes nos membros superiores nomeadamente no antebraço  esquerdo do Sudário de Turim não são compatíveis com os que se formariam nos membros superiores de um crucificado na cruz, e posteriormente transpostos para o tecido.
2- A ferida perfurante do hemitórax direito produzida num crucificado na cruz, nunca poderia produzir uma mancha como a  patente na imagem ventral do Sudário de Turim, nem as manchas patentes na área lombar da imagem ventral ( o designado «blood belt») nem pela movimentação do corpo apos remoção da cruz.
3- É também questionado se as manchas no Sudário são mesmo sangue então teriam sido pintadas, mas é também referida a possibilidade de as manchas sanguíneas serem óxido de ferro.
Para quem não conhece a realidade dos rigorosos estudos científicos realizados no Sudário, esta(s) noticia(s) poderão fazer vacilar a crença na autenticidade da relíquia, pelo que me sinto na obrigação de honestamente esclarecer a realidade dos factos.

A realidade dos factos
1-Efectivamente, o dito «estudo», nada tem de novo pois já em Abril de 2015 os citados cientistas comunicaram aos media a realização do seu estudo inclusivemente disponibilizando no canal youtube um vídeo onde se pode observar os métodos utilizados do qual forneço o link BPA Shroud Borrini Garlaschelli 2  https://www.youtube.com/watch?v=SNzVc1MqJ2s , vídeo esse que mostra a base experimental do seu «trabalho».
2- No vídeo youtube mencionado, observa-se que os métodos utilizados nada tem de sofisticado( convidamos os leitores leigos a visualizar esse vídeo e fazerem o seu próprio juízo…)
    - O modelo humano é o próprio Dr. Luigi Garlaschelli
   - Talvez para impressionar, vè-se  o inicio de extracção de sangue com uma seringa de uma veia da região anterior do cotovelo, e posteriormente a utilização de um sistema de saco de sangue (mas será sangue??) e um tubo de plástico de pequeno calibre com a extremidade fixada por fitas adesivas a nível da região dorsal do punho esquerdo, donde goteja o alegado sangue, e várias medições angulares dos trajectos sanguíneos no antebraço esquerdo em função da elevação do membro, com um dispositivo de medição angular perfeitamente banal.
 - No que respeita à ferida do lado, não resisto em classificar o método de verdadeiramente hilariante, pois é utilizado um modelo de um tronco de manequim de plástico, e a simulação da ferida perfurante é realizada com uma esponja embebida na ponta de um pau, previamente mergulhada numa solução de cor avermelhada proveniente dum frasco onde pode ler-se Blood Spatter, e que é (pasme-se) esfregada no manequim produzindo escorrências lineares descendentes.

3- Esse assunto foi já apresentado no fórum americano de caracter científico «Shroud of Turin Blog em 11  de Abril de 2015 com o título «New Garlaschelli and Borrini study» onde vários bloggers (eu incluído) fizeram as suas apreciações e do qual forneço o respectivo link https://shroudstory.com/?s=matteo+borrini , e sublinho que a principal crítica é de que as conclusões dos autores foram obtidas através de métodos que não reproduzem as condições em que o sangramento possa ter ocorrido num crucificado suspenso na cruz, ao qual para confirmar a morte, foi produzida uma ferida perfurante do hemitórax direito.
Nesse mesmo fórum o Dr. Thibault Heimburger, médico, apresenta um seu interessante trabalho experimental não publicado, com fotografias disponíveis, onde concluiu que os trajectos sanguíneos nos membros superiores são semelhantes aos patentes na imagem do Sudário.
Em 2010 o médico Dr. Gilbert Lavoie apresentou um interessante trabalho no International Workshop on the Scientific approach to the Acheiropoetos Images- Frascati, Itália, no qual os trajecto sanguíneos no antebraço direito e mancha externa no cotovelo, na imagem ventral do Sudário são analisados com técnica de decalque em tamanho real e recurso a voluntário humano, sendo a conclusão desse interessante estudo que ESSES TRAJECTOS SANGUÍNEOS SE PRODUZIRAM NO MEMBRO SUPERIOR DE UM CRUCIFICADO SUSPENSO NA CRUZ,  e a mancha externa ao cotovelo, aparentemente desconectada da imagem formou-se sim, na região posterior do segmento braço.

4- Aspectos muito importantes que esse «estudo» negligenciou
 O estudo em questão baseou as suas conclusões em pressupostos que pouco ou nada tem a ver com a triste e dura realidade duma crucificação.

Trajectos sanguíneos nos membros superiores
Sem entrar em detalhes anatómicos fastidiosos, terei que mencionar que na crucificação como é sabido, os membros superiores são fixados à parte horizontal da cruz (o «patibulum») não pela palma (região dos ossos metacarpianos) das mãos mas sim por cravos que transfixiam o carpo (conjunto de ossos entre os ossos do antebraço e os ossos metacarpianos na mão) proporcionando fixação sólida.
A região do carpo tem uma vascularização arterial pobre através de pequenos ramos das artérias radial e cubital, e na posição dos membros superiores na cruz, para além da diminuição da pressão arterial por efeito da gravidade haverá a considerar a presumível situação de pré-choque hemorrágico pelos prévios supliceos infligidos, o que como corolário irá condicionar um fluxo sanguíneo muito escasso e lento a partir das feridas nos punhos, constituído por uma mistura de sangue arterial e venoso.
Esse sangue escorreria lentamente nos antebraços por acção da gravidade, mas os trajectos definitivos iriam ser modulados por variados factores:
                        - Adição progressiva e lenta de sangue ao que fluiu previamente e entretanto já estava coagulado.
                       -Presença de suor e presumivelmente de partículas minerais de poeiras aderidas à pele dos membros superiores
                      - Contracções musculares e relevos tendinosos nos membros superiores
                     - Movimentos dos membros superiores nomeadamente devido a dores excruciantes e aquando da elevação corporal para evitar a morte por asfixia, possibilidade de flexão a nível dos cotovelos aquando da elevação do corpo
                   - Outros eventuais factores desconhecidos


                               
 Fig-1 Sudário de Turim-trajectos sanguíneos região dorsal do punho e antebraço anatómicos esquerdos (imagem ventral)




Ferida no Hemitórax direito (ferida da lança)
Através de experiências no cadáver, nos anos 30 do século passado, o cirurgião do Hospital de Saint Joseph- Paris, Professor Pierre Barbet concluiu que uma ferida perfurante no hemitórax direito na topografia definida na imagem ventral do Sudário de Turim cerca do 5º espaço intercostal, atravessaria num trajecto de cerca de 10 cm, com uma angulação ascendente de cerca de 20º, sucessivamente a parede toráxica, pleura parietal, pleura visceral, tecido pulmonar e  iria perfurar o coração a nivel da aurícula direita, cavidade cardíaca que contem sangue após a morte proveniente das veias cavas, pois após a morte os ventrículos estão vazios.
Partindo do princípio que devido aos eventos traumáticos que precederam a morte nomeadamente contusões toráxicas, se teriam formado derrames a nível pleural e pericárdico, tal facto explica que a ferida perfurante do hemitórax direito infligida após a morte possa ter produzido a extrusão de um fluido avermelhado- o sangue- e de um fluido de cor clara semelhante a água que não seria outra coisa senão fluido de derrame.
                              

Fig 2- Sudário de Turim-mancha hemática da ferida da lança na região lateral do hemitórax direito cerca de 16X 5 cm (imagem ventral)






Esses fluidos extrudiram através de um trajecto lesional intra-toráxico, NÃO DE UMAS BORRADELAS EXTERNAS COM UMA ESPONJA!!!!  num manequim de plástico.

                  
                  
 Fig-3 Experiência de simulação da mancha da ferida da lança (Garlaschelli e Borrini)




No que respeita às manchas sanguíneas na região lombar da imagem dorsal do Sudário esse mesmo cirurgião concluiu que elas eram compatíveis com a posterior extrusão de sangue proveniente da veia cava inferior, e que refluiu pela auricula direita seguindo o mesmo trajecto lesional aquando da mudança de posição do corpo de decúbito dorsal para uma posição de decúbito lateral- assim são explicadas com base realmente científica e experimental os trajectos do designado «blood belt» do Sudário, bem como a mancha da «ferida» do lado produzida por uma lança.


                                  

    Fig 4-Escorrências sanguíneas na região lombar-imagem dorsal no Sudário de Turim




Constituição das manchas hemáticas
Estudos de microscopia, químicos, físicos e imunológicos concluíram que as manchas avermelhadas no Sudário de Turim são constituídas por material hemático (exsudados de coágulos sanguíneos que passaram para o tecido por contacto com coágulos em lesões na superfície de um corpo), E NÃO POR UMA MISTURA DE PIGMENTO OCRE VERMELHO (o mencionado óxido de ferro) e vermilião (cinábrio)
Para além de muitos outros argumentos de caracter científico que demonstraram inequivocamente que nem a imagem corporal do Sudário nem as manchas sanguíneas são uma pintura, menciono apenas que os investigadores Jean Lorre e Donald Lynn da equipe STURP (Shroud of Turin Researh Project- equipe multidisciplinar que estudou o Sudário de Turim em 1978) aplicaram o método de análise de imagem FFT (Fast Fourier Transform) utilizado para análise do padrão de pinceladas em pinturas, e concluíram que o padrão isotrópico obtido descartava a presença de quaisquer pinceladas.

CONCLUSÃO
Este «estudo» que não é de forma alguma novo, como foi demonstrado, NEGLIGENCIOU múltiplos aspectos que deveriam ter sido considerados, e não utilizou dispositivos e materiais capazes de reproduzir as condições em que as manchas e trajectos sanguíneos possam ter sido produzidas num crucificado suspenso numa cruz, ou seja, NÃO SEGUIU O MÉTODO CIENTÍFICO, PORTANTO AS SUAS CONCLUSÕES NÃO TEM NENHUM RIGOR MÉDICO-FORENSE E SÃO PORTANTO PARA DESCARTAR.
O objectivo ultimo deste não fundamentado pseudo-estudo é atacar a crença cristã através da desacreditação da autenticidade do Santo Sudário, pois os seus autores são promotores de trabalhos patrocinados por uma associação ateísta militante italiana, a UAAR- Unione degli Atei e degli Agnostici Razionalisti.
Recorde-se que em 2009 essa mesma associação ateísta «encomendou» um trabalho ao Professor Luigi Garlaschelli no sentido de tentar reproduzir em tamanho real o Sudário de Turim com a sua imagem e manchas sanguíneas, e desta forma  poder ser afirmado que a imagem patente no Sudário afinal podia ser reproduzida.
A experiência foi um fracasso nesse sentido, mas o objectivo dessa associação era descredibilizar o verdadeiro Sudário de Turim , o qual iria ser exibido em 2010 na Solene Ostensão autorizada pelo Papa Bento XVI.
É de lamentar que uma revista de ciências forenses tenha aceite para publicação um trabalho tão medíocre e sem seguir critérios verdadeiramente científicos, e que as notícias na Web valorizem tanto um mau exemplo do que possa ser um estudo de carácter forense no Sudário, e só por isso ponham logo em causa a autenticidade do Sudário de Turim, negligenciando os seus inúmeros atributos que apontam em sentido contrário.
Os verdadeiros estudos forenses realizados por peritos na área, como o Professor Pierre Barbet,  os Drs. Robert Bucklin, Sebastiano Rodante, Judica Cordiglia, Professores Frederick Zugibe e Pierluigi Baima Bollone entre outros, permitem concluir que inequivocamente a imagem e manchas sanguíneas patentes no Sudário de Turim são de um flagelado e  crucificado segundo os costumes romanos, e que morreu na cruz, perfeitamente em acordo com os relatos da Paixão nos Evangelhos ,e ao que tudo indica esse flagelado e crucificado é Jesus Cristo.

Referências bibliográficas
Barbet, Pierre- A Paixão de Cristo segundo o Cirurgião Edições Loyola, S. Paulo 1980
Borrini, Matteo Ph D.Garlaschelli, Luigi M.Sc.- A BPA Approach to the Sroud of Turin, Journal of Forensic Sciences 10 July 2018 . https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/1556-4029.13867
Brillante, Carlo, Fanti, Giulio, Marinelli Emanuella- Bloodstains characteristics to be considered in laboratory reconstruction of the Turin Shroud, IV Symposium Scientifique International du CIELT, Paris 25-26 Avril 2002 http://www.sindone.info/BRILLAN2.PDF
Bucklin, R. M.D. An Autopsy on the Man of the Shroud 1997 http://www.shroud.com/bucklin.htm
Heimburger, Thibault, M.D. November 2009- Comments about the recent experiment of Professor Luigi Garlaschelli http://www.shroud.com/pdfs/thibault-lg.pdf  
Hermosilla, Alfonso Sanchez-Científicos identifican la «lanzada» al cadaver que fue envolto en la Sabana Santa y el Sudário de Oviedo https://www.ucam.edu/noticias/cientificos-identifican-la-lanzada-al-cadaver-que-fue-envuelto-en-la-sabana-santa-y-el
Lavoie,G.-Turin Shroud: a medical forensic study of its bloodmarks and image, Proceedings of the International Workshop on the Scientific approach to the Acheiropoietos Images, ENEA Frascati Italy 4-6 May 2010
Lynn,D.J. Lorre, J.J.- Digital enhancement of images of the Shroud of Turin Proceedings of the 1977 United States Conference of Research on the Shroud of Turin, Albuquerque 1977, Holy Shroud Guild, New York 1977 in «Fourier properties of the Shroud compared to drwings and paintings by O.K. https://shroudofturin.files.wordpress.com/2014/11/shroudfft.pdf
Zugibe, Frederick T. M.D., Ph. D.- Pierre Barbet revisited http://www.shroud.com/zugibe.htm  

QUEM É O HOMEM DO SUDÁRIO?


                                                     

Antero de Frias Moreira*


Resumo:
Independentemente de aspectos históricos e peculiaridades da Imagem patente no Sudário de Turim, é do ponto de vista do «calculo matemático de probabilidades» demonstrado inequivocamente que a imagem corporal patente no Sudário de Turim pertence a Jesus Cristo e não a um outro crucificado.

A pergunta- título deste artigo, à partida parece e é efectivamente estúpida, o Homem do Sudário é obviamente Jesus Cristo.
Mas o fundamento desta pergunta, e o objectivo deste trabalho baseia-se  no facto de que várias pessoas, fazendo tábua rasa de todos os aspectos de carácter histórico ligados ao Sudário de Turim, bem como das peculiaridades da imagem sindónica nomeadamente da irreproduzibilidade da mesma, a qual é ÚNICA e é atribuída a um Homem que teve um papel marcante na história da Humanidade, pura e simplesmente afirmam algo como:
Porque é que tem de ser a imagem de Jesus e não de um outro judeu qualquer pois naquela época era vulgar os homens usarem barba e cabelo comprido, ou então houve muitos flagelados e crucificados pelos romanos, por exemplo na revolta dos Judeus em 70 A.D., porque é que tem de ser Jesus????
Mesmo cépticos ateistas bem conhecidos, como Joe Nickell , Stephen Shaffersman ou Walter McCrone em bora questionando a autenticidade do Sudário e afirmando que ele é uma «pintura» ou uma qualquer elaboração artística não põem em questão que a imagem corporal e as manchas avermelhadas representam o Corpo de Cristo flagelado e crucificado.
Mas, na linha de pensamento desses iluminados pseudo-cépticos, «mais papistas que o Papa», vamos pôr de parte todas as peculiaridades da imagem e os factos/documentação histórica ligados ao Sudário, ou se a imagem é  uma pintura uma protofotografia ou uma qualquer hipotética elaboração artística humana, e vamos focar-nos apenas no que ella representa- UM FLAGELADO E CRUCIFICADO de sexo masculino, obviamente, o que é um facto absolutamente inegável.
Vamos então, na linha de investigadores como o Professor Bruno Barberis, professor de fisica e matemática da Universidade de Turim, considerar sete aspectos comuns entre a imagem do crucificado no Sudário (o «Homemdo Sudário») e o que se sabe sobre a flagelação e crucificação de Jesus Cristo.

Bases do Cálculo Matemático de Probabilidades (segundo o Professor Barberis)
Bàsicamente teremos de assumir  com seriedade e lógica, baseados nos dados histórico-culturais, em determinados aspectos, o chamado número de casos «favoráveis» e o número de casos «possíveis»,  o  que acarreta sempre alguma dose de subjectividade, mas nas assumpções do Professor Barberis  elas pautaram-se pelo presumível limite inferior.
E o raciocínio é assim, para exemplificar, em quantos crucificados  era um envolvido num lençol funerário enquanto todos os outros ficavam a apodrecer na cruz ou era o corpo depois atirado para uma vala comum?Em quantos crucificados um transportava o patibulum (trave correspondente à porção horizontal da cruz).
Condiçoes ponderadas/Aspectos comuns ao «crucificado do Sudário» e ao crucificado Jesus Cristo
1-Envolvimento do corpo num lençol funerário:
Sabe-se historicamente que a maioria dos crucificados ficava a apodrecer na cruz para intimidação das populações, apenas por concessão da autoridade romana o corpo poderia ser excepcionalmente entregue para  sepultamento, talvez 1 em cada cem tenha sido sepultado num lençol.
Assume-se 1 em cada 100    1/100
2-As lesões perfurantes na cabeça e couro cabeludo
Não há qualquer relato histórico de uma tortura idêntica com capacete de espinhos, aplicada a um condenado, tratou-se de um acto de  zombaria brutal com Jesus Cristo para ridicularizar o facto de Ele ter assumido ser o Rei dos Judeus.
Admitindo a improbabilidade de outros casos assume-se 1/5000
3-Porte do Patibulum
Jesus não transportou a Cruz mas sim a porção horizontal uma barra designada «patibulum», e na imagem sindónica são evidentes lesões de abrasão cutânea nas omoplatas particularmente na direita que são compatíveis com o porte do «patibulum».
Nem todos os condenados levavam o «patibulum» para o local do suplicio, por exemplo nas crucifixões em massa na guerra dos Judeus  em 70 A.D. o general Titus ordenou crucificações em massa nos próprios locais tendo sido cortadas muitas árvores cujos troncos eram fixados no solo e as victimas pregadas no local aos mesmos, (e obviamente que ficavam a apodrecer no local e não eram sepultadas com lençois….)
Mesmo assim assume-se  1/2
4- Crucificação com pregos
A imagem no Sudário é de um crucificado com pregos, Jesus foi crucificado com pregos
Havia também a possibilidade de fixação à cruz com cordas mas os 2 meios de fixação não eram usados simultaneamente.
Assume-se 1/2
5- Ferida da Lança
A lançada era um acto destinado a confirmar a morte do condenado (só era utilizada quando o condenado aparentava estar morto), a maior parte das vezes os condenados ou morriam na cruz após agonia prolongada, ou  eram submetidos ao « crurifragium»-acto de fracturar os membros inferiores para impedir apoio sobre os pés para elevar o corpo e expelir o ar- esta practica era um meio de abreviar a morte por asfixia e até certo ponto considerada um acto de misericórdia para o condenado.
É obvia a «ferida da lança» no Sudário, e a Jesus Cristo também foi aplicada essa forma de confirmação da morte.
Assume-se 1/10
6- Enterro apressado
Pode-se inferir da imagem no Sudário e aspectos lesionais, que não houve tempo para preparar devidamente o corpo segundo os rituais funerários, o mesmo é referido no caso de Jesus Cristo.
Ponderando relativamente a outros casos de crucificados que tenham sido sepultados apressadamente pelos seus familiares, assume-se 1/20
7-Permanência curta do corpo no lençol
Pela análise da imagem  que é de um cadáver em estado de «rigor mortis» e não tendo sido encontrados resíduos de decomposição corporal no tecido, conclui-se que o corpo não esteve envolvido pelo lençol funerário mais do que 36 horas.
Segundo os relatos dos Evangelhos Jesus ressuscitou ao 3º dia…. e os Apóstolos encontraram o túmulo vazio.
De acordo com os rituais funerários judaicos o corpo era sepultado e ficava a decompor-se no túmulo e cerca de 1 ano depois os ossos eram recuperados pelos familiares e colocados num ossário (era o 2º enterramento) e obviamente o lençol envolvente já se teria decomposto.
Assume-se 1/500

Cálculo:
1/100 X 1/5000 X 1/2 X 1/2 X  1/10 X 1/20 X 1/500 = 1/200.000.000.000

A leitura deste resultado poder-se-á fazer de duas maneiras, a primeira é que a probabilidade de existir um outro crucificado que reúna simultaneamente as 7 características comuns na imagem do Homem do Sudário e de Jesus Christo é de 1 para 200 biliões (ou milhares de milhões segundo a nossa nomenclatura), um número INFINITAMENTE PEQUENO ou então de que a probabilidade de o Homemdo Sudário e Jesus Cristo serem uma e  a mesma pessoa é INFINITAMENTE GRANDE.
Conclusões semelhantes embora com outros valores também da ordem de um para mais de cem biliões foram obtidos pelos cálculos de Yves Delage,do Engº Paul de Gail e do Professor Tino Zeuli.

Como complemento desta conclusão o Professor Bruno Barberis toma também em consideração  o chamado «Valor Máximo de Probabilidade»
Sendo que a práctica da crucificação se teria iniciado no século VI A.C. pelos Persas e teria perdurado no Império Romano até à sua abolição pelo Imperador Constantino depois de 314 A.D., embora continuasse a ser praticada com alguma regularidade no Médio Oriente e bacia mediterrânica, até sensivelmente ao século VII, considerando um número hipotético de pessoas que viveram nesse período, poder-se-ia fazer uma estimativa obviamente muito aproximativa, do número de crucificados dessa população.
Assim, assumindo intencionalmente um número muito alto de crucificados, esse valor é estimado em 200.000.000 (duzentos milhões) com certeza muito superior aos que foram efectivamente submetidos a essa pena capital durante o período considerado.
 Dividindo esse número por 200.000.000.000 obtém-se um resultado de 1/1000, ou seja um milésimo da unidade, o que significa que «outro Homem do Sudário» nunca poderia ter existido, porque o valor é òbviamente inferior à unidade, o que nos permite «a fortiori» concluir o mesmo para todos os crucificados num «span» de décadas antes e depois da crucificação de Cristo..

                                                                         CONCLUSÃO
O(s) raciocínio(s) atrás efectuado(s) não pretende(m) de forma alguma  «provar» a autenticidade do Sudário , mas sim  inequivocamente demonstrar que independentemente de todos os aspectos históricos ou das peculiaridades científicas comprovadas, a imagem corporal nele patente com as marcas da Paixão é a IMAGEM DE JESUS CRISTO e não a de um outro anónimo crucificado. 

*Médico, membro executivo do Centro Português de Sindonologia

Referências:
1-Barberis, Bruno , Savarino, Pietro« Shroud carbon dating and calculus of probabilities» St. Pauls U.K. Edit. 1998
2-Zeuli, Tino «Jesus Christ is the Man of the Shroud» «Shroud Spectrum International » Issue 10 March 1984 pp. 29-33  http://www.shroud.com/pdfs/ssi10part5.pdf


quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

O VÉU DE VERÓNICA, A IMAGEM DE EDESSA E O SANTO SUDÁRIO DE TURIM-QUE RELAÇÃO?


Várias vezes me tem perguntado se o Véu de Verónica é o Santo Sudário de Turim,e embora desde já categòricamente responda pela negativa, essa confusão é uma realidade, alicerçada em algumas divulgações temáticas que lançam a confusão.
Embora o assunto seja muito abrangente e complexo do ponto de vista histórico, irei tentar de uma forma necessàriamente muito sucinta, focar os aspectos que me parecem mais relevantes.


                                                       
                                                          
                                                            O VÉU DE VERÓNICA






O episódio em que uma mulher piedosa de Jerusalém limpa com um pano, o rosto de Jesus Cristo no Seu caminho para o Calvário, ficando o rosto de Cristo impresso nesse pano, não vem descrito nos evangelhos canónicos, mas sim no evangelho apócrifo de Nicodemus também conhecido como Actos de Pilatos, escrito possivelmente no século IV da nossa era.
Nesses escritos é inclusivamente referido o poder miraculoso desse pano, o qual teria sido levado por Verónica para Roma e teria curado o Imperador Tibério da enfermidade de que padecia.
Òbviamente trata-se de uma lenda, não obstante, a tradição piedosa cristã incluiu na sexta estação da Via Sacra a cena de Verónica a limpar o rosto de Jesus, aliás o vocábulo Verónica resulta de junção da palavra latina «vera»- verdadeira com o vocábulo grego «icon»- imagem reportando-se à verdadeira imagem de Cristo.
Essa crença na actual forma só se implementou na Europa ocidental a partir do século XIII.
Existem muitas pinturas nomeadamente de pintores célebres alusivas ao episódio, nos quais o aspecto facial de Cristo é nitidamente inspirado na imagem do Pano de Edessa ou Mandylion (que abordaremos seguidamente), mas também existem pelo menos duas relíquias (ou uma?) designadas como «Véu de  Verónica.

Existiria em Roma desde o século VIII no pontificado de João VII, uma relíquia designada como Véu de Verónica a qual passou a ser públicamente exposta ao público no pontificado de Innocêncio III  a partir de 1207.
Todavia após o saque de Roma em 1527 pelas tropas do Imperador Carlos V teria sido subtraída à autoridade papal, mas as opiniões divergem admitindo-se a possibilidade de que continue no Vaticano, mas também de que tendo sido roubada, foi entregue no século XVII aos frades capuchinhos da localidade de Manopello, onde hoje é venerada uma relíquia designada como a Imagem de Manopello, a qual já foi submetida a alguns estudos, na nossa opinião inconclusivos quanto a uma possivel «autenticidade».



         O SUDÁRIO DE CRISTO-SANTO SUDÁRIO DE TURIM E A IMAGEM DE EDESSA


                                             
                                  
                                            Sudário de Cristo /  Santo Sudário de Turim

A questão fulcral é se existiu um «Sudário de Cristo» em Constantinopla, o qual desapareceu aquando do saque dessa cidade em 1204 pelos cruzados da 4ª Cruzada, e que mais tarde aparece na Europa em 1356 apresentado aos fieis pelo cavaleiro Geoffroy de Charny em Lirey-França. 
Será que esse sudário é o actual Sudário de Turim, do qual se conhece perfeitamente o trajecto histórico até essa cidade italiana?

A resposta É AFIRMATIVA.

Não há qualquer dúvida de que em Constantinopla a partir de 944 existia um «sudário de Cristo».
Nicholas Mesarites, curador das relíquias imperiais bizantinas refere em 1201, inequivocamente o pano que envolveu o Corpo de Cristo no sepulcro e no qual era possivel observar a imagem do Seu corpo desnudado.
O facto de referir especificamente uma imagem de um corpo desnudado, absolutamente contra os «padrões» religiosos e morais da época, aponta para a veracidade do relato.
Também o relato do cavaleiro Robert de Clari cruzado da 4ª Cruzada, na sua obra «La Conquête de Constantinople» menciona que todas as sextas feiras era exibido na Igreja de Santa Maria de Blacherne em Constantinopla, o lençol que envolveu o Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo no sepulcro, e no qual estava patente a imagem do Seu corpo, o qual desapareceu depois do saque da cidade.
Ainda na mesma linha, recordamos a carta escrita ao Papa Innocêncio III em 1205 por Theodoros Angellus, sobrinho do Imperador, relatando o roubo das relíquias, entre elas a mais sagrada, o lençol que envolveu o Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Para além destes factos, do ponto de vista artistico a partir do século XI começaram a ser utilizados nas cerimónias liturgicas bizantinas os «Epitaphioi» que eram peças de tecido bordadas, representando no que simbolizava um lençol a imagem do Corpo de Cristo numa atitude corporal nitidamente inspirada na imagem do Santo Sudário.

Embora as opiniões de historiadores se dividam sobre o que aconteceu após o saque de Constantinopla, haverá duas possibilidades(que não iremos desenvolver)para a continuação do percurso histórico do Sudário de Cristo na Europa, ou de ter estado na posse dos Templários, ou de ter estado na posse de Othon de la Roche, um nobre que participou na cruzada e posteriormente o Duque Latino de Athenas, e era antepassado de Jeanne de Vergy a qual casou com o referido cavaleiro Geoffroy de Cahrny, levando como dote de casamento a cobiçada relíquia.

Mas, como é que esse Sudário de Cristo chegou a Constantinopla?

Em 944 o Imperador bizantino Romanus Lecapenus ordenou ao seu general João Kurkuas o resgate da relíquia mais venerada da cristandade do Oriente, precisamente o Mandylion ou Pano (ou Imagem) de Edessa, pois essa cidade estava em poder dos muçulmanos, os quais não obstante toleravam o culto dos cristãos.
Efectivamente foi conseguido o seu resgate sem ter sido vertido sangue, a troco de uma elevadíssima quantia monetária em ouro e concessões estratégicas.

Existem múltiplas representações da Imagem de Edessa ou Mandylion elaboradas ao longo do tempo por diferentes artistas.

                                           Representação da Imagem de Edessa ou Mandylion

O investigador Dr. Alan Whanger  desenvolveu um método de estudo e análise comparativa de imagen,s designado por Polarized Image Overlay Technique,método esse inclusivamente utilizado em perícias forenses nos Estados Unidos, o qual através da determinação do número dos chamados «pontos de congruência» permite inferir a relação entre duas imagens.
Esse método quando aplicado ao estudo das imagens da face de Cristo nas representações artisticas do Pano de Edessa permite concluir que o modelo da face foi inspirado da face patente no actual Sudário de Turim. 



Existem efectivamente argumentos que nos permitem concluir que o Mandylion ou Imagem de Edessa era o Sudário de Cristo dobrado de forma a apresentar visivel apenas a face emoldurada..

O académico italiano professor Gino Zaninotto descobriu nos Arquivos do Vaticano um Códex  designado como «Codex Vossianus Latinus» no qual se pode ler referindo-se à Imagem de Edessa «non tantum faciei figuram sed totius corporis figuram cernere poteris» ou seja «poderás ver não só a face como todo o Seu corpo».

Efectivamente uma gravura do século XII, contida numa crónica de João Skilitzes relativa à chegada do Mandylion à côrte imperial em Constantinopla, evidencia que essa reliquia não era apenas um «pano» mas sim um lençol.


                                         
                        
                Gravura sec XII-O Imperador Romanus Lecapenus recebendo a Imagem de Edessa

Os Actos de Thaddeus do século VI referindo-se ao Pano de Edessa designam-no como um «sindon tetradiplon», ou seja um lençol dobrado em  quatro partes sendo um dos argumentos avançados pelo historiador britânico Ian Wilson o qual identificou o actual Sudário de Turim com a Imagem de Edessa.
O físico professor John Jackson da equipe S.T.U.R.P. estudou fotografias do Sudário de Turim obtidas com luz tangencial designadas «raking light photographs» nas quais eram nitidamente evidenciadas todas as rugas e vincos impressos no lençol ao longo dos tempos.
Foram por este método de imagem definidas dobras compativeis com o Sudário ter sido dobrado em quatro partes de maneira a mostrar apenas a face, corroborando a teoria de Ian Wilson.


                          
           Sudário de Turim dobrado em quatro partes; no canto superior direito, imagem alusiva à          entrega do Pano de Edessa pelo apóstolo Thaddeus ao rei Abgar de Edessa.

Recuando um pouco mais, é legitimo questionar como apareceu em Edessa,(cidade no sudeste da Turquia, a actual Sanliurfa) o Pano de Edesssa?

Teremos que nos basear na lenda do Rei Abgar de Edessa, relatada em versões diferentes, respectivamente na Historia Ecclesiástica-seculo IV de Eusébio de Cesareia, nos textos da Doutrina de Addai de século V e nos já mencionados Actos de Thaddeus do século VI.

Fazendo uma súmula das várias versões dessa lenda relata-se que reinava em Edessa o rei Abgar, o qual padecia de uma doença incurável- presumívelmente lepra- e tendo conhecimento dos milagres operados por Jesus enviou um emissário de nome Ananias pedindo-Lhe que o visitasse.
Jesus teria dito ao emissário que tinha uma missão a cumprir mas mandar-lhe-ia um seu discípulo.
Após a Sua morte e Ressurreição, o apóstolo Thaddeus deslocou-se a Edessa com um pano no qual estava impressa a imagem do Mestre e a qual tocando o Rei Abgar o curou da sua doença, convertendo-se o Rei Abgar ao Cristianismo.
Após a sua morte houve uma regressão às práticas pagãs, sendo o Pano de Edessa escondido num nicho das muralhas e tendo sido redescoberto em 525 aquando de uma cheia que fez desabar parte da muralha.
A partir daí a Imagem de Edessa passou a ser venerada como o «Paladino» da cidade, tendo o Imperador bizantino Justiniano I mandado construir um templo para sua guarda, nos moldes da Hagia Sophia de Constantinopla.

È pois perfeitamente legítimo inferir com base na alegoria da lenda de Abgar, que o lençol funerário de Jesus, que ficou presumívelmente na posse dos Apóstolos, tenha sido levado posteriormente para Edessa, e assim fechamos o trajecto Jerusalém-Turim.

                                                    
                                                              CONCLUSÃO

O Véu de Verónica baseia-se numa lenda que nada tem a ver com o Santo Sudário de Turim a não ser  a Paixão de Cristo, e o facto de as suas representações artisticas basearem a morfologia facial de Cristo nas do Mandylion ou Imagem de Edessa.
Ainda não existem estudos conclusivos que permitam classificar decididamente a Imagem de Manopello (alegadamente o véu de Verónica) como uma «imagem acheiropoietos»(Imagem que não foi feita pela mão do homem).
O actual Sudário de Turim, o Sudário de Cristo de Constantinopla e o Mandylion ou Imagem de Edessa são a mesma e verdadeira relíquia da Paixão de Cristo e o elemento que permite inferir que a Ressurreição de Cristo foi um facto físico real que deixou a sua marca naquele lençol como testemunho para a Humanidade.


                                                                      Boas-Festas 

                                                                    Antero de Frias Moreira


  

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

                  ACTIVIDADES DE DIVULGAÇÃO DO SANTO SUDÁRIO


CONFERÊNCIA
«INTRODUÇÃO AO SUDÁRIO DE TURIM-
-UMA PERSPECTIVA CIENTÍFICA»
Encontro entre a Ciência e a Fé

















Orador: Antero de Frias Moreira, médico, membro executivo do Centro
Português de Sindonologia www.santosudariodeturim.blogspot.com
Data: 8 de Março 2016 às 21:horas
Local: Centro e Cultura Católica.Rua D. Manuel II 286 (Torre da Marca)-
Porto
Entrada Livre

Nesta época quaresmal entendemos oportuno efectuar acções de divulgação do Santo Sudário de Turim, a exemplo do que acontece noutros paises nomeadamente nos Estados Unidos, onde o tema tem grande divulgação atravez de conferências, palestras em instituições não necessáriamente ligadas à Igreja, nomeadamente estabelecimentos de ensino, academias militares e até em prisões, e também exposições temáticas.
De louvar  a dedicação de sindonólogos como o Dr. Barrie Schwortz, Russ Breault, Pete Schumacher e muitos outros, que sàbiamente divulgam o Sudário.
Foi com extremo pesar que acolhemos a triste notícia que o Shroud of Turin Blog do sindonólogo Dr. Dan Porter encerrou a sua actividade a partir do final de 2015, mantendo no entanto o Blog na internet com toda a informação disponivel para pesquisa.
A ele um muito obrigado pela sua grande dedicação, pois prestou um extraordinário serviço a quem procurava manter-se actualizado,

No nosso pais é grande a ignorância relativamente a este tema, até em alguns membros do clero, paradoxalmente pouco interessados.

Elaboramos uma conferência subordinada ao tema «Introdução ao Sudário de Turim-uma perspectiva científica» Encontro entre a Ciência e a Fé.
Nesta comunicação são divulgados de uma forma compreensivel os principais estudos efectuados no Sudário, nomeadamente os recentes desenvolvimentos, e explicadas do ponto de vista da patologia forense os brutais sofrimentos infligidos ao Homem do Sudário, sendo a audiência conscencializada para a grande importância desta Relíquia.
É nossa convicção que no final o público verá esclarecidas muitas das controvérsias lançadas sobre a autenticidade do Santo Sudário, e terá uma perspectiva diferente da Paixão e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Esta conferência irá ser proferida:

26 de Fevereiro 2016 (sexta-feira) às 21:30 horas: Salão Paroquial da Igreja de Canidelo-V.Nova de Gaia

05 de Março 2016 (sábado) às 15:00 horas(ainda a confirmar): Salão Paroquial da Igreja de Mafamude-V. Nova de Gaia

08 de Março de 2016 (terça-feira) às 21:00 horas: Centro de Cultura Católica (Torre da Marca, em frente entrada dos jardins do Palácio de Cristal)-Porto

Iremos ainda colaborar como habitualmente, nas cerimónias de Sexta-Feira Santa na Igreja do Carmo, com uma palestra subordinada ao tema «Santo Sudário de Turim-O seu significado para os Cristãos», um diaporama sobre o «Cristo Sindónico» escultura científica elaborada pelo Professor Juan Miñarro da Universidade de Valência , onde com base na codificação tridimensional da imagem sindónica se criou uma escultura do Corpo envolvido no sagrado lençol, tendo nele patentes todas as marcas da Paixão e colocado não na posição sepulcral mas sim crucificado numa cruz-deveras impressionante!!!.
Para finalizar, a leitura do Evangelho de S. João será enriquecida com um extraordinário trabalho em Power-Point elaborado pela Maria da Glória, onde imagens das diversa passagens da Paixão obtidas do filme de Mel Gibson-A Paixão de Cristo, imagens de pinturas célebres alusivas, e como não poderia deixar de ser, imagens das marcas da Paixão patentes no lençol (devidamente explicadas com texto) darão um colorido e uma significado muito mais intenso à leitura.

Todos estão convidados.

                                                                        Antero de Frias Moreira

P.S. Estamos abertos e disponiveis na medida do possivel para realizar acções de divulgação/esclarecimentos p.f. contactar atravez de comentário 



sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

CÉPTICOS TENTAM SEM SUCESSO DESCREDIBILIZAR O TRABALHO DO PROFESSOR RAYMOND ROGERS SOBRE A DATAÇÃO RADIOCARBONO-CONTRIBUTO DO PROFESSOR MARIO LATENDRESSE


Todos os que se debruçam sobre a problemática da datação radiocarbono da amostra recolhida do Sudário de Turim em 1988 sabem que a datação do periodo medieval (1260-1390) da mesma é inválido, consoante o falecido Professor Raymond Rogers concluiu, pois esta foi recolhida numa zona de restauro do tecido, e não era portanto representativa do resto do tecido do Sudário.

O seu importante trabalho «Studies of the radiocarbon sample  from the Shroud of Turin» publicado na prestigiada revista cientifica «Thermochimica Acta»  na edição de 20 de Janeiro de 2005, é um marco no estudo cientifico do Santo Sudário   http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0040603104004745 

Para além de apurados estudos de microscopia, de química analítica e quimica cinética(cinética de degradação da vanillina), submeteu a estudo comparativo por Espectrometria de Massa( Pyrolysis Mass Spectrometry) uma fibra de área Imagem do Sudário e fibras da famosa amostra de Raes (área adjacente à da amostra radiocarbono).
Enquanto que a cellulose do linho da fibra-imagem só produzia furfural (massa 96, proveniente da prévia formação de hydroxy methylfurfural. massa 126) a altas temperatura de pyrólise, as fibras da amostra de Raes produziam logo a baixa temperatura o dito composto furfural, proveniente de pentosanos(polímeros de pentoses) que constituem a goma arábica, substância por ele préviamente determinada por estudos quimicos, e que funcionou como veiculo de aglutinação e de suporte do corante do restauro adicionado ao Sudário.





                                   

Fig 1: gráfico de espectrometria de massa de fibra-imagem; em abcissa a massa iónica em ordenada a intensidade iónica relativa


Fig2: gráfico de espectrometria de massa de fibras da amostra de Raes; a presença de de um pico de massa 96 a baixa temperatura de pyrolyse permitiu concluir pela presença de pentosanos provenientes de goma-arábica. Em abcissa a massa iónica, em ordenada, a intensidade iónica relativa.

   
Este importante dado foi mais um elemento que permitiu concluir que a amostra radiocarbono tinha sido colhida numa zona de restauro medieval, e não era pois representativa do resto do Sudário.

Artigo de cépticos

Todavia em Setembro de 2015 um grupo de químicos- os Drs Marco Bella, Luigi Garlaschelli e Roberto Samperi- publicaram na mesma revista cientifica um artigo entitulado «There is no mass spectrometry evidence that the C14 sample from the Shroud of Turin comes from a medieval invisible mending»
http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0040603115003093

Nesse artigo pode ler-se no abstract «.....uma análise cuidada dos espectros de massas relatados no artigo original revela que as diferenças encontradas entre as amostras provenientes de diferentes partes do Sudário são efectivamente devidas à presença de um contaminante com uma cadeia alifática longa.Excepto pela presença do contaminante, os dois espectros de massa parecem semelhantes em vez de diferentes.Portanto a teoria pseudocientífica afirmando que a amostra C14 podia provir de um restauro medieval invisivel permanece não suportada pelas evidências».

Portanto, este artigo publicado por cépticos da autenticidade do Santo Sudário, tinha como objectivo descredibilizar o trabalho do Professor Raymond Rogers,e apenas baseado num aspecto que ele estudou integrado com muitos outros, e que estes cépticos pura e simplesmente ignoraram.
Tal não nos surpreeende pois o Professor Luigi Garlaschelli, quimico da Universidade de Pavia já em 2009, num empreendimento financiado por uma associação ateista italiana, elaborou uma imagem em tecido-o famoso sudário de Garlaschelli- para descredibilizar a autenticidade do Santo Sudário na base de que alegadamente teria produzido uma imagem com as mesmas caracteristicas do Sudário de Turim, o que efectivamente foi defenitivamente provado como FALSO.
Também a utilização do termo «pseudo-científica» caluniando um prestigiado cientista já falecido, não nos parece de utilização adequada por pessoas desta área de conhecimento.

Imediatamente se gerou uma acesa discussão no importante forum científico Shroud of Turin Blog, onde credenciados colaboradores como o médico bioquimico Dr. Thibault Heimburger e o fisico Professor Mario Latendresse refutaram a metodologia e a qualidade do artigo dos cépticos bem como a sua conclusão.
Trata-se de uma questão e discussão complexa do ponto de vista técnico, e em lingua inglesa, todavia para os interessados forneço o respectivo acesso web:
http://shroudstory.com/2015/09/04/editorial-in-thermochimica-acta-by-bella-garlaschelli-and-samperi-on-rogers-2005-article/#comments


Artigo do Professor Mario Latendresse

Todavia o golpe de misericórdia nesse artigo dos cépticos foi dado hà alguns dias pelo Professor Mario Latendresse, prestigiado físico na área de imagem e inteligência artificial da Universidade de Montreal o qual tem contribuido com vários trabalhos científicos para estudo do Sudário.
Este cientista publicou na mesma revista «Thermochimica Acta», disponivel desde 18 de Dezembro 2015, um artigo refutando as conclusões dos cépticos, e entitulado «Comments on the mass spectrometry analysis of a sample of the Shroud of Turin by Bella et al.»
http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0040603115004724

No abstract pode ler-se: « Num recente artigo editorial desta revista Bella et al. comentaram sobre a analise da espectrometria de massa realizada por Rogers que consistia em dois espectros de massa da pyrólyse de fibras de linho de duas áreas do Sudário de Turim. A principal conclusão de Bella et al foi "Nenhum pico diagnóstico no espectro de massa indica uma diferença significativa nas duas amostras, para além de uma contaminação derivada de um hydrocarboneto.Portanto, nenhum dos dados apresentados suporta as conclusões de Rogers"
Nós mostramos que a análise técnica de Bella et al. dos espectros de massa é incorrecto e que a sua principal conclusão não é confirmada, em particular que um contaminante estaria presente na segunda amostra analisada».

Dada a complexidade técnica do artigo realçamos o essencial a reter:

Embora no seu artigo o Professor Raymond Rogers não indique as temperaturas de pyrólyse das amostras é obvio que no espectro de massa da fibra-imagem do Sudário obtido a altas temperaturas são aparentes picos de massa 126 e 96 relativos à presença de hydroxymethylfurfural e furfural respectivamente, o que não acontece no espectro de massa das fibras de Raes obtido a baixa temperatura onde aparece o pico 96 mas não o 126, o que não contraindica que goma arábica não possa estar presente.
Numa análise aprofundada dos picos de massa presente no gráfico de pyrólise de fibras da amostra de Raes superiores a 40 indicam que o composto furfural está presente.
Os picos de massa do alegado contaminante hexadecano-1-ol considerados pelos cépticos NÃO CORRESPONDEM realmente a esse composto, mas são sim compativeis com um composto da classe dos triglicerídeos nomeadamente a tripalmitina, presente no sebo segregado pelas glândulas sebáceas.
Este aspecto vem confirmar aquilo que se sabia relativamente à escolha do local para retirada da amostra para os testes de carbono 14, que essa foi uma má escolha pois correspondia a uma área onde os bispos seguravam o Sudário nas apresentações publicas, o que se repetia ao longo dos tempos, passando as secreções sebáceas para o tecido do Sudário.

Conclusão:
O importante trabalho do Professor Raymond Rogers, refutando a validade da amostra radiocarbono continua válido, e mais uma vez o Professor Latendresse deu um importantíssimo contributo para reposição da verdade.














sexta-feira, 20 de novembro de 2015

                 ABORDAGEM CRITICA DAS CONTROVÉRSIAS SOBRE OS PÓLENES DO                          SUDÁRIO DE TURIM




Investigação S.T.U.R.P 1978: O Dr. Max Frei recolhe  uma amostra da superficie do Sudário sob o olhar atento do Professor Raymond Rogers







Introdução:


Os Estudos


Relativamente à autenticidade do Santo Sudário de Turim, sabemos que não é estabelecida por um ou outro aspecto pontual mas sim pela reflexão sobre multiplos factos que apontem nesse sentido.

Habitualmente as conferências e palestras sobre o Santo Sudário abordam o tema dos estudos palinológicos (sobre os pólenes) do Dr. Max Frei quase de uma forma dogmática para justificar o percurso geográfico da sagrada relíquia.
Ora precisamente estes estudos tem estado ultimamente sobre o fogo dos cépticos no sentido de os descredibilizar.

Para os menos familiarizados neste assunto, a Palinologia Forense aplica conhecimentos de botânica na identificação dos pólenes em materiais nomeadamente tecidos, peças de vestuário, calçado, utensílios e outros materiais para determinar possíveis localizações dos mesmos em determinada época do ano.
Por exemplo se no vestuário de um suspeito de crime foram encontrados pólenes de uma planta que apenas existe numa área geográfica restrita e cuja floração ocorre em determinado período, isso será uma prova que esse individuo esteve nesse local num determinado intervalo temporal.

O Dr.. Max Frei Sulzer, director do Laboratório de Policia Cientifica de Zurich, perito em botânica e Professor na Universidade de Zurich, aplicou os seus conhecimentos na caracterização dos pólenes  recolhidos da superficie do Sudário de Turim, em amostras por ele  obtidas em 1973 e 1978 aquando da investigação multicientífica S.T.U.R.P.

Caracterizou a nivel «espécie» 58 tipos de pólenes das quais uma parte considerável não existem na Europa mas sim no Médio Oriente (33 espécies) incluindo na Palestina(13 espécies sendo mesmo caracteristicas da zona do Negev e do Mar Morto) e na bacia mediterrânica e Ásia Menor na zona de Constantinopla (actual Istanbul-Turquia).
A presença da espécie «Zygophyllum Dumosum» que apenas existe na zona de Jerusalém, Jordânia e Sinai seria uma prova inequívoca que o Sudário teria estado nessa área geográfica num periodo da sua existência.
Anos mais tarde, já depois da morte prematura do Dr. Max Frei em 1983, o Dr. Paul Maloney, arqueólogo americano obteve da viuva Frau Gertrud Frei-Sulzer a maior parte da colecção das amostras, assim como um manuscrito referente à investigação de 1978, a qual não foi concluida pelo seu falecimento.
Em 1983 o referido arqueólogo submeteu 22 fotografias dos pólenes do estudo do Dr. Max Frei ao parecer do Dr. Aharon Horowitz, palinólogo do Instituto de Arqueologia da Universidade de Telaviv, o qual considerou a identificação muito precisa e no global apreciou o trabalho do Dr. Max Frei.

Em 23 de Julho de 1988 foi efectuada uma observação cientifica publica de amostras do Dr. Max Frei, numa reunião que entre outros, teve a presença do Dr.Benjamin Stone , director do departamento de botânica da Academia de Ciências Naturais de Filadélfia, do microscopista Dr Walter McCrone e quimico Dr. Alan Adler. e do botânico Professor Orville Dahl.
Nessa observação foram também encontrados fragmentos de flores como filamentos e antheras, o que levou este ultimo cientista a afirmar que foram colocadas flores sobre o Sudário, afirmação identica à do Dr. Paul Maloney.

Em 1998 o Professor Avinoam Danim, botânico da Universidade Hebraica de Jerusalém, e o palinologista Dr. Uri Baruch da Autoridade das Antiguidades de Israel, efectuaram um estudo de várias amostras da colecção do Dr. Max Frei.
De 34 tipos de pólenes apenas puderam classificar até à «espécie» 3: Gundelia Tournefortii,Ricinus Communis e Lomelosia Prolifera.
Nos restantes consideraram correcta a classificação do Dr. Max Frei até ao «género», a espécie Gundelia Tournefortii correspondia a cerca de 30% dos grãos de pólen, existindo esta planta apenas no Médio Oriente.
Concluiram que a abundante concentração de polen desta espécie resultou da colocação de inflorescências sobre o Sudário dado que a acção do vento não poderia explicar a sua presença.
Quanto à classificação de grãos de «Cistus creticus» préviamente atribuida pelo referido professor Orville Dahl não poderiam emitir opinião,(esta é uma espécie caracteristica de Israel).
Neste estudo concluiram que o Sudário esteve no Médio Oriente-Palestina, conclusão já tirada pelo Professor Danim em prévios estudos publicados

Parecia pois que o percurso histórico do Sudário de Jerusalém, Edessa e Constantinopla na Ásia Menor e Europa (França e Itália) estava perfeitamente justificado pela presença de pólenes caracteristicos dessas regiões.

As Dúvidas:

Para mencionar as principais referimos que o céptico da autenticidade do Sudário Dr. Steven Schaffersman acusou o Dr. Max Frei de fraude, alegando que o tipo de polens seriam uma «construção» para justificar o alegado percurso geográfico do Sudário, pois o Dr. Max Frei teria ele próprio colocado os pólenes nas laminas!!! reiterando a acusação pelo facto de a concentração de pólens ser muito superior às das amostras recolhidas pela equipe S.T.U.R.P.

Ainda mais questões, também partilhadas por outros cépticos tais como:

-Alegada abundante presença de espécies de polinização entomófila (por insectos), polenes esses que nunca poderiam estar no Sudário por exposição atmosférica e necessáriamente deveriam ter sido
fraudulentamente colocados nas lâminas.

-Ausência de polens  de oliveira especie vegetal prevalente na região de Jerusalém, planta de polinização anemófila(pelo vento)

-Criticas de botânicos que afirmaram ser muito questionável a classificação taxonómica do Dr. Max frei até à «espécie»

- A questão da espécie Gundelia Tournefortii

Em 2001 o palinologista Dr. Thomas Litt da Universidade de Bonn observou amostras da colecção do Dr.Max Frei por solicitação do professor Danim afirmando que não poderia classificar até ao «género» muito menos «espécie» dado que havia  «ceras» a cobrir os grãos de polen nas amostras.
Peremptòriamente discordou da classificação« Gundelia Tournefortii» afirmando que o polen seria de planta do género «Carduus».
Depois disto o Professor Danim concordou com a opinião do Professor Litt abandonando os estudos de pólenes mas prosseguindo a sua investigação sobre imagens de plantas e flores que afirmava visualizar no Sudário.
-Em 2012 a bióloga Drª Marzia Boi do Centro Español de Sindonologia discordou da classificação Gundelia Tournefortii atribuindo-lhe a classificação «Helichrysum» planta utilizada na elaboração de unguentos funerários, e que estaria no tecido pela unção do Corpo.

DISCUSSÃO:

O Dr. Max Frei obteve as suas amostras através de fitas adesivas, as quais eram manualmente pressionadas na superficie do Sudário, em locais que foram registados e devidamente testemunhados, nomeadamente durante a investigação S.T.U.R.P.. em 1978- existem várias fotografias, na mais conhecida o Professor Raymond Rogers observa atentamente a intervenção do Dr. Max Frei.
Segundo o Dr. Paul Maloney, a maior concentração e distribuição dos pólenes nas fitas adesivas nas lâminas de observação microscópica deve-se precisamente ao método de colheita pois enquanto a equipe S.T.U.R.P. utilizava um dispositivo mecânico de baixa pressão, o Dr. Max Frei pressionava manualmente com a unha, assim obtendo mais material aderente à fita adesiva nomeadamente o que estava no intervalo dos fios.
A acusação de fraude é pois infundada e caluniosa num cientista já falecido mas está perfeitamente de acordo com o carácter daqueles que a todo o custo pretendem descredibilizar os cientistas que estudaram o Sudário.
Os botânicos italianos Professores Scannerini e Rossana Caramiello da Universidade de Turim, afirmaram concordar com a metodologia de trabalho do Dr.Max Frei embora com alguma discordância no que se referia à «excessiva» caracterização dos grãos de pólen.

No que se refere à presença de pólenes de plantas de polinização entomófila, o Professor Orville Dahl afirmou que se deveu à colocação de flores sobre o Sudário no seu entender talvez nalgum acto liturgico.
Sabemos que os antigos ritos funerários judaicos contemplavam a colocação de flores junto ao corpo, o que terá acontecido no caso do sepultamento do Homem do Sudário.
Recordamos que o sindonólogo Dr. Alan Whanger e o Professor Avinoam Danim identificaram multiplas imagens de flores no Sudário imagens muito ténues e muito dificeis de discernir, segundo eles mais aparentes em fotografia de U.V.-é um tema controverso que não iremos desenvolver.

Relativamente à ausência de pólens de oliveira aspecto também notado pelo palinologista Dr. Uri Baruch, a botânica Drª Daria Bertolani Marchetti da Universidade de Modena, e a Drª Mariotti-Lippi, especialista em arqueobotânica da Universidade de Florença, avançaram com a seguinte explicação:
A floração da oliveira na bacia mediterrânica ocorre em finais de Maio e em Junho durante um curto período de tempo, e os seus grãos de polen são pesados e com escassas proeminências que dificultam a sua aderência.
Se como tudo indica o sepultamento do Homem do Sudário ocorreu em finais de Março/inicios de Abril, e o lençol funerário foi preservado escondido, temos uma explicação plausivel para a ausência de pólenes de oliveira no Sudário.


Quanto à questão da espécie Gundelia Tournefortii,não podemos deixar de conjecturar se botânicos familiarizados com a flora de Israel se teriam equivocado, e se a opinião do Professor Litt não se terá devido à deterioração das amostras, pois decorreram mais de vinte anos após a sua colheita, e as fitas adesivas degradam-se com o tempo, bastam alterações na hidratação dos polenes para alterar o seu aspecto e causar dificuldade na classificação.
No que concerne à recente classificação da bióloga Drª Marzia Boi, esta baseou-se não na observação directa das amostras do Dr. Max Frei, mas na observação de fotografias.
O biólogo australiano Dr. Stephen Jones avançou com uma solução de consenso,afirmando que embora o génreo «Carduus» tenha uma distribuição geográfica muito extensa, existe em Jerusalém uma espécie de Carduus Argentatus

Já abordamos a questão do alegado «excesso de carcterização» dos pólenes opinião partilhada pela Drª Mariotti-Lippi todavia esta analizando a lista de classificação do Dr. Max Frei apenas até ao género, e retirando as plantas europeias e ponderando eventuais erros de classificação, continua a ter na lista algumas plantas que existem apenas no Médio-Oriente, o que a levou a afirmar que « .. o Sudário num periodo não especificado de tempo esteve no Médio-Oriente».

Anteriormente referimos os recentes estudos de DNA de cloroplastos em material recolhido de aspirados do Sudário, num estudo genético multicêntrico em várias Universidades italianas, e coordenado pelo Professor Giulio Fanti da Universidade de Pádua.
Nesse estudo foi determinado a presença de DNA vegetal de plantas da bacia mediterrânica e Médio-Oriente.
Ainda mais recentemente, em Agosto ultimo, o Professor Gerad Lucotte do Instituto de Anthropologia Molecular de Paris publicou um estudo efectuado nos residuos de uma pequena amostra recolhida em 1978 da região do nariz da face da imagem corporal do Sudário.
Nesse estudo recorrendo a SEM e EDX (Microscopia dde scanning e energia dispersiva RX) foram encontrados 10 pólenes, dos quais 3 pertencem à espécie «Ceratonia Siliqua»,uma «Balanites Aegiptiae», a palmeira do deserto, e outro a «Cercis Siliquastrum» a árvore da Judeia.
Este cientista conclui: «estas 3 plantas tem a sua distribuição geográfica no Médio-Oriente, o que é indicativo de uma origem palestiniana do Sudário de Turim...»


                                                       CONCLUSÃO

O trabalho pioneiro do Dr. Max Frei não pode ser desvalorizado, pese embora o facto que o sacrossanto argumento das espécies de pólenes por ele determinadas estabelecer o percurso geográfico do Santo Sudário de Turim ter de ser revisto em função da opinião de outros peritos.
Assim, na nossa opinião o argumento dos pólenes continua não obstante SÓLIDO provando que o Santo Sudário que desde 1578 se encontra em Turim permaneceu durante um período da sua existência no Médio-Oriente e na Palestina.
È no entanto recomendável a realização de estudos palinológicos actuais, com tecnologias de observação mais sofisticadas, em material a recolher da superficie do Sudário, no ambito de estudos alargados por métodos não destrutivos.
Quando, dependerá da boa vontade da Santa Sé.


Bibliografia:

Barcaccia, Gianni, Galla, Giulio, Achilli Alessandro Olivieri, Anna& Toroni, Antonio Uncovering the sources of DNA found on the Turin Shroud  Scientific Reports 5  Article number 14484  (2015)
http://www.nature.com/articles/srep14484#t1   

Danim, Avinoam, The origin of the Shroud of Turin from the Near East as evidenced by plant images and pollen grains 1998 https://www.shroud.com/danin2.htm  

Danin, Avinoam and Baruch Uri Floristic indicators for the origin of the Shroud of Turin 1998 Turin Symposium https://www.shroud.com/pdfs/daninx.pdf  

Fanti, Giulio et al Uncovering the sources of DNA in the Turin Shroud 2014  
 https://shroudofturin.files.wordpress.com/2014/09/atsi-2014-uncovering-the-sources-of-dna-of-the-turin-shroud.pdf

Farey, Hugh, Problems with pollen British Society for the Turin Shroud newsletter  nº 79 June 2014 
https://www.shroud.com/pdfs/n79part8.pdf 

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