quinta-feira, 24 de março de 2022

AS MANCHAS SANGUINEAS DO SANTO SUDÁRIO DE TURIM:RESPOSTA A VÁRIAS QUESTÕES

 

AS MANCHAS SANGUINEAS DO SANTO SUDÁRIO DE TURIM-RESPOSTA A VÁRIAS QUESTÕES

 

Antero de Frias Moreira*

*Médico-Membro executivo do Centro Português de Sindonologia

Março 2022

Resumo:

 De acordo com os estudos científicos sobre as Manchas Sanguineas patentes no Santo Sudário, nomeadamente os mais recentes, é inequivocamente descartada a teoria de que correspondam a uma elaboração artística com pigmentos pictóricos, concluindo-se que são efectivamente de natureza hemática, correspondendo a exsudados de coágulos transpostos para o tecido pelo contacto com coágulos na superfície de um corpo, não havendo ainda explicação definitiva para a sua coloração avermelhada.

Do ponto de vista bioquímico há evidencia de extrema violência, o que é corroborado pela análise detalhada dos vários tipos de manchas patentes, concluindo-se do ponto de vista médico-forense que o Homem do Sudário foi flagelado com chicote romano, sofreu tortura com aplicação de um capacete de espinhos, e foi crucificado nos punhos e pés com cravos, sendo a Sua morte confirmada com perfuração toráxica por uma lança.

O Sudário de Turim como significado religioso, é portanto o verdadeiro testemunho  da Paixão de Cristo e também da Sua Ressurreição

Palavras-Chave; Manchas Sanguineas, Coágulos, Sudário de Turim, Homem do Sudário

 

Abstract:

Accordingly to the scientific studies on the Bloodstains of the Shroud of Turin, namely the most updated ones, the theory that they are an artistic rendition using pictoric pigments is unequivocally discarded, and it is concluded for their hematic nature, corresponding to blood exsudates  impressed on the cloth from clots at the surface of a corpse, however there is not yet a definitive explanation for their reddish color.

From a biochemical point of view there is evidence of an extreme violence which is confirmed by the detailed analysis of the several kinds of bloodstains on the cloth and it is concluded from a forensic medical point of view that the Man of the Shroud was scourged with a roman whip, endured a helmet of thorns torture, and was crucified with nails in the wrists and feet and His death was confirmed by having His chest wall pierced with a spear.

The religious meaning of the Shroud of Turin is thus it is the real witness of Christ’s Passion and also of His Resurrection

Key Words: Bloodstains , Clots, Shroud of Turin, Man of the Shroud

 

 

O Santo Sudário de Turim, como se sabe é um extenso lençol de linho onde é possível visualizar as enigmáticas imagens da região dorsal e ventral do corpo de um Homem desnudado, bem como inúmeras manchas de tonalidade avermelhada, sendo o conjunto altamente evocador da imagem de um flagelado e crucificado à maneira romana, e que a tradição, estudos históricos e múltiplos estudos científicos permitem concluir que se trate do lençol funerário adquirido por José de Arimatheia que envolveu o Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo no sepulcro, o qual tem patente a imagem do Seu corpo com as marcas da Paixão,

Independentemente da imagem corporal cuja explicação não foi ainda encontrada pela ciência, é legitimo inquirir se as manchas avermelhadas correspondem efectivamente a material hemático (sangue ou «derivados» de sangue).

Nos anos 30 do século passado o eminente cirurgião do Hospital de S. Joseph-Paris Professor Pierre Barbet, que foi um dos pioneiros do estudo médico-forense do Santo Sudário, tendo visualizado de perto a Sagrada Reliquia numa Ostensão (exibição publica). de imediato identificou as manchas avermelhadas como de natureza hemática, provenientes do contacto do tecido com coágulos sanguíneos na superfície corporal.

 

 

Descrição: C:\Users\Antero\Pictures\telo-kx2E-U11003585844442YIE-1024x276@LaStampa.it.jpg


 

 Fig 1-Santo Sudário-visualizam-se imagens corporais da região ventral e dorsal manchas sanguíneas tenuemente visiveis

 

 

Descrição: C:\Users\Antero\Pictures\bloodweaveWilsonIllustratedP75_650.jpg


Fig.2-Microfotografia de mancha sanguínea do Sudário sendo aparente material hemático sobre os fios de linho

 

 

Descrição: C:\Users\Antero\Pictures\blood marks enhanced.jpg


 

Fig.3-Santo Sudário: esquema das regiões corporais ventral e dorsal com realce das manchas sanguineas

 

Em 1973 o Vaticano autorizou uma comissão científica a estudar esta questão, todavia os testes de pesquisa de sangue foram negativos.

Sendo que o alegado material hemático seria muito antigo e muito seco,  a dita comissão concluiu que «a resposta negativa às investigações conduzidas não nos permitem um julgamento absoluto sobre a natureza hemática do material investigado».

Em 1978 a equipe multidisciplinar S.TuR.P. utilizando a fluorescência de RX, e estudos de microquímica concluíram pela ausência de pigmentos corantes ou fixantes nas fibras do linho, o que foi confirmado por estudos de espectrometria.

De realçar que a fluorescência de RX concluiu pela presença sensivelmente uniforme de Ferro no tecido (resultante da preparação do linho) com aumento de concentração nas áreas correspondentes às manchas sanguíneas como seria de esperar, pois a hemoglobina dos glóbulos rubros contém ferro ligado ao grupo porfirinico Heme.

Para além disso os estudos de espectrometria realizados em áreas hemáticas eram compatíveis com o padrão de sangue, apresentando uma deflexão compatível com Metahemoglobina (resultante da oxidação da Hemoglobina no sangue envelhecido)

 

A Controvérsia:

Em finais dos anos 80 o investigador microscopista Dr. Walter McCrone inicialmente colaborador da equipe S.TuR.P. teve acesso a amostras recolhidas da superfície do Sudário e encontrou partículas que identificou como óxido de ferro, e posteriormente caracterizou como   cinábrio (sulfureto de mercúrio) residuos numa amostra proveniente da zona da ferida da lança.

Sendo um céptico da autenticidade do Sudário e também pelo facto de os estudos de fluorescência de RX da equipe S.TuR.P. não terem detectado potássio nas manchas sanguíneas, elaborou a seguinte teoria:

O Sudário seria uma pintura, em que a imagem seria constituída por partículas de óxido de ferro do pigmento pictórico Ocre Vermelho numa tempera de colagénio, e as manchas de tonalidade sanguínea teriam a mesma composição com a cor vermelha realçada pela adição de cinábrio (vermillião)-portanto o Sudário mais não seria que uma elaboração artística.

 

O Desfazer da Controvérsia:

Os investigadores bioquímicos americanos colaboradores da equipe S.TuR.P. Professores Alan Adler e John Heller empreenderam uma elaborada investigação laboratorial nas amostras que a muito custo o Dr. Walter McCrone devolveu, no sentido de refutarem a sua teoria.

Sendo um estudo exaustivo realçaremos  apenas os pontos principais, para não embarcar em aspectos técnicos fastidiosos.

Efectivamente o Dr. Walter McCrone cometeu um erro técnico ao concluir que as micropartículas eram todas de óxido de ferro, pois efectuou estudos de microscopia de luz polarizada SEM REMOVER as partículas da película Mylar que cobria as lâminas-ora essa película tem características ópticas que falseiam a determinação dos índices de refracção das partículas.

Efectivamente existem 2 tipos de partículas: as birrefringentes correspondentes a óxido de ferro PURO (resultante da oxidação do ferro naturalmente presente no tecido e da combustão de efectivo material hemático das manchas sanguíneas aquando do incêndio de Chambéry em 1532) e outras não birrefringentes, de carácter proteináceo que se concluiu corresponder a material hemático.

No que concerne às primeiras (as birrefringentes) são efectivamente de óxido de ferro puro pois a fluorescência de RX descartou a presença de contaminantes como o níquel cobalto e manganésio presentes no pigmento Ocre Vermelho, as segundas, não birrefringentes reagem positivamente na pesquisa de proteínas pois elas são efectivamente material hemático.

McCrone concluiu pela presença de um aglutinante tempera de colagénio pois utilizou o reagente Negro de Amido, o qual não é especifico para detecção de Proteinas, pois reage com grupos carboxilo da celulose envelhecida do linho, dando falsos-positivos.

Os investigadores Professores John Heller e Alan Adler utilizando um método muito sensível e especifico para detecção de proteínas-A Fluorescamina- concluíram não existir qualquer tempera de colagénio nas fibras imagem e não imagem apenas tendo resultado positivo no suposto material hemático, como seria de esperar.

Quanto à presença de resíduos de cinábrio (Vermillião) trata-se de um achado incidental explicado pelo facto de ter passado para o tecido do Sudário pois era prática «santificar»(com autorização da Igreja) cópias pintadas do Sudário pela colocação das mesmas sobre o Santo Sudário o que explica facilmente a passagem de partículas estranhas nomeadamente resíduos pictóricos.

Se a presença de cinábrio fosse responsável pela cor mais avermelhada das manchas sanguíneas do Sudário a presença de mercúrio seria prontamente detectada pela fluorescência de RX-o que não se verificou, e para além disso nas imagens de fotografias de RX do Sudário dos estudos S.TuR.P. não são aparentes as manchas sanguíneas, o que só aconteceria se lá existisse o elemento mercúrio do cinábrio- Portanto só por isto a teoria de McCrone poderia ser descartada- O SUDÁRIO NÃO É UMA PINTURA.

Assim se esclarecendo esta controvérsia realço das conclusões do estudo dos citados bioquímicos:

Presença do grupo heme da Hemoglobina(constituinte dos glóbulos vermelhos do sangue) consoante detecção da característica «banda Soret» ( pico de absorção pelos 410 nm) nos estudos de microespectrometria de fibras.

Concentração de Ferro compatível com a do sangue

Presença de Albumina (estudos imunológicos e químicos)e de Globulinas (estudos imunológicos)

Através da utilização de EDXA (Técnica de «Energy Dispersive X-Ray Analysis»)foi determinada a presença nas fibras de manchas sanguíneas de Sódio Potássio Cloro Calcio Ferro Magnésio,  todos elementos constituintes do sangue- de realçar que na investigação S.TuR.P. não foi detectado potássio pois a fluorescência de RX não era suficientemente sensível para as baixas concentrações desse ion,l e também como explicou o Professor Alan Adler o potássio é um ion predominantemente intra-celular e as manchas sanguíneas tem escassez de células pois a maior parte ficam retidas nas malhas de fibrina dos coágulos.

Cai pois por terra a famosa frase de McCrone «No potassium, no blood».

Elevada concentração de bilirrubina (elemento sanguíneo resultante do catabolismo do grupo heme da hemoglobina dos glóbulos rubros que sofreram um processo de lise por stress traumático e oxidativo) consoante estudos por micro- espectrofotometria FTIR e microquímicos.

Portanto indubitavelmente o material analisado era de natureza HEMÁTICA (sangue ou derivado de sangue).

Também do outro lado do Atlântico o Professor Baima Bollone docente catedrático de Patologia Forense da Universidade de Turim ,chegou independentemente às mesmas conclusões, e para além disso determinou a presença de glóbulos rubros do sangue (escassos como seria de esperar) caracterizou o material hemático como do grupo sanguíneo AB e talvez mais importante ainda através de estudos imunohistoquimicos de amostras recolhidas de manchas hemáticas do Sudário determinou a presença do Antigénio S (do sistema sanguíneo MNS)o que permite afrmar a natureza HUMANA do material hemático.

A presença de glóbulos rubros de morfologia humana, foi detectada numa pequena amostra recolhida numa área facial do Sudário com mancha sanguínea, consoante estudo mais recente do Professor Gerard Lucotte do Instituto de Antropologia Molecular de Paris

Mais recentemente o físico Professor Paolo di Lazzaro do instituto de investigação italiano E.N.E.A. efectuou novos estudos de espectrometria em manchas sanguíneas do Sudário em 2015 sendo constatada uma inflexão pelos 550 nm, o que confirmou a presença de Metahemoglobina já anteriormente detectada nos estudos S.TuR.P. de 1978.

Este cientista afirmou . «os nossos resultados de espectroscopia são uma evidência adicional que as manchas sanguíneas no Sudário contém sangue muito antigo».

Mencionamos também o facto de terem sido efectuados estudos de ADN nuclear em material proveniente de manchas sanguíneas do Sudário nos anos 90 do século passado, aspecto desenvolvido em anterior artigo-ora o ADN só existe em células nucleadas do sangue e não em simulacros artísticos com pigmentos pictóricos.

 

SEM QUALQUER DUVIDA AS MANCHAS SANGUINEAS DO SANTO SUDÁRIO SÃO DE MATERIAL HEMÁTICO HUMANO DO GRUPO SANGUINEO AB (não foi possível determinar o RH) CORRESPONDENDO A EXSUDADOS DE COÁGULOS SOBRE AS LESÕS DA SUPERFICIE CORPORAL e que foram transpostos para o tecido por um mecanismo de contacto.

O investigador Dr. Gilbert Lavoie médico internista intensivista americano, determinou experimentalmente o tempo que teria de decorrer após a paragem circulatória (morte) para obtenção de transposição para tecido de linho de exsudados de coágulos com aspecto semelhante aos do Sudário, em condições presumivelmente idênticas às do envolvimento do Homem do Sudário (Jesus Cristo) por um lençol funerário no sepulcro.

 Foi assumido que um ambiente húmido permitiria a humidificação dos coágulos, o que permitiria a sua transposição para o tecido num intervalo até cerca de 2 horas e meia.

Curiosamente, nessas condições as manchas hemáticas deveriam ter contornos mal definidos , o que não acontece nas manchas hemáticas do Santo Sudário, aspecto muito curioso referido por vários investigadores nomeadamente o patologista forense Professor Baima Bollone-adiante aludiremos a este facto.

 

Questão: Será possível que um falsário tenha pintado com sangue humano as manchas sanguíneas do Santo Sudário?

Vamo-nos abstrair do facto de que até à presente data não se sabe cientificamente o que produziu a imagem corporal no Sudário e também NÃO FOI POSSIVEL REPRODUZIR UMA IMAGEM COM AS MESMAS CARACTERISTICAS MACROSCÓPICAS FISICAS E QUIMICAS.

Efectivamente há múltiplas manchas sanguíneas correspondendo a  variados tipos de lesões, nomeadamente perfurações arteriais, venosas, capilares, contusões hemorrágicas, sangue pre-mortem e post mortem, o que inviabiliza tal acção em termos artísticos.

Além disso a maioria das manchas sanguíneas tem à sua volta um halo de soro que só se torna aparente nas fotografias de fluorescência de Ultra-Violetas soro esse extrudido pela retracção fisiológica do coágulo-aspecto que não se verificaria se o sangue fosse pura e simplesmente pintado e também teria de ser sangue com elevado teor de bilirrubina não conjugada.

Não menos importante o seguinte facto: os investigadores Professores John Heller e Alan Adler atrás citados aplicaram enzimas proteoliticas (tripsina, quimotripsina, carboxipeptidase e lisozima) em fibras de manchas sanguíneas suprajacentes a áreas de imagem, e o resultado foi que as fibras do linho assim tratadas, não apresentavam a coloração das fibras da imagem adjacente-ora este achado tem como corolário o seguinte- AS MANCHAS SANGUINEAS PRODUZIRAM-SE PRIMEIRO NO TECIDO E SÓ DEPOIS SE FORMOU A IMAGEM CORPORAL, e as manchas sanguíneas como que constituíram uma barreira à acção do que quer que tenha causado as transformações químicas com produção de cor nas fibras-imagem.

Como é que o suposto falsário iria pintar as manchas sanguíneas lesionais sem ter uma imagem corporal como referência?

Este é pois um obstáculo incontornável de todas as tentativas de «reprodução humana» do Sudário de Turim, mesmo a tentativa mais perfeita até à presente data-referimos o «Sudário de Garlaschelli»- não conseguiu contornar este aspecto.

Para concluir, os investigadores da equipe S.TuR.P Jean Lorre e Donald Lynn aplicaram a técnica de análise de pinturas FFT (iniciais de Fast Fourier Transform) no Sudário de Turim na imagem corporal e manchas sanguíneas e pelo ´padrão isotrópico» obtido concluíram pela AUSENCIA DE PINCELADAS»

NÃO UM FALSÁRIO NUNCA PODERIA TER PINTADO COMSANGUE AS MANCHAS SANGUINEAS DO SUDÁRIO

 

Questão: As manchas sanguíneas do Santo Sudário, tem uma coloração demasiado avermelhada, atendendo à alegada antiguidade das mesmas-como explicar tal facto?

Realmente a maioria dos investigadores admite que a tonalidade das manchas sanguíneas do Sudário tem uma tonalidade estranhamente avermelhada, pois sabe-se que com o passar do tempo o sangue vai adquirindo uma tonalidade acastanhada com progressivo escurecimento pela oxidação do ferro da hemoglobina ligado ao grupo heme, com produção de metahemoglobina.

Foram propostas várias teorias explicativas, nomeadamente acção da saponária officinalis (produto vegetal utilizado na preparação do tecido de linho na antiguidade),com acção hemolítica, interacção da metahemoglobina com elevados níveis de bilirrubina, potencial adição humana de pigmentos pictóricos nas manchas para realçar a cor (teoria recentemente descartada pelo físico italiano Professor Giulio Fanti) presença de carboxihemoglobina, acção de radiação ultravioleta sobre a bilirrubina.

Por curiosidade referimos uma hipótese meramente especulativa, formulada pelo Dr. Kelly Kearse, eminente estudioso do Sudário:

Sabendo que há plantas que contem o composto bilirrubina quimicamente idêntico à humana e que simultaneamente podem proporcionar um pigmento laranja-avermelhado, ele ESPECULA que um artista para realçar a cor, poderia ter utilizado o pigmento pictórico proveniente dessa planta e sem o saber ter introduzido um incremento de bilirrubina nas manchas sanguíneas.

A planta na qual foi encontrada bilirrubina idêntica à humana é a «Strelitzia Nicolai» conhecida como a «Ave Branca Gigante do Paraiso» e é originária da Africa do Sul, Moçambique e Botswana.

Lògicamente esta hipótese é absurda pois essa região do continente africano só foi conhecida em finais do século XV com as viagens dos navegadores portugueses, (recordamos que o Sudário foi mostrado na Europa em 1356) e para além disso sabemos que o método FFT (Fast Fourier Tranasform) descartou a presença de pinceladas no Sudário- NÃO, NÃO FOI APLICADA QUALQUER PINTURA COM PIGMENTO VEGETAL NAS MANCHAS HEMÁTICAS DO SUDÁRIO

 

 

Até à presente data NÃO EXISTE UMA EXPLICAÇÃO PLAUSIVEL todavia a que experimentalmente se aproxima mais dos achados no Sudário é referente aos estudos da equipe do Professor Paolo di Lazzaro sobre os efeitos da radiação Ultra Violeta em sangue com elevado teor de bilirrubina tendo sido obtida coloração avermelhada e que perdurou ao longo de anos.

 

 

 

DESCRIÇÃO E  SIGNIFICADO DAS VÁRIAS MANCHAS HEMÁTICAS NO SANTO SUDÁRIO

 

Depois de termos seguramente concluído que as manchas hemáticas não são uma elaboração artística e são sim material hemático correspondente a exsudados de coágulos, iremos então abordar os diferentes tipos de manchas observáveis

 

Descrição: C:\Users\Antero\Pictures\FaceDurantePos&EnrieNeg210529SN.png


Fig. 4- Face positivo(esquerda) e negativo (direita)fotográficos, aparentes diversas imagens lesionais nomeadamente  de lesões perfurantes.

 

Lesões perfurantes na cabeça

Na região da cabeça é possível definir múltiplas lesões perfurantes de estruturas arteriais, venosas e capilares, produzindo trajectos perfeitamente aparentes bem como lesões mais do tipo circular/oval e o famoso épsilon ou 3 invertido, sensivelmente a meio da testa.

O patologista forense Dr. Sebastiano Rodante estima em cerca de 50 (incluindo regiões laterais, posterior da cabeça e nuca) o numero de perfurações produzidas por um objecto de tortura correspondendo a um capacete de espinhos que perfuraram o couro cabeludo atingindo o craneo e lesionando à direita o ramo frontal da artéria temporal superficial, à esquerda a estrutura venosa homóloga, e no centro a mancha em «épsilon» resultou de perfuração da veia frontal- todas as lesões estão de acordo com a anatomia vascular da região.

No que concerne trajectos sanguíneos laterais na região do cabelo as opiniões  divergem  pois há peritos como o Dr Gilbert Lavoie que experimentalmente concluiu que elas se teriam originado a partir do contacto com a face, e quando a imagem se formou ficaram supra jacentes ao cabelo, outros afirmam que se localizam realmente no cabelo.

Importante o facto de que as marcas sanguíneas do Sudário na região posterior da cabeça/nuca , correspondem às encontradas no Pano ou Sudarium de Oviedo (consoante foi concluído por sobreposição informática de imagem e pela técnica de «Polarized Image Overlay Technique concebida pelo investigador Dr. Alan Whanger).

Recordamos que o Pano de Oviedo se encontra em Espanha desde o século VII e corresponde ao «sudário» enrolado aparte, do episódio do tumulo vazio de Evangelho de S. João, e esteve colocado sobre a cabeça de Jesus após a Sua morte quando ainda se encontrava na cruz.

 

Lesões de flagelação:

Descrição: C:\Users\Antero\Pictures\scourgemarksback1ShroudScope.png


Fig 5: Região dorsal-visiveis múltiplas lesões correspondentes a flagelação com chicote romano

Em mais de 60% da superfície corporal do Homem do Sudário, particularmente na região dorsal, nádegas e região dorsal dos membros inferiores são visíveis cerca de 120 lesões com a forma sensivelmente de halteres, cerca de 3 cm de comprimento, e que nas fotografias de fluorescência de Ultra Violetas exibem um halo fluorescente à sua volta correspondente a soro.

Essas lesões correspondem a uma brutal flagelação com o chicote romano tipo «flagrum taxillatum», consoante um idêntico instrumento de tortura recuperado em achados arqueológicos na cidade romana de Herculaneum, sepultada sob a lava da erupção do Vesúvio em 79 A.D.

Esse chicote tinha 2 a 3 tiras de couro cujas extremidades possuíam bolas de metal (plumbatae) ou ossos para provocar mais sofrimento no condenado.

Consoante concluíram os estudos de patologia forense, o Homem do Sudário foi brutalmente chicoteado por 2 carrascos, um de cada lado sendo o da direita mais alto que o da esquerda.

Também e ainda na imagem corporal dorsal é possível visualizar a nível das omoplatas particularmente à direita imagens de abrasão cutânea consentâneas com o porte de um objecto pesado, neste caso o «patibulum» que é a porção horizontal da cruz.

 

Lesões de Crucificação:

Descrição: C:\Users\Antero\Pictures\blood trail arms.jpg


Fig 6: Sudário de Turim, imagem ventral-visível local de saída do cravo no punho esquerdo e trajectos sanguíneos nos antebraços.

 

São perfeitamente patentes lesões de crucificação com cravos sendo  aparente na imagem ventral, a nível da região dorsal do punho esquerdo o local de saída do cravo, topograficamente na região do designado espaço de Destot (espaço virtual entre os ossos do carpo semi-lunar, piramidal, grande osso e ganchoso) e 2 extrusões sanguíneas fazendo um ângulo de cerca de 15º, para além dos trajectos das escorrências  nos antebraços.

Estas lesões são perfeitamente compatíveis com escorrências sanguíneas na posição de crucificação, ou seja com os membros superiores fazendo um ângulo de cerca de 65º com  vertical, pois o seu trajecto foi determinado por acção da gravidade.

Curiosamente, os trajectos que extrudem do punho esquerdo correspondem segundo o Professor Pierre Barbet às 2 posições que o crucificado tinha na cruz.

Assim o crucificado tinha extrema dificuldade em expirar e para o fazer passava de uma posição baixa para outra mais elevada através de um extremo sofrimento pela força exercida no cravo que transfixiava os pés e no dos punhos, e assim se teriam produzidos esses dois trajectos divergentes,

A nível dos pés as imagens lesionais são pouco claras na imagem corporal ventral, enquanto  que na dorsal a impressão plantar do pé direito é um misto de imagem corporal e extrusões sanguíneas pre e post mortem, definindo-se o local de transfixiação do pé na região do 2º espaço intermetatarsiano.

De referir que apenas é visível a imagem da porção posterior do pé esquerdo, o qual foi colocado sobre o dorso do pé direito tendo o carrasco transfixiado os 2 pés de uma assentada com um único cravo.- esta posição foi mantida pelo rigor mortis (rigidez cadavérica post morte) após a remoção da cruz.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ferida da Lança:

 

Descrição: C:\Users\Antero\Pictures\spear wound.jpg


Fig.7: Ferida da lança no hemitorax direito

 

Na região do hemitorax direito é possível visualizar uma extensa mancha hemática com cerca de 16 cm de comprimente e  5 cm na sua maior largura, a nível superior, com zonas mais claras correspondendo a um fluido de derrame cavitário, e que também fluoresce à radiação ultra-violeta.

Na região superior, correspondente à zona antero-lateral do 5º espaço intercostal,  os patologistas forenses definiram uma zona sensivelmente ovalar com cerca de 4X1 centimetros   correspondente ao local de perfuração do hemitorax direito sendo as dimensão compatível com as lanças romanas.

Efectivamente nesse local , com uma angulação ascendente de cerca de 20º e após um percurso de 8-10 centimetros, após perfurar as pleuras e o pulmão, a lança atinge a auricula direita(cavidade cardíaca), a qual se encontra repleta de sangue após a morte.

Assim se explica a presença de sangue e de um fluido mais claro de derrame pericardico ou pleural, devido às brutais sevicias traumáticas sofridas pelo Homem do Sudário.

Deste modo, ciência médico-forense dá uma explicação para a passagem do capitulo XIX do Evangelho de S. João onde está escrito que o soldado da guarnição vendo que Jesus já estava morto, não Lhe quebrou as pernas mas perfurou-Lhe o lado com uma lança donde brotou sangue (proveniente da auricula direita) e «água» (o fluido claro de derame pericardico ou pleural)

Na imagem corporal dorsal existem manchas sanguíneas também extensas, com aspecto mais linear-o chamado cinto de sangue (Blood Belt) resultante do refluxo de sangue proveniente da veia cava inferior,  através da auricula direita e do trajecto perfurante no tórax.

 

 

                                                          DISCUSSÃO E  CONCLUSÃO

De tudo o que foi exposto podemos seguramente assumir que as manchas sanguíneas presentes no Sudário, nunca poderão corresponder a uma qualquer elaboração artística.

Elas resultam sim da transposição para o tecido de exsudados de coágulos,  pelo contacto corporal deste com os coágulos sanguíneos das múltiplas lesões sofridas pelo Homem do Sudário.

A nível bioquímico, há evidencia de extrema violência, pelo elevado teor de bilirrubina do soro, confirmada pelo recente achado dos estudos do Professor Giulio Fanti e colaboradores, numa fibra proveniente da zona do pé na imagem dorsal do Sudário.

Efectivamente foram encontradas nanoparticulas de creatinina envolvendo nanoparticulas de ferritina consoante achado em politraumatizados graves,

Duma maneira geral, as manchas hemáticas estão perfeitamente bem definidas com rebordos nítidos, e quando observadas ao microscópio localmente, tem os rebordos elevados e depressão central- este facto permite retirar duas conclusões, a primeira que o corpo não permaneceu mais de 30 horas envolto no lençol, caso contrário a fibrinólise (mecanismo fisiológico de dissolução do coágulo  )impediria essa boa definição.

A segunda ilação ainda mais mais importante-NÃO HÁ EXPLICAÇÃO COMO O CORPO POSSA TER SIDO REMOVIDO DO LENÇOL.

As manchas sanguineas do Santo Sudário permitem do ponto de vista médico-forense  caracterizar o tipo de lesões , inferir o objecto ou objectos agressores e mesmo sequenciar os eventos lesionais que levaram à morte o Homem do Sudário, e também inferir o imenso sofrimento que lhe foi infligido.

 

As manchas sanguíneas para além de serem uma narrativa escrita a sangue dos sofrimentos que Nosso Senhor Jesus Cristo sofreu na Sua Paixão, são mais um argumento que corrobora o episódio do Tumulo Vazio, e para acreditarmos que a Ressurreição foi um evento físico que aconteceu naquele frio túmulo há cerca de 2000 anos.

Para além disso, os Cristãos que em cada celebração eucarística  se ajoelham em sinal de devoção e respeito, na consagração do vinho como sangue do Redentor, poderão contemplar sim na sua materialidade no Santo Sudário, o autêntico Sangue de Cristo plasmado naquele sagrado lençol que envolveu o Seu Corpo, e que é a testemunha da Sua Ressurreição

 

 

Nota: não sendo este artigo um artigo científico na devida acepção, não referenciamos nos locais do texto os artigos científicos que lhe serviram de suporte.

 

BIBLIOGRAFIA:

Livros:

A Paixão de Cristo segundo o Cirurgião-Dr.Pierre Barbet Edições Loyola, S. Paulo 1980

Unlocking the Secrets of the Shroud-A Forensic and Scriptural Study of the Shroud of Turin-Dr. Gilbert R. Lavoie, M.D. , dog ear publishers Indianapolis 2015

 

Artigos científicos:

 

1-Adler, Alan D.: Chemical and physical characteristics of the blood stains, The Turin Shroud , Past Present and Future, International Scientific Symposium Torino 2-5 March 2000 Effata editrice pp. 219-233

2-Adler, Alan D.Selzer, Russell, De Blaze, Frank: Further Spectroscopic Investigations of Samples of the Shroud of Turin , Proceedings of the 1988 Dallas Shroud Symposium Michael Minor ed. Dallas 2000 in «The Orphaned Manuscript» Effata Editrice pp. 93-102

3-Bollone, Pierluigi Baima: The Forensic Characteristics of the Blood Marks The Turin Shroud past. Present and Future Effata Editrice pp. 209-218

4-Brillante, Carlo, Fanti, Giulio,Marinelli, Emanuella: Bloodstains characteristics to be considered in laboratory reconstruction of the Turin Shroud, IV Symposium Scientifique International du CIELT, Paris 25.26 Avril 2002 http://www.sindone.info/BRILLAN2.PDF

5-Bucklin, Robert M.D, J.D.: An Autopsy on the Man of the Shroud https://www.shroud.com/bucklin.htm 

6-Carlino, Elvino, De Caro, Liberato, Giannini, Cinzia, Fanti, Giulio: Atomic Resolution Studies detect new evidence on the Turin Shroud , PLOS ONE, research article published June30, 2017 https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371%2Fjournal.pone.0180487

7-Di Lazzaro, Murra, Daniele,Iacomussa, Paola,Missori Mauro, Di Lascio, Antonio: Influence of the color of radiation on the color of blood stains embedded in the archeological textile known as the Shroud of Turin, Proceedings volume of the XXII International Symposium of High Power Laser Systems and Applications, edited by P. di Lazzaro Proc. SPIE vol 11042(SPIE Bellingham WA 2019)pp. 1104214-11104214-6 doi:101117/122522112 https://doi.org/10.1117/12.2522112

8-Dinegar, Robert H.: The 1978 Scientific Study of the Shroud of Turin Shroud Spectrum Intenational nº 4 part 3 September 1982 https://www.shroud.com/pdfs/ssi04part3.pdf

 

9-Fanti, Giulio,Zagotto, Giuseppe : Blood reinforced by pigments in the reddish stains of the Turin Shroud, Journal of Cultural Heritage vol. 25 May-June 2017pages 113-120 https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1296207417300092

10Fanti, Giulio,: A Reexamination of the Pigment’s Reinforcement  Hypothesis of the Turin Shroud’s Bloodstains World Scientific News, WSN 163 (2022) 99-114 http://www.worldscientificnews.com/wp-content/uploads/2021/10/WSN-163-2022-99-114.pdf  

11-Heimburger, Thibault M.D.: A detailed chemical review of the chemical studies on the Turin Shroud: Facts and Interpretations  https://www.shroud.com/pdfs/thibault%20final%2001.pdf   

 

12-Heller, John H., Adler Alan D.: A Chemical Investigation of the Shroud of Turin, Canadian Society of Forensic Sciences Journal 14 (3) 1981 in «The Orphaned manuscript» Effata Editrice pp. 35-57

13-Kearse, Kelly P.:Blood on the Shroud of Turin: An Immunological Review 2012 https://www.shroud.com/pdfs/kearse.pdf

 

14-Kearse, Kelly, Heimburger, Thibault, The Shroud Blood Science of Dr. Pierluigi Baima Bollone: Another look at potassium, among other things, Shroud of Turin Blog, December 17 2013 https://shroudstory.com/2013/12/17/a-special-guest-posting-by-kelly-kearse-and-thibault-heimburger/

15-Lavoie, Gilbert R. M.D.,Lavoie, Bonnie B. Ph.D.Donovan Vincent J.Rev.Ballas, John S.M.S.E.E.:Blood on the Shroud of Turin, Part II Shroud Spectrum International nº8 part 3 September 1983 https://www.shroud.com/pdfs/ssi08part3.pdf

16-LUcotte , Gerard: Red Blood Cells on the Turin Shroud, Jacobs Journal of Hematology 12/17/2017 https://jacobspublishers.com/uploads/article_pdf/16/scientific_16_1685_12062019040448.pdf

17-McCrone, Walter C. : The Shroud of Turin. Blood or Artist’s Pigment Acc. Chem . Research 1990 23, 77-83  http://www.mccroneinstitute.org/uploads/the_microscope__shroud_small-1422560933.pdf  

18-O.K. : Fourier Properties of the Shroud compared to drawings and paintings https://shroudofturin.files.wordpress.com/2014/11/shroudfft.pdf

19-Pirone,Cary, QuirkeJ. Martin E., Priestap, Horatio A.,Lee, David W.: Animal pigment bilirubin discovered in plants, J. Am. Chem. Soc.2009 Mar 4 , 131(8):2830.doi:10.1021/ja809065g. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19206232/

20-Rodante, Sebastiano M.D.; The Coronation with Thorns in the light of the Shroud,  Shroud Spectrum International nº 1 December 1981 https://www.shroud.com/pdfs/ssi01part5.pdf

21-Svensson, Niels, Heiburger, Thibault: Forensic aspects and blood chemistry of the Turin Shroud man, Scientific Research and Essays Vol.7(29) pp.2513-2525 30 July 2012 https://academicjournals.org/journal/SRE/article-full-text-pdf/080A92329177

22-Whanger, Alan D. Whanger, Mary: Polarized image overlay technique: a new image comparison methos and its applications, Applied Opticas vol. 24 Issue 6 pp.766-772 (1985) https://opg.optica.org/ao/abstract.cfm?uri=ao-24-6-766 

23-Zugibe, Frederick T.M.D. Ph D Crucifixion and Shroud Studies http://www.crucifixion-shroud.com/

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

JESUS CRISTO MORREU NA CRUZ?-Uma reflexão critica

Por motivos alheios à nosa vontade não ficaram impressos no post com o titulo em epigrafe as referências dos artigos científicos pelo que rectificamos a falha:

Artigos Científicos:

Bucklin, Robert M.D. «An authopsy on the Man of the Shroud» 1997 https://www.shroud.com/bucklin.htm

Fanti  et al «Evidences for testing hypothesis about the body image formationof the Turin Shroud» , The Third Dallas International Conference on the Shroud of Turin, Dallas, Texas September 8-11 2005 https://www.shroud.com/pdfs/doclist.pdf

Moran, Kevin Fanti Giulio «Does the Shroud body Image show any physical evidence of Resurrection?» IV Symposium International Scientifique du CIELT Paris 25-26 Avril 2002 http://www.sindone.info/MORAN1.PDF

Faccini, Barbara, Fanti, Giulio «New Image processing of the Turin Shroud scourge marks» Proceedings of the International Workshop on the scientific approach of the Acheiropoietos Images, ENEA , Frascati Italy 4-6 May 2010 http://www.acheiropoietos.info/proceedings/FacciniWeb.pdf

Manservigi, Flavia «The flagra of the Vatican Museum» https://www.shroud.com/library.htm#confrncs

Faccini, Barbara, Carreira, EmmanuelM., Fanti, Giulio,Palacios José de,Villalain José Delfin «The Death of the Shroud man: An improved review» The Shroud of Turin Perspectives on a Multifacet Enigma, Shroud Science Group International Conference August 14-17 2008 Ohio State University the Blackwell Hotel Columbus Ohio https://www.shroud.com/pdfs/ohiofaccini2.pdf

Zugibe, Frederick T. M.D. Ph. «Pierre Barbet revisited» https://www.shroud.com/zugibe.htm

Lavoie,Gilbert M.D. Lavoie Bonnie B. PhD, Donovan Vincent Reverend, Ballas John S. M.S.E.E. «Blood on the Shroud of Turin part 1» https://www.shroud.com/pdfs/ssi07part5.pdf

Rodante, SebastianoM.D. «The Coronation of Thornsin the light of the Shroud» Shroud Spectrum International Pilot Issue #1 December 1981 https://www.shroud.com/spectrum.htm

 

Bollone, Pierluigi Baima, Jorio, Maria, Massaro Anna Lucia, «Identification of the Group of the Traces of Human Blood on the Shroud» Shroud Spectrum International Issue #6 March 1983 https://www.shroud.com/spectrum.htm

 

JESUS CRISTO MORREU NA CRUZ?Uma reflexão crítica

 

JESUS CRISTO MORREU NA CRUZ?-Uma reflexão crítica

 

Antero de Frias Moreira*

*Medico-Membro executivo do Centro Português de Sindonologia

 

 

 



Imagem do Cristo Sindónico (baseada nos dados de imagem do Santo Sudário de Turim-escultura científica do Professor Juan Miñarro)

 

A pergunta titulo deste artigo, à partida parece ter uma resposta lógica e unívoca, todavia hoje mesmo(29/08/2021) casualmente visualizei um programa do Canal História intitulado «Crimes na Antiguidade», sem duvida interessante, mas que me leva a partilhar convosco a minha reflexão sobre a questão em  titulo deste post.

Efectivamente depois de uma instructiva dissertação forense sobre achados arqueológicos de um assassinato na pré-história, foi abordada a crucificação de Jesus Cristo, precedida do contexto sócio-político da época.

Se o enquadramento que precedeu o evento da crucificação até se pode considerar correcto, pois está de acordo com as narrativas dos Evangelhos e outras fontes nomeadamente obras que abordam o Jesus histórico, quando a crucificação, morte e ressurreição de Cristo é abordada, é dada a entender a forte possibilidade de explicações alternativas ao que é habitualmente assumido como factos pela religião cristã.

Assim, depois de ser afirmado que durante muito tempo a Ressurreição de Cristo ser considerada como factual e corporal, o Iluminismo teria avançado com uma explicação mais racional-CRISTO NÃO TERIA MORRIDO NA CRUZ, MAS SIM FICADO INCONSCIENTE,( a Sua «morte aparente» teria sido muito precoce..) REANIMANDO-SE NO TÚMULO, mais ainda refere que a ferida da lança até poderia ter tido um efeito terapêutico, pois como era provável que Cristo tivesse um derrame pleural hemático (com sangue)  assim teria sido drenado!!!!  – desta forma seriam explicadas as «aparições» do Cristo« ressuscitado» aos discípulos, e até porque no dizer do programa, nunca se soube bem o que aconteceu depois com Cristo.

 

Òbviamente, isto levanta uma questão que além de poder confundir os espectadores (crentes) é um ataque ao pilar fundamental do Cristianismo que é precisamente a crença na Ressurreição (física/corporal) de Nosso Senhor Jesus Cristo,

S. Paulo na sua carta aos Coríntios é bem explícito: «….Mas se Cristo não ressuscitou é vã a nossa pregação e vã é também a vossa fé» (1Cor 15) e «….apareceu a Cefas e a seguir aos Doze. Em seguida apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maior parte dos quais ainda vive…» (1Cor 15).

Então o que pensar?

 

                                                                    DISCUSSÃO

 

1-Evangelhos/ outras fontes

Aquilo que está escrito sobre os acontecimentos que envolveram a prisão , julgamento, suplícios infligidos a Jesus, bem como a sua crucificação e sepultamento está escrito nos Evangelhos Canónicos.

Sem dúvida, todos eles relatam que Jesus morreu na Cruz:

«..Mas Jesus com um grito forte expirou..» (Marcos 16-37), « ..Dando um forte grito, Jesus exclamou Pai nas Tuas Mãos entrego o meu espírito. Dito isto expirou» (Lucas 23-46), «.. E Jesus clamando outra vez com voz forte expirou» (Matheus 28-50), «..Quando tomou o vinagre, Jesus disse tudo está consumado. E inclinando a cabeça, entregou o espírito.» ( João19-30).

S. João vai mais além e posteriormente descreve« Mas ao chegarem a Jesus e vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas .Porém um dos soldados trespassou-lhe o peito com uma lança e logo brotou sangue e água» (João 20-33,34)

Tacitus

Na obra deste historiador romano (56-120 A.D.)«Anais» é afirmado que Cristo sofreu a máxima condenação(morte por crucificação) no reinado de Tibério por Poncio Pilatos procurador da Judeia

Flavius Josephus

Na obra deste historiador romano-judeu (37-100 A.D.)é afirmado que Pilatos condenou Jesus à crucificação para morrer.

O programa assume implicitamente que o conteúdo da narrativa dos Evangelhos seria fiável até à crucificação, todavia «ignora» completamente que todos são unânimes na afirmação que Jesus morreu na cruz.

Embora os Evangelhos sejam muito omissos no que concerne aos supliceos infligidos a Jesus Cristo, é perfeitamente admissível que com as agressões de que foi victima, nomeadamente contusões e flagelação tenha desenvolvido derrames pleurais hemáticos (com sangue), não obstante é perfeitamente disparatado e absurdo atribuir um «efeito terapêutico» à perfuração do tórax por uma lança.

Efectivamente a «Lançada» era uma prática consignada nos costumes punitivos romanos, pois destinava-se a confirmar a morte do supliciado pois ninguém deveria ser retirado da cruz com vida.

Assim era mais um acto brutal, e é ingénuo pensar-se que o executor iria apenas perfurar o espaço intercostal até à pleura visceral sem atingir o pulmão ou seja a lança só perfuraria pouco mais de um centímetro…!! -a realidade seria bem diferente, a lança perfurava a parede toráxica, as pleuras, o pulmão e estruturas viscerais mediastínicas como o coração, provocando no mínimo um pneumotórax com colapso pulmonar, o que num crucificado com insuficiência respiratória e em estado pré-agónico seria uma causa de morte praticamente imediata.

Além disso promoveria entrada de bactérias para o tórax com consequente infecção-esta afirmação é um absurdo em termos médicos.

Numa perspectiva médica a drenagem de um derrame pleural é sim realizada em ambiente hospitalar , com todos os cuidados de assépsia e com colocação de um dreno pleural evitando contaminação externa.

Põe-se ainda outro(s) problema(s) que o mentor do programa não teve sequer a coragem de abordar, mas que deverão ser considerados:

Pelas descrições dos evangelhos, o túmulo teria sido selado com uma pesada pedra e teria ficado uma guarnição de soldados do templo a guardar a entrada, para ninguém ir roubar o Corpo.

Assim sendo e mesmo admitindo o ABSURDO DA REANIMAÇÃO DE CRISTO NO SEPULCRO!!! alguém poderá admitir que depois de tantas e tão graves lesões, Cristo teria forças ou capacidade para mover uma pesada pedra? Obviamente que não.

Também os discípulos amedrontados com o que se tinha passado e escondidos numa casa iriam tentar roubar o Corpo de Jesus enfrentando os soldados???- claro que não.

Mais ainda: há várias referências nos Evangelhos às aparições de Jesus Cristo aos seus discípulos (recordo por exemplo o episódio do descrente S. Tomé, o Caminho de Emmaus, o episódio em que Jesus comeu peixe com os discípulos).

Se admitimos como credíveis esses episódios nunca poderemos conceber que os discípulos tenham ido retirar o Corpo do Sepulcro.

Mas se não acreditamos nos relatos das Aparições do Cristo Ressuscitado e admitirmos que os discípulos roubaram o Corpo temos que considerar o seguinte:

Todos os Apostolos, exceptuando S. João morreram de forma violenta por propagarem os ensinamentos do Mestre, e houve uma efectiva mudança do seu comportamento após a morte e subsequentes Aparições do Cristo Ressuscitado, pois o medo deu lugar a um entusiasmo e coragem, a julgar pelas atitudes subsequentes.

Mesmo o historiador E.P. Sanders admite que deve ter havido algo de extraordinário após a morte de Cristo que promoveu tamanha mudança de comportamento nos Apóstolos, e não resisto a transcrever « …Mais tarde, alguns discípulos estarão dispostos a morrer por causa da sua devoção a Jesus e à sua mensagem. A explicação para mudança está no facto de eles terem visto o Senhor ressuscitado e de esta experiência lhes ter dado uma confiança absoluta.»

É pois inconcebível que se eles tivessem roubado o Corpo se sacrificassem por uma mentira, obviamente o que despoletou tamanha mudança foi o contacto real com o Cristo Ressuscitado, não uma alucinação ou criação mental, mas sim uma presença física inteligível aos sentidos humanos.

 

2-Aspectos médico-forenses do Santo Sudário de Turim

Para os que como eu acreditam fundamentadamente, com base em aspectos históricos e científicos que o Sudário de Turim é a mortalha que envolveu o Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo no sepulcro e onde estão patentes a Imagem do Seu Corpo (ainda sem explicação científica da sua formação no tecido) e as marcas da Paixão, esta sagrada relíquia (não um ícone), revela-nos dados surpreendentes que confirmam os Evangelhos e preenchem as suas lacunas no que respeita à gravidade dos supliceos infligidos a Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

Descrição: C:\Users\Antero\Pictures\telo-kx2E-U11003585844442YIE-1024x276@LaStampa.it.jpg


Fig. 2-Sudário de Turim: lençol funerário com cerca de 4,36 X 1,10 metros sendo visualizável as imagens da região ventral e dorsal do corpo de um crucificado, bem como manchas hemáticas

 

 

Os estudos de Medicina Forense por patologistas credenciados como o Professor Pierre Barbet, Drs. Sebastiano Rodante, Judica Cordiglia, Robert Bucklin, Frederick Zugibe, Pierluigi Baima Bollone entre outros, permitem afirmar indiscutivelmente:

1-A imagem patente no Sudário é de um cadáver de um crucificado de sexo masculino em estado de rigor mortis (rigidez cadavérica que se instala cerca de 2 horas após a morte e pode perdurar por cerca de 30 horas)

2-Trajectos hemáticos (sanguíneos)de sangue arterial e venoso e também capilar correspondendo a hemorragias ante e post mortem.

3-Lesões contundentes graves na face

4-Cerca de 60% da superfície corporal evidencia lesões infligidas pelo terrível chicote romano «Flagrum Taxillatum»

4- Multiplas lesões perfurantes na cabeça e couro cabeludo correspondendo a um objecto de tortura tipo capacete de espinhos

5-Feridas perfurantes no punho esquerdo e pés compatíveis com cravos de crucificação

6-Ferida perfurante na região antero-lateral do hemitórax direito sensivelmente no 5º espaço intercostal- experimentalmente foi constatado que, um objecto perfurante a esse nivel depois de transpor a parede toráxica após um percurso de cerca de 8-10 centímetros atinge a aurícula direita do coração-trata-se da ferida da lança e a mancha adjacente exibe uma porção avermelhada(o sangue proveniente da aurícula direita) e uma porção clara (correspondendo afluído de derrame pleural ou pericárdico) ou seja é a explicação médica para a descrição do sangue e água do Evangelho de S. João.

7- Os trajectos sanguíneos nos membros superiores permitem concluir que o Homem do Sudário tinha os membros superiores a cerca de 65º com a vertical e portanto compativeis com a posição de crucificação.

8-A morte ocorreu na cruz por múltiplas disfunções orgânicas, estado de choque hemorrágico e asfixia

Haverá alguém que conseguisse sobreviver a tamanha brutalidade e agonia na cruz , e depois com o tórax perfurado por uma lança que perfurou o pulmão e atingiu o coração?

A resposta é óbvia-JESUS CRISTO MORREU NA CRUZ, mesmo aqueles que contrariam a conclusão dos peritos que estudaram os aspectos lesionais do Santo Sudário não apresentam quaisquer argumentos válidos em contrário.

Mas a intenção do conteúdo desse programa é na realidade atingir o pilar fundamental do Cristianismo ou seja NEGAR a Ressurreição de Cristo, todavia os factos considerados permitem descartar essas teorias fantasiosas sem qualquer suporte científico, e portanto a questão da Ressurreição de Cristo como um fenómeno transcendente terá obviamente de ser admitida.

 A RESSURREIÇÃO,esse evento único na História da Humanidade, que aconteceu com um único Homem pela vontade de Deus, o GRANDE MILAGRE não foi um mito elaborado, nem uma criação mental/versus alegada vivencia «espiritual» seja lá o que isso for, como defendem alguns pseudo-teólogos, não foi a reanimação de um cadáver como aconteceu com Lázaro ou a filha de Jairo, mas sim a passagem do corpo flagelado e ensanguentado do Cristo Crucificado, para a forma de existência transfísica (não sujeita às leis naturais temporo-espaciais) do Cristo Ressuscitado.

 

                                                                       CONCLUSÃO

 

Mais uma vez os argumentos dos cépticos são absolutamente demolidos com base nos dados dos Evangelhos mas também e sobretudo com os estudos médico-científicos no Santo Sudário de Turim.

Jesus Cristo indubitavelmente morreu na cruz, foi sepultado cadáver envolvido no lençol adquirido por José de Arimatheia e esse lençol é o testemunho vivo da Sua Paixão e o suporte material da nossa crença na Sua Ressurreição corporal transfísica.

 

Referencias

Obras Literárias:

Biblia Sagrada Difusora Biblica Franciscanos-Capuchinhos Lisboa/Fátima 2008

Moreira, Antero de Frias «Sudário de Turim, Mortalha de Cristo ou fraude medieval?» Editora Edium 2012

Sanders E.P. « A verdadeira história de Jesus» Editorial Notícias 2004

Verschuuren, Gerard « A Catholic scientist champions the Shroud of Turin» Sophia Institute Press Manchester New Hampshire 2021

Artigos Científicos:

segunda-feira, 5 de abril de 2021

ENTREVISTA NA RADIO OBSERVADOR SOBRE O SANTO SUDÁRIO

 

                  ENTREVISTA NA RADIO OBERVADOR-SEXTA FEIRA SANTA 02 DE ABRIL 2021

 

Na passada sexta-feira santa 2 de Abril 2021, Antero de Frias Moreira membro executivo do Centro Português de Sindonologia, foi entrevistado para a Rádio Observador, pelo nosso prestigiado membro, o jornalista Dr. João Paulo Sacadura, também ele um estudioso do Santo Sudário e que desde há décadas se tem dedicado a proferir inúmeras apresentações no nosso país, sobre o tema do Santo Sudário de Turim.

A entrevista,entre outros, abordou vários aspectos, nomeadamente o tecido, manchas sanguíneas, lesões patentes no lençol, imagem, e obviamente a controvérsia dos testes de Carbono 14 de 1988.

Convidamos os nossos leitores a ouvir a gravação da  entrevista na integra, podendo fazê-lo ou através do Google inserir Radio Observador»»» programas»»» Convidado Extra»»» «O Evangelho da Paixão escrito a sangue no linho»

Ou directamente pelo link   https://observador.pt/programas/convidado-extra/o-evangelho-da-paixao-escrito-a-sangue-no-linho/

Se tiverem questões agradecemos que as façam escrevendo-as em «comentários», procuraremos logo que possível responder.

Agradecimento:

O Centro Português de Sindonologia agradece à Radio Observador e ao Dr João Paulo Sacadura a oportunidade de difundir desta forma um assunto tão importante como tão pouco conhecido do público em geral.

segunda-feira, 8 de março de 2021

CERIMÓNIA DE MEDITAÇÃO E ORAÇÃO DIANTE DO SANTO SUDÁRIO SÁBADO 3 DE ABRIL 2021

 

CERIMÓNIA DE MEDITAÇÃO E ORAÇÃO DIANTE DO SANTO SUDÁRIO SÁBADO 3 DE ABRIL 2021

 

Recebemos do nosso estimado amigo Dr. Barrie Schwortz (perito em imagem e fotografia que integrou a equipe STURP em 1978) a informação de que no sábado 03 de Abril 2021, irá decorrer na Catedral de S. Giovanni Battista-Turim uma cerimónia litúrgica de meditação e oração diante do Santo Sudário, a exemplo do que ocorreu no ano transacto.

 


 

                   Na imagem, Monsenhor Nosiglia em oração diante do Sudário em 11 de Abril 2020, ao seu lado direito grande imagem do negativo fotográfico da Sagrada Face do Santo Sudário

 

 

A noticia foi anunciada por Monsenhor Cesare Nosiglia, Arcebispo de Turim no passado dia 3 de Abril, e será transmitida em directo por satélite para todo o mundo, pela emissora televisiva italiana TV 2000, iniciando-se a transmissão pelas 16:30 com intervenções sobre o tema, sendo que as cerimónias na Catedral iniciar-se-ão às 17:00 (hora de Itália)

Para aceder à transmissão a partir das 15:30 (hora de Portugal) fornecemos o link da TV 2000 https://www.tv2000.it/live/  .

Pode ler.se no comunicado do Arcebispo de Turim «… a imagem sindónica que Turim guarda há quase 5 séculos é testemunha de sofrimento e morte, mas também, e com quanta intensidade, de Ressurreição e Vida Eterna…»

Votos de uma Santa Pascoa,

Todos estão convidados

 

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

VARIAS CONTROVÉRSIAS EM ANÁLISE-REFLEXÃO CRITICAACERCA DO DOCUMENTÁRIO«O MISTÉRIO DO SUDÁRIO DE TURIM»

 



REFLEXÃO CRITICA ACERCA DO DOCUMENTÁRIO «O MISTÉRIO DO SUDÁRIO DE TURIM»

VÁRIAS CONTROVÉRSIAS EM ANÁLISE

Antero de Frias Moreira*

*Médico, Especialista de Medicina Fisica e de Reabilitação-Membro Executivo do Centro Português de Sindonologia

Fevereiro 2021

 

No passado dia 1 de Fevereiro o canal 2 da RTP transmitiu um documentário do New Smithsonian Channel/BBC de 2012, com o titulo em epigrafe.

Embora louvando a iniciativa, dado ser um tema pouco conhecido, não poderemos deixar de esclarecer uma série de aspectos que certamente poderão equivocar espectadores menos familiarizados com o tema do Sudário de Turim/Santo Sudário.

É igualmente nossa convicção que mesmo quem não viu esse programa poderá tirar partido da leitura deste trabalho, em termos de aquisição de conhecimentos fidedignos sobre o Sudário de Turim

Aspectos a salientar para análise:

Não pretendemos de forma alguma fazer um resumo alargado do documentário, realçaremos apenas os seguintes aspectos a analisar

1-É feita uma breve introdução histórica ao Sudário de Turim, sendo referido que «apareceu na cidade de Lirey» em França em 1390, mas segundo um historiador entrevistado, o Sudário não teria documentação histórica antes dessa altura

2-Dos aspectos de patologia forense é mencionado evidência de lesões perfurantes nos tornozelos.

3-É dado um grande realce a alegadas inscrições de frases em grego e latim na zona da cabeça, e que por si só atestariam a autenticidade do Sudário conectando-o com Jesus Cristo.

4-São abordados sumariamente os testes radiocarbono de 1988

5-Teorias de formação da Imagem

Este foi o aspecto mais desenvolvido

Das várias teorias de formação da imagem corporal patente no tecido do Sudário foram «seleccionadas» a da reacção de Maillard (de Raymond Rogers e Anna Arnoldi), defendida pelo perito em imagem Dr. Barrie Schwortz, e foi «ressuscitada» a velha teoria da «protofotografia» proposta nos anos 90 do século passado pelo historiador de arte da Universidade de Johannesburgo-Africa do Sul, Professor Nicholas Allen, bem como a mais recente tentativa de reprodução em 2009 pelo químico da Universidade de Pavia-Itália, Professor Luigi Garlaschelli

Assim, a imagem corporal patente no Sudário, seria produzida naturalmente por um cadáver envolto num pano de linho, ou em alternativa seria obra de um falsário medieval.

 

No final o espectador ficaria convencido que persistem muitas dúvidas relativas à autenticidade do Santo Sudário, não obstante a imagem nele patente, continua envolta numa bruma de mistério que a ciência esclarecerá um dia.

 

                                                Discussão

Dada a complexidade de cada um dos pontos não iremos efectuar um desenvolvimento extenso, mas sim evocar aspectos fundamentais.

1-Aspectos históricos

O Sudário foi apresentado pela primeira vez na Europa Ocidental aos fieis como o Sudário de Cristo ou seja o Seu lençol funerário com a imagem do Seu Corpo, pelo cavaleiro Geoffroy de Charny na pequena vila francesa de Lirey (não na cidade) em 1356 ou 1357 e não em 1390.

Contràriamente ao referido, antes dessa data há múltiplas referencias ao lençol que envolveu o Corpo de Cristo no qual estava patente a imagem do Seu Corpo em manuscritos da Cristandade do Oriente, sendo absolutamente seguro que o Sudário de Cristo esteve em Constantinopla desde o século X, tendo desaparecido aquando do saque da cidade pelos cruzados da 4ª Cruzada em 1204, e foi esse mesmo Sudário que foi apresentado aos fieis em Lirey cerca de 150 anos depois.

2-Aspectos de patologia forense:

A análise forense das manchas hemáticas (que são efectivamente de natureza sanguínea), evidencia uma impressionante sequência dos eventos da Paixão de Cristo, muito mais realista, completa e chocante, do que a relatada nos Evangelhos, e a propósito, as lesões perfurantes nos membros inferiores são a nível do 2º espaço intermetatarsiano (parte da frente do pé), e não nos tornozelos.

3-Alegadas inscrições na zona da cabeça

No programa, é entrevistada a historiadora e arquivista do Vaticano Drª Barbara Frale a qual defende a teoria de que as ditas inscrições latinas conectam o Sudário a Jesus Cristo, pois além de entre outras se ler « Nazarenus», a expressão «in necem» e outras levariam a concluir que no Sudário estaria inscrita a «sentença de morte» de Jesus Nazareno.

Todavia essas alegadas inscrições não foram descobertas pela historiadora, como o programa dá a entender, antes foram resultado de um prévio trabalho de processamento de imagem dos anos 90 de autoria dos cientistas André Marion e Anne Laure Courage do Institut Optique d’Orsay de Pari

 

 

                                     Descrição: C:\Users\Antero\Pictures\inscriptions.jpg         






      Fig. 1-alegadas inscrições visíveis na zona da cabeça, «realçadas»

 

 

Tais achados não são de forma alguma consensuais entre os peritos de imagem que estudam o Sudário tendo sido muito contestados como possíveis artefactos, e para além disso historiadores e linguistas como Mark Guscin contestam o seu sentido lógico e linguístico.

São pois achados bastante circunstanciais, e de forma alguma a autenticidade do Sudário poderá neles assentar.

4-Testes radiocarbono 1988

Este tema é abordado «de fugida» ficando vagamente a noção de que poderia ter sido testada uma zona de restauro medieval.

Sendo um tema extraordinariamente complexo resumimos que é uma certeza que os testes de radiocarbono de 1988 que dataram uma única amostra do tecido 1260-1390, já não podem ser assumidos como válidos, pois para além de estudos têxteis , de imagem (fotografia de fluorescência d U.V. e análise multiespectral) e laboratoriais como a espectroscopia FTIR (Fourier Transform Infra Red ) que concluíram pela natureza anómala da amostra, vários estudos de análise estatística das sub amostras dos 3 laboratórios envolvidos concluíram pela inhomogeneidade das datações das sub amostras da mesma.

Tal facto só poderá ser explicado pela presença de Carbono 14 mais recente, introduzido ou através de contaminação não removida, ou em alternativa pela datação de uma zona do tecido alvo de um restauro «invisível» como muito bem concluiu o químico Professor  Raymond Rogers num estudo laboratorial em 2005.

De qualquer forma é um facto que a amostra testada não é representativa do resto do tecido do Sudário, e mais recentemente o físico Professor Giulio Fanti utilizando métodos alternativos de datação de têxteis antigos (método micromecânico multiparamétrico, FTIR e espectroscopia Raman) datou remanescentes de tecido do Sudário num «spam» 280 A.C-220 A.D. por outras palavras é perfeitamente plausível que o tecido do Sudário seja anterior ou do século I A.D.

5-Teorias de formação da Imagem

Os promotores do documentário seleccionaram uma teoria de carácter científico, a teoria da reacção amino-carbonilo ou «Reacção de Maillard» proposta pelos químicos Professor Raymond Rogers e Anna Arnoldi em inícios de 2000, e «defendida no programa pelo perito em imagem e fotografia e que integrou a equipe STURP, o Dr. Barrie Schwortz, e resolveram confrontá-la com a hipótese especulativa do químico Professor Garlaschelli e com a há muito tempo desacreditada teoria da «protofotografia» do historiador de arte Professor Nicholas Allen.

Ficaram por mencionar sequer outras teorias igualmente válidas com suporte  científico teórico e experimental, como a teoria da «descarga de corona» e de energias radiantes.

5.1-Reacção de Maillard

No que respeita à primeira- Reacção de Maillard- que teoriza que a coloração que forma a imagem corporal no Sudário resulta da reacção de aminas voláteis emanadas de um corpo nas primeiras horas post mortem reagiriam com açucares  presentes à superfície do tecido em virtude de o mesmo ter sido lavado numa solução de «Sapponaria Officinalis» (planta), defronta-se com algumas dificuldades nomeadamente a física da difusão de gases, e a impossibilidade de se obter uma imagem com a resolução da do Sudário, assim como a impossibilidade de microscopicamente coexistirem fibras coloridas ao lado de fibras não coloridas, como se verifica no Sudário.

Efectivamente, como se viu no documentário, o tecido tratado com «Sapponaria Officinalis» que esteve em contacto durante cerca de 3 dias com o cadáver de um porco, não exibia qualquer imagem, apenas uma coloração amarelada.

5.2-Teoria da «Protofotografia»de Nicholas Allen

No que concerne à teoria da protofotografia de Nicholas Allen é posta a hipótese de que um falsário medieval cerca de500 anos antes da invenção da fotografia por Nicephore Niepce em 1822, teria à sua disposição materiais para obter num lençol uma imagem fotográfica de um corpo suspenso- uma câmara escura, uma lente de quartzo e um lençol impregnado de sais de prata (nitrato ou sulfato de prata).

O corpo (cadáver) seria exposto à luz solar durante dias, formar-se-ia uma imagem latente no lençol e a imagem seria depôs fixada com amónia (substância presente na urina) pela impregnação do tecido com urina.

A urina removeria a prata ficando uma imagem residual no tecido com a mesma tonalidade amarelada da imagem do Sudário.

No trabalho experimental que publicou, utilizando uma estátua e uma lente de quartzo (diga-se que preparada com tecnologia actual…), afirma que a imagem é idêntica à do Sudário em termos de não direccionalidade, de coloração, superficialidade comporta-se como um negativo fotográfico, tem tridimensionalidade, e não haveria resíduos de prata no lençol tal como no Sudário.

Todavia a realidade é completamente diferente

Contràriamente à assumpção do proponente, não há historicamente qualquer referencia ao desenvolvimento de técnicas fotográficas no período medieval nem há qualquer imagem fotográfica desse período, o proponente baseou-se sim em conhecimentos mais recentes, sendo certo que a lente utilizada não poderia ter sido produzida com tecnologia medieval.

O alegado corpo suspenso, entraria em decomposição durante os vários dias de exposição à luz solar!

    Também, contràriamente à imagem do Sudário que não é direccional, essa imagem é nitidamente direccional, em função da reflexão luminosa a partir da estátua, tem contornos perfeitamente definidos contrariamente à do Sudário, e embora tenha algumas características de negativo fotográfico não apresenta (nem poderia apresentar) qualquer codificação volumétrica/tridimensional.

Para além disso embora seja questionável do ponto de vista químico, que a amónia removeria «toda a prata» certamente que se o pano que empregou fosse submetido a análise por Fluorescência de RX ou Espectrometria de Massa métodos altamente sensíveis capazes d e detectar 1 parte por bilião!!! Seriam encontrados resíduos de prata!! ( no Sudário não foi detectado qualquer resíduo de prata na imagem pelos referidos métodos).

Alem disso e não menos importante, não respeita o facto de que no Sudário não há imagem sob as manchas hemáticas, o que quer dizer que a imagem se formou depois, pois aqui as «manchas sanguíneas» teriam de ser pintadas sobre a imagem!

Não nos parece pois que esta teoria tenha fundamentação científica e muito menos que as imagens obtidas sejam comparáveis à do Sudário, e há muito que foi desacreditada, pelo que convidamos os nossos leitores a julgarem por si.

 

                                          Descrição: C:\Users\Antero\Pictures\allen 1.jpg


Fig. 2- À esquerda região frontal da imagem obtida por Nicholas Allen, à direita a do Sudário, sendo nítido na primeira demarcação abrupta de contornos, áreas de iluminação direccional nomeadamente pés, o aspecto grotesco da face e a ausência de manchas sanguíneas

5.3- O «Sudário de Garlaschelli»

Por ultimo, relativamente ao famoso «sudário de Garlaschelli» este resultou de uma experiência financiada por uma associação ateísta italiana no sentido de «provar» que seria possível a um falsário medieval produzir uma imagem corporal em tecido exactamente igual à do Sudário de Turim.

Realço que o objectivo desta experiência efectuada em 2009, era desacreditar o Sudário que iria ser exibido em solene Ostensão em 2010.

Bàsicamente o método foi cobrir um voluntário utilizando uma mascara com um baixo relevo copiado da face do Sudário e na ultima experiência (houve várias tentativas com diferentes processos), foi utilizado acido sulfúrico diluído (que actuaria como oxidante da celulose do linho) misturado com azul de cobalto (posteriormente removido), pincelado sobre os relevos corporais de um voluntário coberto num lençol de linho, após o que o tecido era aquecido num forno para simular envelhecimento.

No final as manchas e trajectos sanguíneos foram pintadas por cima da imagem com uma solução aquosa de uma mistura de ocre vermelho, cinábrio e alizarina, e para completar foram efectuados buracos no tecido com uma tocha de gás (para simular as queimaduras do incêndio de Chambery de 1532)

Admitamos que as imagens são interessantes, embora a nível microscópico sejam absolutamente diferentes no aspecto de fibras, nomeadamente em termos de coloração e coalescência de fibras, já no que respeita à imagem em si, falta-lhe a gradação de cor observável na do Sudário, pois sendo uma imagem obtida por contacto (a do Sudário não o é) tem necessariamente de haver áreas imagem com transição abrupta para áreas não imagem, e além disso consoante o físico Keith Propp concluiu, utilizando um moderno programa de processamento de imagem, não tem codificação tridimensional comparável à do Sudário.

Fornecemos a imagem da face, lado a lado com a da face do Sudário de Turim, cada um, mesmo não perito em imagem que faça a sua apreciação.

 

 

                                                  Descrição: C:\Users\Antero\Pictures\garlashelli face.jpg         Descrição: C:\Users\Antero\Pictures\face shroud.jpg



Fig 3- Em cima Face do Sudário de Turim. Em baixo face do «sudário de Garlaschelli», evidente transição abrupta para zonas não imagem; as diferenças são marcadas, a nivel visual

                   Descrição: C:\Users\Antero\Pictures\garlaschelli.jpg


Fig. 4- À esquerda imagem do negativo fotográfico face do Sudário de Turim sendo aparente a gradação de tonalidades e a riqueza de pormenores, e à direita face do «sudário de Garlaschelli» com aspecto grosseiro e evidente transição abrupta para áreas não imagem (particularmente regiões das orbitas e perinasal)


Apesar da argumentação do proponente os resultados obtidos -diga-se em abono da verdade, os mais perfeitos até à presente data- são muito diferentes da imagem original todavia o problema de que no Sudário de Turim a impressão das manchas sanguíneas ter precedido a formação da imagem continua  a pôr-se, pois foram pintadas depois da obtenção da imagem.

Para terminar este assunto recordamos que no programa o Dr. Barrie Schwortz e a antropóloga forense observaram ao microscópio amostras de tecido das 3 experiências comparativamente a amostra de tecido-imagem do Sudário

Na experiência da «Reacção de Maillard» efectivamente a coloração das fibras era semelhante à das fibras do Sudário enquanto que o aspecto microscópico das outras duas era completamente diferente.

Tais dados foram-nos fornecidos pelo próprio Dr. Barrie Schwortz em e-mail pessoal

Não quer isto de forma alguma dizer que a Reacção de Maillard explica a imagem do Sudário pois apenas foi considerada a cor-há muitos outros aspectos a ter em conta nomeadamente a natureza química da coloração, a distribuição da cor em termos de localização nas fibras, superficialidade da coloração, coalescência de fibras entre outros, além disso lembramos que não foi obtida qualquer imagem, apenas uma mancha no tecido.

 

 

                                                                 

                                             CONCLUSÃO

Na nossa opinião, que é a de quem estuda o complexo tema do Santo Sudário de Turim há bastantes anos, recorrendo a estudos sérios de carácter científico bem como artigos de historiadores crediveis, este documentário, ressalvando alguns aspectos, em nada contribui para divulgação de conhecimentos fidedignos da sagrada relíquia.

Efectivamente para além de imprecisões históricas e  médico-forenses detem-se em pormenores irrelevantes como as alegadas «inscrições» no Sudário, e aborda de uma forma fugaz e pouco esclarecedora a controvérsia dos testes radiocarbono de 1988 deixando, continuar a pairar a «sombra» da datação radiocarbono, que sabemos estar já seguramente descredibilizada pelos estudos mais recentes.

 

Para agravar a situação, coloca no mesmo plano uma teoria com suporte científico ( a da reacção de Maillard) com teorias e experiências especulativas cujo denominador comum é tentar provar que o Santo Sudário de Turim foi não mais do que uma sofisticada falsificação medieval, e assim excluir qualquer ligação com o Corpo de Jesus Cristo.

Para além disso o documentário transmite a ideia de que mesmo que o Sudário fosse autêntico, a imagem nele patente seria um facto simplesmente natural, explicado cientificamente (reacção de Maillard) descartando qualquer acontecimento transcendente relacionável com a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Todavia a realidade é bem diferente pois não existe na História nem nos anais de Medicina Forense, qualquer registo de um cadáver ter produzido uma imagem no lençol que o envolvia, e muito menos uma imagem com as características macroscópicas, microscópicas físicas e químicas da imagem corporal com as marcas da Paixão , patente no tecido do Santo Sudário de Turim.

Até à presente data, com todos os conhecimentos sobre a imagem a nível microscópico, físico e químico, NÃO FOI POSSIVEL REPRODUZIR A IMAGEM DO SANTO SUDÁRIO, a qual continua a ser um foco de atracção para a verdadeira Ciência , continuando actuais as palavras do Papa S. João Paulo II «Um desafio à inteligência».

Em suma, os documentários sobre o Sudário de Turim podem ser informativos e úteis, o que não foi o caso deste, por isso a razão de ser deste trabalho.

 

 

Nota: Não sendo este um trabalho científico na acepção do termo, não foi referenciado no texto o suporte bibliográfico, todavia tudo o que se afirma está fundamentado nos vários trabalhos e artigos  mencionados nas Referências, sendo fornecido o link de acesso sempre que disponivel

 

 

 

REFERÊNCIAS

1-Adler, A.D. «Updating recent Studies on the Shroud of Turin» 1996 http://www.sindone.info/ADLER.PDF

2-Allen, Nicholas P.L. «Verification of the nature and causes of the Photo-negative Images on the Shroud of Lirey-Chambery-Turin» http://www.sunstar-solutions.com/AOP/esoteric/Images_on_the_Shroud_of_Turin.htm

3-Casabianca, T.Marinelli, E. PanegalloG. Torrisi, B.«Radiocarbon dating of the Turin Shroud: New Evidence from Raw Data Archaeometry 22 March 2019 https://doi.org/10.1111/arcm.12467

 

 

 4-Caccere, Alfonso Marinelli, Emmanuella Provera, Laura Repice, Domenico « The Mandylion in  Constantinople-Literary and Iconographic Sources» International Conference on the Shroud of Turin July 19-22 2017 TRAC Center Pasco, Washington U.S.A.

5-Courage, Anne-Laure Marion, André «Dechiphering shadow letters appearing on the Shroud» International Scientific Symposium on the Shroud of Turin, Nice May 12th-13th 1997

6-Di Lazzaro, P. Murra, D. Santoni, A. NIcholatti, E. Baldachini, G. «Shroud like cloration of Linen by Nanosecond Laser pulses in the Vacuum Ultravioelet» Enea 2012 http://opac.bologna.enea.it:8991/RT/2012/2012_16_ENEA.pdf

7-Di Lazaro, Paolo, Atkinson, Anthony Lacomussi, Paola, Riani, Marco, Ricci, Marco Wadhams, Peter «Statistical and Proactive Analysis of na Interlaboratory Comparison: The radiocarbon dating of the Shroud of Turin» Enthropy Volume 22 Issue 9  10.3390/e22090926  https://www.mdpi.com/1099-4300/22/9/926

8-Fanti, G. «Can a Corona Discharge Explain the Body Image of the Turin Shroud?» Journal of Imaging Science and Technology Volume 54 Number 2 March 2010 pp. 20508-1-20508-11 (11) https://www.ingentaconnect.com/content/ist/jist/2010/00000054/00000002/art00010

9-Fanti, Giulio Malfi,, Pierandrea Crosilla, Fabio «Mechanical and Optochemical dating of the Turin Shroud» Matec Web of Conferences 36 01001(2015) https://www.matec-conferences.org/articles/matecconf/abs/2015/17/matecconf_wopsas2015_01001/matecconf_wopsas2015_01001.html

10-Garlaschelli , Luigi «Lifesize reproduction of the Shroud of Turin and its image» Journal of Image and Technology 54(4) July 2010 Issue 4 pp. 040301-14 https://www.researchgate.net/publication/243582609_Life-Size_Reproduction_of_the_Shroud_of_Turin_and_its_Image

11-Guscin, Mark «The Inscriptions on the Shroud» 1999  https://www.shroud.com/pdfs/guscin2.pdf  

12-Heimburger, Thibault Fanti, Giulio «Scientific comparison between the Turin Shroud and the first handmade whole copy» Proceedings of the International Workshop on the Scientific approach to the Acheiropoietos Images, Enea Frascati Italy 4-6 May 2010

13-Jones, Stephen E. « My reply to Professor Nicholas Allen» November 15 2020 http://theshroudofturin.blogspot.com/2020/11/stephen-e.html

14-Rogers, Raymond N. Arnoldi, Anna «Scientific Method Applied to the Shroud of Turin» 2002 https://www.shroud.com/pdfs/rogers2.pdf

15-Rogers, Raymond N. «Pyrolysis Mass Spectrometry Applied to the Shroud of Turin» 2004  https://www.shroud.com/pdfs/rogers4.pdf

16-Rogers, Raymond N. «Studies on the radiocarbon sample from the Shroud of Turin» Thermochimica  Acta volume 425 issues 1-2 20 January Pages 189-194  https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0040603104004745?via%3Dihub  

17.Rogers, Raymond N. Arnoldi, Anna «An Amino Carbonyl Reaction May Explain the Image Formation 2003  https://www.shroud.com/pdfs/rogers7.pdf  

18-Scavone, Daniel «Greek Epitaphioi and other evidence for the Shroud in Constantinople up to 1204» https://www.shroud.com/pdfs/scavone.pdf

19-Shwortz, Barrie M. «Is the Shroud a Medieval Photograph? A critical examination of the theory» 2000 https://www.shroud.com/pdfs/orvieto.pdf

20-Schwortz, Barrie M. «Behind the scenes of a New Smithsonian Channel Shroud Documentary» 2013

21-Schwortz, Barrie M. « A brief review of the new CNN documentary and further comments on the medieval photograph theory» March 5 2015

22-Schwortz, Barrie M e-mail pessoal 07/02/2021