IMPORTANTES NOTÍCIAS SOBRE O SUDÁRIO DE TURIM
*Médico-membro Executivo do Centro Português de Sindonologia
Na sequência de vários desenvolvimentos recentes relacionados
com o Santo Sudário de Turim, vamos informar os nossos leitores de três
importantes questões que marcam a actualidade
1-Novos estudos
genéticos de ADN no Santo Sudário
2-Confirmação de que o
tecido do Sudário é do século I
3-Polémica da amostra
radiocarbono 1988 do Laboratório de Arizona
1-Novos estudos
genéticos de ADN no Sudário de Turim
Recentemente o site
Vatican News publicou uma noticia « New DNA research confirms Shroud of Turin’s passage through the Middle
East» https://www.vaticannews.va/en/church/news/2026-04/dna-research-confirms-shroud-of-turin-s-passage-middle-east.html ,entusiasticamente afirmando que
novo estudo de ADN confirma passagem do Santo Sudário pelo Médio-Oriente.
Tal notícia tem como base o recente estudo coordenado pelo
Professor Gianni Barccacia, geneticista da Universidade de Pádua «DNA Traces on the Shroud of Turin:Metagenomics
of the 1978 Official Sample Collection» https://www.biorxiv.org/content/10.64898/2026.03.19.712852v1.full
, publicado em 22 de Março ultimo, embora ainda em versão não
«peer-reviewed».
Efectivamente foi isolado ADN genómico de resíduos orgânicos
recolhidos em 1978 pelo Professor Pierluigi Baima Bollone da equipe S.TuR.P. em
diferentes partes da imagem corporal no reverso do Sudário e de fios das
margens que foram utilizados na datação radiocarbono de 1988.
Esse material genético corresponde a ADN humano das pessoas
que ao longo dos séculos contactaram fisicamente com o tecido desde a colheita
do linho , transporte, manufactura e que de algum modo transpuseram o seu material
genético para o tecido, assim como do material biológico animal e vegetal que
por contacto com o meio ambiente ou por transporte atmosférico ou por transferência secundária de humanos,
aderiu ao tecido do Sudário.
Neste estudo em vez do clássico método PCR (acrónimo de
Polymerase Chain Reaction) foi utilizado o método NGS (acrónimo de Next
Generation Sequencing) o qual permite uma rápida e eficaz sequenciação de ADN e
ARN , permitindo a análise simultânea de milhões de fragmentos para um estudo
genético racional.
No que concerne ao material orgânico, a nivel vegetal, foram
detectados vestígios de plantas de cultivo da Bacia Mediterrânica e do Médio
Oriente, plantas introduzidas na Europa após a descoberta das Américas, bem
como vestígios animais de gado bovino, cães e gatos.
Segundo os investigadores «muitas espécies de plantas
identificadas, são nativas e dispersas na Europa Central e Bacia Mediterrânica,
estendendo-se da Península Ibérica até ao Médio Oriente».
A nível microbiológico, há evidência de intenso contacto
humano, pois foi caracterizado material genético de bactérias da epiderme
humana, e também de «archae» (microorganismos unicelulares) o que indicará
permanência em locais de elevada salinidade (nomeadamente próximo do Mar
Morto).
No que respeita a material orgânico humano, foi caracterizado
ADN mitocondrial de linhagem de Judeus Ashkenazi e haplogrupos (grupos de genes
de vários cromossomas que definem uma ancestralidade/etnia) de indivíduos da
Eurásia Ocidental e também o famoso Haplogrupo H33, encontrado em indivíduos do
Médio Oriente nomeadamente na população Druza.
Contràriamente à opinião de cépticos que refutam a validade
desta complexa investigação no âmbito do estabelecimento do potencial percurso
geográfico do Sudário, a nossa interpretação aponta noutro sentido.
Este estudo em nada contradiz o anterior estudo da equipe do
Professor Barccacia de 2015 «Uncovering the Sources of DNA found on the Turin
Shroud-Nature Scientific Reports 05 October 2015» https://www.nature.com/articles/srep14484 , antes vem corroborar as suas
conclusões e confirmar que durante um período da sua existência aquela mortalha
esteve no Médio Oriente e foi tocada por habitantes daquela zona, nomeadamente
pelo Homem que nela deixou a Sua imagem.
2-Confirmação que o
tecido do Sudário é do século I
Em 2022 o físico italiano Professor Liberato de Caro e a sua
equipe publicaram um trabalho intitulado «X-Ray dating of a Turin Shroud’s Linen
Sample» -Heritage 11 April 2022 https://www.mdpi.com/2571-9408/5/2/47 .
Neste estudo utilizando o método «WAXS» acrónimo de «wide
angle X-Ray scattering» é comparado o padrão de despolimerização da celulose do
linho em função do tempo e outros parâmetros como a temperatura ambiente e
humidade, com um padrão referência de idade conhecida.
Neste caso o «padrão» referência era o da celulose do linho
de uma peça de Masada (fortaleza de Israel) do século I (historicamente de
55-74 A.D.) e o padrão obtido de um fio recolhido do Sudário, próximo do local
onde foi recolhida a amostra radiocarbono 1988, ERA IDENTICO- a conclusão foi
que O TECIDO DO SUDÁRIO ERA DATÁVEL DO PRIMEIRO SÉCULO.
Recentemente recebemos uma mportante informação de fonte
fidedigna que entendemos por bem partilhar.
A equipe do físico do M.I.T. ( Masachussets Institute of
Technology) Professor Anton Paar estudou com esse mesmo método «WAXS» peças de
linho de Edessa sendo que algumas exibiam o mesmo padrão de despolimerização da
celulose que a referência linho de Masada, e portante eram datadas do século I.
Isto é um facto importante pois com utilização do mesmo
método em tecidos de diferente proveniência foi obtido o mesmo padrão do
modelo-referência para o primeiro século.
TEMOS PORTANTO UMA CONFIRMAÇÃO INDIRECTA DE QUE O TECIDO DO
SUDÁRIO É DO PRIMEIRO SÉCULO.
3-Polémica da amostra
radiocarbono 1988 do Laboratório de Arizona
Recentemente um artigo intitulado «Analysis of textile
fragments from the 1988 radiocarbon samples of the Turin Shroud»-Heritage
Science 18 April 2026 https://www.nature.com/articles/s40494-026-02530-7
da autoria do Professor Timothy Jull (envolvido na datação radiocarbono
1988) e de Rachel Freer- Waters, aborda a análise de uma pequena sub amostra
que o laboratório conservou, e que não foi radiocarbono datada pelo método AMS
em 1988.
Esse material estava dividido em 2 porções ( as sub amostras
A1A e A1B) e foram estudadas por
microscopia óptica e de «scanning».
A conclusão destes investigadores foi que embora o padrão de
malha 3:1 em espinha de peixe fosse pouco usual em têxteis antigos europeus, NÃO
FOI ENCONTRADA EVIDÊNCIA DE CONTAMINAÇÃO E A AMOSTRA SERIA IDÊNTICA AO RESTO DO
TECIDO DO SUDÁRIO.
Ora esta conclusão iria
por em causa o facto de que os testes radiocarbono 1988 são inválidos, pois como foi concluído pelo
Professor Raymond Rogers «Studies on the
Radiocarbon Sample of the Shroud of Turin» -Thermochinica Acta 20 January 2005 https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0040603104004745
e vários outros estudos dos quais realçamos a análise exaustiva da equipe do investigador
Professor Tristan Casabianca «Radiocarbon Dating of the Turin Shroud: New
Evidence from Raw Data» publicado na prestigiada revista cientifica Archeometry
em 2019 https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/arcm.12467, e que INEQUIVOCAMENTE CONCLUIRAM
QUE A AMOSTRA RADIOCARBONO DATADA EM 1988 NÃO ERA REPRESENTATIVA DO RESTO DO
TECIDO DO SUDÁRIO, E PORTANTO OS TESTES RADIOCARBONO 1988 NÃO SÃO VÁLIDOS.
Todavia o investigador
americano Dr. Jeremiah J. Johnston Ph.D. analisou exaustivamente a falácia do
referido estudo num
minucioso trabalho intitulado «The Shroud Still Speaks, Why the Latest Defense
of the 1988 Carbon Dating Collapses Under Scrutiny, a Respose to Freer-Waters
and Jull (2026)» https://docs.google.com/document/d/1Pk_tUWECfLXMnUQQjFOe1GMXlC56fqVb/edit?pli=1
Sendo um estudo complexo, realçamos os principais aspectos
que permitem refutar as conclusões dos autores do trabalho do laboratório de
Arizona.
Esses investigadores NÃO EFECTUARAM QUAISQUER ESTUDOS
QUIMICOS NAS SUB AMOSTRAS E «IGNORARAM»:
1-Os estudos químicos do Professor Raymond Rogers em material
remanescente dos testes radiocarbono 1988 ( e tecido adjacente da Amostra de
Raes 1973) nomeadamente a presença anómala de goma arábica (pentosanos)
determinada por Espectrometria de Massa , a presença de corante alizarina,
elevadas concentrações de hidróxido de alumínio (mordente) e a presença anómala
de fibras de algodão entretecidas com fibras de linho nos fios , assim como a
positividade para o teste de detecção de vanilina (contrariamente ao resto do
tecido do Sudário, que não evidenciava essas anomalias)- a sua conclusão foi
que os testes radiocarbono eram inválidos pois o que foi testado não era
representativo do resto do tecido.
2-A Inhomogeneidade de datações das sub amostras dos
diferentes laboratórios
Consoante concluído anteriormente pelo químico Remi Van Helst
no seu artigo «Radiocarbon dating of the Shroud of Turin, the Nature Report» chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://www.shroud.com/vanhels5.pdf
,posteriormente pela equipe do Professor Fanti, Marco Riani e equipe
«Regression analysis with partially labelled regressors:Carbon dating of the
Shroud of Turin»-Statistics and computing July 2013 https://www.researchgate.net/publication/257665548_Regression_analysis_with_partially_labelled_regressors_Carbon_dating_of_the_Shroud_of_Turin , e por outros investigadores, a
inhomegeneidade de datação das sub amostras intra e interlaboratórios foi
cabalmente demonstrada no já referido trabalho de 2019 do Professor Tristan
Casabianca e colaboradores, pelo que se pode concluir que a amostra
radiocarbono cortada do Sudário estava «contaminada» duma forma não homogénea
com isótopos carbono 14 mais recentes, dando suporte à teoria do restauro
medieval «invisível» dos investigadores Sue Benford e Joe Marino «Historical
Support of a 16th Century Restoration in the Shroud C-14 Sample Area» 2002 chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://www.shroud.com/pdfs/histsupt.pdf
, e refutando matemática e estatisticamente a validade dos testes radiocarbono
de 1988.
Por ultimo, aquilo que os autores do laboratório do Arizona
testaram apenas com microscopia óptica e microscopia de «scanning»- foi APENAS
um estudo de superfície em dois pequeníssimos fragmentos de tecido.
Efectivamente o fragmento A1A mede 14X3.5 milímetros, e o
fragmento A1B 9.9X4 mm, e além disso, a microscopia de «scanning» foi efectuada
apenas numa pequeníssima porção do fragmento A1A medindo 2X1.5 milímetros.
Consoante concluiu o referido estudo do Professor Tristan
Casabianca, na amostra radiocarbono dividida pelos 3 laboratórios, há um
«gradiente linear» de sub datas nas sub amostras, com diferenças de datação
estatisticamente significativas em pequenas distâncias, pelo que as datações
são progressivamente mais recentes no sentido da extremidade oposta do Sudário,
de forma que de acordo com esse «gradiente linear» A EXTREMIDADE OPOSTA DO
SUDÁRIO DARIA UMA DATA DO FUTURO!!!.
Assim sendo será de presumir que nas sub amostras do
laboratório do Arizona (localizadas na extremidade da amostra radiocarbono mais
próxima da extremidade do Sudário) houvesse muito pouco material novo de
restauro introduzido (lembramos que estas amostras não foram sequer datadas).
Conclusão:
A avaliação única de superfície das amostras, a AUSÊNCIA DE
ESTUDOS QUÍMICOS A IGNORÂNCIA DE PREVIOS ESTUDOS QUÍMICOS E A NÃO CONSIDERAÇÃO
DA INHOMOGENEIDADE DE DATAÇÕES DAS SUB AMOSTRAS, permitem refutar a argumentação de que o tecido seria idêntico ao
resto do tecido do Sudário, e que não foi encontrada evidência de contaminação,
e curiosamente além disso os próprios autores admitem que «o têxtil examinado é
altamente atípico» para a data medieval que defendem.
Continua sólida e
alicerçada em factos comprovados, a conclusão que os
testes radiocarbono de 1988 realizados numa única amostra retirada do Sudário
SÃO INVÁLIDOS E REFUTÁVEIS POIS ESSA AMOSTRA NÃO ERA REPRESENTATIVA DO RESTO DO
TECIDO DO SUDÁRIO.