Novos dados sobre as
Manchas Sanguineas nas áreas Imagem?-Uma opinião pessoal sobre potenciais
controvérsias
Antero de Frias Moreira*
*Médico, Membro Executivo do Centro Português de Sindonologia
Resumo:
Tem sido admitido desde há mais de 40 anos como um facto
incontestável que as manchas sanguíneas patentes no Sudário de Turim precederam
a formação da Imagem, e quando patentes em áreas de imagem corporal, impediram
que as fibras de linho sob as mesmas fossem afectadas quimicamente pelo que
quer que tenha produzido a imagem corporal.
Este aspecto por si só inviabiliza qualquer teoria de
produção artística humana da imagem corporal.
É analisado um recente estudo laboratorial sobre este tema,
sendo concluído que os seus resultados não podem ser extrapolados para o Santo
Sudário pois as experiências laboratoriais são certamente distintas do que
aconteceu no pano de linho do Sudário. Portanto continua válida a afirmação de
que as Manchas Sanguineas precederam a formação da Imagem, impediram a
coloração das fibras de linho infrajacentes e o que produziu a Imagem é um
mistério do ponto de vista científco.
Palavras-chave: Manchas Sanguíneas; Imagem; Sudário; Radiação;
Ultra-Violeta/u.v.; Proteases; Coloração
Abstract:
Since about 40 years ago it has been admitted as an
unassailable fact that the bloodstains on the Shroud of Turin preceded the
image production, and when located on bodily image áreas, precluded the
underneath linen fibers to be chemically disturbed by whatever produced the body
image.
This fact by himself precludes any human artistic production
theory of the body image.
A recent laboratory experiments study paper on this subject
is analyzed and our conclusion is that its results and conclusions cannot be
applied on the Holy Shroud because lab experiments are surely different from
what happened with the linen fabric of the Shroud.
Thus the claim that Bloodstains preceded Image production and
precluded chemical fiber coloration of underneath fibers still stands, and
whatever produced the Image is still a mystery from a scientific viewpoint.
Keywords: Bloodstains; Image; Shroud; Radiation; Ultra-Violet/u.v.;
Proteases; Coloration
Introdução:
Segundo os estudos do bioquímico Professor Alan Adler (1) (2)
há mais de 40 anos, que trabalhou com amostras de superfície do Sudário, foram
estudadas fibras de linho do Sudário com material hemático provenientes de área
de Imagem.
As mesmas foram submetidas à acção de enzimas proteolíticas,(1)(2)(10)(11)
as quais rapidamente dissolveram o material hemático, deixando a descoberto
fibras com superfície regular e não coloridas consoante observação com
microscópio de contraste de fase, contrariamente às fibras imagem que tem a
superfície enrugada e cor amarelada, que como é sabido resulta de(1)(2)(11)
reacções de desidratação, oxidação e conjugação com formação de grupos químicos
carbonilo com ligações duplas dos átomos de carbono.
Ora este facto é da maior importância, pois permite concluir
(1)(2)(14)(17) que as manchas sanguíneas foram transpostas para o tecido antes
da formação da imagem (por contacto com os coágulos na superfície corporal resultantes
das lesões infligidas), e a Imagem corporal produziu-se posteriormente.
Além disso as manchas sanguíneas funcionaram como obstáculo(1)(2)(9)(14)(17)
ao que quer que tenha produzido a Imagem corporal (energia radiante?) pois não
se verificou alteração das fibras sob as mesmas, as quais apresentam o aspecto
de fibras não imagem.
Estes achados, por si só inviabilizam qualquer teoria de
produção artística humana do Sudário.
As dúvidas:
Como habitualmente os «cépticos» procuraram desvalorizar estes
achados para dar sustentação a teorias de elaboração artística da Imagem do
Sudário que necessariamente implicavam que as «manchas sanguíneas» fossem adicionadas
sobre a imagem corporal, e especularam entre outras:
1-No caso de produção da imagem por ácido, (por exemplo no
«Sudário» de Garlaschelli) que o sangue teria componentes que anulariam a
coloração produzida por ácido nas fibras de linho, raciocínio idêntico no caso
da teoria da famosa protofotografia de Nicholas Allen
2-Que no estudo efectuado pelo Professor Alan Adler o
material hemático teria sido recolhido de uma zona onde apenas existiriam
fibras não coloridas.
Recentemente o eminente investigador americano, o
imunologista Dr. Kelly Kearse elaborou um complexo trabalho laboratorial(12) no
sentido de tentar esclarecer a situação intitulado «The Sequential Addition of
Blood and Image to the Shroud of Turin», também recorrendo ao conceito que as
reacções fotoquímicas responsáveis pela coloração das fibras imagem do Sudário
poderiam ser produzidas por radiação Ultra-Violeta, segundo os parâmetros da
investigação do físico italiano Professor Paolo Di Lazzaro e colaboradores do
instituto de novas tecnologias ENEA no seu trabalho «Deep Ultra-Violet
Radiation Simulates the Turin Shroud Image»(4)(5)(6) e vários outras
publicações científicas.
Estes investigadores conseguiram obter em laboratório por
acção de Lasers Ultra-Violetas coloração em fibras de linho com características
muito semelhantes às do Sudário de Turim nomeadamente tonalidade colorimétrica
e superficialidade da coloração (mas não reproduziram a Imagem do Sudário).
Estudo do Dr. Kelly
Kearse «The Sequential Addition of Blood and Image to the Shroud of Turin»(12)
Trata-se de um trabalho laboratorial muito complexo e
rigoroso do ponto de vista metodológico e técnico, pelo que de forma alguma
poderemos abordar todos os aspectos metodológicos e técnicos, indo realçar o que
nos parece mais pertinente dos seus resultados e conclusões:
No que respeita a coloração de linho por ácido (foi utilizado
ácido clorídrico),quando aplicado sangue sobre linho nessas condições e
removido com enzimas proteolíticas (proteases) a coloração desaparece devido ao
efeito tampão de componentes do sangue.
Relativamente a uma situação análoga à da experiência da
protofotografia de Nicholas Allen (3)(cit in 15) foi colocado sobre tecido de
linho nitrato de prata e sujeito a acção solar, sendo depois removido com
hidróxido de amónio.
A coloração do tecido infrajacente ao nitrato de prata no
qual se aplicava sangue depois removido por proteases igualmente ficava algo
descolorida presumivelmente devido à acção de aminoácidos sulfurados do sangue
como a cisteína e methionina.
Quanto à utilização de Lasers de Ultra Violetas foi
constatado o seguinte:
A energia total dos impulsos (designada por fluência) era determinante
na produção de coloração imediata ou latente (neste caso a amostra tinha que
ser submetida a acção térmica para evidenciar a cor macroscòpicamente).
Todavia energias que produziam coloração imediata foram
excluídas das experiências pois vaporizavam o sangue aplicado sobre as amostras
de tecido(6).
Foi utilizado dispositivo de Laser ArF comprimento de onda
193 nm e uma fluência inferior a 16.8 J/cm2 portanto produtora de coloração
latente.
Como resultado foi constatado:
Depois de aplicada radiação ultra-violeta na amostra de linho,
e despertada a coloração por acção térmica, se fosse colocado sangue sobre a
mesma e posteriormente removido por proteases, a coloração mantinha-se.
Noutras experiências foram colocados sangue e soro sobre
amostras de tecido as quais depois eram irradiadas, e posteriormente o sangue e
o soro foram removidos por enzimas proteolíticas.
Nestas experiências foi constatado que no caso do sangue se
verificava uma ténue coloração do linho enquanto que no caso do soro se
verificava uma coloração idêntica à das amostras de linho irradiadas.
Foi portanto concluído que o material hemático sobreposto ao
linho não o protege dos efeitos da radiação ultra-violeta.
Na discussão do trabalho o Dr. Kelly Kearse afirma «Obviously
it is impossible to say with scientific certainty which came first on the
Shroud the blood or the image», traduzindo, «obviamente é impossível dizer com
certeza científica o que se produziu primeiro no Sudário, o sangue ou a imagem»,
e posteriormente «We are not the conclusion we are composing pieces of a
fascinating and complex scientific puzzle» traduzindo, «nós não somos a
conclusão nós somos as peças da composição de um complexo puzzle científico»,
admitindo que haverá muito trabalho a realizar para aumentar a nossa
compreensão sobre as enigmáticas propriedades desse tecido (do Sudário de Turim
òbviamente).
Discussão/Reflexão pessoal sobre
este trabalho
Como foi realçado pelos estudos do bioquímico Professor Alan
Adler envolvendo acção de proteases em fibras contendo material hemático
provenientes de áreas imagem, após cerca
de 20 minutos de actuação, essas fibras
apresentam um aspecto idêntico às fibras não imagem, portanto ausência de
coloração e superfície lisa, o que foi verificado com microscópio de luz
polarizada(1)(2)(9).
Foi concluído portanto que as manchas sanguíneas que foram
transpostas para o tecido são exsudados de coágulos, e se formaram antes da
imagem corporal, o que tem toda a lógica pois o Homem do Sudário (que tudo
indica ser Jesus Cristo) foi envolvido no lençol funerário, os coágulos à
superfície das lesões corporais entraram em contacto com o tecido, e
posteriormente o Seu corpo deixou de ocupar volume dentro do lençol tendo-se
então produzido a Imagem corporal da região ventral e dorsal do Seu corpo, por
um processo ainda desconhecido, mas que muitos investigadores, nomeadamente o
físico Professor Thomas McAvoy (13) admite ter sido uma forma de radiação.
Assim todas as formas artísticas/artificiais de produção da
Imagem, nomeadamente todas as tentativas de reprodução do Sudário de Turim
colidem com a dificuldade de não ser possível colocar no tecido manchas
sanguíneas antes da elaboração da imagem, pois não haveria pontos de referência.
Não é minha intenção questionar a competência científica do
autor do trabalho em análise, o Dr. Kelly Kearse é um imunologista de elevada
craveira académica, o estudo foi realizado com extraordinário rigor
metodológico e técnico, mas parece-me que afirmar «é importante enfatizar desde
o princípio que a intenção deste estudo não foi refutar ou promover pontos de
vista de autenticidade ou não autenticidade da origem do Sudário de Turim» NÃO
CORRESPONDE AO QUE O ARTIGO EFECTIVAMENTE TRANSMITE.
É nossa opinião pessoal
que de uma forma indirecta e encapotada é posta em causa a autenticidade do
Sudário deixando em aberto a possibilidade de o Santo Sudário poder ser uma
elaboração artística humana.
Assim vejamos:
1-A amostra de estudo do Professor Alan Adler ter sido
recolhida de uma área de fibras não coloridas:
É um absurdo admitir sequer opinião de cépticos que o
material hemático analizado pelo Professor Alan Adler tivesse sido obtido de
uma zona de fibras não coloridas, pois há múltiplas microfotografias de zonas
de imagem onde se observa sempre fibras coloridas lado a lado com fibras não
coloridas, sendo a tonalidade macroscópica da imagem função do número de fibras
coloridas por unidade de superfície.
2-Abolição ou atenuação da coloração de fibras por componentes
hemáticos:
A coloração obtida por ácido-neste caso ácido sulfúrico
diluído num corante azul de cobalto, reportando-se à fracassada tentativa de
reprodução do Sudário em 2009 pelo químico Dr. Luigi Garlaschelli numa experiência
patrocinada por uma associação ateísta(8).
Essa tentativa foi desmistificada (10), pois entre outros
factos a nível microscópico a coloração das fibras é completamente diferente
das fibras do Sudário, trata-se de uma imagem de contacto com um baixo relevo a
nível facial, e na restante superfície corporal obtido por processo de
«frottage» (recordamos que a Imagem do Sudário não é uma imagem de contacto)
não apresenta características tridimensionais idênticas ao Sudário, e as
manchas sanguíneas foram pintadas sobre a imagem com pigmento ocre vermelho
cinábrio e alizarina.
Além disso nas experiências laboratoriais, as condições de
experimentação do autor no que respeita ao sangue não são idênticas ao sangue
do Homem do Sudário pois neste caso devido ao elevado stress traumático este
estaria em estado de acidose metabólica e respiratória e presumível
insuficiência renal, portanto os sistemas tampão do sangue destinados a manter
o Ph entre 7,35-7.45, nomeadamente o bicarbonato estaria exaurido.
No que respeita à experiência da «Protofotografia»? Do Dr.
Nicholas Allen (3), ela já foi devidamente escrutinada e refutada, nomeadamente
pelo perito em imagem Dr. Barrie Schwortz (16) (17) entre outos aspectos a
imagem obtida é direccional (a Imagem do Sudário é não-direccional) e tem
contornos perfeitamente definidos, contrariamente à imagem do Sudário de Turim
e não tem as características tridimensionais da imagem sindónica.
Além disso seria impossível remover toda a prata pela
«lavagem» com hidróxido de amónio, o que obviamente teria sido detectado pelos
estudos de Fluorescência de RX da equipe STuRP.
Portanto na nossa
opinião o facto de ser concluído que o sangue teria um efeito de atenuação da
cor residual no tecido não faz qualquer sentido ser considerada, até porque
está a valorizar especulações de elaboração artística há muito tempo refutadas.
3-Energia Radiante:
No estudo é implícito que a radiação u.v. com as
características consideradas transmitiria energia ao tecido de linho para
produção do efeito fotoquímico com a consequente produção da imagem tal como
«teria ocorrido no Sudário de Turim».
Relativamente à irradiação de amostras de tecido de linho com
Laser U.V. com parâmetros produzindo uma coloração latente, no post irradiação,
a coloração só era aparente com iluminação u.v., e para a tornar aparente à luz
natural as amostras tinham de ser submetidas a aquecimento durante um período
de tempo.
Foi concluído que a coloração obtida não era alterada pela
sobreposição de sangue após remoção proteolítica do mesmo.
Também foi concluído que a irradiação de material hemático e
de soro sobrepostos em amostras de tecido, após a sua remoção pelas enzimas
proteolíticas evidencia alguma coloração do tecido, mais intensa no caso do
soro.
Estes achados foram observados por microscopia, no entanto
não é claro se fibras individuais foram estudadas por microscopia de contraste
de fase, como no prévio estudo do Professor Alan Adler.
Uma questão pertinente poderia ser colocada:
O sangue utilizado foi recolhido de voluntários sãos,
enquanto que o material hemático das manchas sanguíneas do Sudário tem um
elevado teor de bilirrubina não conjugada (resultante do catabolismo do grupo
Heme da hemoglobina dos glóbulos rubros lisados por stress oxidativo e
traumático).
Poderia o elevado teor de bilirrubina condicionar diferentes
resultados particularmente no que respeita ao efeito de vaporização do sangue
(e mesmo do impedimento de coloração de fibras infrajacentes às manchas
hemáticas?) quanto à utilização de Lasers produzindo imediata coloração das
amostras de linho?
Segundo amavelmente nos esclareceu o Professor Paolo Di
Lazzaro,(7) no sangue a hemoglobina absorve praticamente toda a energia dos
fotons u.v.com comprimentos de onda entre os 200-400 nm, portanto a bilirrubina
embora afectada pelos raios u.v. não modificaria os resultados
significativamente, nomeadamente em termos de efeito de vaporização do sangue.
Como súmula, é nossa opinião que foram consideradas no estudo
em análise condições de produção artística da Imagem já amplamente refutadas
por estudos científicos e concerteza as amostras de tecido de linho utilizadas
diferem do linho do Sudário que teria sido preparado segundo os costumes do
século I.
Além disso as condições em que se transpuseram para o tecido
do Sudário as manchas sanguíneas são completamente diferentes dos processos
laboratoriais utilizados.
Mas talvez mais importante é o facto que cientificamente não
sabe o que promoveu o efeito energético no tecido que selectivamente produziu
reacções químicas numa fina camada de natureza polissacaridica envolvendo as
fibras mais superficiais dos fios com desenvolvimento de cor amarelada, (1)(2)(9)(11)
produzindo macroscopicamente aquela enigmática imagem da região ventral e
dorsal do Crucificado.
Embora como dissemos parte da comunidade cientifica admita
que a Imagem do Sudário possa ter sido formada por um processo de Radiação, não nos parece de modo algum que possamos
extrapolar para o Sudário os resultados obtidos no estudo em análise, a partir
de um determinado tipo de radiação , neste caso Ultra-Violeta com parâmetros
definidos, e muito menos tirar conclusões e aplica-las ao Sudário.
De referir que o autor do estudo em análise escreveu em 23 de
Novembro de 2013 num comentário no antigo blog de discussão cientifica do
Sudário «Shroud of Turin Blog» citando uma passagem do livro do Professor
Frederick Zugibe:
Dr. Rogers
looked directly at serum flows under magnification and observed no image color
under them, and Don Janney, also of the STURP team, did RGB image enhancement
of photographs of serum flows and concluded that there was no image under
them.”
Traduzindo «Dr. Rogers olhando directamente nos trajectos de
soro sob ampliação não observou coloração de imagem sob eles e Don Janney,
também da equipe STURP realizou realce RGB* de imagem de fotografias de
trajectos de soro e concluiu que não havia imagem sob eles»
*Nota do autor Red Green Blue
CONCLUSÃO
Sem dúvida que o trabalho em análise é de excelente qualidade
metodológico-científica, e concordamos plenamente com a afirmação «we are not
the conclusion».
Efectivamente os
materiais utilizados e os métodos seguidos não podem de forma alguma ser
extrapolados para o que aconteceu e foi observado no Santo Sudário de Turim e
na nossa opinião devemos sim confiar nas observações e conclusões de cientistas
honestos que trabalharam directamente com material proveniente do Sudário como
foi o caso dos cientistas da equipe STuRP e do bioquímico Professor Alan Adler.
Assim continua
inabalável a noção de que as manchas sanguineas no Sudário foram transpostas
para o tecido antes da formação da imagem e impediram qualquer efeito
energético nas fibras de linho sob elas.
Este é um facto que por
si só descarta a possibilidade de elaboração artística humana da Imagem patente
no Santo Sudário de Turim.
Continua válida a
afirmação contida no sumário das conclusões da equipe STuRP(15):
«Portanto a resposta à
questão como a imagem foi produzida ou o que produziu a imagem, permanece agora
e como foi no passado um mistério».
Agradecimentos :Agradeço ao Professor Paolo Di
Lazzaro a sua pronta disponibilidade para nos esclarecer algumas dúvidas, e à
minha mulher Maria da Glória as suas sugestões e revisão do texto.
REFERÊNCIAS:
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Turin" (.pdf format) [34k] [June 1999] (From the 1999 Richmond
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Shroud Fabric and the Body Image:Chemical and Physical Characteristics , «The
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Causes of the Photo-negative Images on the Shroud of Lirey-Chambery-Turin [1995] (Illustrated) NOTE:
This link is to a text only version of this paper. The original link is no
longer available. Link updated 24 OCT 2013.
https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/00043389.1995.11761214
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[July/August 2010] Volume 54, Issue 4, pp. 040302-(6) (Full Article)
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