quinta-feira, 11 de setembro de 2014

WORKSHOP SOBRE AVANÇOS NA INVESTIGAÇÃO SOBRE O SUDÁRIO DE TURIM-BARI 4-5 SETEMBRO 2014

Estivemos em Bari, interessante e cosmopolita cidade do sul de Itália, cujo santo padroeiro é S. Nicolau- Nicola para os italianos- bispo de Myra na Lydia , actual Turquia, que viveu no século IV da nossa era, e ao qual são atribuidos muitos milagres, e o hábito de depositar presentes em pertences dos pobres.
Efectivamente é neste santo que acenta a tradição do Pai Natal, sendo o termo anglo-saxónico «Santa Claus» um derivativo de S. Nicolau.

E é pois de Bari que trazemos alguns presentes sobre novos conhecimentos sindonológicos.

O Workshop decorreu numa sala da Universidade de Bari e ficamos inicialmente um pouco desapontados pelo escasso número de pessoas presentes-não mais de 40 incluido palestrantes- o que nos foi depois explicado pelo facto de o evento não estar aberto ao público em geral.

Embora também ficássemos um pouco desiludidos pelo facto do Professor Bruno Barberis ter afirmado que não sabia quando o Vaticano iria autorizar novos testes cientificos no Sudário de Turim-repetindo o que já tinha afirmado em Valência em 2012- houve efectivamente na nossa perspectiva alguns trabalhos inovadores , sendo justamente apenas esses que iremos destacar.

Na área da patologia forense, foram confirmadas as coincidências em termos de imagens lesionais entre as presentes no Sudário ou  Pano de Oviedo, e no Sudário de Turim, sendo apresentada a descoberta de uma imagem lesional em área da região dorsal da base do pescoço com a forma de haltere ( lesão resultante de flagelação com chicote romano «flagrum taxillatum» ) com correspondência no Sudário de Turim.
Também foram efectuadas mensurações antropométricas da área correspondente à cabeça havendo corespondência nas duas peças de tecido.
Este trabalho foi apresentado pelo patologista forense Dr.Alfonso Sanchez Hermosilla do centro Español de Sindonologia, e vem mais uma vez confirmar que os dois tecidos cobriram a face do mesmo Homem em momentos próximos, facto que refuta a validade dos testes de carbono 14 de 1988.

Na área da Imagem, o Professor Nello Balosino da Universidade de Turim apresentou um projecto para um futuro scanning de alta definição do Sudário, o que a concretizar-se trará sem dúvida novos dados.

O f'isico Professor Paolo di Lazzaro descreveu as experiências laboratoriais sobre os efeitos da aplicação de Lasers U.V.( variando potências, comprimentos de ondas e freqências e tempos de exposição) sobre tecidos de linho, obtendo a nivel microscópico coloração superficial das fibras,em parâmetros muito estreitos da radiação, aspectos semelhantes ao das fibras imagem do Santo Sudário.
Todavia a imagem da face em tecido, obtida por «Tecnica Pincel de Laser» embora interessante, é perfeitamente distinta da original.
 
A professora Giovanna de Liso do Centro Italiano de Estudos Sismicos apresentou o resultado das suas experiências de obtenção de imagens em tecido de linho, de objectos materiais e de uma pequena cobra,  quando colocados entre duas rochas de gneisse, durante forte actividade sismica.
Nessas condições há libertação do gaz Rádon o que leva ao desenvolvimento de um campo eléctrico com efeito ionizante.
Recordou que no Novo Testamento é refeida a ocorrència de um terramoto após a morte de Jesus,, facto corroborado pelo historiador do século III Julius Africanus citando a descrição dessa ocorrência por Thallus no século I.

O Professor Giulio Fanti, fisico do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Pádua apresentou um trabalho sobre a obtenção de imagens de um manequim do corpo do Homem do Sudário, reduzido à escala 1/2, quando envolvido por tecido de linho e submetido à acção de um campo eléctrico de «Descarga de Corona» num sofisticado dispositivo simulando as condições de um sepulcro.
Embora também obtenha alterações a nivel de coloração superficial das fibras de linho, semelhantes às fibras imagem do Sudário de Turim, as imagens (foram mostradas apenas da região ventral) apresentam distorções e são perfeitamente distinguiveis da imagem sindónica original.

Como súmula do anteriormente descrito, ficamos com a noção de que pese o conhecimento ciêntifico actual sobre a microscopia e a química da imagem, mesmo em laboratório, utilizando dispositivos sofisticados, dispendiosas experiências NÃO CONSEGUIRAM AINDA REPRODUZIR A IMAGEM DO SUDÁRIO DE TURIM.

Não posso deixar de destacar o interessante e estranho trabalho do Professor Valery Shalatonin da Universidade de Minsk na Bielorrússia.
Este cientista referiu o facto de que uma réplica em tamanho real do Santo Sudário, existente na igreja católica de Belarus, promove um campo electromagnético na sua vizinhança, o qual provoca efeitos biológicos, nomeadamente na germinação de sementes de trigo colocadas próximo da réplica.
Também foi determinado objectivamente uma corrente energética em direcção a objectos relacionados co Jesus cristo nomeadamente textos sagrados ou um crucifixo, o que não acontece quando por exemplo textos técnicos /outros são colocados na mesma posição.
O campo electrico foi medido objectivamente com dispositivo adequado, não se trata de suposição nem especulação.
Deixa-nos pois motivo de reflexão como é possivel uma réplica criar um campo eléctrico à sua volta e demonstrar a sua ligação com Jesus Cristo.

Para terminar já fora do âmbito da ciência, o jovem Professor Trstan Casabianca historiador e filósofo da Universidade de Aix-Marselha, apredsentou uma comunicação referindo que de acordo com os novos conceitos de historiografia e de filosofia analítica a afirmação comummente aceite de que o Sudário de Turim do ponto de vista histórico e cientifico não pode ser provado como o lençol de Cristo e testemunho da sua Ressureição, tem de ser revisto.
Efectivamente à luz dos novos conceitos filosóficos, o Santo Sudário de Turim, de acordo com todas as evidências consideradas poderá ser considerado a prova da ressureição corporal de Jesus Cristo.


 

                                                                   11 de Setembro de 2014
                                                                   
                                                                     Antero de Frias Moreira

 



segunda-feira, 29 de julho de 2013

NOVO MÉTODO DE DATAÇÃO DE TECIDOS APLICADO AO SUDÁRIO DE TURIM

NOVO MÉTODO DE DATAÇÃO DE TEXTEIS ANTIGOS CONCLUI QUE O TECIDO DO SUDÁRIO DE TURIM PODE SER DATADO DO SÉCULO I






A problemática dos testes de C 14 realizados em 1988



Antes de abordarmos o assunto referente ao titulo deste post, convém recordar aspectos relativos à datação da amostra de tecido cortada em 1988 para datação radiocarbono pelo método A.M.S. (iniciais de accelerator mass spectrometry).

Essa amostra foi subsequentemente dividida em três porções entregues respectivamente aos laboratórios de Oxford, Zurich e Tucson (Arizona-U.S.A.).



Quando em 13 de Outubro de 1988 os cientistas Professores Edward Hall, Michael Tite e Robert Hedges anunciaram triunfantemente em conferência de imprensa no Museu Britânico que o tecido da amostra recolhida do Sudário de Turim tinha sido datado 1260-1390 A.D. causaram um profundo desânimo nos adeptos da autenticidade do Sudário de Turim.

Em Janeiro de 1989 a revista Nature publicou o trabalho liderado pelo Professor Damon sobre a datação das amostras entregues aos laboratórios de Oxford, Zurich e Tucson no Arizona concluindo que o tecido do Sudário era do período medieval.



Embora desde o anúncio dos resultados tenham surgido várias teorias cientificas tentando explicar os inesperados resultados, não é nossa intenção neste post efectuar uma revisão exaustiva do tema, e muito menos entrar em teorias de conspiração, mas apenas apontar alguns factos que questionam a validade dos resultados apresentados.





Factos estabelecidos que questionam a datação radiocarbono 1988:



Em 1981, o perito têxtil John Tyrer afirmava que a área do tecido do Sudário onde futuramente seria retirada a amostra para datação C14 era suspeita de restauro.


Fotografias de Fluorescência de Ultra-Violetas e de RX da referida área mostram discrepância relativamente ao resto do Sudário sendo de presumir uma diferente constituição química.


As fotografias para análise espectral pelo método «Quad Mosaic» utilizado pela N.A.S.A. concluem de igual modo.



Nessa mesma linha, mais recentemente o astrofísico Dr John Morgan III publicou na revista Scientific Research and Essays de Julho 2012 as suas conclusões relativas à aplicação de métodos de processsamento de imagem multiespectral actuais, utilizados pela N.A.S.A. no estudo de imagens de sondas espaciais, quando aplicadas na imagem de Fluorescência de Ultra Violetas obtida pela equipe S.T.U.R.P. em 1978, corroboram a natureza anómala da área de tecido do Sudário donde foi retirada a amostra para os testes de radiocarbono.



O bioquímico Professor Alan Adler efectuou estudos de espectroscopia de infra-vemelhos com transformadas de Fourier (FTIR) em fibras não imagem do Sudário e fibras da amostra recolhida para os testes C14 , sendo o padrão espectral obtido diferente, concluindo que a amostra recolhida não era representativa do resto do tecido do Sudário.





A amostra para os testes de Carbono 14 teria sido recolhida duma zona de restauro «invisível».



Depois da teoria do restauro medieval invisível da referida área, postulada pelos investigadores Sue Benford e Joe Marino em 2000, alicerçada em factos históricos, de análise de imagens fotográficas, e pareceres de peritos têxteis, teoria essa inicialmente contestada pelo termoquímico americano Professor Raymond Rogers , foi esse mesmo cientista que paradoxalmente acabou por corroborar essa teoria.



Tendo na sua posse material de tecido da área adjacente (a designada amostra de Raes removida em 1973 para estudo têxtil pelo professor Gilbert Raes do Instituto Têxtil de Ghent na Bélgica), e obtendo posteriormente fios da amostra de tecido dos testes de C14 cedidas pelo Professor Luigi Gonella (consultor cientifico da Arquidiocese de Turim), empreendeu estudos microscópicos quimicos e por Espectrometria de Massa ( Pyrolysis Mass Spectrometry) que lhe permitiram detectar emendas em fios, presença de corantes do tipo da alizarina, , aglutinante do tipo da goma arábica, e fibras de algodão, fibras essas que não fazem parte da composição de fios de outras áreas do Sudário.

Para além disso efectuou estudos de datação alternativa do tecido baseados na cinética de degradação da vanillina, composto derivado da lenhina presente nos nódulos de crescimento das fibras de linho, a que adiante aludiremos..

Este importante estudo foi publicado na prestigiada revista cientifica Thermochimica Acta em Janeiro 2005 (Thermochimica Acta Vol. 425 issues 1-2 20 January 2005, pages 189-194),. Onde pode ler-se «…a evidência combinada da química, conteúdo de algodão, tecnologia, fotografia e lenhina residual provam que a principal parte do Sudário é significativamente diferente da área de amostra radiocarbono.A validade da amostra radiocarbono deve ser questionada relativamente à data de produção da maior parte do tecido.»… «… os resultados da espectrometria de massa da área da amostra, conjugados com as observações microscópicas e microquímicas, mostram que a amostra radiocarbono não era parte do tecido original do Sudário de Turim. A datação radiocarbono não é portanto válida para determinar a verdadeira idade do Sudário».



As conclusões do Professor Rogers relativamente à presença anómala de fibras de algodão, e de encrustações de corante, foram confirmadas mais tarde pelo microscopista John Brown, pelo médico bioquímico Thibault Heimburger e em 2008 a equipe de químicos do Laboratório Nacional de Los Álamos da Universidade da Califórnia chefiada pelo Professor Robert Villareal, trabalhando em material remanescente do tecido da área da amostra radiocarbono, legada pelo Professor Rogers, (entretanto falecido em Março de 2005), e utilizando já métodos físicos e químicos mais actualizados e diferenciados, efectuou um importante trabalho de investigação.

Nas suas conclusões confirma-se indubitavelmente a presença de algodão entretecido com linho, e também a presença de um material tipo resina aglutinante, e critica-se a falta de rigor da equipe que em 1988 realizou os testes de radiocarbono, a qual falhou por não ter devidamente caracterizado a amostra (uma única amostra, dividida em três partes) do ponto de vista estructural e químico, extrapolando para o todo (o tecido do Sudário) o que foi determinado numa parte, que por sinal não era representativa do resto do tecido do Sudário.



Para além destes achados de natureza laboratorial, um importante estudo estatístico realizado pelo Professor Giulio Fanti e vários académicos relativo à análise das datas das sub-amostras de cada laboratório radiocarbono, concluiu pela inhomogeneidade das mesmas, o que permite questionar a precisão da data média final apresentada pelos laboratóris radiocarbono.

Este trabalho, já apresentado em 2010, foi recentemente publicado sob o titulo «Regression Analysis with partially labelled regressors: carbon dating of the Shroud of Turin» na revista Statistics and Computing July 2013, volume 23 Issue 4 pp 551-561.





Como vimos existem seguramente argumentos para legitimamente por em causa os resultados da datação 1260-1390 A.D. do tecido do Sudário mas na ausência de novos testes autorizados pelo Vaticano não poderemos inferir uma data aproximada de produção do tecido?





No estudo efectuado pelo Professor Raymond Rogers, foi pesquisada a presença de vanillina /composto derivado da lenhina nos nódulos de crecimento das fibras de linho) pelo método químico phloroglucinol, que é um método de detecção não quantitativo.

Esse composto sofre com o tempo um processo de degradação proporcional à temperatura ambiente, sendo indetectável em tecidos de linho mais antigos,

Enquanto que o material proveniente da amostra radiocarbono testa positivamente para a presença de vanillina, o resto do tecido do Sudário dá resultado negativo, bem como teste controle em material dos Manuscritos do Mar Morto, o que significa que o tecido do Sudário é manifestamente mais antigo.

De acordo com este investigador, assumindo uma temperatura média de armazenagem do Sudário de 25º C, se efectivamente o tecido datasse do período medieval, em 1978 (data dos estudos da equipe S.T.U.R.P.) deveria reter 37% do conteúdo inicial de vanillina, o que não acontece no tecido do Sudário, o qual testa negativamente por ser muito mais antigo do que o tecido da amostra radiocarbono.

Este aspecto é mais um argumento que sustenta a teoria de restauro medieval de Sue Benford e Joe marino.



Mais ainda, de acordo com a cinética de degradação da vanillina em função da temperatura média ambiente dos locais de guarda do Sudário, a idade do tecido é enquadrável num «span» de 1300 a 3000 anos, sendo pois passível de pertencer à época de Cristo no século I..



Este «span» é sem dúvida muito extenso e afastado da precisão da datação radiocarbono, e este estudo não é isento de críticas, mas até recentemente foi o único que nos permitiu datar aproximadamente o tecido do Sudário em alternativa ao radiocarbono.






Recente descoberta de novo método de datação de tecidos antigos



O investigador Professor Giulio Fanti, físico do departamento de engenharia mecânica da Universidade de Pádua , prestigiado cientista investigador do Sudário de Turim, juntamente com uma equipe de cientistas italianos de várias universidades, desenvolveu um método alternativo mais preciso de datação de têxteis antigos, método esse não destructivo e com um «span» significativamente mais estreito, recorrendo à Espectroscopia Raman e Espectroscopia de Infra-Vermelhos com Transformadas de Fourier ( FTIR), sendo admitido que futuramente com o desenvolvimento da técnica a precisão possa ser superior.

Este estudo disponível on-line desde Abril, foi publicado na prestigiada revista cientifica Vibrational Spectroscopy vol. 67 July 2013 pages 61-70 sob o titulo «Non-destructive dating of ancient flax textiles by means of vibrational spectroscopy».



Este método utilizando a espectroscopia foi integrado com um outro método, mas de natureza mecânica , precisamente um método mecânico multiparamétrico que atravez da avaliação integrada de cinco parâmetros permite datar com «span» de séculos fibras de tecidos antigos, método este que foi também desenvolvido pela equipe do Professor Fanti.



Tendo chegado à posse do Professor Fanti material cedido pelo Professor Giovanni Riggi di Numana (já falecido, lembramos que este cientista italiano integrou a equipe S.T.U.R.P. que estudou o Sudário in loco em 1978), proveniente de aspirado de material na parte de traz do tecido do Sudário, entre este e o tecido de revestimento protector (o designado Pano da Holanda), este cientista, entre outros procedimentos, separou fibras de linho do Sudário de partículas, a fim de aplicar os métodos de datação atraz descritos.



Assim apresentamos os resultados obtidos no estudo de fibras do Sudário



Método mecânico multiparamétrico: 400 A.D. +/- 400 anos com 95% de confiança



Espectroscopia Raman: 200 A.C.+/- 500 anos com 95% de confiança.



Espectroscopia de infra-vermelhos com transformadas de Fourier: 300 A.C. +/- 400 anos com 95% de confiança.



Combinando os resultados obtidos pelos três métodos obtém-se uma datação média de 33 A.C. +/- 250 anos com 95% de confiança, ou noutra perspectiva, o tecido do Sudário é datável de 283 A.C a 217 A.D. em números redondos a produção do tecido do Sudário de Turim ocorreu num «span» 280 A.C-220 A.D..



Estes estudos bem como muitos outros aspectos nomeadamente o achado de partículas minerais características da Palestina e pólenes também característicos do médio-oriente como do cedro do Líbano, são descritos num livro publicado pelo referido cientista juntamente com o jornalista Saverio Gaeta.

A obra entitulada «Il Mistero della Sindone» da editora Rizzoli existe de momento apenas na língua italiana, e foi mais um presente de Páscoa para os apaixonados do tema.



Após esta extensa exposição retenhamos que os testes radiocarbono realizados em 1988 não são válidos, e o tecido do Sudário de Turim é enquadrável nm intervalo 280 A.C. a 220 A.D.



Este é sem dúvida um facto importantíssimo para a questão da autenticidade do Sudário de Turim, todavia os cépticos mais ireductiveis, ignorando todos os outros factos surpreendentes relacionados com o Sudário, num acto de desespero lançam mais uma pedra!

Mesmo que o tecido seja do século I a imagem nele patente é de um individuo de sexo masculino de barba, tal como muitos homens dessa época, o que é que nos garante que a imagem seja de Jesus Cristo e não de outro homem?



Aqui fica o desafio, todos os comentários são bem-vindos.



29 de Julho de 2013


Antero de Frias Moreira







terça-feira, 7 de maio de 2013

4 DE MAIO FESTA DO SANTO SUDÁRIO

                                      4 DE MAIO FESTA DO SANTO SUDÁRIO






Celebrou-se em Fátima, no passado sábado 4 de Maio, a Festa do Santo Sudário, instituída por bula papal de Júlio II em 1506.



O evento, da iniciativa do membro do Centro Português de Sindonologia, o historiador Dr. Carlos Evaristo, teve o patrocínio da Casa Real de Bragança e da Casa Real de Sabóia (no âmbito do 30º aniversário da morte do rei Umberto II de Itália, o qual foi o ultimo proprietário de Sudário de Turim, tendo-o legado à Santa-Sé em disposição testamentária), bem como da Fundação Histórico Cultural Oureana , Fundação Dom Manuel II e World Apostolate, Fátima-Domus Pacis.



Na Capela Bizantina (ortodoxa)de Nossa Senhora de Kazan, nas instalações Domus Pacis estavam expostas relíquias cristâs da Lipsonateca («museu de relíquias» ) organizada pelo Dr Carlos Evaristo, bem como imagens de santos da Casa de Sabóia gentilmente cedidas para o evento.

A capela é digna de visita pela riqueza em arte sacra bizantina, nomeadamente ícones do Christus Pantocrator e da Virgem com o menino Jesus, e imagens dos Evangelistas e cenas das Sagrada Escrituras.



A preceder a cerimónia religiosa, que coincide com o Sábado de Aleluia do calendário Juliano (Ortodoxo) foi dada explicação aos presentes sobre a mais sagrada das relíquias-O Santo Sudário de Turim, e seu significado no âmbito da Paixão- pelo fundador do Centro Português de Sindonologia, o seu Presidente Dr. Lagrifa Fernandes.



A cerimónia religiosa, missa ortodoxa contou com a presença dos Capelães das Casas Reais de Sabóia e de Bragança, teve a participação de elevado núnero de pessoas nomeadamente membros do Centro Português de Sindonologia e convidados.

Durante a cerimónia que decorreu num profundo ambiente de espiritualidade, ao qual não foi alheia a envolvência musical proporcionada por um excelente grupo coral, foi exposta uma cópia pintada «ex-extractum» do Santo Sudário de Turim, produzida no século XVIII.

Recordamos que a designação «ex-extratum» significa que a peça em questão terá integrado elementos da relíquia original.

Segundo nos informa o referido historiador, durante séculos os nobres de Sabóia terão removido pequenas porções de tecido do Sudário de Turim as quais teriam sido integradas em «cópias» pintadas, muitas delas ainda existentes na Europa, algumas foram dadas como dote de casamento a princesas da Casa de Sabóia- recorde-se a cópia do Sudário trazida como dote pela rainha D. Maria Pia e qe se encontra no Palácio da Ajuda- outras serviram mesmo para amortalhar nobres da real casa.



Numa demonstração inédita, a cópia em questão foi a dado momento exibida da mesma forma que o Cavaleiro Robert de Clari na sua obra «La Conquête de Constantinople» descreve a mostra simbólica todas as sextas feiras, do Lençol Funerário com a imagem do Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo na Igreja de Santa Maria de Blachernae de Constantinopla em 1203, ou seja o sagrado lençol era elevado verticalmente de forma a ser visualizada a região ventral do corpo do Senhor envolvida por fumos de incenso, acompanhada de cânticos, bênçãos e simbolizando a Ressurreição.



Cerca das 13:00 horas e após a cerimónia religiosa, decorreu no excelente Auditório Domus Pacis uma breve sessão cultural sindonológica.



O historiador Dr. Carlos Evaristo apresentou uma interessante comunicação sobre o Culto do Santo Sudário de Turim e aspectos particulares de relíquias com ele relacionadas, nomeadamente as cópias ex-extractum, algumas existentes no nosso país.

Seguiu-se a apresentação de desenvolvimentos científicos recentes sobre o Sudário de Turim por Antero de Frias Moreira, que não serão detalhados por irem ser tema de um próximo «post»



O evento concluiu-se com um agradável almoço de convívio , após o qual membros do Centro Português de Sindonologia planearam a realização de futuras actividades culturais, possivelmente para Outubro próximo e incluídas no «Memorial ao Rei Umberto II de Sabóia».



                                                                                  Antero de Frias Moreira.



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segunda-feira, 1 de abril de 2013

OSTENSÃO TELEVISIVA DO SANTO SUDÁRIO DE TURIM

                              


                                  
                           OSTENSÃO TELEVISIVA DO SANTO SUDÁRIO DE TURIM




Tal como previsto, pontualmente às 16:30 (hora de Portugal) do passado sábado santo 30 de Março 2013, a estação televisiva «laica» RAI-Uno iniciou a emissão directa da catedral de S. Giovanni Battista em Turim no âmbito da ostensão televisiva do Santo Sudário de Turim que recordamos será ao que tudo indica o lençol que envolveu o corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo no sepulcro e no qual ficaram patentes as marcas da Paixão e a enigmática imagem da região dorsal e ventral do Seu corpo.



Esta mostra televisiva autorizada pelo Papa Emérito Bento XVI no seu ultimo dia de Pontificado, e que foi considerado um presente de despedida, ocorreu precisamente quarenta anos depois da primeira mostra televisiva a preto e branco, no pontificado de Paulo VI, permitiu que crentes e não crentes de todo o mundo, pudessem contemplar a reliquia mais venerada da Cristandade, e desfrutar de um programa de excalente qualidade, que durou cerca de hora e meia e surpreendeu pela riqueza do conteudo e mensagem nele implicita.


Não sendo uma exibição pública, não obstante o interior da catedral estava repleto, entre elementos de clero, membros dos coros, grupos musicais, palestrantes, e entre o público muitos deficientes em careiras de rodas, cuja presença foi especificamente solicitada pelas autoridades religiosas.


Usaram da palavra o professor Bruno Barberis (eminente professor catedrático de Fisica e Matemática da Universidade de Turim, e presidente do Centro Internacional de Sindonologia-Turim) o qual focou aspectos cientificos mas sobretudo espirituais do sagrado lençol, e o Arcebispo de Turim, Monsignore Cesare Noviglia, o qual também fez uma oração de benção às pessoas com deficiência presentes.

Outros membros do clero e laicos proferiram alocuções, leituras das escrituras intercaladas por excelentes performances de coros , áreas musicais executadas por uma jovem soprano italiana, declamações de poesia, tendo actuado também um grupo catalão que cantou a Ave-Maria na sua lingua e até um coro americano de «Gospel» surpreendeu pela força com que a cantora negra executava os temas vocais.


Conduzidos pelos seus acompanhantes os deficientes desfilaram em frente ao Santo Sudário, desta vez exibido na sua capela da ala esquerda do templo, sendo marcante observar a devoção e fervor daqueles que conservavam algumas capacidades mentais e motoras.


Mas sem dúvida marcante, e talvez mais um sinal de tempos de mudança,, foi a alocução do Papa Francisco a partir do seu gabinete no Vaticano, da qual destaco algumas passagens:

«Queridos Irmãos e irmãs, junto-me a todos vós reunidos perante o Santo Sudário e agradeço ao Senhor que atravez da tecnologia moderna nos oferece essa possibilidade... esta face tem olhos que estão fechados, é a face de alguém que está morto no entanto misteriosamente está a observar-nos e em silêncio fala-nos.

Como é isto possível? como é que crentes como vós param diante deste ícone de um homem flagelado e crucificado? É porque o Homem do Sudário nos convida a contemplar Jesus de Nazareth. Esta imagem impressa no tecido fala-nos ao nosso coração e motiva-nos a subir a colina do Calvário e olhar para o madeiro da Cruz e imergirmo-nos no eloquente silêncio do amor..... Por meio do Santo Sudário, a única e suprema palavra de Deus vem até nós...»

Depois de comparar o sofrimento patente na imagem do corpo flagelado e crucificado de Jesus no sagrado lençol, com o sofrimento de homens e mulheres provocados pela violência e pela guerra, o sumo pontífice realçou que o poder do amor de Deus e do Ressuscitado se sobrepõe a tudo o mais, terminando a sua alocução com uma oração de S. Francisco de Assis.



Bem haja a RAI que nos deu a possibilidade de desfrutarmos de um maravilhoso programa que nos proporcionou inesquecíveis momentos de um sublime prazer espiritual.

È tempo da Igreja tomar consciência do «tesouro» que possui e que é o legado que Deus permitiu chegasse até nós da imagem do Seu Filho, e do Seu sofrimento infligido pela maldade dos homens, ele é a palavra viva para a tão falada «nova evangelização».



                                                          Antero de Frias Moreira





segunda-feira, 25 de março de 2013

                    OSTENSÃO TELEVISIVA DO SANTO SUDÁRIO DE TURIM


Numa decisão inespeerada no seu ultimo dia de pontificado, o Papa Bento XVI autorizou uma Ostensão exclusivamente televisiva do Sagrado Lençol, no sábado santo de 30 de Março 2013, na linha do que proferiu aquando da sua homilia em Turim na Solene Ostensão de 2010, na qual o Santo Sudário de Turim foi designado pelo Sumo Pontífice como o «Icone do Sábado Santo».
Este acontecimento ocorrerá precisamente quarenta anos depois da primeira  mostra televisiva do Sudário de Turim , precisamente em 1973, em emissão a preto e branco, no pontificado de Paulo VI.

Considerado como um presente de despedida, o evento será transmitido em directo e internacionalmente a partir da catedral de S. Giovanni Battista de Turim às 17:15 horas (hora de Itália) , pela cadeia televisiva RAI- Uno prevendo-se mais de uma hora de duração.
À presenter data não se sabe ainda a composição do programa nem se alguma estação portuguesa irá aderir à transmissão, não obstante aqui fica a informação para que todos, crentes e não crentes de todo o mundo tenham a oportunidade de mais uma vez «contemplarem aquela misteriosa face que silenciosamente fala ao coração dos homens convidando-os a ver nela o rosto de Deus» (Papa Bento XVI- Junho 2008)


                                                                                                     Antero de Frias Moreira


                                                                              

segunda-feira, 23 de julho de 2012

UM NOVO LIVRO SOBRE O SUDÁRIO DE TURIM?

PARECER CRÍTICO SOBRE « THE SIGN: THE SHROUD OF TURIN AND THE SECRET OF THE RESURRECTION» de Thomas de Wesselow

Em Março deste ano (2012) a editora britânica Penguin publicou uma obra entitulada «The Sign: The Shroud of Turin and the Secret of the Resurrection» da autoria de Thomas de Wesselow, um historiador de arte assumidamente agnóstico.
Muito divulgada em termos publicitários, talvez pela capacidade da poderosa editora, passadas poucas semanas já era possível encontrar por pesquisa na internet a versão em língua portuguesa (do Brazil), com o apelativo título «O Sinal: O Santo Sudário de Turim e o Segredo da Ressurreição», talvez para com a inclusão do adjectivo «Santo» atrair a atenção do público de um pais com uma esmagadora maioria de católicos, e rapidamente surgiram apreciações críticas em sites anglo-saxónicos mas também em sites brazileiros.

Obviamente a publicação de um a obra abordando o Sudário de Turim foi para mim quase uma compulsão para efectuar a sua aquisição na versão original em língua inglesa ,não obstante o seu conteúdo não fosse novidade pois as criticas que li, nomeadamente no excelente congénere blog americano , Shroud of Turin Blog, não fossem muito abonatórias, parti mente aberta à exploração das 348 páginas de texto.

A obra está estructurada em 7 partes e 27 capítulos, integrando também uma considerável quantidade de imagens aliás de excelente qualidade, embora muitas sem relação com o Sudário de Turim.
Também fazem parte da obra abundantíssimas referências bibliográficas a obras literárias sobre as Escrituras e Cristianismo, sobre o Sudário de Turim incluindo alguns trabalhos científicos, referências a notícias na web e outras.

A linguagem utilizada é de um fluente, colorido e rebuscado inglês literário, de frases muitas vezes complexas, não muito acessível a um leitor com conhecimento médio da língua, obrigando à companhia de um bom diccionário, e a frequente inclusão no texto de referências bibliográficas, bem como notas de rodapé, obriga a inúmeras interrupções de leitura, e a nelas meditar pois o autor muitas vezes inclui nessas notas a sua opinião e interpretação.


O autor, Thomas de Wesselow historiador de arte o qual se assume como agnóstico, interessou-se desde hà vários anos pelo Sudário de Turim, pois como conhecedor da arte do período medieval refutou desde o inicio a possibilidade da imagem patente no Sudário obedecer aos padrões conhecidos dos artífices desse período, tanto mais que a imagem tem codificados atributos não enquadráveis numa hipotética elaboração medieval.
Tal como Sir Isaac Newton descobriu num rasgo de inspiração a lei da gravidade quando uma maçã lhe caiu na cabeça, Thomas de Wesselow teve a sua epifania sindonológica em 2004 quando meditava num edílico pomar, resolvendo empreender num projecto pessoal que iria resolver de uma assentada dois grandes mistérios remanescentes neste século XX!- o Sudário de Turim e a Ressurreição de Jesus Cristo !


A obra inicia-se por uma séria abordagem desciptiva de conteúdos de escrituras do Antigo e do Novo Testamento, incluindo abundantes referências e análise  aos escritos paulinos e Actos dos Apóstolos, duma forma respeitosa e com uma exegese que embora pessoal e nalguns casos discordante da feita por peritos em exegese bíblica, não choca o cristão conhecedor das escrituras ( contrariamente a uma obra portuguesa de um conhecido autor surgida no ano passado…).
O autor credibiliza as Cartas de S. Paulo mas assumidamente desvaloriza o conteúdo factual dos Actos dos Apóstolos …

  No que concerne ao Sudário de Turim a abordagem do autor é francamente decepcionante, pois além de relativamente sumária, é muito pouco abrangente no que respeita ao vasto conhecimento científico adquirido ao longo dos tempos sobre a relíquia mais venerada da Cristandade.
Não vamos obviamente analisar linha por linha a obra, mas no que respeita ao percurso histórico o autor de certa forma decalca a teoria do historiador britânico Ian Wilson, todavia com a agravante de a distorcer em alguns aspectos, nomeadamente no episódio do túmulo vazio do capítulo 20 do evangelho de S. João, tentando fazer prevalecer a sua opinião de que o que levou o discípulo a «acreditar» foi a peça de tecido que envolveu a cabeça de Jesus, enrolada à parte, desvalorizando completamente os «panos» ou «lençóis».
Também acrescenta mais um local ao percurso histórico inicial presumível do Sudário, a localidade de Damasco-o que é realmente uma novidade!- adiante veremos as suas razões.

Os aspectos científicos e controvérsias são abordados ao de leve (embora globalmente de uma forma correcta), todavia a análise de um conhecedor de arte e implicitamente das proporções corporais anatómicas à problemática das algumas desproporções anatómicas da Imagem Sindónica fique bastante aquém do esperado.
Os aspectos forenses da flagelação e crucifixão, nomeadamente lesionais, manchas e escorrências sanguíneas, são descritos com algum pormenor, no entanto a opinião do autor é em alguns casos discordante!!!nomeadamente na génese da escorrência da ferida da lança/trajectos sanguíneos lombares, relativamente à emitida por médicos peritos de patologia forense, e até do pioneiro da sindonologia científica, o Dr Pierre Barbet , o qual efectuou estudos experimentais sobre crucifixão em cadáveres nos anos trinta do século passado.
Por exemplo o autor «supõe» com a maior das naturalidades, para justificar o seu ponto de vista quanto à origem de determinadas escorrências sanguíneas, que o corpo foi virado de barriga para baixo num alegado processo de lavagem, ignorando pura e simplesmente que os ritos funerários judaicos proibiam que o corpo fosse alguma vez colocado em tal posição…
Parece-me presunçoso e mesmo arrogante um historiador de arte pôr em causa pareceres nomeadamente experimentais de médicos especialistas na matéria, como o fez relativamente ao Dr. Pierre Barbet.

Relativamente à questão de como se formou a imagem corporal no Sudário, Thomas de Wesselow menciona ao de leve mas desvaloriza as principais teorias nomeadamente as envolvendo qualquer forma energética radiante, concentrando todas as suas forças a defender e assumir como a única explicação plausível a teoria da reacção amino-carbonilo ou reacção de Maillard do Professor Raymond Rogers e da bioquímica Drª Anna Arnoldi.
Contrariamente aos próprios proponentes da teoria que admitem que esta não explica vários achados da imagem sindónica e ignorando críticas de outros cientistas, de Wesselow assume uma atitude de crença cega na validade da mesma!

Todavia o clímax da obra ( o que não me surpreendeu , pois tinha lido previamente várias críticas…) consta bàsicamente no seguinte:
Na interpretação do autor, o Sudário é autêntico pois nele está patente a enigmática imagem corporal do Jesus Cristo histórico a qual se teria formado no tecido por um processo natural perfeitamente explicável do ponto de vista científico.
Aqui está a primeira falácia, pois essa teoria não explica várias características da imagem sindónica, e tão pouco explica a coincidência do corpo ser removido do contacto com o tecido antes de uma eventual imagem ficar «saturada» e completamente indefinida, e o autor também não questiona sequer porque é que não existem mais imagens assim, porque se isso aconteceu dessa forma, ocorreu uma única vez na História e com um único homem.
Depois o autor tenta introduzir o Sudário e a sua imagem nos relatos evangélicos do túmulo vazio, procurando explicar racionalmente a Ressurreição de Jesus Cristo.
Para Thomas de Wesselow, Madalena , as santas mulheres e os apóstolos Pedro e João teriam visto as misteriosas imagens corporais patentes no lençol funerário, ficando convencidos que isso era um sinal de Deus que o Mestre tinha ressuscitado dos mortos.
Todavia, para de Wesselow, o episódio do túmulo vazio seria uma construção cristã ulterior, e argumenta especulando que quem entrou no túmulo para ungir o corpo de Jesus viu as imagens, teria levado o lençol funerário, mas não explica claramente o que teriam feito ao corpo, e admite mesmo a possibilidade dos restos mortais de Jesus terem sido colocados no mediático Túmulo de Talpiot. 
 De Wesselow além de não ser convincente com o argumento que o Sudário seria a própria ressurreição não fornece qualquer argumento plausível contra a descrição nos evangelhos do episódio do túmulo vazio, e entra num terreno pantanoso tentando «ressuscitar» um nado-morto, referimo-nos à teoria ficcional de que no Sepulcro de Talpiot estariam entre outros o ossário de Jesus Cristo, teoria completamente refutada pelos académicos que efectuaram o achado arqueológico em 1980 e que após uma recente «exumação» descansa em paz para todo o sempre.
Para além disso repesca o estafado mito da relação marital de Jesus Cristo e Maria Madalena, situação não descrita em nenhuma fonte nem mesmo nos evangelhos apócrifos de Maria ou de Filipe.

Thomas de Wesselow prossegue teorizando que os relatos doe evangelhos canónicos referentes às aparições de Cristo ressuscitado aos apóstolos, foram sim visualizações do Sudário com a imagem corporal de Cristo, admitindo que as referências Paulinas  às aparições de Cristo ressuscitado a S.Paulo, Pedro Tiago e aos doze apóstolos não passaram disso mesmo e a famosa aparição «a quinhentos dos nossos irmãos alguns dos quais ainda estão vivos», teria sido uma exibição publica do Sudário!!!
Na nossa humilde opinião, De Wesselow foi longe de mais na sua «exegese» do Novo Testamento, pois se existisse uma réstia de verdade na sua hipótese, nomeadamente na alegada exibição pública do Sudário, concerteza haveria algum relato de tal acontecimento, e o percurso histórico do Sudário teria uma lacuna preenchida.
Também tenta de uma forma nebulosa explicar o episódio da conversão de Paulo perseguidor dos cristãos, recordamos a visão de Jesus Cristo que Paulo afirmou ter experienciado na estrada de Damasco,  pela alegada visualização do Sudário em Damasco, localidade para onde supõe (mais uma vez…) que o Sudário tenha sido levado por discípulos.
O autor defende a concepção Paulina de uma «ressurreição espiritual» (não explica o que isso representa, nem nós sabemos o que isso poderá significar…) e condena o conceito da ressurreição física corporal de Jesus Cristo, que segundo advoga teria sido uma construcção ulterior lendário-ficcional por posteriores gerações de cristãos de finais do século I , inícios do II século quando o Sudário estaria oculto em Edessa.

Grosso modo, mais de um terço do livro é uma tentativa sem dúvida hábil de convencer o leitor de que o Sudário com a imagem corporal de Cristo flagelado e crucificado esteve na origem do alegado mito posterior que Jesus Cristo teria ressuscitado «corporalmente» dos mortos, recorrendo a argumentação especulativa e tentando com ela explicar múltiplas passagens do Novo Testamento, correlacionando-as (muitas vezes de uma forma forçada…) com outras do Antigo Testamento.

O autor,como agnóstico não consegue compreender o que intrigou o historiador E.P.Sanders (aliás uma das suas fontes citadas na bibliografia) o qual presume que algo de extraordinário deve ter acontecido depois da morte de Jesus Cristo para que aquele punhado de homens amedrontados depois da morte do seu Mestre, tenha ficado cheio de coragem para divulgar os ensinamentos, mesmo sabendo que poderiam enfrentar o martírio e a execução.

Contràriamente a De Wesselow que afirma categòricamente que o Sudário é a Ressurreição, e a explosão do Cristianismo no século I tem directamente nele a sua origem, a nossa interpretação vai noutro sentido, pois parece-nos muito forçado admitir que a visualização daquela imagem corporal mal definida no lençol funerário fosse o único factor que encheu os discípulos de coragem, e tudo o resto pura fantasia.
Para nós, sem dúvida o que não está explicitamente descrito no episódio do túmulo vazio no capitulo 20 do evangelho de S. João ( «viu e acreditou»)proporcionou aos apóstolos Pedro e João compreenderem a  ausência do corpo do Mestre, mas o que se seguiu, isso sim foi a verdadeira razão da explosão da mensagem da Boa-Nova e do nascimento do Cristianismo como crença, e da sua afirmação no poderoso Império Romano.

Não é totalmente negativa a nossa apreciação desta obra, pois apresenta de uma forma séria muitas passagens das escrituras, algumas que não conhecíamos, embora muitas vezes a exegese que delas faz o autor seja absolutamente especulativa e até fantasiosa, tem imagens de qualidade, e não deixa de ser uma mais valia para a Sindonologia o interesse e a assumpção explicita de autenticidade do Sudário de Turim por um perito de arte agnóstico.
No entanto, não consideramos  «strictu sensu» este livro uma obra sobre o Sudário, mas sim talvez a Tese de Doutoramento defendida por Thomas de Wesselow.

                                                                                           Julho 2012
                                                                               Antero de Frias Moreira