sexta-feira, 1 de maio de 2026

IMPORTANTES NOTÍCIAS SOBRE O SUDÁRIO DE TURIM


  IMPORTANTES NOTÍCIAS SOBRE O SUDÁRIO DE TURIM

 

 

 Antero de Frias Moreira*

*Médico-membro Executivo do Centro Português de Sindonologia

 

 

Na sequência de vários desenvolvimentos recentes relacionados com o Santo Sudário de Turim, vamos informar os nossos leitores de três importantes questões que marcam a actualidade

 

1-Novos estudos genéticos de ADN no Santo Sudário

 

2-Confirmação de que o tecido do Sudário é do século I

 

3-Polémica da amostra radiocarbono 1988 do Laboratório de Arizona

 

 

 

1-Novos estudos genéticos de ADN no Sudário de Turim

 

Recentemente  o site Vatican News publicou uma noticia « New DNA research confirms  Shroud of Turin’s passage through the Middle East» https://www.vaticannews.va/en/church/news/2026-04/dna-research-confirms-shroud-of-turin-s-passage-middle-east.html ,entusiasticamente afirmando que novo estudo de ADN confirma passagem do Santo Sudário pelo Médio-Oriente.

Tal notícia tem como base o recente estudo coordenado pelo Professor Gianni Barccacia, geneticista da Universidade de Pádua  «DNA Traces on the Shroud of Turin:Metagenomics of the 1978 Official Sample Collection»  https://www.biorxiv.org/content/10.64898/2026.03.19.712852v1.full  , publicado em 22 de Março ultimo, embora ainda em versão não «peer-reviewed».

Efectivamente foi isolado ADN genómico de resíduos orgânicos recolhidos em 1978 pelo Professor Pierluigi Baima Bollone da equipe S.TuR.P. em diferentes partes da imagem corporal no reverso do Sudário e de fios das margens que foram utilizados na datação radiocarbono de 1988.

Esse material genético corresponde a ADN humano das pessoas que ao longo dos séculos contactaram fisicamente com o tecido desde a colheita do linho , transporte, manufactura e que de algum modo transpuseram o seu material genético para o tecido, assim como do material biológico animal e vegetal que por contacto com o meio ambiente ou por transporte atmosférico  ou por transferência secundária de humanos, aderiu ao tecido do Sudário.

 

Neste estudo em vez do clássico método PCR (acrónimo de Polymerase Chain Reaction) foi utilizado o método NGS (acrónimo de Next Generation Sequencing) o qual permite uma rápida e eficaz sequenciação de ADN e ARN , permitindo a análise simultânea de milhões de fragmentos para um estudo genético racional.

 

No que concerne ao material orgânico, a nivel vegetal, foram detectados vestígios de plantas de cultivo da Bacia Mediterrânica e do Médio Oriente, plantas introduzidas na Europa após a descoberta das Américas, bem como vestígios animais de gado bovino, cães e gatos.

Segundo os investigadores «muitas espécies de plantas identificadas, são nativas e dispersas na Europa Central e Bacia Mediterrânica, estendendo-se da Península Ibérica até ao Médio Oriente».

A nível microbiológico, há evidência de intenso contacto humano, pois foi caracterizado material genético de bactérias da epiderme humana, e também de «archae» (microorganismos unicelulares) o que indicará permanência em locais de elevada salinidade (nomeadamente próximo do Mar Morto).

No que respeita a material orgânico humano, foi caracterizado ADN mitocondrial de linhagem de Judeus Ashkenazi e haplogrupos (grupos de genes de vários cromossomas que definem uma ancestralidade/etnia) de indivíduos da Eurásia Ocidental e também o famoso Haplogrupo H33, encontrado em indivíduos do Médio Oriente nomeadamente na população Druza.

 

Contràriamente à opinião de cépticos que refutam a validade desta complexa investigação no âmbito do estabelecimento do potencial percurso geográfico do Sudário, a nossa interpretação aponta noutro sentido.

 

Este estudo em nada contradiz o anterior estudo da equipe do Professor Barccacia de 2015 «Uncovering the Sources of DNA found on the Turin Shroud-Nature Scientific Reports 05 October 2015» https://www.nature.com/articles/srep14484 , antes vem corroborar as suas conclusões e confirmar que durante um período da sua existência aquela mortalha esteve no Médio Oriente e foi tocada por habitantes daquela zona, nomeadamente pelo Homem que nela deixou a Sua imagem.   

 

 

 

2-Confirmação que o tecido do Sudário é do século I

 

Em 2022 o físico italiano Professor Liberato de Caro e a sua equipe publicaram um trabalho intitulado «X-Ray dating of a Turin Shroud’s Linen Sample» -Heritage 11 April 2022 https://www.mdpi.com/2571-9408/5/2/47 .

Neste estudo utilizando o método «WAXS» acrónimo de «wide angle X-Ray scattering» é comparado o padrão de despolimerização da celulose do linho em função do tempo e outros parâmetros como a temperatura ambiente e humidade, com um padrão referência de idade conhecida.

Neste caso o «padrão» referência era o da celulose do linho de uma peça de Masada (fortaleza de Israel) do século I (historicamente de 55-74 A.D.) e o padrão obtido de um fio recolhido do Sudário, próximo do local onde foi recolhida a amostra radiocarbono 1988, ERA IDENTICO- a conclusão foi que O TECIDO DO SUDÁRIO ERA DATÁVEL DO PRIMEIRO SÉCULO.

 

Recentemente recebemos uma mportante informação de fonte fidedigna que entendemos por bem partilhar.

A equipe do físico do M.I.T. ( Masachussets Institute of Technology) Professor Anton Paar estudou com esse mesmo método «WAXS» peças de linho de Edessa sendo que algumas exibiam o mesmo padrão de despolimerização da celulose que a referência linho de Masada, e portante eram datadas do século I.

Isto é um facto importante pois com utilização do mesmo método em tecidos de diferente proveniência foi obtido o mesmo padrão do modelo-referência para o primeiro século.

 

TEMOS PORTANTO UMA CONFIRMAÇÃO INDIRECTA DE QUE O TECIDO DO SUDÁRIO É DO PRIMEIRO SÉCULO.

 

 

 

3-Polémica da amostra radiocarbono 1988 do Laboratório de Arizona

 

Recentemente um artigo intitulado «Analysis of textile fragments from the 1988 radiocarbon samples of the Turin Shroud»-Heritage Science 18 April 2026 https://www.nature.com/articles/s40494-026-02530-7  da autoria do Professor Timothy Jull (envolvido na datação radiocarbono 1988) e de Rachel Freer- Waters, aborda a análise de uma pequena sub amostra que o laboratório conservou, e que não foi radiocarbono datada pelo método AMS em 1988.

Esse material estava dividido em 2 porções ( as sub amostras A1A e A1B) e foram  estudadas por microscopia óptica e de «scanning».

A conclusão destes investigadores foi que embora o padrão de malha 3:1 em espinha de peixe fosse pouco usual em têxteis antigos europeus, NÃO FOI ENCONTRADA EVIDÊNCIA DE CONTAMINAÇÃO E A AMOSTRA SERIA IDÊNTICA AO RESTO DO TECIDO DO SUDÁRIO.

 

Ora esta conclusão iria por em causa o facto de que os testes radiocarbono 1988 são inválidos, pois como foi concluído pelo Professor Raymond Rogers  «Studies on the Radiocarbon Sample of the Shroud of Turin» -Thermochinica Acta 20 January 2005 https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0040603104004745  e vários outros estudos dos quais realçamos  a análise exaustiva da equipe do investigador Professor Tristan Casabianca «Radiocarbon Dating of the Turin Shroud: New Evidence from Raw Data» publicado na prestigiada revista cientifica Archeometry em 2019 https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/arcm.12467, e que INEQUIVOCAMENTE CONCLUIRAM QUE A AMOSTRA RADIOCARBONO DATADA EM 1988 NÃO ERA REPRESENTATIVA DO RESTO DO TECIDO DO SUDÁRIO, E PORTANTO OS TESTES RADIOCARBONO 1988 NÃO SÃO VÁLIDOS.

 

Todavia o investigador americano Dr. Jeremiah J. Johnston Ph.D. analisou exaustivamente a falácia do referido estudo num minucioso trabalho intitulado «The Shroud Still Speaks, Why the Latest Defense of the 1988 Carbon Dating Collapses Under Scrutiny, a Respose to Freer-Waters and Jull (2026)» https://docs.google.com/document/d/1Pk_tUWECfLXMnUQQjFOe1GMXlC56fqVb/edit?pli=1

Sendo um estudo complexo, realçamos os principais aspectos que permitem refutar as conclusões dos autores do trabalho do laboratório de Arizona.

Esses investigadores NÃO EFECTUARAM QUAISQUER ESTUDOS QUIMICOS NAS SUB AMOSTRAS E «IGNORARAM»:

 

1-Os estudos químicos do Professor Raymond Rogers em material remanescente dos testes radiocarbono 1988 ( e tecido adjacente da Amostra de Raes 1973) nomeadamente a presença anómala de goma arábica (pentosanos) determinada por Espectrometria de Massa , a presença de corante alizarina, elevadas concentrações de hidróxido de alumínio (mordente) e a presença anómala de fibras de algodão entretecidas com fibras de linho nos fios , assim como a positividade para o teste de detecção de vanilina (contrariamente ao resto do tecido do Sudário, que não evidenciava essas anomalias)- a sua conclusão foi que os testes radiocarbono eram inválidos pois o que foi testado não era representativo do resto do tecido.

 

2-A Inhomogeneidade de datações das sub amostras dos diferentes laboratórios

 

Consoante concluído anteriormente pelo químico Remi Van Helst no seu artigo «Radiocarbon dating of the Shroud of Turin, the Nature Report»  chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://www.shroud.com/vanhels5.pdf ,posteriormente pela equipe do Professor Fanti, Marco Riani e equipe «Regression analysis with partially labelled regressors:Carbon dating of the Shroud of Turin»-Statistics and computing July 2013 https://www.researchgate.net/publication/257665548_Regression_analysis_with_partially_labelled_regressors_Carbon_dating_of_the_Shroud_of_Turin , e por outros investigadores, a inhomegeneidade de datação das sub amostras intra e interlaboratórios foi cabalmente demonstrada no já referido trabalho de 2019 do Professor Tristan Casabianca e colaboradores, pelo que se pode concluir que a amostra radiocarbono cortada do Sudário estava «contaminada» duma forma não homogénea com isótopos carbono 14 mais recentes, dando suporte à teoria do restauro medieval «invisível» dos investigadores Sue Benford e Joe Marino «Historical Support of a 16th Century Restoration in the Shroud C-14 Sample Area» 2002 chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://www.shroud.com/pdfs/histsupt.pdf , e refutando matemática e estatisticamente a validade dos testes radiocarbono de 1988.

 

Por ultimo, aquilo que os autores do laboratório do Arizona testaram apenas com microscopia óptica e microscopia de «scanning»- foi APENAS um estudo de superfície em dois pequeníssimos fragmentos de tecido.

Efectivamente o fragmento A1A mede 14X3.5 milímetros, e o fragmento A1B 9.9X4 mm, e além disso, a microscopia de «scanning» foi efectuada apenas numa pequeníssima porção do fragmento A1A medindo 2X1.5 milímetros.

Consoante concluiu o referido estudo do Professor Tristan Casabianca, na amostra radiocarbono dividida pelos 3 laboratórios, há um «gradiente linear» de sub datas nas sub amostras, com diferenças de datação estatisticamente significativas em pequenas distâncias, pelo que as datações são progressivamente mais recentes no sentido da extremidade oposta do Sudário, de forma que de acordo com esse «gradiente linear» A EXTREMIDADE OPOSTA DO SUDÁRIO DARIA UMA DATA DO FUTURO!!!.

Assim sendo será de presumir que nas sub amostras do laboratório do Arizona (localizadas na extremidade da amostra radiocarbono mais próxima da extremidade do Sudário) houvesse muito pouco material novo de restauro introduzido (lembramos que estas amostras não foram sequer datadas).

 

Conclusão:

A avaliação única de superfície das amostras, a AUSÊNCIA DE ESTUDOS QUÍMICOS A IGNORÂNCIA DE PREVIOS ESTUDOS QUÍMICOS E A NÃO CONSIDERAÇÃO DA INHOMOGENEIDADE DE DATAÇÕES DAS SUB AMOSTRAS, permitem refutar a argumentação de que o tecido seria idêntico ao resto do tecido do Sudário, e que não foi encontrada evidência de contaminação, e curiosamente além disso os próprios autores admitem que «o têxtil examinado é altamente atípico» para a data medieval que defendem.

Continua sólida e alicerçada em factos comprovados, a conclusão que os testes radiocarbono de 1988 realizados numa única amostra retirada do Sudário SÃO INVÁLIDOS E REFUTÁVEIS POIS ESSA AMOSTRA NÃO ERA REPRESENTATIVA DO RESTO DO TECIDO DO SUDÁRIO.

 

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