segunda-feira, 29 de julho de 2019

Comentário do Dr.Paulo Portas sobre o Sudário na TVI-Esclarecimento de uma pseudo-polémica



 A propósito do  breve comentário do Dr. Paulo Portas sobre o Sudário, no Jornal das 8 da TVI ontem, 28 de Julho 2019, achamos necessário fazer um esclarecimento.

 Após a surpreendente!! referência da Drª Judith de Sousa sobre a questão datação do Santo Sudário, o prestigiado comentador, já no final da sua intervenção abordou o tema do Sudário realçando a posição «prudente» da Igreja que não se pronuncia relativamente ao percurso histórico da relíquia, mas incentiva o seu estudo, mencionou também a importância da mesma para os crentes  e a curiosidade suscitada para os não crentes.
Referiu  também a crença de que a relíquia seria o lençol que envolveu o Corpo de Jesus Cristo no sepulcro e o «efeito» suscitado nas pessoas pela contemplação da imagem nele patente.
Igualmente mencionou as Ostensões do Sudário e «as visitas» ao mesmo dos Papas João Paulo II e Bento XVI.

Todavia o aspecto da sua comunicação que realço, e que paradoxalmente suscitou controvérsia infundada, foi o facto de ter afirmado que um estudo da revista «Archeometry» desta mesma semana «vem pôr em causa a ideia que o Santo Sudário era do século XIII e portanto não poderia ter relação com a idade de Cristo».
Dado ter recebido vários telefonemas de pessoas com dúvidas quanto ao significado da afirmação e que inclusivamente perceberam o contrário!!!do que o seu autor pretendia transmitir,  talvez porque o comentário foi muito rápido, sinto-me na obrigação de fazer um esclarecimento.

Efectivamente o Dr. Paulo Portas quis dizer que o dito estudo da autoria de prestigiados académicos como Tristan Casabianca, Emmanuella Marinelli e do Professor  Benedetto Torrisi (Professor universitário da Universidade de Catânia e perito em análise estatística), publicado efectivamente em 22 de Março deste ano na revista científica Archaeometry e que analisa os sub-resultados da datação radiocarbono da amostra que foi fornecida ao Laboratório de Oxford em 1988 questiona e refuta a validade dos anteriores testes de radiocarbono de 1988 que dataram uma amostra do tecido do Sudário do século XIII (datação média).
Os autores concluem efectivamente que os resultados demonstram inhomegeneidade portanto a amostra não é válida e a validade da datação radiocarbono de 1988 deverá ser reconsiderada.
Fornecemos o link para o Abstract do referido trabalho  https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/arcm.12467 

De louvar a iniciativa do Dr. Paulo Portas de trazer ao conhecimento do grande público um tema tão importante como desconhecido para a maioria dos telespectadores, e sobretudo por ter realçado informação cientifica fidedigna a questionar a validade dos testes radiocarbono 1988, contrariamente a outros que fixando-se nos desacreditados testes e dolosamente «ignorando» novos estudos , tentam com isso desacreditar a autenticidade do Sudário de Turim.
Todavia sabemos que já desde 2005 a validade dos testes radiocarbono de 1988 que dataram a amostra recolhida do Sudário no período medieval (1260-1390) foi contestada pelo importantíssimo trabalho do termoquímico americano Professor Raymond Rogers, o que foi  confirmado posteriormente por outros investigadores, e inclusivamente em 2013  uma equipe liderada pelo físico do Departamento de Engenharia da Universidade de Pádua, Professor Giulio Fanti aplicou novos métodos de datação de têxteis em material remanescente da colheita da dita amostra, concluindo que o tecido do Sudário era datado 280 A.C. a 220 A.D. portanto poderia ser da época de Cristo mas NUNCA do período medieval.- convidamos os nossos leitores a revisitarem o artigo deste Blog de 29/07/2013 «Novo Método de datação de tecidos aplicado ao Sudário de Turim».
Ainda mais recentemente, em 23 de Maio ultimo um grupo de cientistas italianos coordenados pelo já referido perito em estatística Professor Benedetto Torrisi, num simposium patrocinado pela Universidade de Catânia-Itália  re-analisou os sub- resultados da datação radiocarbono dos diversos laboratórios em 1988 e o que afrmou em entrevista, e transcrevemos  no original é:
 «È tutto da rifare. C'è la piena certezza che la Sindone non risale al Medioevo»,
Ou seja afirma categoricamente que os testes radiocarbono  deverão ser repetidos e HÁ PLENA CERTEZA QUE O SUDÁRIO NÃO É DA IDADE MÉDIA.

Pensamos haver já um manancial de informação de caracter científico que nos permite afirmar com legitimidade de que OS TESTES RADIOCARBONO DE 1988 EFECTUADOS NUMA AMOSTRA DE TECIDO DO SUDÁRO DE TURIM* SÃO INVÁLIDOS, e questionar a autenticidade do Santo Sudário com base nos desacreditados testes de radiocarbono 1988 demonstra uma ignorância dos desenvolvimentos científicos.

*Nota: recordamos que a amostra de tecido recolhida do Sudário em 1988 foi dividida pelos três laboratórios-Oxford,  Zurich e Arizona

                                    Antero de Frias Moreira 


quarta-feira, 9 de janeiro de 2019


 O ADN DO SUDÁRIO DE TURIM-ADN DE JESUS?- Reavaliação dos  estudos de ADN do Sudário de Turim e do Pano de Oviedo
 Janeiro 2019              

 Antero de Frias Moreira*
*Médico- Especialista de Medicina Fisica e de Reabilitação; Membro Executivo do Centro Português de Sindonologia

Resumo:
 Após uma introdução ao tema é feita a revisão dos trabalhos conhecidos sobre os estudos de ADN no Sudário de Turim e no Pano de Oviedo, sendo analisados os seus achados.
Conclui-se que os estudos de ADN Nuclear apenas permitem presumir que o material hemático patente no Sudário de Turim seja de um individuo de sexo masculino, não podendo ser estabelecido a esse nível qualquer relação com o material hemático do Pano de Oviedo.
Os estudos do ADN vegetal e mitocondrial humano do Sudário de Turim fornecem importantes elementos de suporte do seu percurso histórico tradicionalmente aceite.

Abstract:
After an introduction to the subject, DNA studies on the Turin Shroud and Oviedo Cloth DNA are reviewed and their findings analyzed.
It is concluded that studies on Nuclear DNA only provide elements to presume that hematic material on the Shroud of Turin can be of a male sex individual and on this basis it cannot be established any connection to the hematic material on the Oviedo Cloth.
Plant DNA and human mitochondrial DNA studies on the Shroud of Turin provide important data to support its traditionally accepted historical trail.



Palavras-Chave:
ADN, ADN nuclear ADN mitocondrial contaminação ADN exógeno, Sudário de Turim, Pano de Oviedo Homem do Sudário

Key-Words:
DNA, nuclear DNA, mitochondrial DNA, contamination, exogenous DNA, Shroud of Turin , Oviedo Cloth, Man of the Shroud



Considerações preliminares:

O Santo Sudário de Turim é a relíquia mais venerada do Cristianismo, pois trata-se de um pano de linho de grandes dimensões onde está patente uma enigmática imagem em tonalidade acastanhada da região ventral e dorsal de um corpo desnudado de um individuo de sexo masculino bem como manchas de tonalidade avermelhada, sendo o conjunto altamente evocador de um flagelado e crucificado.
Encontra-se em Turim desde 1578 e a tradição, estudos históricos e científicos identificam-no com a mortalha funerária que envolveu o Corpo de Jesus Cristo no sepulcro.
O Sudarium de Oviedo também conhecido como Pano de Oviedo, é também um pano de linho de menores dimensões, com registos históricos na Península Ibérica desde inícios do século VII, e que é identificado como o pano que cobriu a cabeça de Jesus Cristo na cruz após a Sua morte, e corresponderá ao «sudário enrolado aparte» no capítulo 20 do Evangelho de S. João.
Abordando aspectos materiais relacionados com Jesus Cristo, o estudo de potencial material genético com Ele relacionado, será pois um tema potencialmente polémico, recentemente reactivado por um programa televisivo emitido pelo Canal História e intitulado «O ADN de Jesus Cristo», em língua inglesa «The Jesus Strand a Search for DNA», e que iremos procurar abordar de uma forma objectiva.



Introdução:
Testes de ADN, análises de ADN são frases que ouvimos correntemente, mas antes de mais iremos debruçar-nos sobre noções básicas do ADN.
O ADN, iniciais de ácido desoxirribonucleico, é uma molécula complexa que contem o genoma humano, ou seja o «código genético» que irá determinar o que cada ser vivo irá ser em termos de aspecto e funcionamento.
A molécula do ADN foi caracterizada em 1953 pelos Drs. James Watson e Francis Crick, vencedores do Prémio Nobel da Medicina, como uma dupla hélice enrolada constituída por bases púricas ( adenina e guanina) e pirimídicas (citosina e timina), ligadas a um açúcar -a desoxirribose, e um fosfato.
Cada hélice tem a sua sequência de bases, conectadas por ligações de hidrogénio à base da outra hélice sendo que a adenina se liga sempre à timina e a citosina à guanina(12). 


          
                Fig. 1- Estructura do ADN (em «The structure of DNA» News Medical Lifesciences )

Os genes humanos são sequências de bases e o conjunto dos genes constitui o genoma humano, que irá definir a individualidade de cada ser.
O ADN é o principal constituinte dos cromossomas estruturas contidas nos núcleos celulares, sendo que na espécie humana há 23 pares de cromossomas (cada par corresponde a um cromossoma de origem materna e outro de origem paterna) cujo ADN é portanto proveniente do pai e da mãe, e nesse conjunto o Homem tem um par de cromossomas designados XY e a Mulher um par XX.
A famosa base de dados CODIS (acrónimo de Combined DNA Index System) dos Estados Unidos da América trata-se de um sistema informático que armazena perfis de ADN criados por laboratórios criminais (25) e utiliza dados arquivados referentes a várias sequências de bases do ADN de indivíduos designadas por «loci» (13-20 sequencias + gene da amelogenina X ou Y para determinação de sexo) que são comparadas com sequências homólogas de amostras de ADN por exemplo recolhidas num local de crime a partir de sangue, fluidos corporais ou cabelos, se há coincidência o chamado «nível de confiança» (critério estatístico) é de 99.99% o que quer dizer que há 99,99% de probabilidade do ADN ser do mesmo individuo (13), ou noutra perspectiva a probabilidade de não ser, utilizando 13 sequencias do CODIS é de 1/ 10 000 000 000 000 ou 1/ 10 13(22).
No que concerne ao ADN esta complexa molécula encontra-se nas amostras sobre duas formas, o ADN nuclear, portanto aquele que existe nos núcleos celulares, e o ADN mitocondrial, existente nos organelos celulares designados por mitocôndrias, possuindo este apenas 37 genes enquanto que o ADN nuclear tem 30 000 genes(18).
Como foi dito o ADN nuclear tem informação genética dos 2 progenitores mas o ADN mitocondrial é o ADN de linhagem materna, exemplificando ele é transmitido para a filha e o filho da mesma mãe, mas o filho não o transmite aos seus descendentes, a filha sim.
Não iremos por motivos óbvios entrar em detalhes técnicos laboratoriais de execução das complexas análises, mas esta introdução afigura-se necessária para se perceber os estudos de ADN realizados no Sudário de Turim e no Sudarium ou «Pano de Oviedo», bem como o que deles se possa inferir e concluir.

ESTUDOS DE ADN NO SUDARIO DE TURIM E NO SUDARIUM OU PANO DE OVIEDO

Em 1995 a equipe do Professor Marcello  Canale recebeu para estudo 2 fios de cerca 1.5 cm de comprimento, da extremidade do Sudário na zona das impressões plantares dorsais.
Foram estudadas várias sequências de genes, nomeadamente  amelogenina X e Y tirosina hidroxilase, factor de von Willebrand , tirosina kinase e factor  XIII da coagulação concluindo-se que havia seguramente contaminação com ADN de vários indivíduos, nomeadamente femininos, embora o masculino fosse predominante (18), e no estudo realizado pelo mesmo cientista em material do Pano de Oviedo também se concluiu por contaminação com ADN feminino - esses estudos foram portanto inconclusivos(10),(18).
Em 1998 o microbiologita americano Dr. Leoncio Garza Valdés do Texas Health Center, publicou no seu livro «DNA of God?» o resultado de pesquisas efectuadas juntamente com o Dr. Victor Tryon geneticista da Universidade do Texas, do Departamento de PCR (Polymerase Chain Reaction) do Laboratório de Microbiologia dessa mesma Universidade, em material recolhido de manchas hemáticas da região occipital e punho esquerdo do Sudário de Turim.
Esse material foi-lhe fornecido pelo Professor Giovanni Riggi di Numana, cientista que integrou a equipe STURP, o qual efectuou a recolha aquando da realização dos testes radiocarbono 1988 (11).
Foram determinados segmentos de três genes humanos, a saber 268 pares de bases da betaglobina (componente da hemoglobina no cromossoma 11), e segmentos da amelogenina X e amelogenina Y, sendo concluído que o sangue era de um individuo de sexo masculino (18),(24).
Todavia o então Arcebispo de Turim, Cardeal Saldarini, desvalorizou os resultados alegando que o material para estudo tinha sido fornecido à revelia das autoridades religiosas e solicitou a imediata entrega de todo o material proveniente do Sudário .
Nos dois citados estudos determinou-se que o ADN (neste caso obviamente ADN nuclear) estava bastante degradado e fragmentado. (9),(14),(15).
Em 2007 foi anunciado no «Segundo Congresso Internacional sobre o Sudarium de Oviedo» a realização em curso de estudos de ADN no Pano de Oviedo a cargo dos Drs. Manuel Rey da Newbiotechnic de Sevilha e de Enrique Monte do Departamento de de Microbiologia e Genética da Universidade de Salamanca, estudos esses no sentido de determinar a área geográfica donde o linho teria vindo, foi também referido pelo Dr. António Alonso do Instituto Nacional de Ciência Forense que foram analisadas amostras de sangue e as tentativas de identificação de ADN nuclear foram infrutíferas mas foi possível identificar ADN mitocondrial, não obstante ADN humano no sangue do Pano (23).

Estudos de ADN ulteriores (4),(5),(6),(7),(8)
Na sequência de um estudo pioneiro coordenado pelo Professor Giulio Fanti, envolvendo vários geneticistas de departamentos de genética de várias universidades italianas, apresentado em 2014 no Congresso Internacional de Bari (4), foi apresentada posteriormente a versão definitiva, mais elaborada do trabalho, por uma equipe de geneticistas liderada pelo Professor Gianni Barcaccia, no «Workshop of Paduan Scientific Analysis on the Shroud» em 2015 em Pádua.
Sem entrarmos em pormenores técnicos fastidiosos, o estudo versou a caracterização de ADN extraído de material orgânico de poeiras aspiradas da parte oculta do Sudário pelo já referido Professor Giovanni Riggi di Numana respectivamente em 1978 e 1988, e posteriormente cedidas ao Professor Fanti, sendo importante referir que foram recolhidas em filtros identificando a zona donde tinham sido recolhidas.
Recorda-se que o Sudário de Turim estava cosido a todo o seu comprimento, na parte de trás, a um tecido- o chamado Pano da Holanda- aplicado em 1534 pelas freiras clarissas de Chambery, como parte do restauro após o incêndio na catedral de Chambery em 1532 que provocou alguns danos no Sudário.
Ora esse Pano da Holanda foi parcialmente descosido e efectuada aspiração sendo devidamente marcadas áreas como face, mãos, pés e nádegas bem como área descoberta da zona da retirada da amostra radiocarbono em 1988.
Nesses estudos foi analisado o ADN de cloroplastos (organelos vegetais) de plantas e ADN mitocondrial humano, determinando-se que o ADN vegetal correspondia a plantas da Europa, Norte de África/Bacia Mediterrânica, da Península Ibérica à Palestina e mesmo espécies do Novo Mundo, trazidas para a Europa após a descoberta do Continente Americano por Cristóvão Colombo em 1492.
É importante referir que foram determinados fragmentos de ADN mitocondrial humano com menos de 200 pares de bases e outros com sequências mais longas superiores a 500 pares de bases, o que indica presença de «contaminação» antiga e mais recente (8).
No que respeita ao ADN mitocondrial, a análise genética concluiu por múltiplos «haplogrupos» designação de um grupo de vários genes presentes em vários cromossomas e que partilham uma ancestralidade comum, digamos «grosso modo» determinadas «etnias».
Foram determinados então haplogrupos do Médio Oriente , Próximo Oriente, Caucaso, Nordeste de África, Anatólia , Ásia Central, Europa Ocidental e Peninsula Ibérica e até da India sendo que percentualmente o ADN mitocondrial correspondente a etnias europeias era de 5,7%, do Médio Oriente 55,6% e da India 38,7%, alem disso foram consideradas as potenciais possibilidades da etnia do Homem do Sudário (6)(7)(8).


            Estudos de ADN mitocondrial de sangue do «Homem do Sudário»*

*Barcaccia, Giani et al «DNA Analysis of dust particles sampled from the Turin Shroud», Matec Web of Conferences 2015

Fig 2- Slide gentilmente cedido pelo Professor Gianni Barcaccia, onde são designados os três possíveis haplogrupos do Homem do Sudário


Pode-se depreender que a etnia do Homem do Sudário não será europeia sendo a etnia Drusa uma possibilidade (a etnia Drusa tem uma ancestralidade comum com Judeus e Cipriotas e compartilhou os seus genes com populações do Médio Oriente incluindo Palestinianos e Sirios como pode ler-se no slide)(8).
Os autores concluem que embora a possibilidade de o Sudario de Turim ser uma elaboração medieval europeia não possa ser excluída, a diversidade das etnias determinadas, resulta do contacto de inumeras pessoas com o tecido do Sudário ao longo dos séculos, e integrando os resultados obtidos do estudo de ADN de plantas e ADN mitocondrial humano, eles são compatíveis com o percurso histórico- geográfico do Santo Sudário de Turim , previamente definido pela documentação histórica e estudos palinológicos (pólenes) e minerais.
Além disso põe a possibilidade de o linho ser proveniente da India, tendo viajado pelas rotas comerciais da época, e posteriormente manufacturado no tecido, até chegar à Palestina (6),(7),(8).


                                               DISCUSSÃO

Se o objectivo dos estudos de ADN forem estudar o ADN do Homem do Sudário, ter-se-á desde já que considerar  a forma como tenha passado para o tecido , e obviamente haverá duas possibilidades, ou por contacto com partes do corpo passando resíduos orgânicos para o tecido, nomeadamente celulas cutâneas ou fluidos corporais, ou então nas manchas sanguíneas, também neste caso por contacto.
Hoje sabemos que seguramente as manchas sanguíneas no Sudário de Turim são exsudados de coágulos patentes nas áreas lesionais do corpo de um homem que morreu em posição de crucificação, e que foram transferidos para o tecido por um mecanismo de contacto (1),(20), e são precisamente as áreas hemáticas que foram escolhidas pelos investigadores para recolha das amostras, quer no Sudário de Turim, quer no Pano de Oviedo (neste caso há sangue misturado com fluido de edema pulmonar),dado que presumivelmente serão áreas onde será mais provável obter ADN do Homem do Sudário.
Uma das razões da escassez de ADN nas amostras recolhidas do Sudário, tem a ver com o facto de que o ADN nuclear existe apenas nas células nucleadas, ora os eritrócitos (glóbulos vermelhos) são células anucleadas, portanto a única fonte possível de ADN nuclear serão as células da serie branca, os neutrófilos, linfócitos e monócitos  (16), ao que acresce o facto de o material hemático no Sudário não ser sangue total, mas sim um exsudado de coágulo que foi transferido por contacto para o tecido, logo a maior parte dos elementos celulares do sangue ficou retida na rede de fibrina do coágulo sobre a ferida corporal.
Outro aspecto irresolúvel é a identidade do Homem do Sudário, pois se como tudo indica o Homem do Sudário é Jesus Cristo, (3),(26), não existe qualquer outro resíduo orgânico ( ou seja não existem quaisquer remanescentes corporais de Jesus Cristo) donde se possa obter ADN para comparação com o obtido do Sudário, mesmo excluindo que este está marcadamente fragmentado e degradado pela antiguidade (14),(21).


Contaminação c/ ADN exógeno
Antes de mais teremos que ter em conta que a contaminação com ADN exógeno deve ser sempre uma preocupação, pois pode haver intrusão de ADN exógeno a partir de células de descamação cutânea, fluidos corporais como aerossóis respiratórios de tosse, espirro saliva etc. portanto basta o respirar tossir coçar a cabeça, tocar sem luvas protectoras no tecido do Sudário, colocar sobre o tecido objectos que foram manipulados por pessoas, para introduzir ADN exógeno, situações a que o tecido do Sudário foi inquestionavelmente sujeito ao longo dos séculos.

Apreciação critica dos estudos de ADN

Estudos iniciais
No que concerne aos estudos iniciais de ADN do Professor Canale em 1995, a determinação de vários alelos de genes (recordamos que um individuo só pode ter dois alelos) bem como a presença de ADN feminino apontam para a inevitável contaminação com ADN exógeno, não podendo daí ser extraída qualquer informação válida no que respeita ao ADN do Homem do Sudário (18), o que na nossa opinião seria de esperar pois as amostras foram recolhidas da extremidade do tecido na zona da imagem da planta dos pés, região potencialmente sujeita a manipulação humana.
Relativamente aos estudos posteriores do Dr. Leoncio Garza-Valdés e Victor Tryon publicados em finais dos anos 90, não questionamos sequer a legitimidade das amostras, e o facto de as amostras terem sido recolhidas da região occipital e punho esquerdo, portanto áreas do tecido do Sudário afastadas dos bordos, portanto menos prováveis de terem sido tocadas, até certo ponto minimiza a possibilidade de contaminação e dará mais segurança à conclusão de que a amostra seja de sangue de um individuo de sexo masculino.
Não obstante, dado que não foi excluída a possibilidade de contaminação exógena nomeadamente por células cutâneas/outra, essa conclusão não poderá ter um valor absoluto, e o investigador e imunologista Dr. Kelly Kearse propõe, dado que não existem normalmente linfócitos B na pele, a fim de confirmar a possibilidade de que o que foi determinado foi ADN de células sanguíneas e não cutâneas  « a análise de ADN das manchas sanguíneas deve produzir um perfil indicativo de uma população policlonal de células B, por exemplo uma curva em forma de sino (distribuição Gaussiana)que reflecte a natureza heterogénea do rearranjo do receptor»- tendo sido prèviamente explicado que o re-arranjo de segmentos de genes dos linfócitos B produz uma multiplicidade de diferentes receptores (imunoglobulinas) na sua superfície, o que não acontece no chamado «touch DNA» de origem em células cutâneas(19).
Do atrás exposto e integrando com os escassos dados sobre os estudos de ADN do Pano de Oviedo, não é possível estabelecer qualquer identidade entre o ADN nuclear ou mitocondrial das duas relíquias, apenas que o material hemático é do tipo AB, mas nem sequer foi possível determinar o factor Rh (2),(16).


Estudos mais recentes
O estudo da equipe do professor Barcaccia tem o mérito de através da análise genética de material predominantemente contaminante-referimo-nos ao ADN vegetal e ADN mitocondrial dos indivíduos que ao longo do tempo contactaram com o tecido do Sudário- fornecer uma base para se poder ou não corroborar o percurso histórico- geográfico da Relíquia tradicionalmente descrito.
Esclarecemos que esse ADN (vegetal e mitocondrial humano) predominantemente contaminante foi sendo depositado no tecido ao longo do tempo, por poeiras atmosféricas, contacto com resíduos vegetais e sobretudo por todas as pessoas que ao longo dos séculos foram contactando com o tecido, desde a fase da colheita e preparação do linho, manufactura do tecido, transporte da peça nas rotas comerciais, e múltiplos contactos humanos com a mesma, sem esquecer o envolvimento do Corpo do Homem do Sudário.

Assim sendo, é possível considerar dois cenários (8):


1 O-Sudário ser uma fraude medieval elaborada na Europa
Neste caso para alem de existir ADN vegetal de plantas da bacia mediterrânica e Médio Oriente o que é dificilmente explicável, também o facto de que apenas 5.7% do ADN mitocondrial é de etnias europeias, bem como a presença considerável de ADN de etnias indianas ( 38,7%) e do Médio Oriente (55,6%)  torna esta possibilidade insustentável, pois o contrário é que seria lógico nessa perspectiva.

2- O Sudário de Turim seguiu o percurso histórico conhecido Jerusalém-Edessa Constantinopla-Europa Ocidental
Os dados do ADN vegetal e mitocondrial humano em nada contrariam essa possibilidade, antes fornecem mais argumentos a favor do percurso histórico-geográfico proposto, em função dos prévios estudos históricos, palinológicos e mineralógicos.
No que concerne ao possivel ADN mitocondrial do Homem do Sudário os haplogrupos determinados apenas permitem ponderar hipóteses de etnias, e não fazer afirmações peremptórias, como ficou patente no documentário do Canal História de que Jesus Cristo tinha antepassados Drusos, e será apenas mais um dado a favor de que o material hemático patente no Sudário é de um individuo de etnias do Médio Oriente.



                                          CONCLUSÃO

Os estudos de ADN nuclear no Sudário de Turim e Pano de Oviedo são pouco conclusivos pois não permitem descartar a possibilidade de contaminação com ADN exógeno, não obstante fornecem um elemento de presunção não negligenciável de que o material hemático patente no Sudário de Turim seja de um individuo de sexo masculino, não sendo possível estabelecer qualquer comparação ou conexão com o ADN nuclear do Pano de Oviedo.
No que respeita aos estudos de ADN vegetal e ADN mitocondrial humano, eles fornecem importantes elementos de suporte para o percurso histórico-geográfico tradicionalmente aceite para o Sudário de Turim.
Não é possível identificar o Homem do Sudário através do ADN, nem determinar com certeza a sua ascendência étnica, e dado o estado de degradação e fragmentação do ADN, e a possibilidade de clonagem do Homem do Sudário através de ADN do Sudário é meramente ficcional (9),(17).




Referências Bibliográficas:


1-Adler, Alan D.-The Nature of the Body Images on the Shroud of Turin  1999 https://www.shroud.com/pdfs/adler.pdf 
2-Bollone, Pierluigi Baima- The forensic  characteristics of the blood marks The Turin Shroud, Past, Present and Future International Scientific Symposium, Torino 2-5 March 2000 Effata Editrice pp,212-214
3-Barberis, Bruno Savarino Piero- Shroud carbon dating and calculus of probabilities St. Pauls U.K. 1998 pp 29-47
4-Barcaccia, G. et al, Fanti, G-Uncovering the Sources of DNA in the Turin Shroud Workshop in Advances in the Turin Shroud Investigation, September 4-5 2014 Bari, Italy
5-Barcaccia, Gianni et al – DNA Analysis of Dust Particles Sampled from the Turin Shroud, Workshop Paduan on Scientific Analysis on the Shroud 2015 https://www.matec-conferences.org/articles/matecconf/abs/2015/17/matecconf_wopsas2015_03001/matecconf_wopsas2015_03001.html
6-Barcaccia Gianni et al –Uncovering the Sources of DNA found on the Turin Shroud,Scientific Reports 05 october 2015 https://www.nature.com/articles/srep14484
7-Barcaccia, Gianni –Sources of DNA on the Shroud- abstract, International Conference, July 19-22 Pasco Washington  http://www.shrouduniversity.com/pasco17details.php#18
8-Barcaccia, Gianni conferência- Video, International Conference on the Shroud of Turin, July 19-22, 2017 Pasco , Washington https://www.youtube.com/watch?v=WzFL5jcWCBY&feature=youtu.be
9-Boda , Lazlo: Why it is impossible to clone the Man of the Shroud  http://www.shroud.it/boda.pdf
10-BSTS Newsletter nº 42 02 News From Around the World http://www.shroud.com/pdfs/n42part2.pdf
11-BSTS Newsletter nº 43 03 Science Fiction to Science Fact? https://www.shroud.com/bsts4303.htm
12-Cheryiedath, Susha The Sructure of DNA News Medical Lifesciences https://www.news-medical.net/life-sciences/Structure-of-DNA.aspx
14-Fanti G. et al – Evidence for testing hypotheses about Image formation of the Turin Shroud, The Third Dallas International Conference on the Shroud of Turin: Dallas  September 8-11, 2005  https://www.shroud.com/pdfs/doclist.pdf
15-Hermosilla, Alfonso sanchez M.D. The Oviedo Sudarium and the Turin Shroud http://www.shroud.com/pdfs/sanchezveng.pdf
16-Kearse, Kelly P.-Blood on the Shroud of Turin: An Immunological Review 2012 https://www.shroud.com/pdfs/kearse.pdf

17-Kearse, Kelly P. – Cloning the Man on the Shroud of Turin: The Media’s Hyperbole with the Double Helix, Shroud of Turin Blog November 25 2012 https://shroudstory.com/2012/11/25/must-read-cloning-the-man-on-the-shroud-of-turin/
18-Kearse, Kelly P.- DNA Analysis and the Shroud of Turin: Development of a Shroud CODIS https://www.shroud.com/pdfs/kearse3.pdf
19-Kearse, Kelly P.-DNA on the Shroud of Turin : Distinguishing endogenous versus exogenous DNA 2012 https://www.shroud.com/pdfs/kearse2.pdf
20-Lavoie, Gilbert R. , Lavoie Bonnie B. , Adler, Alan D.- Blood on the Shroud of Turin, Th Orphaned Manuscript Effata Editrice 2002 pp.64
21-Rogers, Raymond N.-Frequently Asked Questions 2004  https://www.shroud.com/pdfs/rogers5faqs.pdf
23-The Second International Conference on the Sudarium of Oviedo , Oviedo , Spain 13-15 April 2007 https://www.shroud.com/pdfs/n65/part6.pdf
24-Valdés, Leoncio Garza The DNA of God , Amazon 1999 referido em http:// www.religion-cults.com/cloning.godhtm24
25-Wikipedia- Combined DNA Index System https://pt.wikipedia.org/wiki/Combined_DNA_Index_System
26-Zeuli, Tino –Jesus Christ is the Man of the Shroud Shroud Spectrum International Issue 10 March 1984 pp 29 https://www.shroud.com/pdfs/ssi10part5.pdf 

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

                                                                  FELIZ 2019

A todos os que visitam o nosso site desejamos um Feliz Novo Ano de 2019 bem como a todos os membros do Centro Português de Sindonologia.

Tendo sido reacendida recentemente a polémica sobre os estudos de ADN no Santo Sudário de Turim, por um documentário do Canal História, entitulado «O ADN de Jesus» é nossa intenção publicar em breve um trabalho cientifico que irá responder a todas as dúvidas sobre esse tema polémico.

                                 até breve e Feliz 2019
                                Maria da Glória

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

«NOVO» ESTUDO FORENSE DESAFIA AUTENTICIDADE DO SANTO SUDÁRIO?- UMA REFLEXÃO CRÍTICA


                                                    


Julho 2018
Antero de Frias Moreira*
*Médico- Especialista de Medicina Física e de Reabilitação

Resumo. Tendo sido publicado um estudo forense sobre as manchas sanguíneas patentes no Sudário de Turim alegadamente utilizando técnicas que reproduziriam as condições em que estas se teriam produzido num crucificado suspenso na cruz, é efectuada uma análise critica, comparando com dados forenses de anteriores trabalhos, bem como aspectos anatómicos e fisiopatológicos.
Conclui-se que inequivocamente o estudo em causa não reuniu as alegadas condições sendo portanto as suas conclusões para descartar.

Abstract: A forensic study on the Shroud of Turin bloodstains has been published, allegedly employing techniques that would reproduce the conditions by which they had been produced on a crucified man hanging on the cross, and a critical approach is done, comparing known forensic data from previous studies and anatomical and physiopathological aspects.
It is unequivocally concluded that the actual study did not manage to gather the alleged conditions and its conclusions are thus meaningless.

Introdução
Em meados deste mês de Julho a comunicação social na Web propalou intensamente a notícia de que um novo estudo desenvolvido por peritos forenses, aplicando sofisticados métodos de análise, a manchas sanguíneas patentes no Sudário de Turim, teriam chegado à conclusão de que haveria incompatibilidade das mesmas com a situação de um crucificado que sofreu adicionalmente uma ferida perfurante post mortem no hemitorax direito, logo questionava aparentemente com razão, a autenticidade do Sudário de Turim.
Damos como exemplo a notícia em língua inglesa The Blood stains on the Shroud of Turin seem totally fake, study claims , Michelle Starr 10 July 2018  Science Alert   https://www.sciencealert.com/shroud-of-turin-bloodstain-pattern-analysis-unrealistic-hoax-borrini-garlaschelli , mas muitas outras mais ou menos completas estão  disponíveis na Web.
Efectivamente o químico italiano Professor Luigi Garlaschelli e o antropólogo forense da Universidade de Liverpool Dr. Matteo Borrini publicaram na revista científica  Journal of Forensic Sciences um artigo intitulado «A BPA Approach to the Shroud of Turin» disponível no site . https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/1556-4029.13867 . 
Tratando-se de um estudo alegadamente de caracter forense, onde supostamente teriam sido utilizados sofisticados métodos de análise experimental e que basicamente concluiu:
1-Os padrões de manchas sanguíneas patentes nos membros superiores nomeadamente no antebraço  esquerdo do Sudário de Turim não são compatíveis com os que se formariam nos membros superiores de um crucificado na cruz, e posteriormente transpostos para o tecido.
2- A ferida perfurante do hemitórax direito produzida num crucificado na cruz, nunca poderia produzir uma mancha como a  patente na imagem ventral do Sudário de Turim, nem as manchas patentes na área lombar da imagem ventral ( o designado «blood belt») nem pela movimentação do corpo apos remoção da cruz.
3- É também questionado se as manchas no Sudário são mesmo sangue então teriam sido pintadas, mas é também referida a possibilidade de as manchas sanguíneas serem óxido de ferro.
Para quem não conhece a realidade dos rigorosos estudos científicos realizados no Sudário, esta(s) noticia(s) poderão fazer vacilar a crença na autenticidade da relíquia, pelo que me sinto na obrigação de honestamente esclarecer a realidade dos factos.

A realidade dos factos
1-Efectivamente, o dito «estudo», nada tem de novo pois já em Abril de 2015 os citados cientistas comunicaram aos media a realização do seu estudo inclusivemente disponibilizando no canal youtube um vídeo onde se pode observar os métodos utilizados do qual forneço o link BPA Shroud Borrini Garlaschelli 2  https://www.youtube.com/watch?v=SNzVc1MqJ2s , vídeo esse que mostra a base experimental do seu «trabalho».
2- No vídeo youtube mencionado, observa-se que os métodos utilizados nada tem de sofisticado( convidamos os leitores leigos a visualizar esse vídeo e fazerem o seu próprio juízo…)
    - O modelo humano é o próprio Dr. Luigi Garlaschelli
   - Talvez para impressionar, vè-se  o inicio de extracção de sangue com uma seringa de uma veia da região anterior do cotovelo, e posteriormente a utilização de um sistema de saco de sangue (mas será sangue??) e um tubo de plástico de pequeno calibre com a extremidade fixada por fitas adesivas a nível da região dorsal do punho esquerdo, donde goteja o alegado sangue, e várias medições angulares dos trajectos sanguíneos no antebraço esquerdo em função da elevação do membro, com um dispositivo de medição angular perfeitamente banal.
 - No que respeita à ferida do lado, não resisto em classificar o método de verdadeiramente hilariante, pois é utilizado um modelo de um tronco de manequim de plástico, e a simulação da ferida perfurante é realizada com uma esponja embebida na ponta de um pau, previamente mergulhada numa solução de cor avermelhada proveniente dum frasco onde pode ler-se Blood Spatter, e que é (pasme-se) esfregada no manequim produzindo escorrências lineares descendentes.

3- Esse assunto foi já apresentado no fórum americano de caracter científico «Shroud of Turin Blog em 11  de Abril de 2015 com o título «New Garlaschelli and Borrini study» onde vários bloggers (eu incluído) fizeram as suas apreciações e do qual forneço o respectivo link https://shroudstory.com/?s=matteo+borrini , e sublinho que a principal crítica é de que as conclusões dos autores foram obtidas através de métodos que não reproduzem as condições em que o sangramento possa ter ocorrido num crucificado suspenso na cruz, ao qual para confirmar a morte, foi produzida uma ferida perfurante do hemitórax direito.
Nesse mesmo fórum o Dr. Thibault Heimburger, médico, apresenta um seu interessante trabalho experimental não publicado, com fotografias disponíveis, onde concluiu que os trajectos sanguíneos nos membros superiores são semelhantes aos patentes na imagem do Sudário.
Em 2010 o médico Dr. Gilbert Lavoie apresentou um interessante trabalho no International Workshop on the Scientific approach to the Acheiropoetos Images- Frascati, Itália, no qual os trajecto sanguíneos no antebraço direito e mancha externa no cotovelo, na imagem ventral do Sudário são analisados com técnica de decalque em tamanho real e recurso a voluntário humano, sendo a conclusão desse interessante estudo que ESSES TRAJECTOS SANGUÍNEOS SE PRODUZIRAM NO MEMBRO SUPERIOR DE UM CRUCIFICADO SUSPENSO NA CRUZ,  e a mancha externa ao cotovelo, aparentemente desconectada da imagem formou-se sim, na região posterior do segmento braço.

4- Aspectos muito importantes que esse «estudo» negligenciou
 O estudo em questão baseou as suas conclusões em pressupostos que pouco ou nada tem a ver com a triste e dura realidade duma crucificação.

Trajectos sanguíneos nos membros superiores
Sem entrar em detalhes anatómicos fastidiosos, terei que mencionar que na crucificação como é sabido, os membros superiores são fixados à parte horizontal da cruz (o «patibulum») não pela palma (região dos ossos metacarpianos) das mãos mas sim por cravos que transfixiam o carpo (conjunto de ossos entre os ossos do antebraço e os ossos metacarpianos na mão) proporcionando fixação sólida.
A região do carpo tem uma vascularização arterial pobre através de pequenos ramos das artérias radial e cubital, e na posição dos membros superiores na cruz, para além da diminuição da pressão arterial por efeito da gravidade haverá a considerar a presumível situação de pré-choque hemorrágico pelos prévios supliceos infligidos, o que como corolário irá condicionar um fluxo sanguíneo muito escasso e lento a partir das feridas nos punhos, constituído por uma mistura de sangue arterial e venoso.
Esse sangue escorreria lentamente nos antebraços por acção da gravidade, mas os trajectos definitivos iriam ser modulados por variados factores:
                        - Adição progressiva e lenta de sangue ao que fluiu previamente e entretanto já estava coagulado.
                       -Presença de suor e presumivelmente de partículas minerais de poeiras aderidas à pele dos membros superiores
                      - Contracções musculares e relevos tendinosos nos membros superiores
                     - Movimentos dos membros superiores nomeadamente devido a dores excruciantes e aquando da elevação corporal para evitar a morte por asfixia, possibilidade de flexão a nível dos cotovelos aquando da elevação do corpo
                   - Outros eventuais factores desconhecidos


                               
 Fig-1 Sudário de Turim-trajectos sanguíneos região dorsal do punho e antebraço anatómicos esquerdos (imagem ventral)




Ferida no Hemitórax direito (ferida da lança)
Através de experiências no cadáver, nos anos 30 do século passado, o cirurgião do Hospital de Saint Joseph- Paris, Professor Pierre Barbet concluiu que uma ferida perfurante no hemitórax direito na topografia definida na imagem ventral do Sudário de Turim cerca do 5º espaço intercostal, atravessaria num trajecto de cerca de 10 cm, com uma angulação ascendente de cerca de 20º, sucessivamente a parede toráxica, pleura parietal, pleura visceral, tecido pulmonar e  iria perfurar o coração a nivel da aurícula direita, cavidade cardíaca que contem sangue após a morte proveniente das veias cavas, pois após a morte os ventrículos estão vazios.
Partindo do princípio que devido aos eventos traumáticos que precederam a morte nomeadamente contusões toráxicas, se teriam formado derrames a nível pleural e pericárdico, tal facto explica que a ferida perfurante do hemitórax direito infligida após a morte possa ter produzido a extrusão de um fluido avermelhado- o sangue- e de um fluido de cor clara semelhante a água que não seria outra coisa senão fluido de derrame.
                              

Fig 2- Sudário de Turim-mancha hemática da ferida da lança na região lateral do hemitórax direito cerca de 16X 5 cm (imagem ventral)






Esses fluidos extrudiram através de um trajecto lesional intra-toráxico, NÃO DE UMAS BORRADELAS EXTERNAS COM UMA ESPONJA!!!!  num manequim de plástico.

                  
                  
 Fig-3 Experiência de simulação da mancha da ferida da lança (Garlaschelli e Borrini)




No que respeita às manchas sanguíneas na região lombar da imagem dorsal do Sudário esse mesmo cirurgião concluiu que elas eram compatíveis com a posterior extrusão de sangue proveniente da veia cava inferior, e que refluiu pela auricula direita seguindo o mesmo trajecto lesional aquando da mudança de posição do corpo de decúbito dorsal para uma posição de decúbito lateral- assim são explicadas com base realmente científica e experimental os trajectos do designado «blood belt» do Sudário, bem como a mancha da «ferida» do lado produzida por uma lança.


                                  

    Fig 4-Escorrências sanguíneas na região lombar-imagem dorsal no Sudário de Turim




Constituição das manchas hemáticas
Estudos de microscopia, químicos, físicos e imunológicos concluíram que as manchas avermelhadas no Sudário de Turim são constituídas por material hemático (exsudados de coágulos sanguíneos que passaram para o tecido por contacto com coágulos em lesões na superfície de um corpo), E NÃO POR UMA MISTURA DE PIGMENTO OCRE VERMELHO (o mencionado óxido de ferro) e vermilião (cinábrio)
Para além de muitos outros argumentos de caracter científico que demonstraram inequivocamente que nem a imagem corporal do Sudário nem as manchas sanguíneas são uma pintura, menciono apenas que os investigadores Jean Lorre e Donald Lynn da equipe STURP (Shroud of Turin Researh Project- equipe multidisciplinar que estudou o Sudário de Turim em 1978) aplicaram o método de análise de imagem FFT (Fast Fourier Transform) utilizado para análise do padrão de pinceladas em pinturas, e concluíram que o padrão isotrópico obtido descartava a presença de quaisquer pinceladas.

CONCLUSÃO
Este «estudo» que não é de forma alguma novo, como foi demonstrado, NEGLIGENCIOU múltiplos aspectos que deveriam ter sido considerados, e não utilizou dispositivos e materiais capazes de reproduzir as condições em que as manchas e trajectos sanguíneos possam ter sido produzidas num crucificado suspenso numa cruz, ou seja, NÃO SEGUIU O MÉTODO CIENTÍFICO, PORTANTO AS SUAS CONCLUSÕES NÃO TEM NENHUM RIGOR MÉDICO-FORENSE E SÃO PORTANTO PARA DESCARTAR.
O objectivo ultimo deste não fundamentado pseudo-estudo é atacar a crença cristã através da desacreditação da autenticidade do Santo Sudário, pois os seus autores são promotores de trabalhos patrocinados por uma associação ateísta militante italiana, a UAAR- Unione degli Atei e degli Agnostici Razionalisti.
Recorde-se que em 2009 essa mesma associação ateísta «encomendou» um trabalho ao Professor Luigi Garlaschelli no sentido de tentar reproduzir em tamanho real o Sudário de Turim com a sua imagem e manchas sanguíneas, e desta forma  poder ser afirmado que a imagem patente no Sudário afinal podia ser reproduzida.
A experiência foi um fracasso nesse sentido, mas o objectivo dessa associação era descredibilizar o verdadeiro Sudário de Turim , o qual iria ser exibido em 2010 na Solene Ostensão autorizada pelo Papa Bento XVI.
É de lamentar que uma revista de ciências forenses tenha aceite para publicação um trabalho tão medíocre e sem seguir critérios verdadeiramente científicos, e que as notícias na Web valorizem tanto um mau exemplo do que possa ser um estudo de carácter forense no Sudário, e só por isso ponham logo em causa a autenticidade do Sudário de Turim, negligenciando os seus inúmeros atributos que apontam em sentido contrário.
Os verdadeiros estudos forenses realizados por peritos na área, como o Professor Pierre Barbet,  os Drs. Robert Bucklin, Sebastiano Rodante, Judica Cordiglia, Professores Frederick Zugibe e Pierluigi Baima Bollone entre outros, permitem concluir que inequivocamente a imagem e manchas sanguíneas patentes no Sudário de Turim são de um flagelado e  crucificado segundo os costumes romanos, e que morreu na cruz, perfeitamente em acordo com os relatos da Paixão nos Evangelhos ,e ao que tudo indica esse flagelado e crucificado é Jesus Cristo.

Referências bibliográficas
Barbet, Pierre- A Paixão de Cristo segundo o Cirurgião Edições Loyola, S. Paulo 1980
Borrini, Matteo Ph D.Garlaschelli, Luigi M.Sc.- A BPA Approach to the Sroud of Turin, Journal of Forensic Sciences 10 July 2018 . https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/1556-4029.13867
Brillante, Carlo, Fanti, Giulio, Marinelli Emanuella- Bloodstains characteristics to be considered in laboratory reconstruction of the Turin Shroud, IV Symposium Scientifique International du CIELT, Paris 25-26 Avril 2002 http://www.sindone.info/BRILLAN2.PDF
Bucklin, R. M.D. An Autopsy on the Man of the Shroud 1997 http://www.shroud.com/bucklin.htm
Heimburger, Thibault, M.D. November 2009- Comments about the recent experiment of Professor Luigi Garlaschelli http://www.shroud.com/pdfs/thibault-lg.pdf  
Hermosilla, Alfonso Sanchez-Científicos identifican la «lanzada» al cadaver que fue envolto en la Sabana Santa y el Sudário de Oviedo https://www.ucam.edu/noticias/cientificos-identifican-la-lanzada-al-cadaver-que-fue-envuelto-en-la-sabana-santa-y-el
Lavoie,G.-Turin Shroud: a medical forensic study of its bloodmarks and image, Proceedings of the International Workshop on the Scientific approach to the Acheiropoietos Images, ENEA Frascati Italy 4-6 May 2010
Lynn,D.J. Lorre, J.J.- Digital enhancement of images of the Shroud of Turin Proceedings of the 1977 United States Conference of Research on the Shroud of Turin, Albuquerque 1977, Holy Shroud Guild, New York 1977 in «Fourier properties of the Shroud compared to drwings and paintings by O.K. https://shroudofturin.files.wordpress.com/2014/11/shroudfft.pdf
Zugibe, Frederick T. M.D., Ph. D.- Pierre Barbet revisited http://www.shroud.com/zugibe.htm  

QUEM É O HOMEM DO SUDÁRIO?


                                                     

Antero de Frias Moreira*


Resumo:
Independentemente de aspectos históricos e peculiaridades da Imagem patente no Sudário de Turim, é do ponto de vista do «calculo matemático de probabilidades» demonstrado inequivocamente que a imagem corporal patente no Sudário de Turim pertence a Jesus Cristo e não a um outro crucificado.

A pergunta- título deste artigo, à partida parece e é efectivamente estúpida, o Homem do Sudário é obviamente Jesus Cristo.
Mas o fundamento desta pergunta, e o objectivo deste trabalho baseia-se  no facto de que várias pessoas, fazendo tábua rasa de todos os aspectos de carácter histórico ligados ao Sudário de Turim, bem como das peculiaridades da imagem sindónica nomeadamente da irreproduzibilidade da mesma, a qual é ÚNICA e é atribuída a um Homem que teve um papel marcante na história da Humanidade, pura e simplesmente afirmam algo como:
Porque é que tem de ser a imagem de Jesus e não de um outro judeu qualquer pois naquela época era vulgar os homens usarem barba e cabelo comprido, ou então houve muitos flagelados e crucificados pelos romanos, por exemplo na revolta dos Judeus em 70 A.D., porque é que tem de ser Jesus????
Mesmo cépticos ateistas bem conhecidos, como Joe Nickell , Stephen Shaffersman ou Walter McCrone em bora questionando a autenticidade do Sudário e afirmando que ele é uma «pintura» ou uma qualquer elaboração artística não põem em questão que a imagem corporal e as manchas avermelhadas representam o Corpo de Cristo flagelado e crucificado.
Mas, na linha de pensamento desses iluminados pseudo-cépticos, «mais papistas que o Papa», vamos pôr de parte todas as peculiaridades da imagem e os factos/documentação histórica ligados ao Sudário, ou se a imagem é  uma pintura uma protofotografia ou uma qualquer hipotética elaboração artística humana, e vamos focar-nos apenas no que ella representa- UM FLAGELADO E CRUCIFICADO de sexo masculino, obviamente, o que é um facto absolutamente inegável.
Vamos então, na linha de investigadores como o Professor Bruno Barberis, professor de fisica e matemática da Universidade de Turim, considerar sete aspectos comuns entre a imagem do crucificado no Sudário (o «Homemdo Sudário») e o que se sabe sobre a flagelação e crucificação de Jesus Cristo.

Bases do Cálculo Matemático de Probabilidades (segundo o Professor Barberis)
Bàsicamente teremos de assumir  com seriedade e lógica, baseados nos dados histórico-culturais, em determinados aspectos, o chamado número de casos «favoráveis» e o número de casos «possíveis»,  o  que acarreta sempre alguma dose de subjectividade, mas nas assumpções do Professor Barberis  elas pautaram-se pelo presumível limite inferior.
E o raciocínio é assim, para exemplificar, em quantos crucificados  era um envolvido num lençol funerário enquanto todos os outros ficavam a apodrecer na cruz ou era o corpo depois atirado para uma vala comum?Em quantos crucificados um transportava o patibulum (trave correspondente à porção horizontal da cruz).
Condiçoes ponderadas/Aspectos comuns ao «crucificado do Sudário» e ao crucificado Jesus Cristo
1-Envolvimento do corpo num lençol funerário:
Sabe-se historicamente que a maioria dos crucificados ficava a apodrecer na cruz para intimidação das populações, apenas por concessão da autoridade romana o corpo poderia ser excepcionalmente entregue para  sepultamento, talvez 1 em cada cem tenha sido sepultado num lençol.
Assume-se 1 em cada 100    1/100
2-As lesões perfurantes na cabeça e couro cabeludo
Não há qualquer relato histórico de uma tortura idêntica com capacete de espinhos, aplicada a um condenado, tratou-se de um acto de  zombaria brutal com Jesus Cristo para ridicularizar o facto de Ele ter assumido ser o Rei dos Judeus.
Admitindo a improbabilidade de outros casos assume-se 1/5000
3-Porte do Patibulum
Jesus não transportou a Cruz mas sim a porção horizontal uma barra designada «patibulum», e na imagem sindónica são evidentes lesões de abrasão cutânea nas omoplatas particularmente na direita que são compatíveis com o porte do «patibulum».
Nem todos os condenados levavam o «patibulum» para o local do suplicio, por exemplo nas crucifixões em massa na guerra dos Judeus  em 70 A.D. o general Titus ordenou crucificações em massa nos próprios locais tendo sido cortadas muitas árvores cujos troncos eram fixados no solo e as victimas pregadas no local aos mesmos, (e obviamente que ficavam a apodrecer no local e não eram sepultadas com lençois….)
Mesmo assim assume-se  1/2
4- Crucificação com pregos
A imagem no Sudário é de um crucificado com pregos, Jesus foi crucificado com pregos
Havia também a possibilidade de fixação à cruz com cordas mas os 2 meios de fixação não eram usados simultaneamente.
Assume-se 1/2
5- Ferida da Lança
A lançada era um acto destinado a confirmar a morte do condenado (só era utilizada quando o condenado aparentava estar morto), a maior parte das vezes os condenados ou morriam na cruz após agonia prolongada, ou  eram submetidos ao « crurifragium»-acto de fracturar os membros inferiores para impedir apoio sobre os pés para elevar o corpo e expelir o ar- esta practica era um meio de abreviar a morte por asfixia e até certo ponto considerada um acto de misericórdia para o condenado.
É obvia a «ferida da lança» no Sudário, e a Jesus Cristo também foi aplicada essa forma de confirmação da morte.
Assume-se 1/10
6- Enterro apressado
Pode-se inferir da imagem no Sudário e aspectos lesionais, que não houve tempo para preparar devidamente o corpo segundo os rituais funerários, o mesmo é referido no caso de Jesus Cristo.
Ponderando relativamente a outros casos de crucificados que tenham sido sepultados apressadamente pelos seus familiares, assume-se 1/20
7-Permanência curta do corpo no lençol
Pela análise da imagem  que é de um cadáver em estado de «rigor mortis» e não tendo sido encontrados resíduos de decomposição corporal no tecido, conclui-se que o corpo não esteve envolvido pelo lençol funerário mais do que 36 horas.
Segundo os relatos dos Evangelhos Jesus ressuscitou ao 3º dia…. e os Apóstolos encontraram o túmulo vazio.
De acordo com os rituais funerários judaicos o corpo era sepultado e ficava a decompor-se no túmulo e cerca de 1 ano depois os ossos eram recuperados pelos familiares e colocados num ossário (era o 2º enterramento) e obviamente o lençol envolvente já se teria decomposto.
Assume-se 1/500

Cálculo:
1/100 X 1/5000 X 1/2 X 1/2 X  1/10 X 1/20 X 1/500 = 1/200.000.000.000

A leitura deste resultado poder-se-á fazer de duas maneiras, a primeira é que a probabilidade de existir um outro crucificado que reúna simultaneamente as 7 características comuns na imagem do Homem do Sudário e de Jesus Christo é de 1 para 200 biliões (ou milhares de milhões segundo a nossa nomenclatura), um número INFINITAMENTE PEQUENO ou então de que a probabilidade de o Homemdo Sudário e Jesus Cristo serem uma e  a mesma pessoa é INFINITAMENTE GRANDE.
Conclusões semelhantes embora com outros valores também da ordem de um para mais de cem biliões foram obtidos pelos cálculos de Yves Delage,do Engº Paul de Gail e do Professor Tino Zeuli.

Como complemento desta conclusão o Professor Bruno Barberis toma também em consideração  o chamado «Valor Máximo de Probabilidade»
Sendo que a práctica da crucificação se teria iniciado no século VI A.C. pelos Persas e teria perdurado no Império Romano até à sua abolição pelo Imperador Constantino depois de 314 A.D., embora continuasse a ser praticada com alguma regularidade no Médio Oriente e bacia mediterrânica, até sensivelmente ao século VII, considerando um número hipotético de pessoas que viveram nesse período, poder-se-ia fazer uma estimativa obviamente muito aproximativa, do número de crucificados dessa população.
Assim, assumindo intencionalmente um número muito alto de crucificados, esse valor é estimado em 200.000.000 (duzentos milhões) com certeza muito superior aos que foram efectivamente submetidos a essa pena capital durante o período considerado.
 Dividindo esse número por 200.000.000.000 obtém-se um resultado de 1/1000, ou seja um milésimo da unidade, o que significa que «outro Homem do Sudário» nunca poderia ter existido, porque o valor é òbviamente inferior à unidade, o que nos permite «a fortiori» concluir o mesmo para todos os crucificados num «span» de décadas antes e depois da crucificação de Cristo..

                                                                         CONCLUSÃO
O(s) raciocínio(s) atrás efectuado(s) não pretende(m) de forma alguma  «provar» a autenticidade do Sudário , mas sim  inequivocamente demonstrar que independentemente de todos os aspectos históricos ou das peculiaridades científicas comprovadas, a imagem corporal nele patente com as marcas da Paixão é a IMAGEM DE JESUS CRISTO e não a de um outro anónimo crucificado. 

*Médico, membro executivo do Centro Português de Sindonologia

Referências:
1-Barberis, Bruno , Savarino, Pietro« Shroud carbon dating and calculus of probabilities» St. Pauls U.K. Edit. 1998
2-Zeuli, Tino «Jesus Christ is the Man of the Shroud» «Shroud Spectrum International » Issue 10 March 1984 pp. 29-33  http://www.shroud.com/pdfs/ssi10part5.pdf