segunda-feira, 5 de abril de 2021

ENTREVISTA NA RADIO OBSERVADOR SOBRE O SANTO SUDÁRIO

 

                  ENTREVISTA NA RADIO OBERVADOR-SEXTA FEIRA SANTA 02 DE ABRIL 2021

 

Na passada sexta-feira santa 2 de Abril 2021, Antero de Frias Moreira membro executivo do Centro Português de Sindonologia, foi entrevistado para a Rádio Observador, pelo nosso prestigiado membro, o jornalista Dr. João Paulo Sacadura, também ele um estudioso do Santo Sudário e que desde há décadas se tem dedicado a proferir inúmeras apresentações no nosso país, sobre o tema do Santo Sudário de Turim.

A entrevista,entre outros, abordou vários aspectos, nomeadamente o tecido, manchas sanguíneas, lesões patentes no lençol, imagem, e obviamente a controvérsia dos testes de Carbono 14 de 1988.

Convidamos os nossos leitores a ouvir a gravação da  entrevista na integra, podendo fazê-lo ou através do Google inserir Radio Observador»»» programas»»» Convidado Extra»»» «O Evangelho da Paixão escrito a sangue no linho»

Ou directamente pelo link   https://observador.pt/programas/convidado-extra/o-evangelho-da-paixao-escrito-a-sangue-no-linho/

Se tiverem questões agradecemos que as façam escrevendo-as em «comentários», procuraremos logo que possível responder.

Agradecimento:

O Centro Português de Sindonologia agradece à Radio Observador e ao Dr João Paulo Sacadura a oportunidade de difundir desta forma um assunto tão importante como tão pouco conhecido do público em geral.

segunda-feira, 8 de março de 2021

CERIMÓNIA DE MEDITAÇÃO E ORAÇÃO DIANTE DO SANTO SUDÁRIO SÁBADO 3 DE ABRIL 2021

 

CERIMÓNIA DE MEDITAÇÃO E ORAÇÃO DIANTE DO SANTO SUDÁRIO SÁBADO 3 DE ABRIL 2021

 

Recebemos do nosso estimado amigo Dr. Barrie Schwortz (perito em imagem e fotografia que integrou a equipe STURP em 1978) a informação de que no sábado 03 de Abril 2021, irá decorrer na Catedral de S. Giovanni Battista-Turim uma cerimónia litúrgica de meditação e oração diante do Santo Sudário, a exemplo do que ocorreu no ano transacto.

 


 

                   Na imagem, Monsenhor Nosiglia em oração diante do Sudário em 11 de Abril 2020, ao seu lado direito grande imagem do negativo fotográfico da Sagrada Face do Santo Sudário

 

 

A noticia foi anunciada por Monsenhor Cesare Nosiglia, Arcebispo de Turim no passado dia 3 de Abril, e será transmitida em directo por satélite para todo o mundo, pela emissora televisiva italiana TV 2000, iniciando-se a transmissão pelas 16:30 com intervenções sobre o tema, sendo que as cerimónias na Catedral iniciar-se-ão às 17:00 (hora de Itália)

Para aceder à transmissão a partir das 15:30 (hora de Portugal) fornecemos o link da TV 2000 https://www.tv2000.it/live/  .

Pode ler.se no comunicado do Arcebispo de Turim «… a imagem sindónica que Turim guarda há quase 5 séculos é testemunha de sofrimento e morte, mas também, e com quanta intensidade, de Ressurreição e Vida Eterna…»

Votos de uma Santa Pascoa,

Todos estão convidados

 

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

VARIAS CONTROVÉRSIAS EM ANÁLISE-REFLEXÃO CRITICAACERCA DO DOCUMENTÁRIO«O MISTÉRIO DO SUDÁRIO DE TURIM»

 



REFLEXÃO CRITICA ACERCA DO DOCUMENTÁRIO «O MISTÉRIO DO SUDÁRIO DE TURIM»

VÁRIAS CONTROVÉRSIAS EM ANÁLISE

Antero de Frias Moreira*

*Médico, Especialista de Medicina Fisica e de Reabilitação-Membro Executivo do Centro Português de Sindonologia

Fevereiro 2021

 

No passado dia 1 de Fevereiro o canal 2 da RTP transmitiu um documentário do New Smithsonian Channel/BBC de 2012, com o titulo em epigrafe.

Embora louvando a iniciativa, dado ser um tema pouco conhecido, não poderemos deixar de esclarecer uma série de aspectos que certamente poderão equivocar espectadores menos familiarizados com o tema do Sudário de Turim/Santo Sudário.

É igualmente nossa convicção que mesmo quem não viu esse programa poderá tirar partido da leitura deste trabalho, em termos de aquisição de conhecimentos fidedignos sobre o Sudário de Turim

Aspectos a salientar para análise:

Não pretendemos de forma alguma fazer um resumo alargado do documentário, realçaremos apenas os seguintes aspectos a analisar

1-É feita uma breve introdução histórica ao Sudário de Turim, sendo referido que «apareceu na cidade de Lirey» em França em 1390, mas segundo um historiador entrevistado, o Sudário não teria documentação histórica antes dessa altura

2-Dos aspectos de patologia forense é mencionado evidência de lesões perfurantes nos tornozelos.

3-É dado um grande realce a alegadas inscrições de frases em grego e latim na zona da cabeça, e que por si só atestariam a autenticidade do Sudário conectando-o com Jesus Cristo.

4-São abordados sumariamente os testes radiocarbono de 1988

5-Teorias de formação da Imagem

Este foi o aspecto mais desenvolvido

Das várias teorias de formação da imagem corporal patente no tecido do Sudário foram «seleccionadas» a da reacção de Maillard (de Raymond Rogers e Anna Arnoldi), defendida pelo perito em imagem Dr. Barrie Schwortz, e foi «ressuscitada» a velha teoria da «protofotografia» proposta nos anos 90 do século passado pelo historiador de arte da Universidade de Johannesburgo-Africa do Sul, Professor Nicholas Allen, bem como a mais recente tentativa de reprodução em 2009 pelo químico da Universidade de Pavia-Itália, Professor Luigi Garlaschelli

Assim, a imagem corporal patente no Sudário, seria produzida naturalmente por um cadáver envolto num pano de linho, ou em alternativa seria obra de um falsário medieval.

 

No final o espectador ficaria convencido que persistem muitas dúvidas relativas à autenticidade do Santo Sudário, não obstante a imagem nele patente, continua envolta numa bruma de mistério que a ciência esclarecerá um dia.

 

                                                Discussão

Dada a complexidade de cada um dos pontos não iremos efectuar um desenvolvimento extenso, mas sim evocar aspectos fundamentais.

1-Aspectos históricos

O Sudário foi apresentado pela primeira vez na Europa Ocidental aos fieis como o Sudário de Cristo ou seja o Seu lençol funerário com a imagem do Seu Corpo, pelo cavaleiro Geoffroy de Charny na pequena vila francesa de Lirey (não na cidade) em 1356 ou 1357 e não em 1390.

Contràriamente ao referido, antes dessa data há múltiplas referencias ao lençol que envolveu o Corpo de Cristo no qual estava patente a imagem do Seu Corpo em manuscritos da Cristandade do Oriente, sendo absolutamente seguro que o Sudário de Cristo esteve em Constantinopla desde o século X, tendo desaparecido aquando do saque da cidade pelos cruzados da 4ª Cruzada em 1204, e foi esse mesmo Sudário que foi apresentado aos fieis em Lirey cerca de 150 anos depois.

2-Aspectos de patologia forense:

A análise forense das manchas hemáticas (que são efectivamente de natureza sanguínea), evidencia uma impressionante sequência dos eventos da Paixão de Cristo, muito mais realista, completa e chocante, do que a relatada nos Evangelhos, e a propósito, as lesões perfurantes nos membros inferiores são a nível do 2º espaço intermetatarsiano (parte da frente do pé), e não nos tornozelos.

3-Alegadas inscrições na zona da cabeça

No programa, é entrevistada a historiadora e arquivista do Vaticano Drª Barbara Frale a qual defende a teoria de que as ditas inscrições latinas conectam o Sudário a Jesus Cristo, pois além de entre outras se ler « Nazarenus», a expressão «in necem» e outras levariam a concluir que no Sudário estaria inscrita a «sentença de morte» de Jesus Nazareno.

Todavia essas alegadas inscrições não foram descobertas pela historiadora, como o programa dá a entender, antes foram resultado de um prévio trabalho de processamento de imagem dos anos 90 de autoria dos cientistas André Marion e Anne Laure Courage do Institut Optique d’Orsay de Pari

 

 

                                     Descrição: C:\Users\Antero\Pictures\inscriptions.jpg         






      Fig. 1-alegadas inscrições visíveis na zona da cabeça, «realçadas»

 

 

Tais achados não são de forma alguma consensuais entre os peritos de imagem que estudam o Sudário tendo sido muito contestados como possíveis artefactos, e para além disso historiadores e linguistas como Mark Guscin contestam o seu sentido lógico e linguístico.

São pois achados bastante circunstanciais, e de forma alguma a autenticidade do Sudário poderá neles assentar.

4-Testes radiocarbono 1988

Este tema é abordado «de fugida» ficando vagamente a noção de que poderia ter sido testada uma zona de restauro medieval.

Sendo um tema extraordinariamente complexo resumimos que é uma certeza que os testes de radiocarbono de 1988 que dataram uma única amostra do tecido 1260-1390, já não podem ser assumidos como válidos, pois para além de estudos têxteis , de imagem (fotografia de fluorescência d U.V. e análise multiespectral) e laboratoriais como a espectroscopia FTIR (Fourier Transform Infra Red ) que concluíram pela natureza anómala da amostra, vários estudos de análise estatística das sub amostras dos 3 laboratórios envolvidos concluíram pela inhomogeneidade das datações das sub amostras da mesma.

Tal facto só poderá ser explicado pela presença de Carbono 14 mais recente, introduzido ou através de contaminação não removida, ou em alternativa pela datação de uma zona do tecido alvo de um restauro «invisível» como muito bem concluiu o químico Professor  Raymond Rogers num estudo laboratorial em 2005.

De qualquer forma é um facto que a amostra testada não é representativa do resto do tecido do Sudário, e mais recentemente o físico Professor Giulio Fanti utilizando métodos alternativos de datação de têxteis antigos (método micromecânico multiparamétrico, FTIR e espectroscopia Raman) datou remanescentes de tecido do Sudário num «spam» 280 A.C-220 A.D. por outras palavras é perfeitamente plausível que o tecido do Sudário seja anterior ou do século I A.D.

5-Teorias de formação da Imagem

Os promotores do documentário seleccionaram uma teoria de carácter científico, a teoria da reacção amino-carbonilo ou «Reacção de Maillard» proposta pelos químicos Professor Raymond Rogers e Anna Arnoldi em inícios de 2000, e «defendida no programa pelo perito em imagem e fotografia e que integrou a equipe STURP, o Dr. Barrie Schwortz, e resolveram confrontá-la com a hipótese especulativa do químico Professor Garlaschelli e com a há muito tempo desacreditada teoria da «protofotografia» do historiador de arte Professor Nicholas Allen.

Ficaram por mencionar sequer outras teorias igualmente válidas com suporte  científico teórico e experimental, como a teoria da «descarga de corona» e de energias radiantes.

5.1-Reacção de Maillard

No que respeita à primeira- Reacção de Maillard- que teoriza que a coloração que forma a imagem corporal no Sudário resulta da reacção de aminas voláteis emanadas de um corpo nas primeiras horas post mortem reagiriam com açucares  presentes à superfície do tecido em virtude de o mesmo ter sido lavado numa solução de «Sapponaria Officinalis» (planta), defronta-se com algumas dificuldades nomeadamente a física da difusão de gases, e a impossibilidade de se obter uma imagem com a resolução da do Sudário, assim como a impossibilidade de microscopicamente coexistirem fibras coloridas ao lado de fibras não coloridas, como se verifica no Sudário.

Efectivamente, como se viu no documentário, o tecido tratado com «Sapponaria Officinalis» que esteve em contacto durante cerca de 3 dias com o cadáver de um porco, não exibia qualquer imagem, apenas uma coloração amarelada.

5.2-Teoria da «Protofotografia»de Nicholas Allen

No que concerne à teoria da protofotografia de Nicholas Allen é posta a hipótese de que um falsário medieval cerca de500 anos antes da invenção da fotografia por Nicephore Niepce em 1822, teria à sua disposição materiais para obter num lençol uma imagem fotográfica de um corpo suspenso- uma câmara escura, uma lente de quartzo e um lençol impregnado de sais de prata (nitrato ou sulfato de prata).

O corpo (cadáver) seria exposto à luz solar durante dias, formar-se-ia uma imagem latente no lençol e a imagem seria depôs fixada com amónia (substância presente na urina) pela impregnação do tecido com urina.

A urina removeria a prata ficando uma imagem residual no tecido com a mesma tonalidade amarelada da imagem do Sudário.

No trabalho experimental que publicou, utilizando uma estátua e uma lente de quartzo (diga-se que preparada com tecnologia actual…), afirma que a imagem é idêntica à do Sudário em termos de não direccionalidade, de coloração, superficialidade comporta-se como um negativo fotográfico, tem tridimensionalidade, e não haveria resíduos de prata no lençol tal como no Sudário.

Todavia a realidade é completamente diferente

Contràriamente à assumpção do proponente, não há historicamente qualquer referencia ao desenvolvimento de técnicas fotográficas no período medieval nem há qualquer imagem fotográfica desse período, o proponente baseou-se sim em conhecimentos mais recentes, sendo certo que a lente utilizada não poderia ter sido produzida com tecnologia medieval.

O alegado corpo suspenso, entraria em decomposição durante os vários dias de exposição à luz solar!

    Também, contràriamente à imagem do Sudário que não é direccional, essa imagem é nitidamente direccional, em função da reflexão luminosa a partir da estátua, tem contornos perfeitamente definidos contrariamente à do Sudário, e embora tenha algumas características de negativo fotográfico não apresenta (nem poderia apresentar) qualquer codificação volumétrica/tridimensional.

Para além disso embora seja questionável do ponto de vista químico, que a amónia removeria «toda a prata» certamente que se o pano que empregou fosse submetido a análise por Fluorescência de RX ou Espectrometria de Massa métodos altamente sensíveis capazes d e detectar 1 parte por bilião!!! Seriam encontrados resíduos de prata!! ( no Sudário não foi detectado qualquer resíduo de prata na imagem pelos referidos métodos).

Alem disso e não menos importante, não respeita o facto de que no Sudário não há imagem sob as manchas hemáticas, o que quer dizer que a imagem se formou depois, pois aqui as «manchas sanguíneas» teriam de ser pintadas sobre a imagem!

Não nos parece pois que esta teoria tenha fundamentação científica e muito menos que as imagens obtidas sejam comparáveis à do Sudário, e há muito que foi desacreditada, pelo que convidamos os nossos leitores a julgarem por si.

 

                                          Descrição: C:\Users\Antero\Pictures\allen 1.jpg


Fig. 2- À esquerda região frontal da imagem obtida por Nicholas Allen, à direita a do Sudário, sendo nítido na primeira demarcação abrupta de contornos, áreas de iluminação direccional nomeadamente pés, o aspecto grotesco da face e a ausência de manchas sanguíneas

5.3- O «Sudário de Garlaschelli»

Por ultimo, relativamente ao famoso «sudário de Garlaschelli» este resultou de uma experiência financiada por uma associação ateísta italiana no sentido de «provar» que seria possível a um falsário medieval produzir uma imagem corporal em tecido exactamente igual à do Sudário de Turim.

Realço que o objectivo desta experiência efectuada em 2009, era desacreditar o Sudário que iria ser exibido em solene Ostensão em 2010.

Bàsicamente o método foi cobrir um voluntário utilizando uma mascara com um baixo relevo copiado da face do Sudário e na ultima experiência (houve várias tentativas com diferentes processos), foi utilizado acido sulfúrico diluído (que actuaria como oxidante da celulose do linho) misturado com azul de cobalto (posteriormente removido), pincelado sobre os relevos corporais de um voluntário coberto num lençol de linho, após o que o tecido era aquecido num forno para simular envelhecimento.

No final as manchas e trajectos sanguíneos foram pintadas por cima da imagem com uma solução aquosa de uma mistura de ocre vermelho, cinábrio e alizarina, e para completar foram efectuados buracos no tecido com uma tocha de gás (para simular as queimaduras do incêndio de Chambery de 1532)

Admitamos que as imagens são interessantes, embora a nível microscópico sejam absolutamente diferentes no aspecto de fibras, nomeadamente em termos de coloração e coalescência de fibras, já no que respeita à imagem em si, falta-lhe a gradação de cor observável na do Sudário, pois sendo uma imagem obtida por contacto (a do Sudário não o é) tem necessariamente de haver áreas imagem com transição abrupta para áreas não imagem, e além disso consoante o físico Keith Propp concluiu, utilizando um moderno programa de processamento de imagem, não tem codificação tridimensional comparável à do Sudário.

Fornecemos a imagem da face, lado a lado com a da face do Sudário de Turim, cada um, mesmo não perito em imagem que faça a sua apreciação.

 

 

                                                  Descrição: C:\Users\Antero\Pictures\garlashelli face.jpg         Descrição: C:\Users\Antero\Pictures\face shroud.jpg



Fig 3- Em cima Face do Sudário de Turim. Em baixo face do «sudário de Garlaschelli», evidente transição abrupta para zonas não imagem; as diferenças são marcadas, a nivel visual

                   Descrição: C:\Users\Antero\Pictures\garlaschelli.jpg


Fig. 4- À esquerda imagem do negativo fotográfico face do Sudário de Turim sendo aparente a gradação de tonalidades e a riqueza de pormenores, e à direita face do «sudário de Garlaschelli» com aspecto grosseiro e evidente transição abrupta para áreas não imagem (particularmente regiões das orbitas e perinasal)


Apesar da argumentação do proponente os resultados obtidos -diga-se em abono da verdade, os mais perfeitos até à presente data- são muito diferentes da imagem original todavia o problema de que no Sudário de Turim a impressão das manchas sanguíneas ter precedido a formação da imagem continua  a pôr-se, pois foram pintadas depois da obtenção da imagem.

Para terminar este assunto recordamos que no programa o Dr. Barrie Schwortz e a antropóloga forense observaram ao microscópio amostras de tecido das 3 experiências comparativamente a amostra de tecido-imagem do Sudário

Na experiência da «Reacção de Maillard» efectivamente a coloração das fibras era semelhante à das fibras do Sudário enquanto que o aspecto microscópico das outras duas era completamente diferente.

Tais dados foram-nos fornecidos pelo próprio Dr. Barrie Schwortz em e-mail pessoal

Não quer isto de forma alguma dizer que a Reacção de Maillard explica a imagem do Sudário pois apenas foi considerada a cor-há muitos outros aspectos a ter em conta nomeadamente a natureza química da coloração, a distribuição da cor em termos de localização nas fibras, superficialidade da coloração, coalescência de fibras entre outros, além disso lembramos que não foi obtida qualquer imagem, apenas uma mancha no tecido.

 

 

                                                                 

                                             CONCLUSÃO

Na nossa opinião, que é a de quem estuda o complexo tema do Santo Sudário de Turim há bastantes anos, recorrendo a estudos sérios de carácter científico bem como artigos de historiadores crediveis, este documentário, ressalvando alguns aspectos, em nada contribui para divulgação de conhecimentos fidedignos da sagrada relíquia.

Efectivamente para além de imprecisões históricas e  médico-forenses detem-se em pormenores irrelevantes como as alegadas «inscrições» no Sudário, e aborda de uma forma fugaz e pouco esclarecedora a controvérsia dos testes radiocarbono de 1988 deixando, continuar a pairar a «sombra» da datação radiocarbono, que sabemos estar já seguramente descredibilizada pelos estudos mais recentes.

 

Para agravar a situação, coloca no mesmo plano uma teoria com suporte científico ( a da reacção de Maillard) com teorias e experiências especulativas cujo denominador comum é tentar provar que o Santo Sudário de Turim foi não mais do que uma sofisticada falsificação medieval, e assim excluir qualquer ligação com o Corpo de Jesus Cristo.

Para além disso o documentário transmite a ideia de que mesmo que o Sudário fosse autêntico, a imagem nele patente seria um facto simplesmente natural, explicado cientificamente (reacção de Maillard) descartando qualquer acontecimento transcendente relacionável com a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Todavia a realidade é bem diferente pois não existe na História nem nos anais de Medicina Forense, qualquer registo de um cadáver ter produzido uma imagem no lençol que o envolvia, e muito menos uma imagem com as características macroscópicas, microscópicas físicas e químicas da imagem corporal com as marcas da Paixão , patente no tecido do Santo Sudário de Turim.

Até à presente data, com todos os conhecimentos sobre a imagem a nível microscópico, físico e químico, NÃO FOI POSSIVEL REPRODUZIR A IMAGEM DO SANTO SUDÁRIO, a qual continua a ser um foco de atracção para a verdadeira Ciência , continuando actuais as palavras do Papa S. João Paulo II «Um desafio à inteligência».

Em suma, os documentários sobre o Sudário de Turim podem ser informativos e úteis, o que não foi o caso deste, por isso a razão de ser deste trabalho.

 

 

Nota: Não sendo este um trabalho científico na acepção do termo, não foi referenciado no texto o suporte bibliográfico, todavia tudo o que se afirma está fundamentado nos vários trabalhos e artigos  mencionados nas Referências, sendo fornecido o link de acesso sempre que disponivel

 

 

 

REFERÊNCIAS

1-Adler, A.D. «Updating recent Studies on the Shroud of Turin» 1996 http://www.sindone.info/ADLER.PDF

2-Allen, Nicholas P.L. «Verification of the nature and causes of the Photo-negative Images on the Shroud of Lirey-Chambery-Turin» http://www.sunstar-solutions.com/AOP/esoteric/Images_on_the_Shroud_of_Turin.htm

3-Casabianca, T.Marinelli, E. PanegalloG. Torrisi, B.«Radiocarbon dating of the Turin Shroud: New Evidence from Raw Data Archaeometry 22 March 2019 https://doi.org/10.1111/arcm.12467

 

 

 4-Caccere, Alfonso Marinelli, Emmanuella Provera, Laura Repice, Domenico « The Mandylion in  Constantinople-Literary and Iconographic Sources» International Conference on the Shroud of Turin July 19-22 2017 TRAC Center Pasco, Washington U.S.A.

5-Courage, Anne-Laure Marion, André «Dechiphering shadow letters appearing on the Shroud» International Scientific Symposium on the Shroud of Turin, Nice May 12th-13th 1997

6-Di Lazzaro, P. Murra, D. Santoni, A. NIcholatti, E. Baldachini, G. «Shroud like cloration of Linen by Nanosecond Laser pulses in the Vacuum Ultravioelet» Enea 2012 http://opac.bologna.enea.it:8991/RT/2012/2012_16_ENEA.pdf

7-Di Lazaro, Paolo, Atkinson, Anthony Lacomussi, Paola, Riani, Marco, Ricci, Marco Wadhams, Peter «Statistical and Proactive Analysis of na Interlaboratory Comparison: The radiocarbon dating of the Shroud of Turin» Enthropy Volume 22 Issue 9  10.3390/e22090926  https://www.mdpi.com/1099-4300/22/9/926

8-Fanti, G. «Can a Corona Discharge Explain the Body Image of the Turin Shroud?» Journal of Imaging Science and Technology Volume 54 Number 2 March 2010 pp. 20508-1-20508-11 (11) https://www.ingentaconnect.com/content/ist/jist/2010/00000054/00000002/art00010

9-Fanti, Giulio Malfi,, Pierandrea Crosilla, Fabio «Mechanical and Optochemical dating of the Turin Shroud» Matec Web of Conferences 36 01001(2015) https://www.matec-conferences.org/articles/matecconf/abs/2015/17/matecconf_wopsas2015_01001/matecconf_wopsas2015_01001.html

10-Garlaschelli , Luigi «Lifesize reproduction of the Shroud of Turin and its image» Journal of Image and Technology 54(4) July 2010 Issue 4 pp. 040301-14 https://www.researchgate.net/publication/243582609_Life-Size_Reproduction_of_the_Shroud_of_Turin_and_its_Image

11-Guscin, Mark «The Inscriptions on the Shroud» 1999  https://www.shroud.com/pdfs/guscin2.pdf  

12-Heimburger, Thibault Fanti, Giulio «Scientific comparison between the Turin Shroud and the first handmade whole copy» Proceedings of the International Workshop on the Scientific approach to the Acheiropoietos Images, Enea Frascati Italy 4-6 May 2010

13-Jones, Stephen E. « My reply to Professor Nicholas Allen» November 15 2020 http://theshroudofturin.blogspot.com/2020/11/stephen-e.html

14-Rogers, Raymond N. Arnoldi, Anna «Scientific Method Applied to the Shroud of Turin» 2002 https://www.shroud.com/pdfs/rogers2.pdf

15-Rogers, Raymond N. «Pyrolysis Mass Spectrometry Applied to the Shroud of Turin» 2004  https://www.shroud.com/pdfs/rogers4.pdf

16-Rogers, Raymond N. «Studies on the radiocarbon sample from the Shroud of Turin» Thermochimica  Acta volume 425 issues 1-2 20 January Pages 189-194  https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0040603104004745?via%3Dihub  

17.Rogers, Raymond N. Arnoldi, Anna «An Amino Carbonyl Reaction May Explain the Image Formation 2003  https://www.shroud.com/pdfs/rogers7.pdf  

18-Scavone, Daniel «Greek Epitaphioi and other evidence for the Shroud in Constantinople up to 1204» https://www.shroud.com/pdfs/scavone.pdf

19-Shwortz, Barrie M. «Is the Shroud a Medieval Photograph? A critical examination of the theory» 2000 https://www.shroud.com/pdfs/orvieto.pdf

20-Schwortz, Barrie M. «Behind the scenes of a New Smithsonian Channel Shroud Documentary» 2013

21-Schwortz, Barrie M. « A brief review of the new CNN documentary and further comments on the medieval photograph theory» March 5 2015

22-Schwortz, Barrie M e-mail pessoal 07/02/2021

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Comentário do Dr.Paulo Portas sobre o Sudário na TVI-Esclarecimento de uma pseudo-polémica



 A propósito do  breve comentário do Dr. Paulo Portas sobre o Sudário, no Jornal das 8 da TVI ontem, 28 de Julho 2019, achamos necessário fazer um esclarecimento.

 Após a surpreendente!! referência da Drª Judith de Sousa sobre a questão datação do Santo Sudário, o prestigiado comentador, já no final da sua intervenção abordou o tema do Sudário realçando a posição «prudente» da Igreja que não se pronuncia relativamente ao percurso histórico da relíquia, mas incentiva o seu estudo, mencionou também a importância da mesma para os crentes  e a curiosidade suscitada para os não crentes.
Referiu  também a crença de que a relíquia seria o lençol que envolveu o Corpo de Jesus Cristo no sepulcro e o «efeito» suscitado nas pessoas pela contemplação da imagem nele patente.
Igualmente mencionou as Ostensões do Sudário e «as visitas» ao mesmo dos Papas João Paulo II e Bento XVI.

Todavia o aspecto da sua comunicação que realço, e que paradoxalmente suscitou controvérsia infundada, foi o facto de ter afirmado que um estudo da revista «Archeometry» desta mesma semana «vem pôr em causa a ideia que o Santo Sudário era do século XIII e portanto não poderia ter relação com a idade de Cristo».
Dado ter recebido vários telefonemas de pessoas com dúvidas quanto ao significado da afirmação e que inclusivamente perceberam o contrário!!!do que o seu autor pretendia transmitir,  talvez porque o comentário foi muito rápido, sinto-me na obrigação de fazer um esclarecimento.

Efectivamente o Dr. Paulo Portas quis dizer que o dito estudo da autoria de prestigiados académicos como Tristan Casabianca, Emmanuella Marinelli e do Professor  Benedetto Torrisi (Professor universitário da Universidade de Catânia e perito em análise estatística), publicado efectivamente em 22 de Março deste ano na revista científica Archaeometry e que analisa os sub-resultados da datação radiocarbono da amostra que foi fornecida ao Laboratório de Oxford em 1988 questiona e refuta a validade dos anteriores testes de radiocarbono de 1988 que dataram uma amostra do tecido do Sudário do século XIII (datação média).
Os autores concluem efectivamente que os resultados demonstram inhomegeneidade portanto a amostra não é válida e a validade da datação radiocarbono de 1988 deverá ser reconsiderada.
Fornecemos o link para o Abstract do referido trabalho  https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/arcm.12467 

De louvar a iniciativa do Dr. Paulo Portas de trazer ao conhecimento do grande público um tema tão importante como desconhecido para a maioria dos telespectadores, e sobretudo por ter realçado informação cientifica fidedigna a questionar a validade dos testes radiocarbono 1988, contrariamente a outros que fixando-se nos desacreditados testes e dolosamente «ignorando» novos estudos , tentam com isso desacreditar a autenticidade do Sudário de Turim.
Todavia sabemos que já desde 2005 a validade dos testes radiocarbono de 1988 que dataram a amostra recolhida do Sudário no período medieval (1260-1390) foi contestada pelo importantíssimo trabalho do termoquímico americano Professor Raymond Rogers, o que foi  confirmado posteriormente por outros investigadores, e inclusivamente em 2013  uma equipe liderada pelo físico do Departamento de Engenharia da Universidade de Pádua, Professor Giulio Fanti aplicou novos métodos de datação de têxteis em material remanescente da colheita da dita amostra, concluindo que o tecido do Sudário era datado 280 A.C. a 220 A.D. portanto poderia ser da época de Cristo mas NUNCA do período medieval.- convidamos os nossos leitores a revisitarem o artigo deste Blog de 29/07/2013 «Novo Método de datação de tecidos aplicado ao Sudário de Turim».
Ainda mais recentemente, em 23 de Maio ultimo um grupo de cientistas italianos coordenados pelo já referido perito em estatística Professor Benedetto Torrisi, num simposium patrocinado pela Universidade de Catânia-Itália  re-analisou os sub- resultados da datação radiocarbono dos diversos laboratórios em 1988 e o que afrmou em entrevista, e transcrevemos  no original é:
 «È tutto da rifare. C'è la piena certezza che la Sindone non risale al Medioevo»,
Ou seja afirma categoricamente que os testes radiocarbono  deverão ser repetidos e HÁ PLENA CERTEZA QUE O SUDÁRIO NÃO É DA IDADE MÉDIA.

Pensamos haver já um manancial de informação de caracter científico que nos permite afirmar com legitimidade de que OS TESTES RADIOCARBONO DE 1988 EFECTUADOS NUMA AMOSTRA DE TECIDO DO SUDÁRO DE TURIM* SÃO INVÁLIDOS, e questionar a autenticidade do Santo Sudário com base nos desacreditados testes de radiocarbono 1988 demonstra uma ignorância dos desenvolvimentos científicos.

*Nota: recordamos que a amostra de tecido recolhida do Sudário em 1988 foi dividida pelos três laboratórios-Oxford,  Zurich e Arizona

                                    Antero de Frias Moreira 


quarta-feira, 9 de janeiro de 2019


 O ADN DO SUDÁRIO DE TURIM-ADN DE JESUS?- Reavaliação dos  estudos de ADN do Sudário de Turim e do Pano de Oviedo
 Janeiro 2019              

 Antero de Frias Moreira*
*Médico- Especialista de Medicina Fisica e de Reabilitação; Membro Executivo do Centro Português de Sindonologia

Resumo:
 Após uma introdução ao tema é feita a revisão dos trabalhos conhecidos sobre os estudos de ADN no Sudário de Turim e no Pano de Oviedo, sendo analisados os seus achados.
Conclui-se que os estudos de ADN Nuclear apenas permitem presumir que o material hemático patente no Sudário de Turim seja de um individuo de sexo masculino, não podendo ser estabelecido a esse nível qualquer relação com o material hemático do Pano de Oviedo.
Os estudos do ADN vegetal e mitocondrial humano do Sudário de Turim fornecem importantes elementos de suporte do seu percurso histórico tradicionalmente aceite.

Abstract:
After an introduction to the subject, DNA studies on the Turin Shroud and Oviedo Cloth DNA are reviewed and their findings analyzed.
It is concluded that studies on Nuclear DNA only provide elements to presume that hematic material on the Shroud of Turin can be of a male sex individual and on this basis it cannot be established any connection to the hematic material on the Oviedo Cloth.
Plant DNA and human mitochondrial DNA studies on the Shroud of Turin provide important data to support its traditionally accepted historical trail.



Palavras-Chave:
ADN, ADN nuclear ADN mitocondrial contaminação ADN exógeno, Sudário de Turim, Pano de Oviedo Homem do Sudário

Key-Words:
DNA, nuclear DNA, mitochondrial DNA, contamination, exogenous DNA, Shroud of Turin , Oviedo Cloth, Man of the Shroud



Considerações preliminares:

O Santo Sudário de Turim é a relíquia mais venerada do Cristianismo, pois trata-se de um pano de linho de grandes dimensões onde está patente uma enigmática imagem em tonalidade acastanhada da região ventral e dorsal de um corpo desnudado de um individuo de sexo masculino bem como manchas de tonalidade avermelhada, sendo o conjunto altamente evocador de um flagelado e crucificado.
Encontra-se em Turim desde 1578 e a tradição, estudos históricos e científicos identificam-no com a mortalha funerária que envolveu o Corpo de Jesus Cristo no sepulcro.
O Sudarium de Oviedo também conhecido como Pano de Oviedo, é também um pano de linho de menores dimensões, com registos históricos na Península Ibérica desde inícios do século VII, e que é identificado como o pano que cobriu a cabeça de Jesus Cristo na cruz após a Sua morte, e corresponderá ao «sudário enrolado aparte» no capítulo 20 do Evangelho de S. João.
Abordando aspectos materiais relacionados com Jesus Cristo, o estudo de potencial material genético com Ele relacionado, será pois um tema potencialmente polémico, recentemente reactivado por um programa televisivo emitido pelo Canal História e intitulado «O ADN de Jesus Cristo», em língua inglesa «The Jesus Strand a Search for DNA», e que iremos procurar abordar de uma forma objectiva.



Introdução:
Testes de ADN, análises de ADN são frases que ouvimos correntemente, mas antes de mais iremos debruçar-nos sobre noções básicas do ADN.
O ADN, iniciais de ácido desoxirribonucleico, é uma molécula complexa que contem o genoma humano, ou seja o «código genético» que irá determinar o que cada ser vivo irá ser em termos de aspecto e funcionamento.
A molécula do ADN foi caracterizada em 1953 pelos Drs. James Watson e Francis Crick, vencedores do Prémio Nobel da Medicina, como uma dupla hélice enrolada constituída por bases púricas ( adenina e guanina) e pirimídicas (citosina e timina), ligadas a um açúcar -a desoxirribose, e um fosfato.
Cada hélice tem a sua sequência de bases, conectadas por ligações de hidrogénio à base da outra hélice sendo que a adenina se liga sempre à timina e a citosina à guanina(12). 


          
                Fig. 1- Estructura do ADN (em «The structure of DNA» News Medical Lifesciences )

Os genes humanos são sequências de bases e o conjunto dos genes constitui o genoma humano, que irá definir a individualidade de cada ser.
O ADN é o principal constituinte dos cromossomas estruturas contidas nos núcleos celulares, sendo que na espécie humana há 23 pares de cromossomas (cada par corresponde a um cromossoma de origem materna e outro de origem paterna) cujo ADN é portanto proveniente do pai e da mãe, e nesse conjunto o Homem tem um par de cromossomas designados XY e a Mulher um par XX.
A famosa base de dados CODIS (acrónimo de Combined DNA Index System) dos Estados Unidos da América trata-se de um sistema informático que armazena perfis de ADN criados por laboratórios criminais (25) e utiliza dados arquivados referentes a várias sequências de bases do ADN de indivíduos designadas por «loci» (13-20 sequencias + gene da amelogenina X ou Y para determinação de sexo) que são comparadas com sequências homólogas de amostras de ADN por exemplo recolhidas num local de crime a partir de sangue, fluidos corporais ou cabelos, se há coincidência o chamado «nível de confiança» (critério estatístico) é de 99.99% o que quer dizer que há 99,99% de probabilidade do ADN ser do mesmo individuo (13), ou noutra perspectiva a probabilidade de não ser, utilizando 13 sequencias do CODIS é de 1/ 10 000 000 000 000 ou 1/ 10 13(22).
No que concerne ao ADN esta complexa molécula encontra-se nas amostras sobre duas formas, o ADN nuclear, portanto aquele que existe nos núcleos celulares, e o ADN mitocondrial, existente nos organelos celulares designados por mitocôndrias, possuindo este apenas 37 genes enquanto que o ADN nuclear tem 30 000 genes(18).
Como foi dito o ADN nuclear tem informação genética dos 2 progenitores mas o ADN mitocondrial é o ADN de linhagem materna, exemplificando ele é transmitido para a filha e o filho da mesma mãe, mas o filho não o transmite aos seus descendentes, a filha sim.
Não iremos por motivos óbvios entrar em detalhes técnicos laboratoriais de execução das complexas análises, mas esta introdução afigura-se necessária para se perceber os estudos de ADN realizados no Sudário de Turim e no Sudarium ou «Pano de Oviedo», bem como o que deles se possa inferir e concluir.

ESTUDOS DE ADN NO SUDARIO DE TURIM E NO SUDARIUM OU PANO DE OVIEDO

Em 1995 a equipe do Professor Marcello  Canale recebeu para estudo 2 fios de cerca 1.5 cm de comprimento, da extremidade do Sudário na zona das impressões plantares dorsais.
Foram estudadas várias sequências de genes, nomeadamente  amelogenina X e Y tirosina hidroxilase, factor de von Willebrand , tirosina kinase e factor  XIII da coagulação concluindo-se que havia seguramente contaminação com ADN de vários indivíduos, nomeadamente femininos, embora o masculino fosse predominante (18), e no estudo realizado pelo mesmo cientista em material do Pano de Oviedo também se concluiu por contaminação com ADN feminino - esses estudos foram portanto inconclusivos(10),(18).
Em 1998 o microbiologita americano Dr. Leoncio Garza Valdés do Texas Health Center, publicou no seu livro «DNA of God?» o resultado de pesquisas efectuadas juntamente com o Dr. Victor Tryon geneticista da Universidade do Texas, do Departamento de PCR (Polymerase Chain Reaction) do Laboratório de Microbiologia dessa mesma Universidade, em material recolhido de manchas hemáticas da região occipital e punho esquerdo do Sudário de Turim.
Esse material foi-lhe fornecido pelo Professor Giovanni Riggi di Numana, cientista que integrou a equipe STURP, o qual efectuou a recolha aquando da realização dos testes radiocarbono 1988 (11).
Foram determinados segmentos de três genes humanos, a saber 268 pares de bases da betaglobina (componente da hemoglobina no cromossoma 11), e segmentos da amelogenina X e amelogenina Y, sendo concluído que o sangue era de um individuo de sexo masculino (18),(24).
Todavia o então Arcebispo de Turim, Cardeal Saldarini, desvalorizou os resultados alegando que o material para estudo tinha sido fornecido à revelia das autoridades religiosas e solicitou a imediata entrega de todo o material proveniente do Sudário .
Nos dois citados estudos determinou-se que o ADN (neste caso obviamente ADN nuclear) estava bastante degradado e fragmentado. (9),(14),(15).
Em 2007 foi anunciado no «Segundo Congresso Internacional sobre o Sudarium de Oviedo» a realização em curso de estudos de ADN no Pano de Oviedo a cargo dos Drs. Manuel Rey da Newbiotechnic de Sevilha e de Enrique Monte do Departamento de de Microbiologia e Genética da Universidade de Salamanca, estudos esses no sentido de determinar a área geográfica donde o linho teria vindo, foi também referido pelo Dr. António Alonso do Instituto Nacional de Ciência Forense que foram analisadas amostras de sangue e as tentativas de identificação de ADN nuclear foram infrutíferas mas foi possível identificar ADN mitocondrial, não obstante ADN humano no sangue do Pano (23).

Estudos de ADN ulteriores (4),(5),(6),(7),(8)
Na sequência de um estudo pioneiro coordenado pelo Professor Giulio Fanti, envolvendo vários geneticistas de departamentos de genética de várias universidades italianas, apresentado em 2014 no Congresso Internacional de Bari (4), foi apresentada posteriormente a versão definitiva, mais elaborada do trabalho, por uma equipe de geneticistas liderada pelo Professor Gianni Barcaccia, no «Workshop of Paduan Scientific Analysis on the Shroud» em 2015 em Pádua.
Sem entrarmos em pormenores técnicos fastidiosos, o estudo versou a caracterização de ADN extraído de material orgânico de poeiras aspiradas da parte oculta do Sudário pelo já referido Professor Giovanni Riggi di Numana respectivamente em 1978 e 1988, e posteriormente cedidas ao Professor Fanti, sendo importante referir que foram recolhidas em filtros identificando a zona donde tinham sido recolhidas.
Recorda-se que o Sudário de Turim estava cosido a todo o seu comprimento, na parte de trás, a um tecido- o chamado Pano da Holanda- aplicado em 1534 pelas freiras clarissas de Chambery, como parte do restauro após o incêndio na catedral de Chambery em 1532 que provocou alguns danos no Sudário.
Ora esse Pano da Holanda foi parcialmente descosido e efectuada aspiração sendo devidamente marcadas áreas como face, mãos, pés e nádegas bem como área descoberta da zona da retirada da amostra radiocarbono em 1988.
Nesses estudos foi analisado o ADN de cloroplastos (organelos vegetais) de plantas e ADN mitocondrial humano, determinando-se que o ADN vegetal correspondia a plantas da Europa, Norte de África/Bacia Mediterrânica, da Península Ibérica à Palestina e mesmo espécies do Novo Mundo, trazidas para a Europa após a descoberta do Continente Americano por Cristóvão Colombo em 1492.
É importante referir que foram determinados fragmentos de ADN mitocondrial humano com menos de 200 pares de bases e outros com sequências mais longas superiores a 500 pares de bases, o que indica presença de «contaminação» antiga e mais recente (8).
No que respeita ao ADN mitocondrial, a análise genética concluiu por múltiplos «haplogrupos» designação de um grupo de vários genes presentes em vários cromossomas e que partilham uma ancestralidade comum, digamos «grosso modo» determinadas «etnias».
Foram determinados então haplogrupos do Médio Oriente , Próximo Oriente, Caucaso, Nordeste de África, Anatólia , Ásia Central, Europa Ocidental e Peninsula Ibérica e até da India sendo que percentualmente o ADN mitocondrial correspondente a etnias europeias era de 5,7%, do Médio Oriente 55,6% e da India 38,7%, alem disso foram consideradas as potenciais possibilidades da etnia do Homem do Sudário (6)(7)(8).


            Estudos de ADN mitocondrial de sangue do «Homem do Sudário»*

*Barcaccia, Giani et al «DNA Analysis of dust particles sampled from the Turin Shroud», Matec Web of Conferences 2015

Fig 2- Slide gentilmente cedido pelo Professor Gianni Barcaccia, onde são designados os três possíveis haplogrupos do Homem do Sudário


Pode-se depreender que a etnia do Homem do Sudário não será europeia sendo a etnia Drusa uma possibilidade (a etnia Drusa tem uma ancestralidade comum com Judeus e Cipriotas e compartilhou os seus genes com populações do Médio Oriente incluindo Palestinianos e Sirios como pode ler-se no slide)(8).
Os autores concluem que embora a possibilidade de o Sudario de Turim ser uma elaboração medieval europeia não possa ser excluída, a diversidade das etnias determinadas, resulta do contacto de inumeras pessoas com o tecido do Sudário ao longo dos séculos, e integrando os resultados obtidos do estudo de ADN de plantas e ADN mitocondrial humano, eles são compatíveis com o percurso histórico- geográfico do Santo Sudário de Turim , previamente definido pela documentação histórica e estudos palinológicos (pólenes) e minerais.
Além disso põe a possibilidade de o linho ser proveniente da India, tendo viajado pelas rotas comerciais da época, e posteriormente manufacturado no tecido, até chegar à Palestina (6),(7),(8).


                                               DISCUSSÃO

Se o objectivo dos estudos de ADN forem estudar o ADN do Homem do Sudário, ter-se-á desde já que considerar  a forma como tenha passado para o tecido , e obviamente haverá duas possibilidades, ou por contacto com partes do corpo passando resíduos orgânicos para o tecido, nomeadamente celulas cutâneas ou fluidos corporais, ou então nas manchas sanguíneas, também neste caso por contacto.
Hoje sabemos que seguramente as manchas sanguíneas no Sudário de Turim são exsudados de coágulos patentes nas áreas lesionais do corpo de um homem que morreu em posição de crucificação, e que foram transferidos para o tecido por um mecanismo de contacto (1),(20), e são precisamente as áreas hemáticas que foram escolhidas pelos investigadores para recolha das amostras, quer no Sudário de Turim, quer no Pano de Oviedo (neste caso há sangue misturado com fluido de edema pulmonar),dado que presumivelmente serão áreas onde será mais provável obter ADN do Homem do Sudário.
Uma das razões da escassez de ADN nas amostras recolhidas do Sudário, tem a ver com o facto de que o ADN nuclear existe apenas nas células nucleadas, ora os eritrócitos (glóbulos vermelhos) são células anucleadas, portanto a única fonte possível de ADN nuclear serão as células da serie branca, os neutrófilos, linfócitos e monócitos  (16), ao que acresce o facto de o material hemático no Sudário não ser sangue total, mas sim um exsudado de coágulo que foi transferido por contacto para o tecido, logo a maior parte dos elementos celulares do sangue ficou retida na rede de fibrina do coágulo sobre a ferida corporal.
Outro aspecto irresolúvel é a identidade do Homem do Sudário, pois se como tudo indica o Homem do Sudário é Jesus Cristo, (3),(26), não existe qualquer outro resíduo orgânico ( ou seja não existem quaisquer remanescentes corporais de Jesus Cristo) donde se possa obter ADN para comparação com o obtido do Sudário, mesmo excluindo que este está marcadamente fragmentado e degradado pela antiguidade (14),(21).


Contaminação c/ ADN exógeno
Antes de mais teremos que ter em conta que a contaminação com ADN exógeno deve ser sempre uma preocupação, pois pode haver intrusão de ADN exógeno a partir de células de descamação cutânea, fluidos corporais como aerossóis respiratórios de tosse, espirro saliva etc. portanto basta o respirar tossir coçar a cabeça, tocar sem luvas protectoras no tecido do Sudário, colocar sobre o tecido objectos que foram manipulados por pessoas, para introduzir ADN exógeno, situações a que o tecido do Sudário foi inquestionavelmente sujeito ao longo dos séculos.

Apreciação critica dos estudos de ADN

Estudos iniciais
No que concerne aos estudos iniciais de ADN do Professor Canale em 1995, a determinação de vários alelos de genes (recordamos que um individuo só pode ter dois alelos) bem como a presença de ADN feminino apontam para a inevitável contaminação com ADN exógeno, não podendo daí ser extraída qualquer informação válida no que respeita ao ADN do Homem do Sudário (18), o que na nossa opinião seria de esperar pois as amostras foram recolhidas da extremidade do tecido na zona da imagem da planta dos pés, região potencialmente sujeita a manipulação humana.
Relativamente aos estudos posteriores do Dr. Leoncio Garza-Valdés e Victor Tryon publicados em finais dos anos 90, não questionamos sequer a legitimidade das amostras, e o facto de as amostras terem sido recolhidas da região occipital e punho esquerdo, portanto áreas do tecido do Sudário afastadas dos bordos, portanto menos prováveis de terem sido tocadas, até certo ponto minimiza a possibilidade de contaminação e dará mais segurança à conclusão de que a amostra seja de sangue de um individuo de sexo masculino.
Não obstante, dado que não foi excluída a possibilidade de contaminação exógena nomeadamente por células cutâneas/outra, essa conclusão não poderá ter um valor absoluto, e o investigador e imunologista Dr. Kelly Kearse propõe, dado que não existem normalmente linfócitos B na pele, a fim de confirmar a possibilidade de que o que foi determinado foi ADN de células sanguíneas e não cutâneas  « a análise de ADN das manchas sanguíneas deve produzir um perfil indicativo de uma população policlonal de células B, por exemplo uma curva em forma de sino (distribuição Gaussiana)que reflecte a natureza heterogénea do rearranjo do receptor»- tendo sido prèviamente explicado que o re-arranjo de segmentos de genes dos linfócitos B produz uma multiplicidade de diferentes receptores (imunoglobulinas) na sua superfície, o que não acontece no chamado «touch DNA» de origem em células cutâneas(19).
Do atrás exposto e integrando com os escassos dados sobre os estudos de ADN do Pano de Oviedo, não é possível estabelecer qualquer identidade entre o ADN nuclear ou mitocondrial das duas relíquias, apenas que o material hemático é do tipo AB, mas nem sequer foi possível determinar o factor Rh (2),(16).


Estudos mais recentes
O estudo da equipe do professor Barcaccia tem o mérito de através da análise genética de material predominantemente contaminante-referimo-nos ao ADN vegetal e ADN mitocondrial dos indivíduos que ao longo do tempo contactaram com o tecido do Sudário- fornecer uma base para se poder ou não corroborar o percurso histórico- geográfico da Relíquia tradicionalmente descrito.
Esclarecemos que esse ADN (vegetal e mitocondrial humano) predominantemente contaminante foi sendo depositado no tecido ao longo do tempo, por poeiras atmosféricas, contacto com resíduos vegetais e sobretudo por todas as pessoas que ao longo dos séculos foram contactando com o tecido, desde a fase da colheita e preparação do linho, manufactura do tecido, transporte da peça nas rotas comerciais, e múltiplos contactos humanos com a mesma, sem esquecer o envolvimento do Corpo do Homem do Sudário.

Assim sendo, é possível considerar dois cenários (8):


1 O-Sudário ser uma fraude medieval elaborada na Europa
Neste caso para alem de existir ADN vegetal de plantas da bacia mediterrânica e Médio Oriente o que é dificilmente explicável, também o facto de que apenas 5.7% do ADN mitocondrial é de etnias europeias, bem como a presença considerável de ADN de etnias indianas ( 38,7%) e do Médio Oriente (55,6%)  torna esta possibilidade insustentável, pois o contrário é que seria lógico nessa perspectiva.

2- O Sudário de Turim seguiu o percurso histórico conhecido Jerusalém-Edessa Constantinopla-Europa Ocidental
Os dados do ADN vegetal e mitocondrial humano em nada contrariam essa possibilidade, antes fornecem mais argumentos a favor do percurso histórico-geográfico proposto, em função dos prévios estudos históricos, palinológicos e mineralógicos.
No que concerne ao possivel ADN mitocondrial do Homem do Sudário os haplogrupos determinados apenas permitem ponderar hipóteses de etnias, e não fazer afirmações peremptórias, como ficou patente no documentário do Canal História de que Jesus Cristo tinha antepassados Drusos, e será apenas mais um dado a favor de que o material hemático patente no Sudário é de um individuo de etnias do Médio Oriente.



                                          CONCLUSÃO

Os estudos de ADN nuclear no Sudário de Turim e Pano de Oviedo são pouco conclusivos pois não permitem descartar a possibilidade de contaminação com ADN exógeno, não obstante fornecem um elemento de presunção não negligenciável de que o material hemático patente no Sudário de Turim seja de um individuo de sexo masculino, não sendo possível estabelecer qualquer comparação ou conexão com o ADN nuclear do Pano de Oviedo.
No que respeita aos estudos de ADN vegetal e ADN mitocondrial humano, eles fornecem importantes elementos de suporte para o percurso histórico-geográfico tradicionalmente aceite para o Sudário de Turim.
Não é possível identificar o Homem do Sudário através do ADN, nem determinar com certeza a sua ascendência étnica, e dado o estado de degradação e fragmentação do ADN, e a possibilidade de clonagem do Homem do Sudário através de ADN do Sudário é meramente ficcional (9),(17).




Referências Bibliográficas:


1-Adler, Alan D.-The Nature of the Body Images on the Shroud of Turin  1999 https://www.shroud.com/pdfs/adler.pdf 
2-Bollone, Pierluigi Baima- The forensic  characteristics of the blood marks The Turin Shroud, Past, Present and Future International Scientific Symposium, Torino 2-5 March 2000 Effata Editrice pp,212-214
3-Barberis, Bruno Savarino Piero- Shroud carbon dating and calculus of probabilities St. Pauls U.K. 1998 pp 29-47
4-Barcaccia, G. et al, Fanti, G-Uncovering the Sources of DNA in the Turin Shroud Workshop in Advances in the Turin Shroud Investigation, September 4-5 2014 Bari, Italy
5-Barcaccia, Gianni et al – DNA Analysis of Dust Particles Sampled from the Turin Shroud, Workshop Paduan on Scientific Analysis on the Shroud 2015 https://www.matec-conferences.org/articles/matecconf/abs/2015/17/matecconf_wopsas2015_03001/matecconf_wopsas2015_03001.html
6-Barcaccia Gianni et al –Uncovering the Sources of DNA found on the Turin Shroud,Scientific Reports 05 october 2015 https://www.nature.com/articles/srep14484
7-Barcaccia, Gianni –Sources of DNA on the Shroud- abstract, International Conference, July 19-22 Pasco Washington  http://www.shrouduniversity.com/pasco17details.php#18
8-Barcaccia, Gianni conferência- Video, International Conference on the Shroud of Turin, July 19-22, 2017 Pasco , Washington https://www.youtube.com/watch?v=WzFL5jcWCBY&feature=youtu.be
9-Boda , Lazlo: Why it is impossible to clone the Man of the Shroud  http://www.shroud.it/boda.pdf
10-BSTS Newsletter nº 42 02 News From Around the World http://www.shroud.com/pdfs/n42part2.pdf
11-BSTS Newsletter nº 43 03 Science Fiction to Science Fact? https://www.shroud.com/bsts4303.htm
12-Cheryiedath, Susha The Sructure of DNA News Medical Lifesciences https://www.news-medical.net/life-sciences/Structure-of-DNA.aspx
14-Fanti G. et al – Evidence for testing hypotheses about Image formation of the Turin Shroud, The Third Dallas International Conference on the Shroud of Turin: Dallas  September 8-11, 2005  https://www.shroud.com/pdfs/doclist.pdf
15-Hermosilla, Alfonso sanchez M.D. The Oviedo Sudarium and the Turin Shroud http://www.shroud.com/pdfs/sanchezveng.pdf
16-Kearse, Kelly P.-Blood on the Shroud of Turin: An Immunological Review 2012 https://www.shroud.com/pdfs/kearse.pdf

17-Kearse, Kelly P. – Cloning the Man on the Shroud of Turin: The Media’s Hyperbole with the Double Helix, Shroud of Turin Blog November 25 2012 https://shroudstory.com/2012/11/25/must-read-cloning-the-man-on-the-shroud-of-turin/
18-Kearse, Kelly P.- DNA Analysis and the Shroud of Turin: Development of a Shroud CODIS https://www.shroud.com/pdfs/kearse3.pdf
19-Kearse, Kelly P.-DNA on the Shroud of Turin : Distinguishing endogenous versus exogenous DNA 2012 https://www.shroud.com/pdfs/kearse2.pdf
20-Lavoie, Gilbert R. , Lavoie Bonnie B. , Adler, Alan D.- Blood on the Shroud of Turin, Th Orphaned Manuscript Effata Editrice 2002 pp.64
21-Rogers, Raymond N.-Frequently Asked Questions 2004  https://www.shroud.com/pdfs/rogers5faqs.pdf
23-The Second International Conference on the Sudarium of Oviedo , Oviedo , Spain 13-15 April 2007 https://www.shroud.com/pdfs/n65/part6.pdf
24-Valdés, Leoncio Garza The DNA of God , Amazon 1999 referido em http:// www.religion-cults.com/cloning.godhtm24
25-Wikipedia- Combined DNA Index System https://pt.wikipedia.org/wiki/Combined_DNA_Index_System
26-Zeuli, Tino –Jesus Christ is the Man of the Shroud Shroud Spectrum International Issue 10 March 1984 pp 29 https://www.shroud.com/pdfs/ssi10part5.pdf