segunda-feira, 21 de setembro de 2026

NOVOS DADOS SOBRE AS MANCHAS SANGUÍNEAS NAS ÁREAS IMAGEM ? - UMA OPINIÃO PESSOAL SOBRE POTENCIAIS CONTROVÉRSIAS

 

Novos dados sobre as Manchas Sanguineas nas áreas Imagem?-Uma opinião pessoal sobre potenciais controvérsias

 

 

Antero de Frias Moreira*

*Médico, Membro Executivo do Centro Português de Sindonologia

 

 

Resumo:

Tem sido admitido desde há mais de 40 anos como um facto incontestável que as manchas sanguíneas patentes no Sudário de Turim precederam a formação da Imagem, e quando patentes em áreas de imagem corporal, impediram que as fibras de linho sob as mesmas fossem afectadas quimicamente pelo que quer que tenha produzido a imagem corporal.

Este aspecto por si só inviabiliza qualquer teoria de produção artística humana da imagem corporal.

É analisado um recente estudo laboratorial sobre este tema, sendo concluído que os seus resultados não podem ser extrapolados para o Santo Sudário pois as experiências laboratoriais são certamente distintas do que aconteceu no pano de linho do Sudário. Portanto continua válida a afirmação de que as Manchas Sanguineas precederam a formação da Imagem, impediram a coloração das fibras de linho infrajacentes e o que produziu a Imagem é um mistério do ponto de vista científco.

 

Palavras-chave: Manchas Sanguíneas; Imagem; Sudário; Radiação; Ultra-Violeta/u.v.; Proteases; Coloração

 

 

Abstract:

Since about 40 years ago it has been admitted as an unassailable fact that the bloodstains on the Shroud of Turin preceded the image production, and when located on bodily image áreas, precluded the underneath linen fibers to be chemically disturbed by whatever produced the body image.

This fact by himself precludes any human artistic production theory of the body image.

A recent laboratory experiments study paper on this subject is analyzed and our conclusion is that its results and conclusions cannot be applied on the Holy Shroud because lab experiments are surely different from what happened with the linen fabric of the Shroud.

Thus the claim that Bloodstains preceded Image production and precluded chemical fiber coloration of underneath fibers still stands, and whatever produced the Image is still a mystery from a scientific viewpoint.

 

Keywords: Bloodstains; Image; Shroud; Radiation; Ultra-Violet/u.v.; Proteases; Coloration

 

 

Introdução:

 

Segundo os estudos do bioquímico Professor Alan Adler (1) (2) há mais de 40 anos, que trabalhou com amostras de superfície do Sudário, foram estudadas fibras de linho do Sudário com material hemático provenientes de área de Imagem.

As mesmas foram submetidas à acção de enzimas proteolíticas,(1)(2)(10)(11) as quais rapidamente dissolveram o material hemático, deixando a descoberto fibras com superfície regular e não coloridas consoante observação com microscópio de contraste de fase, contrariamente às fibras imagem que tem a superfície enrugada e cor amarelada, que como é sabido resulta de(1)(2)(11) reacções de desidratação, oxidação e conjugação com formação de grupos químicos carbonilo com ligações duplas dos átomos de carbono.

 

Ora este facto é da maior importância, pois permite concluir (1)(2)(14)(17) que as manchas sanguíneas foram transpostas para o tecido antes da formação da imagem (por contacto com os coágulos na superfície corporal resultantes das lesões infligidas), e a Imagem corporal produziu-se posteriormente.

Além disso as manchas sanguíneas funcionaram como obstáculo(1)(2)(9)(14)(17) ao que quer que tenha produzido a Imagem corporal (energia radiante?) pois não se verificou alteração das fibras sob as mesmas, as quais apresentam o aspecto de fibras não imagem.

Estes achados, por si só inviabilizam qualquer teoria de produção artística humana do Sudário.

 

As dúvidas:

Como habitualmente os «cépticos» procuraram desvalorizar estes achados para dar sustentação a teorias de elaboração artística da Imagem do Sudário que necessariamente implicavam que as «manchas sanguíneas» fossem adicionadas sobre a imagem corporal, e especularam entre outras:

1-No caso de produção da imagem por ácido, (por exemplo no «Sudário» de Garlaschelli) que o sangue teria componentes que anulariam a coloração produzida por ácido nas fibras de linho, raciocínio idêntico no caso da teoria da famosa protofotografia de Nicholas Allen

2-Que no estudo efectuado pelo Professor Alan Adler o material hemático teria sido recolhido de uma zona onde apenas existiriam fibras não coloridas.

 

Recentemente o eminente investigador americano, o imunologista Dr. Kelly Kearse elaborou um complexo trabalho laboratorial(12) no sentido de tentar esclarecer a situação intitulado «The Sequential Addition of Blood and Image to the Shroud of Turin», também recorrendo ao conceito que as reacções fotoquímicas responsáveis pela coloração das fibras imagem do Sudário poderiam ser produzidas por radiação Ultra-Violeta, segundo os parâmetros da investigação do físico italiano Professor Paolo Di Lazzaro e colaboradores do instituto de novas tecnologias ENEA no seu trabalho «Deep Ultra-Violet Radiation Simulates the Turin Shroud Image»(4)(5)(6) e vários outras publicações científicas.

Estes investigadores conseguiram obter em laboratório por acção de Lasers Ultra-Violetas coloração em fibras de linho com características muito semelhantes às do Sudário de Turim nomeadamente tonalidade colorimétrica e superficialidade da coloração (mas não reproduziram a Imagem do Sudário).

 

 

Estudo do Dr. Kelly Kearse «The Sequential Addition of Blood and Image to the Shroud of Turin»(12)

 

Trata-se de um trabalho laboratorial muito complexo e rigoroso do ponto de vista metodológico e técnico, pelo que de forma alguma poderemos abordar todos os aspectos metodológicos e técnicos, indo realçar o que nos parece mais pertinente dos seus resultados e conclusões:

 

No que respeita a coloração de linho por ácido (foi utilizado ácido clorídrico),quando aplicado sangue sobre linho nessas condições e removido com enzimas proteolíticas (proteases) a coloração desaparece devido ao efeito tampão de componentes do sangue.

Relativamente a uma situação análoga à da experiência da protofotografia de Nicholas Allen (3)(cit in 15) foi colocado sobre tecido de linho nitrato de prata e sujeito a acção solar, sendo depois removido com hidróxido de amónio.

A coloração do tecido infrajacente ao nitrato de prata no qual se aplicava sangue depois removido por proteases igualmente ficava algo descolorida presumivelmente devido à acção de aminoácidos sulfurados do sangue como a cisteína e methionina.

 

Quanto à utilização de Lasers de Ultra Violetas foi constatado o seguinte:

 

A energia total dos impulsos (designada por fluência) era determinante na produção de coloração imediata ou latente (neste caso a amostra tinha que ser submetida a acção térmica para evidenciar a cor macroscòpicamente).

Todavia energias que produziam coloração imediata foram excluídas das experiências pois vaporizavam o sangue aplicado sobre as amostras de tecido(6).

Foi utilizado dispositivo de Laser ArF comprimento de onda 193 nm e uma fluência inferior a 16.8 J/cm2 portanto produtora de coloração latente.

Como resultado foi constatado:

Depois de aplicada radiação ultra-violeta na amostra de linho, e despertada a coloração por acção térmica, se fosse colocado sangue sobre a mesma e posteriormente removido por proteases, a coloração mantinha-se.

Noutras experiências foram colocados sangue e soro sobre amostras de tecido as quais depois eram irradiadas, e posteriormente o sangue e o soro foram removidos por enzimas proteolíticas.

Nestas experiências foi constatado que no caso do sangue se verificava uma ténue coloração do linho enquanto que no caso do soro se verificava uma coloração idêntica à das amostras de linho irradiadas.

Foi portanto concluído que o material hemático sobreposto ao linho não o protege dos efeitos da radiação ultra-violeta.

 

Na discussão do trabalho o Dr. Kelly Kearse afirma «Obviously it is impossible to say with scientific certainty which came first on the Shroud the blood or the image», traduzindo, «obviamente é impossível dizer com certeza científica o que se produziu primeiro no Sudário, o sangue ou a imagem», e posteriormente «We are not the conclusion we are composing pieces of a fascinating and complex scientific puzzle» traduzindo, «nós não somos a conclusão nós somos as peças da composição de um complexo puzzle científico», admitindo que haverá muito trabalho a realizar para aumentar a nossa compreensão sobre as enigmáticas propriedades desse tecido (do Sudário de Turim òbviamente).

 

 

                             Discussão/Reflexão pessoal sobre este trabalho

 

Como foi realçado pelos estudos do bioquímico Professor Alan Adler envolvendo acção de proteases em fibras contendo material hemático provenientes de áreas imagem,  após cerca de 20 minutos de actuação,  essas fibras apresentam um aspecto idêntico às fibras não imagem, portanto ausência de coloração e superfície lisa, o que foi verificado com microscópio de luz polarizada(1)(2)(9).

Foi concluído portanto que as manchas sanguíneas que foram transpostas para o tecido são exsudados de coágulos, e se formaram antes da imagem corporal, o que tem toda a lógica pois o Homem do Sudário (que tudo indica ser Jesus Cristo) foi envolvido no lençol funerário, os coágulos à superfície das lesões corporais entraram em contacto com o tecido, e posteriormente o Seu corpo deixou de ocupar volume dentro do lençol tendo-se então produzido a Imagem corporal da região ventral e dorsal do Seu corpo, por um processo ainda desconhecido, mas que muitos investigadores, nomeadamente o físico Professor Thomas McAvoy (13) admite ter sido uma forma de radiação.

Assim todas as formas artísticas/artificiais de produção da Imagem, nomeadamente todas as tentativas de reprodução do Sudário de Turim colidem com a dificuldade de não ser possível colocar no tecido manchas sanguíneas antes da elaboração da imagem, pois não haveria pontos de referência.

Não é minha intenção questionar a competência científica do autor do trabalho em análise, o Dr. Kelly Kearse é um imunologista de elevada craveira académica, o estudo foi realizado com extraordinário rigor metodológico e técnico, mas parece-me que afirmar «é importante enfatizar desde o princípio que a intenção deste estudo não foi refutar ou promover pontos de vista de autenticidade ou não autenticidade da origem do Sudário de Turim» NÃO CORRESPONDE AO QUE O ARTIGO EFECTIVAMENTE TRANSMITE.

É nossa opinião pessoal que de uma forma indirecta e encapotada é posta em causa a autenticidade do Sudário deixando em aberto a possibilidade de o Santo Sudário poder ser uma elaboração artística humana.

 

Assim vejamos:

1-A amostra de estudo do Professor Alan Adler ter sido recolhida de uma área de fibras não coloridas:

É um absurdo admitir sequer opinião de cépticos que o material hemático analizado pelo Professor Alan Adler tivesse sido obtido de uma zona de fibras não coloridas, pois há múltiplas microfotografias de zonas de imagem onde se observa sempre fibras coloridas lado a lado com fibras não coloridas, sendo a tonalidade macroscópica da imagem função do número de fibras coloridas por unidade de superfície.

 

2-Abolição ou atenuação da coloração de fibras por componentes hemáticos:

A coloração obtida por ácido-neste caso ácido sulfúrico diluído num corante azul de cobalto, reportando-se à fracassada tentativa de reprodução do Sudário em 2009 pelo químico Dr. Luigi Garlaschelli numa experiência patrocinada por uma associação ateísta(8).

Essa tentativa foi desmistificada (10), pois entre outros factos a nível microscópico a coloração das fibras é completamente diferente das fibras do Sudário, trata-se de uma imagem de contacto com um baixo relevo a nível facial, e na restante superfície corporal obtido por processo de «frottage» (recordamos que a Imagem do Sudário não é uma imagem de contacto) não apresenta características tridimensionais idênticas ao Sudário, e as manchas sanguíneas foram pintadas sobre a imagem com pigmento ocre vermelho cinábrio e alizarina.

 

Além disso nas experiências laboratoriais, as condições de experimentação do autor no que respeita ao sangue não são idênticas ao sangue do Homem do Sudário pois neste caso devido ao elevado stress traumático este estaria em estado de acidose metabólica e respiratória e presumível insuficiência renal, portanto os sistemas tampão do sangue destinados a manter o Ph entre 7,35-7.45, nomeadamente o bicarbonato estaria exaurido.

 

No que respeita à experiência da «Protofotografia»? Do Dr. Nicholas Allen (3), ela já foi devidamente escrutinada e refutada, nomeadamente pelo perito em imagem Dr. Barrie Schwortz (16) (17) entre outos aspectos a imagem obtida é direccional (a Imagem do Sudário é não-direccional) e tem contornos perfeitamente definidos, contrariamente à imagem do Sudário de Turim e não tem as características tridimensionais da imagem sindónica.

Além disso seria impossível remover toda a prata pela «lavagem» com hidróxido de amónio, o que obviamente teria sido detectado pelos estudos de Fluorescência de RX da equipe STuRP.

 

Portanto na nossa opinião o facto de ser concluído que o sangue teria um efeito de atenuação da cor residual no tecido não faz qualquer sentido ser considerada, até porque está a valorizar especulações de elaboração artística há muito tempo refutadas.

 

 

3-Energia Radiante:

 

No estudo é implícito que a radiação u.v. com as características consideradas transmitiria energia ao tecido de linho para produção do efeito fotoquímico com a consequente produção da imagem tal como «teria ocorrido no Sudário de Turim».

 

Relativamente à irradiação de amostras de tecido de linho com Laser U.V. com parâmetros produzindo uma coloração latente, no post irradiação, a coloração só era aparente com iluminação u.v., e para a tornar aparente à luz natural as amostras tinham de ser submetidas a aquecimento durante um período de tempo.

Foi concluído que a coloração obtida não era alterada pela sobreposição de sangue após remoção proteolítica do mesmo.

Também foi concluído que a irradiação de material hemático e de soro sobrepostos em amostras de tecido, após a sua remoção pelas enzimas proteolíticas evidencia alguma coloração do tecido, mais intensa no caso do soro.

Estes achados foram observados por microscopia, no entanto não é claro se fibras individuais foram estudadas por microscopia de contraste de fase, como no prévio estudo do Professor Alan Adler.

 

Uma questão pertinente poderia ser colocada:

O sangue utilizado foi recolhido de voluntários sãos, enquanto que o material hemático das manchas sanguíneas do Sudário tem um elevado teor de bilirrubina não conjugada (resultante do catabolismo do grupo Heme da hemoglobina dos glóbulos rubros lisados por stress oxidativo e traumático).

Poderia o elevado teor de bilirrubina condicionar diferentes resultados particularmente no que respeita ao efeito de vaporização do sangue (e mesmo do impedimento de coloração de fibras infrajacentes às manchas hemáticas?) quanto à utilização de Lasers produzindo imediata coloração das amostras de linho?

Segundo amavelmente nos esclareceu o Professor Paolo Di Lazzaro,(7) no sangue a hemoglobina absorve praticamente toda a energia dos fotons u.v.com comprimentos de onda entre os 200-400 nm, portanto a bilirrubina embora afectada pelos raios u.v. não modificaria os resultados significativamente, nomeadamente em termos de efeito de vaporização do sangue.

 

Como súmula, é nossa opinião que foram consideradas no estudo em análise condições de produção artística da Imagem já amplamente refutadas por estudos científicos e concerteza as amostras de tecido de linho utilizadas diferem do linho do Sudário que teria sido preparado segundo os costumes do século I.

Além disso as condições em que se transpuseram para o tecido do Sudário as manchas sanguíneas são completamente diferentes dos processos laboratoriais utilizados.

Mas talvez mais importante é o facto que cientificamente não sabe o que promoveu o efeito energético no tecido que selectivamente produziu reacções químicas numa fina camada de natureza polissacaridica envolvendo as fibras mais superficiais dos fios com desenvolvimento de cor amarelada, (1)(2)(9)(11) produzindo macroscopicamente aquela enigmática imagem da região ventral e dorsal do Crucificado.

Embora como dissemos parte da comunidade cientifica admita que a Imagem do Sudário possa ter sido formada por um processo de Radiação, não nos parece de modo algum que possamos extrapolar para o Sudário os resultados obtidos no estudo em análise, a partir de um determinado tipo de radiação , neste caso Ultra-Violeta com parâmetros definidos, e muito menos tirar conclusões e aplica-las ao Sudário.

 

De referir que o autor do estudo em análise escreveu em 23 de Novembro de 2013 num comentário no antigo blog de discussão cientifica do Sudário «Shroud of Turin Blog» citando uma passagem do livro do Professor Frederick Zugibe:

Dr. Rogers looked directly at serum flows under magnification and observed no image color under them, and Don Janney, also of the STURP team, did RGB image enhancement of photographs of serum flows and concluded that there was no image under them.”

 

Traduzindo «Dr. Rogers olhando directamente nos trajectos de soro sob ampliação não observou coloração de imagem sob eles e Don Janney, também da equipe STURP realizou realce RGB* de imagem de fotografias de trajectos de soro e concluiu que não havia imagem sob eles»

*Nota do autor Red Green Blue

 

 

                                                            CONCLUSÃO

 

Sem dúvida que o trabalho em análise é de excelente qualidade metodológico-científica, e concordamos plenamente com a afirmação «we are not the conclusion».

Efectivamente os materiais utilizados e os métodos seguidos não podem de forma alguma ser extrapolados para o que aconteceu e foi observado no Santo Sudário de Turim e na nossa opinião devemos sim confiar nas observações e conclusões de cientistas honestos que trabalharam directamente com material proveniente do Sudário como foi o caso dos cientistas da equipe STuRP e do bioquímico Professor Alan Adler.

 

Assim continua inabalável a noção de que as manchas sanguineas no Sudário foram transpostas para o tecido antes da formação da imagem e impediram qualquer efeito energético nas fibras de linho sob elas.

Este é um facto que por si só descarta a possibilidade de elaboração artística humana da Imagem patente no Santo Sudário de Turim.

Continua válida a afirmação contida no sumário das conclusões da equipe STuRP(15):

«Portanto a resposta à questão como a imagem foi produzida ou o que produziu a imagem, permanece agora e como foi no passado um mistério».

 

 

 

Agradecimentos :Agradeço ao Professor Paolo Di Lazzaro a sua pronta disponibilidade para nos esclarecer algumas dúvidas, e à minha mulher Maria da Glória as suas sugestões e revisão do texto.

 

 

 

 

 

  REFERÊNCIAS:

 

1-ADLER, Alan D. - "The Nature of the Body Images on the Shroud of Turin" (.pdf format) [34k] [June 1999] (From the 1999 Richmond Conference)

2-ADLER Alan D.- «The Shroud Fabric and the Body Image:Chemical and Physical Characteristics , «The Turin Shroud, Past Present and Future» International Scientific Symposium, Torino 2-5 March 2000, Silvano Scannerini, Piero Savarino Editors Effata Editrice pp64

3-ALLEN, Nicholas P.L. - Verification of the Nature and Causes of the Photo-negative Images on the Shroud of Lirey-Chambery-Turin [1995] (Illustrated) NOTE: This link is to a text only version of this paper. The original link is no longer available. Link updated 24 OCT 2013.

https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/00043389.1995.11761214

 

            4- DI LAZZARO, P. - MURRA, D. - SANTONI, A. - FANTI, G. - Deep    Ultraviolet Radiation Simulates the Turin Shroud Image Journal of Imaging Science and Technology, [July/August 2010] Volume 54, Issue 4, pp. 040302-(6) (Full Article)

    5-DI LAZZARO, Paolo - Linen Coloration by Pulsed Radiation. A Review - Slides of presentation made at the International Conference on the Shroud of Turin, Pasco, Washington - July 22, 2017 [21 January 2019]

        6- DI LAZZARO, Paolo - MURRA, Daniele - DI LASCIO, Antonio - Investigating the color of the blood stains on archaeological cloths: the case of the Shroud of Turin, originally published in Applied Optics vol. 57, pp. 6626-6631, 2018. Now available on Academia.edu. [10 June 2019] https://www.academia.edu/37169059/Investigating_the_color_of_the_blood_stains_on_archaeological_cloths_the_case_of_the_Shroud_of_Turin?em

        7- DI LAZZARO, PAOLO e-mail pessoal 27/08/2026

      8- Garlaschelli, L. Life size reproduction of the Shroud of Turin

and its image. Journal of Imaging Science and Technology

54(4): 040301-14 (2010).

https://doi.org/10.2352/J.ImagingSci.Technol.

·         2010.54.4.040301

9-HEIMBURGER, Thibault - A Detailed Critical Review of the Chemical Studies on the Turin Shroud: Facts and Interpretations. (.pdf format) [569k] [January 2008]

 10- HEIMBURGER, Thibault - Comments About the Recent Experiment of Professor Luigi Garlaschelli (.pdf format) [516k] [November 2009] (12 Color Photomicrographs & Illustrations)

 11- HELLER, J.H. and A.D. ADLER, "A Chemical Investigation of the Shroud of Turin," Canadian Society of Forensic Sciences Journal, Vol. 14, No. 3, 1981, pp. 81-103. [8 October 2018]

      12-KEARSE, KELLY «The Sequential Addition of Blood and Image to the Shroud of Turin» International Journal of Archeology (Volume 14 Isue 2) 22 July 2026 https://www.sciencepublishinggroup.com/article/10.11648/j.ija.20261402.11

 13-McAvoy Thomas-Artificial Intelligence Analysis of Images of the Shroud of Turin, International Journal of Archeology June 2025 13(1) 69-77 https://www.researchgate.net/publication/393213034_Artificial_Intelligence_Analysis_of_Images_of_the_Shroud_of_Turin

14-Moreira, Antero de Frias-As Manchas Sanguineas do Santo Sudário de Turim: Resposta a Várias Questões Centro Português de Sindonologia 24 de Março de 2022 https://santosudariodeturim.blogspot.com/2022/

15-A Summary of STURP’s Conclusions https://www.shroud.com/78conclu.htm

16-SCHWORTZ, Barrie M. - "Is The Shroud of Turin a Medieval Photograph? A Critical Examination of the Theory"  (.pdf format) [308k] [August 2000] (From the "Sindone 2000" Orvieto https://www.shroud.com/pdfs/orvieto.pdf

17-SORENSEN, Richard B. - Summary of Challenges to the Authenticity of the Shroud of Turin  (.pdf format) [117k] [July 2007] https://www.shroud.com/pdfs/sorensen2.pdf 

 

 

 

 

sexta-feira, 1 de maio de 2026

IMPORTANTES NOTÍCIAS SOBRE O SUDÁRIO DE TURIM


  IMPORTANTES NOTÍCIAS SOBRE O SUDÁRIO DE TURIM

 

 

 Antero de Frias Moreira*

*Médico-membro Executivo do Centro Português de Sindonologia

 

 

Na sequência de vários desenvolvimentos recentes relacionados com o Santo Sudário de Turim, vamos informar os nossos leitores de três importantes questões que marcam a actualidade

 

1-Novos estudos genéticos de ADN no Santo Sudário

 

2-Confirmação de que o tecido do Sudário é do século I

 

3-Polémica da amostra radiocarbono 1988 do Laboratório de Arizona

 

 

 

1-Novos estudos genéticos de ADN no Sudário de Turim

 

Recentemente  o site Vatican News publicou uma noticia « New DNA research confirms  Shroud of Turin’s passage through the Middle East» https://www.vaticannews.va/en/church/news/2026-04/dna-research-confirms-shroud-of-turin-s-passage-middle-east.html ,entusiasticamente afirmando que novo estudo de ADN confirma passagem do Santo Sudário pelo Médio-Oriente.

Tal notícia tem como base o recente estudo coordenado pelo Professor Gianni Barccacia, geneticista da Universidade de Pádua  «DNA Traces on the Shroud of Turin:Metagenomics of the 1978 Official Sample Collection»  https://www.biorxiv.org/content/10.64898/2026.03.19.712852v1.full  , publicado em 22 de Março ultimo, embora ainda em versão não «peer-reviewed».

Efectivamente foi isolado ADN genómico de resíduos orgânicos recolhidos em 1978 pelo Professor Pierluigi Baima Bollone da equipe S.TuR.P. em diferentes partes da imagem corporal no reverso do Sudário e de fios das margens que foram utilizados na datação radiocarbono de 1988.

Esse material genético corresponde a ADN humano das pessoas que ao longo dos séculos contactaram fisicamente com o tecido desde a colheita do linho , transporte, manufactura e que de algum modo transpuseram o seu material genético para o tecido, assim como do material biológico animal e vegetal que por contacto com o meio ambiente ou por transporte atmosférico  ou por transferência secundária de humanos, aderiu ao tecido do Sudário.

 

Neste estudo em vez do clássico método PCR (acrónimo de Polymerase Chain Reaction) foi utilizado o método NGS (acrónimo de Next Generation Sequencing) o qual permite uma rápida e eficaz sequenciação de ADN e ARN , permitindo a análise simultânea de milhões de fragmentos para um estudo genético racional.

 

No que concerne ao material orgânico, a nivel vegetal, foram detectados vestígios de plantas de cultivo da Bacia Mediterrânica e do Médio Oriente, plantas introduzidas na Europa após a descoberta das Américas, bem como vestígios animais de gado bovino, cães e gatos.

Segundo os investigadores «muitas espécies de plantas identificadas, são nativas e dispersas na Europa Central e Bacia Mediterrânica, estendendo-se da Península Ibérica até ao Médio Oriente».

A nível microbiológico, há evidência de intenso contacto humano, pois foi caracterizado material genético de bactérias da epiderme humana, e também de «archae» (microorganismos unicelulares) o que indicará permanência em locais de elevada salinidade (nomeadamente próximo do Mar Morto).

No que respeita a material orgânico humano, foi caracterizado ADN mitocondrial de linhagem de Judeus Ashkenazi e haplogrupos (grupos de genes de vários cromossomas que definem uma ancestralidade/etnia) de indivíduos da Eurásia Ocidental e também o famoso Haplogrupo H33, encontrado em indivíduos do Médio Oriente nomeadamente na população Druza.

 

Contràriamente à opinião de cépticos que refutam a validade desta complexa investigação no âmbito do estabelecimento do potencial percurso geográfico do Sudário, a nossa interpretação aponta noutro sentido.

 

Este estudo em nada contradiz o anterior estudo da equipe do Professor Barccacia de 2015 «Uncovering the Sources of DNA found on the Turin Shroud-Nature Scientific Reports 05 October 2015» https://www.nature.com/articles/srep14484 , antes vem corroborar as suas conclusões e confirmar que durante um período da sua existência aquela mortalha esteve no Médio Oriente e foi tocada por habitantes daquela zona, nomeadamente pelo Homem que nela deixou a Sua imagem.   

 

 

 

2-Confirmação que o tecido do Sudário é do século I

 

Em 2022 o físico italiano Professor Liberato de Caro e a sua equipe publicaram um trabalho intitulado «X-Ray dating of a Turin Shroud’s Linen Sample» -Heritage 11 April 2022 https://www.mdpi.com/2571-9408/5/2/47 .

Neste estudo utilizando o método «WAXS» acrónimo de «wide angle X-Ray scattering» é comparado o padrão de despolimerização da celulose do linho em função do tempo e outros parâmetros como a temperatura ambiente e humidade, com um padrão referência de idade conhecida.

Neste caso o «padrão» referência era o da celulose do linho de uma peça de Masada (fortaleza de Israel) do século I (historicamente de 55-74 A.D.) e o padrão obtido de um fio recolhido do Sudário, próximo do local onde foi recolhida a amostra radiocarbono 1988, ERA IDENTICO- a conclusão foi que O TECIDO DO SUDÁRIO ERA DATÁVEL DO PRIMEIRO SÉCULO.

 

Recentemente recebemos uma mportante informação de fonte fidedigna que entendemos por bem partilhar.

A equipe do físico do M.I.T. ( Masachussets Institute of Technology) Professor Anton Paar estudou com esse mesmo método «WAXS» peças de linho de Edessa sendo que algumas exibiam o mesmo padrão de despolimerização da celulose que a referência linho de Masada, e portante eram datadas do século I.

Isto é um facto importante pois com utilização do mesmo método em tecidos de diferente proveniência foi obtido o mesmo padrão do modelo-referência para o primeiro século.

 

TEMOS PORTANTO UMA CONFIRMAÇÃO INDIRECTA DE QUE O TECIDO DO SUDÁRIO É DO PRIMEIRO SÉCULO.

 

 

 

3-Polémica da amostra radiocarbono 1988 do Laboratório de Arizona

 

Recentemente um artigo intitulado «Analysis of textile fragments from the 1988 radiocarbon samples of the Turin Shroud»-Heritage Science 18 April 2026 https://www.nature.com/articles/s40494-026-02530-7  da autoria do Professor Timothy Jull (envolvido na datação radiocarbono 1988) e de Rachel Freer- Waters, aborda a análise de uma pequena sub amostra que o laboratório conservou, e que não foi radiocarbono datada pelo método AMS em 1988.

Esse material estava dividido em 2 porções ( as sub amostras A1A e A1B) e foram  estudadas por microscopia óptica e de «scanning».

A conclusão destes investigadores foi que embora o padrão de malha 3:1 em espinha de peixe fosse pouco usual em têxteis antigos europeus, NÃO FOI ENCONTRADA EVIDÊNCIA DE CONTAMINAÇÃO E A AMOSTRA SERIA IDÊNTICA AO RESTO DO TECIDO DO SUDÁRIO.

 

Ora esta conclusão iria por em causa o facto de que os testes radiocarbono 1988 são inválidos, pois como foi concluído pelo Professor Raymond Rogers  «Studies on the Radiocarbon Sample of the Shroud of Turin» -Thermochinica Acta 20 January 2005 https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0040603104004745  e vários outros estudos dos quais realçamos  a análise exaustiva da equipe do investigador Professor Tristan Casabianca «Radiocarbon Dating of the Turin Shroud: New Evidence from Raw Data» publicado na prestigiada revista cientifica Archeometry em 2019 https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/arcm.12467, e que INEQUIVOCAMENTE CONCLUIRAM QUE A AMOSTRA RADIOCARBONO DATADA EM 1988 NÃO ERA REPRESENTATIVA DO RESTO DO TECIDO DO SUDÁRIO, E PORTANTO OS TESTES RADIOCARBONO 1988 NÃO SÃO VÁLIDOS.

 

Todavia o investigador americano Dr. Jeremiah J. Johnston Ph.D. analisou exaustivamente a falácia do referido estudo num minucioso trabalho intitulado «The Shroud Still Speaks, Why the Latest Defense of the 1988 Carbon Dating Collapses Under Scrutiny, a Respose to Freer-Waters and Jull (2026)» https://docs.google.com/document/d/1Pk_tUWECfLXMnUQQjFOe1GMXlC56fqVb/edit?pli=1

Sendo um estudo complexo, realçamos os principais aspectos que permitem refutar as conclusões dos autores do trabalho do laboratório de Arizona.

Esses investigadores NÃO EFECTUARAM QUAISQUER ESTUDOS QUIMICOS NAS SUB AMOSTRAS E «IGNORARAM»:

 

1-Os estudos químicos do Professor Raymond Rogers em material remanescente dos testes radiocarbono 1988 ( e tecido adjacente da Amostra de Raes 1973) nomeadamente a presença anómala de goma arábica (pentosanos) determinada por Espectrometria de Massa , a presença de corante alizarina, elevadas concentrações de hidróxido de alumínio (mordente) e a presença anómala de fibras de algodão entretecidas com fibras de linho nos fios , assim como a positividade para o teste de detecção de vanilina (contrariamente ao resto do tecido do Sudário, que não evidenciava essas anomalias)- a sua conclusão foi que os testes radiocarbono eram inválidos pois o que foi testado não era representativo do resto do tecido.

 

2-A Inhomogeneidade de datações das sub amostras dos diferentes laboratórios

 

Consoante concluído anteriormente pelo químico Remi Van Helst no seu artigo «Radiocarbon dating of the Shroud of Turin, the Nature Report»  chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://www.shroud.com/vanhels5.pdf ,posteriormente pela equipe do Professor Fanti, Marco Riani e equipe «Regression analysis with partially labelled regressors:Carbon dating of the Shroud of Turin»-Statistics and computing July 2013 https://www.researchgate.net/publication/257665548_Regression_analysis_with_partially_labelled_regressors_Carbon_dating_of_the_Shroud_of_Turin , e por outros investigadores, a inhomegeneidade de datação das sub amostras intra e interlaboratórios foi cabalmente demonstrada no já referido trabalho de 2019 do Professor Tristan Casabianca e colaboradores, pelo que se pode concluir que a amostra radiocarbono cortada do Sudário estava «contaminada» duma forma não homogénea com isótopos carbono 14 mais recentes, dando suporte à teoria do restauro medieval «invisível» dos investigadores Sue Benford e Joe Marino «Historical Support of a 16th Century Restoration in the Shroud C-14 Sample Area» 2002 chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://www.shroud.com/pdfs/histsupt.pdf , e refutando matemática e estatisticamente a validade dos testes radiocarbono de 1988.

 

Por ultimo, aquilo que os autores do laboratório do Arizona testaram apenas com microscopia óptica e microscopia de «scanning»- foi APENAS um estudo de superfície em dois pequeníssimos fragmentos de tecido.

Efectivamente o fragmento A1A mede 14X3.5 milímetros, e o fragmento A1B 9.9X4 mm, e além disso, a microscopia de «scanning» foi efectuada apenas numa pequeníssima porção do fragmento A1A medindo 2X1.5 milímetros.

Consoante concluiu o referido estudo do Professor Tristan Casabianca, na amostra radiocarbono dividida pelos 3 laboratórios, há um «gradiente linear» de sub datas nas sub amostras, com diferenças de datação estatisticamente significativas em pequenas distâncias, pelo que as datações são progressivamente mais recentes no sentido da extremidade oposta do Sudário, de forma que de acordo com esse «gradiente linear» A EXTREMIDADE OPOSTA DO SUDÁRIO DARIA UMA DATA DO FUTURO!!!.

Assim sendo será de presumir que nas sub amostras do laboratório do Arizona (localizadas na extremidade da amostra radiocarbono mais próxima da extremidade do Sudário) houvesse muito pouco material novo de restauro introduzido (lembramos que estas amostras não foram sequer datadas).

 

Conclusão:

A avaliação única de superfície das amostras, a AUSÊNCIA DE ESTUDOS QUÍMICOS A IGNORÂNCIA DE PREVIOS ESTUDOS QUÍMICOS E A NÃO CONSIDERAÇÃO DA INHOMOGENEIDADE DE DATAÇÕES DAS SUB AMOSTRAS, permitem refutar a argumentação de que o tecido seria idêntico ao resto do tecido do Sudário, e que não foi encontrada evidência de contaminação, e curiosamente além disso os próprios autores admitem que «o têxtil examinado é altamente atípico» para a data medieval que defendem.

Continua sólida e alicerçada em factos comprovados, a conclusão que os testes radiocarbono de 1988 realizados numa única amostra retirada do Sudário SÃO INVÁLIDOS E REFUTÁVEIS POIS ESSA AMOSTRA NÃO ERA REPRESENTATIVA DO RESTO DO TECIDO DO SUDÁRIO.