segunda-feira, 30 de agosto de 2021

JESUS CRISTO MORREU NA CRUZ?-Uma reflexão critica

Por motivos alheios à nosa vontade não ficaram impressos no post com o titulo em epigrafe as referências dos artigos científicos pelo que rectificamos a falha:

Artigos Científicos:

Bucklin, Robert M.D. «An authopsy on the Man of the Shroud» 1997 https://www.shroud.com/bucklin.htm

Fanti  et al «Evidences for testing hypothesis about the body image formationof the Turin Shroud» , The Third Dallas International Conference on the Shroud of Turin, Dallas, Texas September 8-11 2005 https://www.shroud.com/pdfs/doclist.pdf

Moran, Kevin Fanti Giulio «Does the Shroud body Image show any physical evidence of Resurrection?» IV Symposium International Scientifique du CIELT Paris 25-26 Avril 2002 http://www.sindone.info/MORAN1.PDF

Faccini, Barbara, Fanti, Giulio «New Image processing of the Turin Shroud scourge marks» Proceedings of the International Workshop on the scientific approach of the Acheiropoietos Images, ENEA , Frascati Italy 4-6 May 2010 http://www.acheiropoietos.info/proceedings/FacciniWeb.pdf

Manservigi, Flavia «The flagra of the Vatican Museum» https://www.shroud.com/library.htm#confrncs

Faccini, Barbara, Carreira, EmmanuelM., Fanti, Giulio,Palacios José de,Villalain José Delfin «The Death of the Shroud man: An improved review» The Shroud of Turin Perspectives on a Multifacet Enigma, Shroud Science Group International Conference August 14-17 2008 Ohio State University the Blackwell Hotel Columbus Ohio https://www.shroud.com/pdfs/ohiofaccini2.pdf

Zugibe, Frederick T. M.D. Ph. «Pierre Barbet revisited» https://www.shroud.com/zugibe.htm

Lavoie,Gilbert M.D. Lavoie Bonnie B. PhD, Donovan Vincent Reverend, Ballas John S. M.S.E.E. «Blood on the Shroud of Turin part 1» https://www.shroud.com/pdfs/ssi07part5.pdf

Rodante, SebastianoM.D. «The Coronation of Thornsin the light of the Shroud» Shroud Spectrum International Pilot Issue #1 December 1981 https://www.shroud.com/spectrum.htm

 

Bollone, Pierluigi Baima, Jorio, Maria, Massaro Anna Lucia, «Identification of the Group of the Traces of Human Blood on the Shroud» Shroud Spectrum International Issue #6 March 1983 https://www.shroud.com/spectrum.htm

 

JESUS CRISTO MORREU NA CRUZ?Uma reflexão crítica

 

JESUS CRISTO MORREU NA CRUZ?-Uma reflexão crítica

 

Antero de Frias Moreira*

*Medico-Membro executivo do Centro Português de Sindonologia

 

 

 



Imagem do Cristo Sindónico (baseada nos dados de imagem do Santo Sudário de Turim-escultura científica do Professor Juan Miñarro)

 

A pergunta titulo deste artigo, à partida parece ter uma resposta lógica e unívoca, todavia hoje mesmo(29/08/2021) casualmente visualizei um programa do Canal História intitulado «Crimes na Antiguidade», sem duvida interessante, mas que me leva a partilhar convosco a minha reflexão sobre a questão em  titulo deste post.

Efectivamente depois de uma instructiva dissertação forense sobre achados arqueológicos de um assassinato na pré-história, foi abordada a crucificação de Jesus Cristo, precedida do contexto sócio-político da época.

Se o enquadramento que precedeu o evento da crucificação até se pode considerar correcto, pois está de acordo com as narrativas dos Evangelhos e outras fontes nomeadamente obras que abordam o Jesus histórico, quando a crucificação, morte e ressurreição de Cristo é abordada, é dada a entender a forte possibilidade de explicações alternativas ao que é habitualmente assumido como factos pela religião cristã.

Assim, depois de ser afirmado que durante muito tempo a Ressurreição de Cristo ser considerada como factual e corporal, o Iluminismo teria avançado com uma explicação mais racional-CRISTO NÃO TERIA MORRIDO NA CRUZ, MAS SIM FICADO INCONSCIENTE,( a Sua «morte aparente» teria sido muito precoce..) REANIMANDO-SE NO TÚMULO, mais ainda refere que a ferida da lança até poderia ter tido um efeito terapêutico, pois como era provável que Cristo tivesse um derrame pleural hemático (com sangue)  assim teria sido drenado!!!!  – desta forma seriam explicadas as «aparições» do Cristo« ressuscitado» aos discípulos, e até porque no dizer do programa, nunca se soube bem o que aconteceu depois com Cristo.

 

Òbviamente, isto levanta uma questão que além de poder confundir os espectadores (crentes) é um ataque ao pilar fundamental do Cristianismo que é precisamente a crença na Ressurreição (física/corporal) de Nosso Senhor Jesus Cristo,

S. Paulo na sua carta aos Coríntios é bem explícito: «….Mas se Cristo não ressuscitou é vã a nossa pregação e vã é também a vossa fé» (1Cor 15) e «….apareceu a Cefas e a seguir aos Doze. Em seguida apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maior parte dos quais ainda vive…» (1Cor 15).

Então o que pensar?

 

                                                                    DISCUSSÃO

 

1-Evangelhos/ outras fontes

Aquilo que está escrito sobre os acontecimentos que envolveram a prisão , julgamento, suplícios infligidos a Jesus, bem como a sua crucificação e sepultamento está escrito nos Evangelhos Canónicos.

Sem dúvida, todos eles relatam que Jesus morreu na Cruz:

«..Mas Jesus com um grito forte expirou..» (Marcos 16-37), « ..Dando um forte grito, Jesus exclamou Pai nas Tuas Mãos entrego o meu espírito. Dito isto expirou» (Lucas 23-46), «.. E Jesus clamando outra vez com voz forte expirou» (Matheus 28-50), «..Quando tomou o vinagre, Jesus disse tudo está consumado. E inclinando a cabeça, entregou o espírito.» ( João19-30).

S. João vai mais além e posteriormente descreve« Mas ao chegarem a Jesus e vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas .Porém um dos soldados trespassou-lhe o peito com uma lança e logo brotou sangue e água» (João 20-33,34)

Tacitus

Na obra deste historiador romano (56-120 A.D.)«Anais» é afirmado que Cristo sofreu a máxima condenação(morte por crucificação) no reinado de Tibério por Poncio Pilatos procurador da Judeia

Flavius Josephus

Na obra deste historiador romano-judeu (37-100 A.D.)é afirmado que Pilatos condenou Jesus à crucificação para morrer.

O programa assume implicitamente que o conteúdo da narrativa dos Evangelhos seria fiável até à crucificação, todavia «ignora» completamente que todos são unânimes na afirmação que Jesus morreu na cruz.

Embora os Evangelhos sejam muito omissos no que concerne aos supliceos infligidos a Jesus Cristo, é perfeitamente admissível que com as agressões de que foi victima, nomeadamente contusões e flagelação tenha desenvolvido derrames pleurais hemáticos (com sangue), não obstante é perfeitamente disparatado e absurdo atribuir um «efeito terapêutico» à perfuração do tórax por uma lança.

Efectivamente a «Lançada» era uma prática consignada nos costumes punitivos romanos, pois destinava-se a confirmar a morte do supliciado pois ninguém deveria ser retirado da cruz com vida.

Assim era mais um acto brutal, e é ingénuo pensar-se que o executor iria apenas perfurar o espaço intercostal até à pleura visceral sem atingir o pulmão ou seja a lança só perfuraria pouco mais de um centímetro…!! -a realidade seria bem diferente, a lança perfurava a parede toráxica, as pleuras, o pulmão e estruturas viscerais mediastínicas como o coração, provocando no mínimo um pneumotórax com colapso pulmonar, o que num crucificado com insuficiência respiratória e em estado pré-agónico seria uma causa de morte praticamente imediata.

Além disso promoveria entrada de bactérias para o tórax com consequente infecção-esta afirmação é um absurdo em termos médicos.

Numa perspectiva médica a drenagem de um derrame pleural é sim realizada em ambiente hospitalar , com todos os cuidados de assépsia e com colocação de um dreno pleural evitando contaminação externa.

Põe-se ainda outro(s) problema(s) que o mentor do programa não teve sequer a coragem de abordar, mas que deverão ser considerados:

Pelas descrições dos evangelhos, o túmulo teria sido selado com uma pesada pedra e teria ficado uma guarnição de soldados do templo a guardar a entrada, para ninguém ir roubar o Corpo.

Assim sendo e mesmo admitindo o ABSURDO DA REANIMAÇÃO DE CRISTO NO SEPULCRO!!! alguém poderá admitir que depois de tantas e tão graves lesões, Cristo teria forças ou capacidade para mover uma pesada pedra? Obviamente que não.

Também os discípulos amedrontados com o que se tinha passado e escondidos numa casa iriam tentar roubar o Corpo de Jesus enfrentando os soldados???- claro que não.

Mais ainda: há várias referências nos Evangelhos às aparições de Jesus Cristo aos seus discípulos (recordo por exemplo o episódio do descrente S. Tomé, o Caminho de Emmaus, o episódio em que Jesus comeu peixe com os discípulos).

Se admitimos como credíveis esses episódios nunca poderemos conceber que os discípulos tenham ido retirar o Corpo do Sepulcro.

Mas se não acreditamos nos relatos das Aparições do Cristo Ressuscitado e admitirmos que os discípulos roubaram o Corpo temos que considerar o seguinte:

Todos os Apostolos, exceptuando S. João morreram de forma violenta por propagarem os ensinamentos do Mestre, e houve uma efectiva mudança do seu comportamento após a morte e subsequentes Aparições do Cristo Ressuscitado, pois o medo deu lugar a um entusiasmo e coragem, a julgar pelas atitudes subsequentes.

Mesmo o historiador E.P. Sanders admite que deve ter havido algo de extraordinário após a morte de Cristo que promoveu tamanha mudança de comportamento nos Apóstolos, e não resisto a transcrever « …Mais tarde, alguns discípulos estarão dispostos a morrer por causa da sua devoção a Jesus e à sua mensagem. A explicação para mudança está no facto de eles terem visto o Senhor ressuscitado e de esta experiência lhes ter dado uma confiança absoluta.»

É pois inconcebível que se eles tivessem roubado o Corpo se sacrificassem por uma mentira, obviamente o que despoletou tamanha mudança foi o contacto real com o Cristo Ressuscitado, não uma alucinação ou criação mental, mas sim uma presença física inteligível aos sentidos humanos.

 

2-Aspectos médico-forenses do Santo Sudário de Turim

Para os que como eu acreditam fundamentadamente, com base em aspectos históricos e científicos que o Sudário de Turim é a mortalha que envolveu o Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo no sepulcro e onde estão patentes a Imagem do Seu Corpo (ainda sem explicação científica da sua formação no tecido) e as marcas da Paixão, esta sagrada relíquia (não um ícone), revela-nos dados surpreendentes que confirmam os Evangelhos e preenchem as suas lacunas no que respeita à gravidade dos supliceos infligidos a Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

Descrição: C:\Users\Antero\Pictures\telo-kx2E-U11003585844442YIE-1024x276@LaStampa.it.jpg


Fig. 2-Sudário de Turim: lençol funerário com cerca de 4,36 X 1,10 metros sendo visualizável as imagens da região ventral e dorsal do corpo de um crucificado, bem como manchas hemáticas

 

 

Os estudos de Medicina Forense por patologistas credenciados como o Professor Pierre Barbet, Drs. Sebastiano Rodante, Judica Cordiglia, Robert Bucklin, Frederick Zugibe, Pierluigi Baima Bollone entre outros, permitem afirmar indiscutivelmente:

1-A imagem patente no Sudário é de um cadáver de um crucificado de sexo masculino em estado de rigor mortis (rigidez cadavérica que se instala cerca de 2 horas após a morte e pode perdurar por cerca de 30 horas)

2-Trajectos hemáticos (sanguíneos)de sangue arterial e venoso e também capilar correspondendo a hemorragias ante e post mortem.

3-Lesões contundentes graves na face

4-Cerca de 60% da superfície corporal evidencia lesões infligidas pelo terrível chicote romano «Flagrum Taxillatum»

4- Multiplas lesões perfurantes na cabeça e couro cabeludo correspondendo a um objecto de tortura tipo capacete de espinhos

5-Feridas perfurantes no punho esquerdo e pés compatíveis com cravos de crucificação

6-Ferida perfurante na região antero-lateral do hemitórax direito sensivelmente no 5º espaço intercostal- experimentalmente foi constatado que, um objecto perfurante a esse nivel depois de transpor a parede toráxica após um percurso de cerca de 8-10 centímetros atinge a aurícula direita do coração-trata-se da ferida da lança e a mancha adjacente exibe uma porção avermelhada(o sangue proveniente da aurícula direita) e uma porção clara (correspondendo afluído de derrame pleural ou pericárdico) ou seja é a explicação médica para a descrição do sangue e água do Evangelho de S. João.

7- Os trajectos sanguíneos nos membros superiores permitem concluir que o Homem do Sudário tinha os membros superiores a cerca de 65º com a vertical e portanto compativeis com a posição de crucificação.

8-A morte ocorreu na cruz por múltiplas disfunções orgânicas, estado de choque hemorrágico e asfixia

Haverá alguém que conseguisse sobreviver a tamanha brutalidade e agonia na cruz , e depois com o tórax perfurado por uma lança que perfurou o pulmão e atingiu o coração?

A resposta é óbvia-JESUS CRISTO MORREU NA CRUZ, mesmo aqueles que contrariam a conclusão dos peritos que estudaram os aspectos lesionais do Santo Sudário não apresentam quaisquer argumentos válidos em contrário.

Mas a intenção do conteúdo desse programa é na realidade atingir o pilar fundamental do Cristianismo ou seja NEGAR a Ressurreição de Cristo, todavia os factos considerados permitem descartar essas teorias fantasiosas sem qualquer suporte científico, e portanto a questão da Ressurreição de Cristo como um fenómeno transcendente terá obviamente de ser admitida.

 A RESSURREIÇÃO,esse evento único na História da Humanidade, que aconteceu com um único Homem pela vontade de Deus, o GRANDE MILAGRE não foi um mito elaborado, nem uma criação mental/versus alegada vivencia «espiritual» seja lá o que isso for, como defendem alguns pseudo-teólogos, não foi a reanimação de um cadáver como aconteceu com Lázaro ou a filha de Jairo, mas sim a passagem do corpo flagelado e ensanguentado do Cristo Crucificado, para a forma de existência transfísica (não sujeita às leis naturais temporo-espaciais) do Cristo Ressuscitado.

 

                                                                       CONCLUSÃO

 

Mais uma vez os argumentos dos cépticos são absolutamente demolidos com base nos dados dos Evangelhos mas também e sobretudo com os estudos médico-científicos no Santo Sudário de Turim.

Jesus Cristo indubitavelmente morreu na cruz, foi sepultado cadáver envolvido no lençol adquirido por José de Arimatheia e esse lençol é o testemunho vivo da Sua Paixão e o suporte material da nossa crença na Sua Ressurreição corporal transfísica.

 

Referencias

Obras Literárias:

Biblia Sagrada Difusora Biblica Franciscanos-Capuchinhos Lisboa/Fátima 2008

Moreira, Antero de Frias «Sudário de Turim, Mortalha de Cristo ou fraude medieval?» Editora Edium 2012

Sanders E.P. « A verdadeira história de Jesus» Editorial Notícias 2004

Verschuuren, Gerard « A Catholic scientist champions the Shroud of Turin» Sophia Institute Press Manchester New Hampshire 2021

Artigos Científicos:

segunda-feira, 5 de abril de 2021

ENTREVISTA NA RADIO OBSERVADOR SOBRE O SANTO SUDÁRIO

 

                  ENTREVISTA NA RADIO OBERVADOR-SEXTA FEIRA SANTA 02 DE ABRIL 2021

 

Na passada sexta-feira santa 2 de Abril 2021, Antero de Frias Moreira membro executivo do Centro Português de Sindonologia, foi entrevistado para a Rádio Observador, pelo nosso prestigiado membro, o jornalista Dr. João Paulo Sacadura, também ele um estudioso do Santo Sudário e que desde há décadas se tem dedicado a proferir inúmeras apresentações no nosso país, sobre o tema do Santo Sudário de Turim.

A entrevista,entre outros, abordou vários aspectos, nomeadamente o tecido, manchas sanguíneas, lesões patentes no lençol, imagem, e obviamente a controvérsia dos testes de Carbono 14 de 1988.

Convidamos os nossos leitores a ouvir a gravação da  entrevista na integra, podendo fazê-lo ou através do Google inserir Radio Observador»»» programas»»» Convidado Extra»»» «O Evangelho da Paixão escrito a sangue no linho»

Ou directamente pelo link   https://observador.pt/programas/convidado-extra/o-evangelho-da-paixao-escrito-a-sangue-no-linho/

Se tiverem questões agradecemos que as façam escrevendo-as em «comentários», procuraremos logo que possível responder.

Agradecimento:

O Centro Português de Sindonologia agradece à Radio Observador e ao Dr João Paulo Sacadura a oportunidade de difundir desta forma um assunto tão importante como tão pouco conhecido do público em geral.

segunda-feira, 8 de março de 2021

CERIMÓNIA DE MEDITAÇÃO E ORAÇÃO DIANTE DO SANTO SUDÁRIO SÁBADO 3 DE ABRIL 2021

 

CERIMÓNIA DE MEDITAÇÃO E ORAÇÃO DIANTE DO SANTO SUDÁRIO SÁBADO 3 DE ABRIL 2021

 

Recebemos do nosso estimado amigo Dr. Barrie Schwortz (perito em imagem e fotografia que integrou a equipe STURP em 1978) a informação de que no sábado 03 de Abril 2021, irá decorrer na Catedral de S. Giovanni Battista-Turim uma cerimónia litúrgica de meditação e oração diante do Santo Sudário, a exemplo do que ocorreu no ano transacto.

 


 

                   Na imagem, Monsenhor Nosiglia em oração diante do Sudário em 11 de Abril 2020, ao seu lado direito grande imagem do negativo fotográfico da Sagrada Face do Santo Sudário

 

 

A noticia foi anunciada por Monsenhor Cesare Nosiglia, Arcebispo de Turim no passado dia 3 de Abril, e será transmitida em directo por satélite para todo o mundo, pela emissora televisiva italiana TV 2000, iniciando-se a transmissão pelas 16:30 com intervenções sobre o tema, sendo que as cerimónias na Catedral iniciar-se-ão às 17:00 (hora de Itália)

Para aceder à transmissão a partir das 15:30 (hora de Portugal) fornecemos o link da TV 2000 https://www.tv2000.it/live/  .

Pode ler.se no comunicado do Arcebispo de Turim «… a imagem sindónica que Turim guarda há quase 5 séculos é testemunha de sofrimento e morte, mas também, e com quanta intensidade, de Ressurreição e Vida Eterna…»

Votos de uma Santa Pascoa,

Todos estão convidados

 

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

VARIAS CONTROVÉRSIAS EM ANÁLISE-REFLEXÃO CRITICAACERCA DO DOCUMENTÁRIO«O MISTÉRIO DO SUDÁRIO DE TURIM»

 



REFLEXÃO CRITICA ACERCA DO DOCUMENTÁRIO «O MISTÉRIO DO SUDÁRIO DE TURIM»

VÁRIAS CONTROVÉRSIAS EM ANÁLISE

Antero de Frias Moreira*

*Médico, Especialista de Medicina Fisica e de Reabilitação-Membro Executivo do Centro Português de Sindonologia

Fevereiro 2021

 

No passado dia 1 de Fevereiro o canal 2 da RTP transmitiu um documentário do New Smithsonian Channel/BBC de 2012, com o titulo em epigrafe.

Embora louvando a iniciativa, dado ser um tema pouco conhecido, não poderemos deixar de esclarecer uma série de aspectos que certamente poderão equivocar espectadores menos familiarizados com o tema do Sudário de Turim/Santo Sudário.

É igualmente nossa convicção que mesmo quem não viu esse programa poderá tirar partido da leitura deste trabalho, em termos de aquisição de conhecimentos fidedignos sobre o Sudário de Turim

Aspectos a salientar para análise:

Não pretendemos de forma alguma fazer um resumo alargado do documentário, realçaremos apenas os seguintes aspectos a analisar

1-É feita uma breve introdução histórica ao Sudário de Turim, sendo referido que «apareceu na cidade de Lirey» em França em 1390, mas segundo um historiador entrevistado, o Sudário não teria documentação histórica antes dessa altura

2-Dos aspectos de patologia forense é mencionado evidência de lesões perfurantes nos tornozelos.

3-É dado um grande realce a alegadas inscrições de frases em grego e latim na zona da cabeça, e que por si só atestariam a autenticidade do Sudário conectando-o com Jesus Cristo.

4-São abordados sumariamente os testes radiocarbono de 1988

5-Teorias de formação da Imagem

Este foi o aspecto mais desenvolvido

Das várias teorias de formação da imagem corporal patente no tecido do Sudário foram «seleccionadas» a da reacção de Maillard (de Raymond Rogers e Anna Arnoldi), defendida pelo perito em imagem Dr. Barrie Schwortz, e foi «ressuscitada» a velha teoria da «protofotografia» proposta nos anos 90 do século passado pelo historiador de arte da Universidade de Johannesburgo-Africa do Sul, Professor Nicholas Allen, bem como a mais recente tentativa de reprodução em 2009 pelo químico da Universidade de Pavia-Itália, Professor Luigi Garlaschelli

Assim, a imagem corporal patente no Sudário, seria produzida naturalmente por um cadáver envolto num pano de linho, ou em alternativa seria obra de um falsário medieval.

 

No final o espectador ficaria convencido que persistem muitas dúvidas relativas à autenticidade do Santo Sudário, não obstante a imagem nele patente, continua envolta numa bruma de mistério que a ciência esclarecerá um dia.

 

                                                Discussão

Dada a complexidade de cada um dos pontos não iremos efectuar um desenvolvimento extenso, mas sim evocar aspectos fundamentais.

1-Aspectos históricos

O Sudário foi apresentado pela primeira vez na Europa Ocidental aos fieis como o Sudário de Cristo ou seja o Seu lençol funerário com a imagem do Seu Corpo, pelo cavaleiro Geoffroy de Charny na pequena vila francesa de Lirey (não na cidade) em 1356 ou 1357 e não em 1390.

Contràriamente ao referido, antes dessa data há múltiplas referencias ao lençol que envolveu o Corpo de Cristo no qual estava patente a imagem do Seu Corpo em manuscritos da Cristandade do Oriente, sendo absolutamente seguro que o Sudário de Cristo esteve em Constantinopla desde o século X, tendo desaparecido aquando do saque da cidade pelos cruzados da 4ª Cruzada em 1204, e foi esse mesmo Sudário que foi apresentado aos fieis em Lirey cerca de 150 anos depois.

2-Aspectos de patologia forense:

A análise forense das manchas hemáticas (que são efectivamente de natureza sanguínea), evidencia uma impressionante sequência dos eventos da Paixão de Cristo, muito mais realista, completa e chocante, do que a relatada nos Evangelhos, e a propósito, as lesões perfurantes nos membros inferiores são a nível do 2º espaço intermetatarsiano (parte da frente do pé), e não nos tornozelos.

3-Alegadas inscrições na zona da cabeça

No programa, é entrevistada a historiadora e arquivista do Vaticano Drª Barbara Frale a qual defende a teoria de que as ditas inscrições latinas conectam o Sudário a Jesus Cristo, pois além de entre outras se ler « Nazarenus», a expressão «in necem» e outras levariam a concluir que no Sudário estaria inscrita a «sentença de morte» de Jesus Nazareno.

Todavia essas alegadas inscrições não foram descobertas pela historiadora, como o programa dá a entender, antes foram resultado de um prévio trabalho de processamento de imagem dos anos 90 de autoria dos cientistas André Marion e Anne Laure Courage do Institut Optique d’Orsay de Pari

 

 

                                     Descrição: C:\Users\Antero\Pictures\inscriptions.jpg         






      Fig. 1-alegadas inscrições visíveis na zona da cabeça, «realçadas»

 

 

Tais achados não são de forma alguma consensuais entre os peritos de imagem que estudam o Sudário tendo sido muito contestados como possíveis artefactos, e para além disso historiadores e linguistas como Mark Guscin contestam o seu sentido lógico e linguístico.

São pois achados bastante circunstanciais, e de forma alguma a autenticidade do Sudário poderá neles assentar.

4-Testes radiocarbono 1988

Este tema é abordado «de fugida» ficando vagamente a noção de que poderia ter sido testada uma zona de restauro medieval.

Sendo um tema extraordinariamente complexo resumimos que é uma certeza que os testes de radiocarbono de 1988 que dataram uma única amostra do tecido 1260-1390, já não podem ser assumidos como válidos, pois para além de estudos têxteis , de imagem (fotografia de fluorescência d U.V. e análise multiespectral) e laboratoriais como a espectroscopia FTIR (Fourier Transform Infra Red ) que concluíram pela natureza anómala da amostra, vários estudos de análise estatística das sub amostras dos 3 laboratórios envolvidos concluíram pela inhomogeneidade das datações das sub amostras da mesma.

Tal facto só poderá ser explicado pela presença de Carbono 14 mais recente, introduzido ou através de contaminação não removida, ou em alternativa pela datação de uma zona do tecido alvo de um restauro «invisível» como muito bem concluiu o químico Professor  Raymond Rogers num estudo laboratorial em 2005.

De qualquer forma é um facto que a amostra testada não é representativa do resto do tecido do Sudário, e mais recentemente o físico Professor Giulio Fanti utilizando métodos alternativos de datação de têxteis antigos (método micromecânico multiparamétrico, FTIR e espectroscopia Raman) datou remanescentes de tecido do Sudário num «spam» 280 A.C-220 A.D. por outras palavras é perfeitamente plausível que o tecido do Sudário seja anterior ou do século I A.D.

5-Teorias de formação da Imagem

Os promotores do documentário seleccionaram uma teoria de carácter científico, a teoria da reacção amino-carbonilo ou «Reacção de Maillard» proposta pelos químicos Professor Raymond Rogers e Anna Arnoldi em inícios de 2000, e «defendida no programa pelo perito em imagem e fotografia e que integrou a equipe STURP, o Dr. Barrie Schwortz, e resolveram confrontá-la com a hipótese especulativa do químico Professor Garlaschelli e com a há muito tempo desacreditada teoria da «protofotografia» do historiador de arte Professor Nicholas Allen.

Ficaram por mencionar sequer outras teorias igualmente válidas com suporte  científico teórico e experimental, como a teoria da «descarga de corona» e de energias radiantes.

5.1-Reacção de Maillard

No que respeita à primeira- Reacção de Maillard- que teoriza que a coloração que forma a imagem corporal no Sudário resulta da reacção de aminas voláteis emanadas de um corpo nas primeiras horas post mortem reagiriam com açucares  presentes à superfície do tecido em virtude de o mesmo ter sido lavado numa solução de «Sapponaria Officinalis» (planta), defronta-se com algumas dificuldades nomeadamente a física da difusão de gases, e a impossibilidade de se obter uma imagem com a resolução da do Sudário, assim como a impossibilidade de microscopicamente coexistirem fibras coloridas ao lado de fibras não coloridas, como se verifica no Sudário.

Efectivamente, como se viu no documentário, o tecido tratado com «Sapponaria Officinalis» que esteve em contacto durante cerca de 3 dias com o cadáver de um porco, não exibia qualquer imagem, apenas uma coloração amarelada.

5.2-Teoria da «Protofotografia»de Nicholas Allen

No que concerne à teoria da protofotografia de Nicholas Allen é posta a hipótese de que um falsário medieval cerca de500 anos antes da invenção da fotografia por Nicephore Niepce em 1822, teria à sua disposição materiais para obter num lençol uma imagem fotográfica de um corpo suspenso- uma câmara escura, uma lente de quartzo e um lençol impregnado de sais de prata (nitrato ou sulfato de prata).

O corpo (cadáver) seria exposto à luz solar durante dias, formar-se-ia uma imagem latente no lençol e a imagem seria depôs fixada com amónia (substância presente na urina) pela impregnação do tecido com urina.

A urina removeria a prata ficando uma imagem residual no tecido com a mesma tonalidade amarelada da imagem do Sudário.

No trabalho experimental que publicou, utilizando uma estátua e uma lente de quartzo (diga-se que preparada com tecnologia actual…), afirma que a imagem é idêntica à do Sudário em termos de não direccionalidade, de coloração, superficialidade comporta-se como um negativo fotográfico, tem tridimensionalidade, e não haveria resíduos de prata no lençol tal como no Sudário.

Todavia a realidade é completamente diferente

Contràriamente à assumpção do proponente, não há historicamente qualquer referencia ao desenvolvimento de técnicas fotográficas no período medieval nem há qualquer imagem fotográfica desse período, o proponente baseou-se sim em conhecimentos mais recentes, sendo certo que a lente utilizada não poderia ter sido produzida com tecnologia medieval.

O alegado corpo suspenso, entraria em decomposição durante os vários dias de exposição à luz solar!

    Também, contràriamente à imagem do Sudário que não é direccional, essa imagem é nitidamente direccional, em função da reflexão luminosa a partir da estátua, tem contornos perfeitamente definidos contrariamente à do Sudário, e embora tenha algumas características de negativo fotográfico não apresenta (nem poderia apresentar) qualquer codificação volumétrica/tridimensional.

Para além disso embora seja questionável do ponto de vista químico, que a amónia removeria «toda a prata» certamente que se o pano que empregou fosse submetido a análise por Fluorescência de RX ou Espectrometria de Massa métodos altamente sensíveis capazes d e detectar 1 parte por bilião!!! Seriam encontrados resíduos de prata!! ( no Sudário não foi detectado qualquer resíduo de prata na imagem pelos referidos métodos).

Alem disso e não menos importante, não respeita o facto de que no Sudário não há imagem sob as manchas hemáticas, o que quer dizer que a imagem se formou depois, pois aqui as «manchas sanguíneas» teriam de ser pintadas sobre a imagem!

Não nos parece pois que esta teoria tenha fundamentação científica e muito menos que as imagens obtidas sejam comparáveis à do Sudário, e há muito que foi desacreditada, pelo que convidamos os nossos leitores a julgarem por si.

 

                                          Descrição: C:\Users\Antero\Pictures\allen 1.jpg


Fig. 2- À esquerda região frontal da imagem obtida por Nicholas Allen, à direita a do Sudário, sendo nítido na primeira demarcação abrupta de contornos, áreas de iluminação direccional nomeadamente pés, o aspecto grotesco da face e a ausência de manchas sanguíneas

5.3- O «Sudário de Garlaschelli»

Por ultimo, relativamente ao famoso «sudário de Garlaschelli» este resultou de uma experiência financiada por uma associação ateísta italiana no sentido de «provar» que seria possível a um falsário medieval produzir uma imagem corporal em tecido exactamente igual à do Sudário de Turim.

Realço que o objectivo desta experiência efectuada em 2009, era desacreditar o Sudário que iria ser exibido em solene Ostensão em 2010.

Bàsicamente o método foi cobrir um voluntário utilizando uma mascara com um baixo relevo copiado da face do Sudário e na ultima experiência (houve várias tentativas com diferentes processos), foi utilizado acido sulfúrico diluído (que actuaria como oxidante da celulose do linho) misturado com azul de cobalto (posteriormente removido), pincelado sobre os relevos corporais de um voluntário coberto num lençol de linho, após o que o tecido era aquecido num forno para simular envelhecimento.

No final as manchas e trajectos sanguíneos foram pintadas por cima da imagem com uma solução aquosa de uma mistura de ocre vermelho, cinábrio e alizarina, e para completar foram efectuados buracos no tecido com uma tocha de gás (para simular as queimaduras do incêndio de Chambery de 1532)

Admitamos que as imagens são interessantes, embora a nível microscópico sejam absolutamente diferentes no aspecto de fibras, nomeadamente em termos de coloração e coalescência de fibras, já no que respeita à imagem em si, falta-lhe a gradação de cor observável na do Sudário, pois sendo uma imagem obtida por contacto (a do Sudário não o é) tem necessariamente de haver áreas imagem com transição abrupta para áreas não imagem, e além disso consoante o físico Keith Propp concluiu, utilizando um moderno programa de processamento de imagem, não tem codificação tridimensional comparável à do Sudário.

Fornecemos a imagem da face, lado a lado com a da face do Sudário de Turim, cada um, mesmo não perito em imagem que faça a sua apreciação.

 

 

                                                  Descrição: C:\Users\Antero\Pictures\garlashelli face.jpg         Descrição: C:\Users\Antero\Pictures\face shroud.jpg



Fig 3- Em cima Face do Sudário de Turim. Em baixo face do «sudário de Garlaschelli», evidente transição abrupta para zonas não imagem; as diferenças são marcadas, a nivel visual

                   Descrição: C:\Users\Antero\Pictures\garlaschelli.jpg


Fig. 4- À esquerda imagem do negativo fotográfico face do Sudário de Turim sendo aparente a gradação de tonalidades e a riqueza de pormenores, e à direita face do «sudário de Garlaschelli» com aspecto grosseiro e evidente transição abrupta para áreas não imagem (particularmente regiões das orbitas e perinasal)


Apesar da argumentação do proponente os resultados obtidos -diga-se em abono da verdade, os mais perfeitos até à presente data- são muito diferentes da imagem original todavia o problema de que no Sudário de Turim a impressão das manchas sanguíneas ter precedido a formação da imagem continua  a pôr-se, pois foram pintadas depois da obtenção da imagem.

Para terminar este assunto recordamos que no programa o Dr. Barrie Schwortz e a antropóloga forense observaram ao microscópio amostras de tecido das 3 experiências comparativamente a amostra de tecido-imagem do Sudário

Na experiência da «Reacção de Maillard» efectivamente a coloração das fibras era semelhante à das fibras do Sudário enquanto que o aspecto microscópico das outras duas era completamente diferente.

Tais dados foram-nos fornecidos pelo próprio Dr. Barrie Schwortz em e-mail pessoal

Não quer isto de forma alguma dizer que a Reacção de Maillard explica a imagem do Sudário pois apenas foi considerada a cor-há muitos outros aspectos a ter em conta nomeadamente a natureza química da coloração, a distribuição da cor em termos de localização nas fibras, superficialidade da coloração, coalescência de fibras entre outros, além disso lembramos que não foi obtida qualquer imagem, apenas uma mancha no tecido.

 

 

                                                                 

                                             CONCLUSÃO

Na nossa opinião, que é a de quem estuda o complexo tema do Santo Sudário de Turim há bastantes anos, recorrendo a estudos sérios de carácter científico bem como artigos de historiadores crediveis, este documentário, ressalvando alguns aspectos, em nada contribui para divulgação de conhecimentos fidedignos da sagrada relíquia.

Efectivamente para além de imprecisões históricas e  médico-forenses detem-se em pormenores irrelevantes como as alegadas «inscrições» no Sudário, e aborda de uma forma fugaz e pouco esclarecedora a controvérsia dos testes radiocarbono de 1988 deixando, continuar a pairar a «sombra» da datação radiocarbono, que sabemos estar já seguramente descredibilizada pelos estudos mais recentes.

 

Para agravar a situação, coloca no mesmo plano uma teoria com suporte científico ( a da reacção de Maillard) com teorias e experiências especulativas cujo denominador comum é tentar provar que o Santo Sudário de Turim foi não mais do que uma sofisticada falsificação medieval, e assim excluir qualquer ligação com o Corpo de Jesus Cristo.

Para além disso o documentário transmite a ideia de que mesmo que o Sudário fosse autêntico, a imagem nele patente seria um facto simplesmente natural, explicado cientificamente (reacção de Maillard) descartando qualquer acontecimento transcendente relacionável com a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Todavia a realidade é bem diferente pois não existe na História nem nos anais de Medicina Forense, qualquer registo de um cadáver ter produzido uma imagem no lençol que o envolvia, e muito menos uma imagem com as características macroscópicas, microscópicas físicas e químicas da imagem corporal com as marcas da Paixão , patente no tecido do Santo Sudário de Turim.

Até à presente data, com todos os conhecimentos sobre a imagem a nível microscópico, físico e químico, NÃO FOI POSSIVEL REPRODUZIR A IMAGEM DO SANTO SUDÁRIO, a qual continua a ser um foco de atracção para a verdadeira Ciência , continuando actuais as palavras do Papa S. João Paulo II «Um desafio à inteligência».

Em suma, os documentários sobre o Sudário de Turim podem ser informativos e úteis, o que não foi o caso deste, por isso a razão de ser deste trabalho.

 

 

Nota: Não sendo este um trabalho científico na acepção do termo, não foi referenciado no texto o suporte bibliográfico, todavia tudo o que se afirma está fundamentado nos vários trabalhos e artigos  mencionados nas Referências, sendo fornecido o link de acesso sempre que disponivel

 

 

 

REFERÊNCIAS

1-Adler, A.D. «Updating recent Studies on the Shroud of Turin» 1996 http://www.sindone.info/ADLER.PDF

2-Allen, Nicholas P.L. «Verification of the nature and causes of the Photo-negative Images on the Shroud of Lirey-Chambery-Turin» http://www.sunstar-solutions.com/AOP/esoteric/Images_on_the_Shroud_of_Turin.htm

3-Casabianca, T.Marinelli, E. PanegalloG. Torrisi, B.«Radiocarbon dating of the Turin Shroud: New Evidence from Raw Data Archaeometry 22 March 2019 https://doi.org/10.1111/arcm.12467

 

 

 4-Caccere, Alfonso Marinelli, Emmanuella Provera, Laura Repice, Domenico « The Mandylion in  Constantinople-Literary and Iconographic Sources» International Conference on the Shroud of Turin July 19-22 2017 TRAC Center Pasco, Washington U.S.A.

5-Courage, Anne-Laure Marion, André «Dechiphering shadow letters appearing on the Shroud» International Scientific Symposium on the Shroud of Turin, Nice May 12th-13th 1997

6-Di Lazzaro, P. Murra, D. Santoni, A. NIcholatti, E. Baldachini, G. «Shroud like cloration of Linen by Nanosecond Laser pulses in the Vacuum Ultravioelet» Enea 2012 http://opac.bologna.enea.it:8991/RT/2012/2012_16_ENEA.pdf

7-Di Lazaro, Paolo, Atkinson, Anthony Lacomussi, Paola, Riani, Marco, Ricci, Marco Wadhams, Peter «Statistical and Proactive Analysis of na Interlaboratory Comparison: The radiocarbon dating of the Shroud of Turin» Enthropy Volume 22 Issue 9  10.3390/e22090926  https://www.mdpi.com/1099-4300/22/9/926

8-Fanti, G. «Can a Corona Discharge Explain the Body Image of the Turin Shroud?» Journal of Imaging Science and Technology Volume 54 Number 2 March 2010 pp. 20508-1-20508-11 (11) https://www.ingentaconnect.com/content/ist/jist/2010/00000054/00000002/art00010

9-Fanti, Giulio Malfi,, Pierandrea Crosilla, Fabio «Mechanical and Optochemical dating of the Turin Shroud» Matec Web of Conferences 36 01001(2015) https://www.matec-conferences.org/articles/matecconf/abs/2015/17/matecconf_wopsas2015_01001/matecconf_wopsas2015_01001.html

10-Garlaschelli , Luigi «Lifesize reproduction of the Shroud of Turin and its image» Journal of Image and Technology 54(4) July 2010 Issue 4 pp. 040301-14 https://www.researchgate.net/publication/243582609_Life-Size_Reproduction_of_the_Shroud_of_Turin_and_its_Image

11-Guscin, Mark «The Inscriptions on the Shroud» 1999  https://www.shroud.com/pdfs/guscin2.pdf  

12-Heimburger, Thibault Fanti, Giulio «Scientific comparison between the Turin Shroud and the first handmade whole copy» Proceedings of the International Workshop on the Scientific approach to the Acheiropoietos Images, Enea Frascati Italy 4-6 May 2010

13-Jones, Stephen E. « My reply to Professor Nicholas Allen» November 15 2020 http://theshroudofturin.blogspot.com/2020/11/stephen-e.html

14-Rogers, Raymond N. Arnoldi, Anna «Scientific Method Applied to the Shroud of Turin» 2002 https://www.shroud.com/pdfs/rogers2.pdf

15-Rogers, Raymond N. «Pyrolysis Mass Spectrometry Applied to the Shroud of Turin» 2004  https://www.shroud.com/pdfs/rogers4.pdf

16-Rogers, Raymond N. «Studies on the radiocarbon sample from the Shroud of Turin» Thermochimica  Acta volume 425 issues 1-2 20 January Pages 189-194  https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0040603104004745?via%3Dihub  

17.Rogers, Raymond N. Arnoldi, Anna «An Amino Carbonyl Reaction May Explain the Image Formation 2003  https://www.shroud.com/pdfs/rogers7.pdf  

18-Scavone, Daniel «Greek Epitaphioi and other evidence for the Shroud in Constantinople up to 1204» https://www.shroud.com/pdfs/scavone.pdf

19-Shwortz, Barrie M. «Is the Shroud a Medieval Photograph? A critical examination of the theory» 2000 https://www.shroud.com/pdfs/orvieto.pdf

20-Schwortz, Barrie M. «Behind the scenes of a New Smithsonian Channel Shroud Documentary» 2013

21-Schwortz, Barrie M. « A brief review of the new CNN documentary and further comments on the medieval photograph theory» March 5 2015

22-Schwortz, Barrie M e-mail pessoal 07/02/2021

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Comentário do Dr.Paulo Portas sobre o Sudário na TVI-Esclarecimento de uma pseudo-polémica



 A propósito do  breve comentário do Dr. Paulo Portas sobre o Sudário, no Jornal das 8 da TVI ontem, 28 de Julho 2019, achamos necessário fazer um esclarecimento.

 Após a surpreendente!! referência da Drª Judith de Sousa sobre a questão datação do Santo Sudário, o prestigiado comentador, já no final da sua intervenção abordou o tema do Sudário realçando a posição «prudente» da Igreja que não se pronuncia relativamente ao percurso histórico da relíquia, mas incentiva o seu estudo, mencionou também a importância da mesma para os crentes  e a curiosidade suscitada para os não crentes.
Referiu  também a crença de que a relíquia seria o lençol que envolveu o Corpo de Jesus Cristo no sepulcro e o «efeito» suscitado nas pessoas pela contemplação da imagem nele patente.
Igualmente mencionou as Ostensões do Sudário e «as visitas» ao mesmo dos Papas João Paulo II e Bento XVI.

Todavia o aspecto da sua comunicação que realço, e que paradoxalmente suscitou controvérsia infundada, foi o facto de ter afirmado que um estudo da revista «Archeometry» desta mesma semana «vem pôr em causa a ideia que o Santo Sudário era do século XIII e portanto não poderia ter relação com a idade de Cristo».
Dado ter recebido vários telefonemas de pessoas com dúvidas quanto ao significado da afirmação e que inclusivamente perceberam o contrário!!!do que o seu autor pretendia transmitir,  talvez porque o comentário foi muito rápido, sinto-me na obrigação de fazer um esclarecimento.

Efectivamente o Dr. Paulo Portas quis dizer que o dito estudo da autoria de prestigiados académicos como Tristan Casabianca, Emmanuella Marinelli e do Professor  Benedetto Torrisi (Professor universitário da Universidade de Catânia e perito em análise estatística), publicado efectivamente em 22 de Março deste ano na revista científica Archaeometry e que analisa os sub-resultados da datação radiocarbono da amostra que foi fornecida ao Laboratório de Oxford em 1988 questiona e refuta a validade dos anteriores testes de radiocarbono de 1988 que dataram uma amostra do tecido do Sudário do século XIII (datação média).
Os autores concluem efectivamente que os resultados demonstram inhomegeneidade portanto a amostra não é válida e a validade da datação radiocarbono de 1988 deverá ser reconsiderada.
Fornecemos o link para o Abstract do referido trabalho  https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/arcm.12467 

De louvar a iniciativa do Dr. Paulo Portas de trazer ao conhecimento do grande público um tema tão importante como desconhecido para a maioria dos telespectadores, e sobretudo por ter realçado informação cientifica fidedigna a questionar a validade dos testes radiocarbono 1988, contrariamente a outros que fixando-se nos desacreditados testes e dolosamente «ignorando» novos estudos , tentam com isso desacreditar a autenticidade do Sudário de Turim.
Todavia sabemos que já desde 2005 a validade dos testes radiocarbono de 1988 que dataram a amostra recolhida do Sudário no período medieval (1260-1390) foi contestada pelo importantíssimo trabalho do termoquímico americano Professor Raymond Rogers, o que foi  confirmado posteriormente por outros investigadores, e inclusivamente em 2013  uma equipe liderada pelo físico do Departamento de Engenharia da Universidade de Pádua, Professor Giulio Fanti aplicou novos métodos de datação de têxteis em material remanescente da colheita da dita amostra, concluindo que o tecido do Sudário era datado 280 A.C. a 220 A.D. portanto poderia ser da época de Cristo mas NUNCA do período medieval.- convidamos os nossos leitores a revisitarem o artigo deste Blog de 29/07/2013 «Novo Método de datação de tecidos aplicado ao Sudário de Turim».
Ainda mais recentemente, em 23 de Maio ultimo um grupo de cientistas italianos coordenados pelo já referido perito em estatística Professor Benedetto Torrisi, num simposium patrocinado pela Universidade de Catânia-Itália  re-analisou os sub- resultados da datação radiocarbono dos diversos laboratórios em 1988 e o que afrmou em entrevista, e transcrevemos  no original é:
 «È tutto da rifare. C'è la piena certezza che la Sindone non risale al Medioevo»,
Ou seja afirma categoricamente que os testes radiocarbono  deverão ser repetidos e HÁ PLENA CERTEZA QUE O SUDÁRIO NÃO É DA IDADE MÉDIA.

Pensamos haver já um manancial de informação de caracter científico que nos permite afirmar com legitimidade de que OS TESTES RADIOCARBONO DE 1988 EFECTUADOS NUMA AMOSTRA DE TECIDO DO SUDÁRO DE TURIM* SÃO INVÁLIDOS, e questionar a autenticidade do Santo Sudário com base nos desacreditados testes de radiocarbono 1988 demonstra uma ignorância dos desenvolvimentos científicos.

*Nota: recordamos que a amostra de tecido recolhida do Sudário em 1988 foi dividida pelos três laboratórios-Oxford,  Zurich e Arizona

                                    Antero de Frias Moreira